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[:pt]Movimento Popular de Libertação de Angola prestes a conhecer novo líder[:]

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É possível que o líder político africano mais emblemático da atualidade, José Eduardo dos Santos, esteja prestes a abandonar o posto mais alto do Governo angolano, após 37 anos de mandato. Ainda que no evento do 60° aniversário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no último sábado (dia 10 de dezembro), a sua aposentadoria não tenha sido oficialmente declarada, ao que tudo indica, parece que, de fato, João Lourenço, de 62 anos, atual Ministro da Defesa, será o nome para liderar o Partido nas próximas eleições.

Ex-guerrilheiro, Lourenço provavelmente comporá junto com Bornito de Sousa, atual Ministro de Administração do Território de Angola, a chapa do Partido para as eleições gerais do ano que vem (2017). Fontes locais afirmam que Lourenço e Sousa são os principais políticos de confiança do atual Presidente: “ambos são puros produtos do partido, o qual ainda está sob controle dele [de Dos Santos]”, afirmou Benjamim Auge, do Instituto Francês de Relações Internacionais.

A Presidência de Dos Santos sempre foi alvo de muitas controvérsias entre agentes da mídia e da sociedade civil angolana, bem como da comunidade internacional. Não somente o longo mandato gerou insatisfações entre estes atores, mas também a nomeação de parentes de Dos Santos a uma série de altos cargos públicos e a restrição aos direitos de expressão e mobilização. Nesta semana, por exemplo, o jornal francês Le Monde divulgou escutas telefônicas do Serviço Secreto Britânico feito ao Presidente angolano em 2009, fato que reitera a vigilância apurada sobre Dos Santos por parte de organismos internacionais.

Pressões internas ao Partido também podem sustentar a substituição. Fontes locais relatam que parte do MPLA está descontente com a atuação de Isabel dos Santos, filha do Presidente, na presidência da Sonangol desde junho passado. Este ano (2016) será a primeira vez que a empresa, imersa em um profundo intento de contenção de gastos e de reestruturação de dívidas, não transferirá dividendos aos cofres públicos angolanos. Soma-se a isso que segmento do Partido desconfia da integridade física de Dos Santos em levar a cabo outro mandato presidencial, já que, hoje, ele está com 74 anos.

Do outro lado, despontam pressões econômicas em Angola, as quais podem acelerar o processo de escolha de um novo líder ao MPLA. A atual queda no preço internacional do petróleo reduziu drasticamente o fluxo de divisas ao país, desacelerando o ritmo de crescimento econômico. Em contrapartida, a desvalorização cambial – a qual soma pouco mais de 30% de desvalorização da taxa cambial, se comparada ao mesmo período do ano passado (2015) – trouxe pressões inflacionárias e dificuldades financeiras à Sonangol, principal companhia do país, em arcar com suas dívidas internacionais contraídas em dólares.

Pressões econômicas e políticas à parte, é fato que Dos Santos segurou-se no poder por quase 40 anos, demonstrando resiliência política frente a questões sensíveis, como a guerra civil que assolou o país por muitos anos. Durante o seu governo, a sociedade angolana presenciou uma série de transformações econômicas, políticas e sociais, as quais repaginaram por completo a configuração das instituições de Angola. No entanto, caberá aos livros de história do futuro avaliarem se foram positivas ou negativas tais transformações.

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ImagemMinistro da Defesa Nacional, João Lourenço” (FonteAgência Angola Press):

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2015/0/4/Angola-Ministro-Defesa-dialoga-com-delegado-Uniao-Europeia,f8b48f51-d7e8-42de-80ef-cffc344058bf.html

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About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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