ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Terrorismo volta a assombrar a região norte de Moçambique

Na semana passada, Moçambique presenciou novos ataques terroristas na região norte do país. No dia 27 de maio, dez civis foram mortos e decapitados nos povoados de Monjane e Ulumbi, sendo este o quarto ataque feito por grupos extremistas islâmicos desde o mês de abril deste ano (2018).

Denominado por moradores locais como “Al-Shabaab” – embora não haja nenhuma relação direta com o grupo somali de mesmo nome –, uma série de jovens armados e organizados realizam ações contra a população civil e as forças policiais desde o final do ano passado (2017), trazendo instabilidade à parcela norte do país. Marcada por uma maioria muçulmana, este local é caracterizado por profunda pobreza e reduzida oferta de serviços básicos. A previsão, para os próximos anos, de uma série de investimentos para a exploração de gás natural na região, ainda não resultou em avanço efetivo na qualidade de vida.

Pobreza e reduzido acesso a serviços básicos na região norte estão entre as principais causas da associação de jovens a práticas terroristas

Embora não esteja estreitamente vinculada ao Estado Islâmico, a “Al-Shabaab” moçambicana autodeclara-se como “apoiadora” à instituição do califado, utilizando da violência para a consecução deste objetivo. Em outubro do ano passado, jihadistas atacaram policiais na cidade de Mocimboa da Praia, sendo este o primeiro ataque terrorista de motivações religiosas registrado no país.

Desde então, cerca de 300 pessoas supostamente associadas a este grupo foram aprisionadas pela polícia. Entretanto, organizações internacionais e analistas apontam as reduzidas oportunidades econômicas como a causa principal da crescente associação de jovens, sendo assim o investimento público em serviços sociais uma forma possivelmente mais eficiente e de longo prazo para conter a expansão do grupo.

Segundo fontes locais, significativa parte dos recursos que sustém a “Al-Shabaab” vem do tráfico ilegal de mercadorias ao longo da fronteira com a Tanzânia, dada a sua reduzida vigilância e controle aduaneiro por parte das forças policiais moçambicanas. Com os lucros advindos do comércio fronteiriço, uma série de jovens foram enviados para treinamento no Quênia e na Somália, o que intensificou as ações do grupo por toda a região.

Organizações internacionais de direitos humanos temem a crescente onda terrorista. Moçambique possui um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, e os conflitos gerados pelo terrorismo tendem a aprofundar as mazelas geradas pela extrema pobreza, uma vez que o acesso a serviços básicos se torna mais difícil. De maneira similar, uma série de nações africanas, tais como a Nigéria, a Somália e o Quênia, por exemplo, presenciam o mesmo problema, demandando uma ação conjunta global para a mitigação destas práticas e de seus efeitos nocivos para a sociedade.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Terroristas islâmicas ameaçam a estabilidade social na região norte de Moçambique” (Fonte):

http://paginaglobal.blogspot.com/2016/02/guerra-em-mocambique-com-requintes-de.html

Imagem 1Pobreza e reduzido acesso a serviços básicos na região norte estão entre as principais causas da associação de jovens a práticas terroristas” (Fonte):

https://en.wikivoyage.org/wiki/Mozambique

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
Related posts
Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

Hong Kong detém parlamentar pró-democracia

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

O mercado danês em tempos de Coronavírus

Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

ONU anuncia manter proteção a civis aos 10 anos da guerra na Síria

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Governo do Sudão compensa vítimas do ataque terrorista ao USS Cole

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!
Powered by