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Semana de ataques na África dão a dimensão global do terrorismo

Na semana passada, o mundo ainda se recuperava dos brutais ataques à capital francesa (Paris) quando presenciou novos massacres a cidadãos inocentes. Desta vez, longe do território europeu, africanos foram vítimas de grupos extremistas, que através das práticas terroristas visam abalar as estruturas das sociedades em que se inserem e instaurar um regime islâmico.

O primeiro deles foi o ataque ao Radisson Blu Hotel, na cidade de Bamako, no Mali. Na ocasião, 170 hóspedes foram feitos reféns pelos terroristas, os quais defendiam a libertação de alguns presidiários para a entrega dos reféns. O grupo Al Mourabitoun reivindicou os ataques: “Nós, do grupo Mourabitoun, em cooperação com os nossos irmãos da Al Qaeda no Maghreb Islâmico, a grande área desértica, reivindicamos a responsabilidade pelos ataques ao Radisson Blu Hotel em Bamako”, dizia um áudio gravado por um membro não identificado e divulgado pela emissora Al Jazeera.

Alguns analistas afirmam que o ataque ao hotel tratou-se, na verdade, de um ataque indireto à França. A presença das Forças Armadas do país europeu no Mali aumentou consideravelmente desde 2013, quando o Governo do Mali pediu formalmente o auxílio francês para o combate das forças terroristas situadas na região norte do país.

Entre as vítimas do ataque estão diversos cidadãos de países do mundo ocidental (seis trabalhadores russos de uma companhia aérea e um servidor público estadunidense), além de três empresários chineses.

Do outro lado, no último sábado (dia 21 de novembro), quatro civis foram mortos após o ataque de três mulheres e um homem bomba em Fotokol, na região norte dos Camarões. Ao que tudo indica, o grupo terrorista Boko Haram foi o responsável pelos ataques.

A cidade de Fotokol está a poucos quilômetros do Lago Chade e situa-se muito perto da fronteira com o norte da Nigéria, principal região de atuação do grupo. Entretanto, se outrora era plausível definir o Boko Haram como um grupo de atuação restrita no norte da Nigéria e com anseios de dominação política e religiosa neste país, atualmente o mesmo não pode ser dito, uma vez que ao longo deste ano (2015) foram registrados ataques em vilas situadas em outros países, como no Chade e no Niger.

Em realidade, o atual terrorismo islâmico no norte da África e no Oriente Médio busca desconstruir as fronteiras geográficas modernas e instaurar fronteiras religiosas. A gradativa expansão do Boko Haram para além das fronteiras nigerianas, a presença de grupos leais a Al Qaeda na Argélia, na Tunísia e no Mali e um território controlado pelo Estado Islâmico de tamanho similar ao Estado de São Paulo (subunidade federativa do Brasil) demonstram que as fronteiras do terror se expandem e, com ela, o próprio medo de futuros novos ataques.

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Imagem (FonteBreitbart):

http://www.breitbart.com/national-security/2015/03/16/report-france-revises-military-strategy-in-wake-of-paris-terror-attacks/

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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