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CPBR 12: Smart Cities em destaque

Campus Party 2019

Cobertura Primeiro dia da Campus Party

A Cidade de São Paulo está recebendo a Campus Party Brasil em sua 12ª edição no Expo Center Norte, Zona Norte da capital paulista, entre os dias 12 e 17 de fevereiro (2019). Este é um dos principais eventos de tecnologia no país e no mundo, estando focado na inclusão digital, e-sports e na participação público e privada para melhorar no desenvolvimento da tecnologia no Brasil.

A Campus Party é de origem espanhola e o Brasil foi um dos primeiros países a receber o evento fora da Europa. Sua ideia é reunir um grande número de pessoas que utilizam diversas tecnologias diferentes, com uma jornada multidisciplinar, acumulando variados desafios para estimular, melhorar e criar novas tecnologias que ajudem a população global. O evento conta com o apoio do poder público e da iniciativa privada e, na capital paulista, resultou numa internet de 40 Gigabytes de velocidade e no maior torneio amador de e-sports do mundo.

Francesco Farruggia, Presidente do Instituto Campus Party

Segundo Francesco Farruggia, Presidente do Instituto Campus Party, toda a estrutura de fibra ótica, entre outras estruturas aplicadas na Campus, gera conectividade e banda de internet suficiente que daria para atender a uma cidade com um milhão de habitantes. Bruno Covas, Prefeito da Cidade de São Paulo, diz estar contente com o evento e declarou que ela serve de inspiração para os jovens paulistas* e paulistanos**, além de estar contente com a evolução do uso da tecnologia na região, mantendo o município em destaque no ranking de Smart Cities.

O ranking de cidades conectadas mede diversas ações, legislações, projetos e forma de atuar conjuntamente ou não com a iniciativa privada. Todas as iniciativas que a administração local utiliza para implantar a tecnologia em sua jurisdição passa a ser avaliada em vários quesitos, dentre eles, pode-se citar: Mobilidade, Acessibilidade, Eixo de Governança, Urbanismo, Educação e Empreendedorismo.

Vista da Cidade de São Paulo. (Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWS)

No ano de 2017, segundo o Smart Cities Index, apenas São Paulo e Rio de Janeiro entraram para o Ranking Mundial, com a capital paulista na 80a colocação e a capital fluminense*** em 86a posição. A cidade dinamarquesa de Copenhague está em primeiro lugar, seguida da cidade de Singapura (República de Singapura) no segundo posto e de Estocolmo, na Suécia, em terceiro lugar.

Segundo o IESE Cities in Motion, em 2017 e 2018 a cidade de Nova York se manteve como a primeira colocada no Ranking, tendo a cidade de São Paulo como a melhor colocada no Brasil, na 116ª posição, o Rio de janeiro na 126ª, Curitiba, na 135ª e Salvador, como a única cidade do Nordeste brasileiro, na 147ª posição, de acordo com o último ranking publicado no ano de 2018

No Brasil, os parâmetros, embora bem parecidos com a métrica estrangeira, apresentam alguns elementos que fazem com que os resultados se apresentem de forma diferenciada, conforme dados do Ranking Connected Smart Cities 2018, promovido pela Urban Systems.  No estudo, baseado apenas em cidades brasileiras, Curitiba está como primeira colocada nos resultados gerais, seguida pela cidade de São Paulo, porém, a capital paulista se mantém à frente das demais cidades brasileiras, principalmente no quesito Acessibilidade e Mobilidade.

Área dos ‘campuseiros’ na Campus Party. (Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWS)

É importante ressaltar que, no Brasil, a capital paulista e a capital paranaense**** sempre estão disputando a primeira e segunda colocação no ranking geral, revezando de posicionamento a cada novo resultado divulgado, mas, entre as demais cidades que compõem o top 10, não há tantas repetições de cidades nas mesmas posições, Campinas, Brasilia, Guarulhos, Belo Horizonte, Vitória (ES) e o Rio de Janeiro sempre estão presentes entre as 10 melhores, mas não se aproximam de São Paulo e Curitiba.

Outro ponto importante a ser observado é que, indiferente aos institutos internacionais que fazem estudos sobre Smart Cities e criam seus sistemas de pontuação e ranking, São Paulo e Curitiba prevalecem como as melhores colocadas, o Rio de Janeiro se destaca sempre em poucos pontos, como o de cidade conectada, apresentando um grande número de pessoas conectadas em boa parte do dia e da noite e, em alguns casos, os turistas estrangeiros fazem peso para melhorar esses números.

Vista da Cidade de São Paulo (Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWS) (Foto: Fabricio Bomjardim / Brazil Photo Press)

Na Campus Party existem diversas oficinas, workshops e grupos de estudo em tecnologia, e estes não são basicamente de jovens e adultos paulistas, mas composto por pessoas de toda América Latina. Os resultados obtidos na Feira são levados para a cidade natal de cada um e seu aproveitamento vai depender das políticas e ações existentes nelas para aplicar esse potencial intelectual e criativo.

Assim como o Governador do Estado de São Paulo, João Dória, e o prefeito Bruno Covas costumam se pronunciar, as populações, paulista* e paulistana**, podem contar com iniciativas públicas, privadas e público-privadas para melhorar na inclusão digital da região, principalmente nos campos de Acessibilidade, Mobilidade e Empreendedorismo.

A região do Sudeste Brasileiro e principalmente as cidades do Estado de São Paulo sempre estão nos rankings mundiais e nacionais e se destacam em determinados temas e áreas de pesquisa, apresentam erros e acertos, mas, no campo em que elas acertam, outras administrações de municípios pelo Brasil podem se espelhar para atuarem melhor com o intercâmbio de informação para que o país como um todo seja conectado.

Como vem sendo observado por especialistas, o Brasil está crescendo no mapa dos países com grande capacidade criativa e empreendedora no campo da tecnologia, já apresenta grandes atletas de e-sports, além de ter suas principais capitais no ranking das melhores cidades do mundo, o que falta é distribuir melhor os recursos e a infraestrutura da informática e da tecnologia de ponta para que o povo brasileiro possa demonstrar sua criatividade, criar patentes nacionais e se firmar como uma nação de produção tecnológica.

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Nota:

* Paulista refere-se a quem nasce no estado de São Paulo, em qualquer um dos seus municípios.

** Paulistano é um termo aplicado a quem nasce exclusivamente na cidade de São Paulo, capital do Estado de mesmo nome.

*** Refere-se ao Estado do Rio de Janeiro, já que a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, popularmente chamada de Rio de Janeiro, é a capital do Estado de mesmo nome.

**** Curitiba é a capital do Estado do Paraná.

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Brasil Game Show 2018

Entre os dias 10 a 14 de outubro de 2018, São Paulo foi a cede de mais uma edição da Brasil Game Show (BGS), o maior evento de games da América Latina. A sua 11ª edição ficou marcada por consolidar o evento entre os maiores do gênero no mundo, ganhando mais atenção das grandes empresas internacionais que atuam no mercado.

O atual formato e o nome da contemporânea BGS eram outros em suas primeiras edições. Em 2009, o evento era conhecido como Rio Game Show, sendo realizado no Rio de Janeiro, e conforme foi ganhando mais espaço, aplicando experiências e analisando os grandes eventos estrangeiros, como a E3, principal acontecimento do ramo, a feira de games começou a crescer. A evolução não demorou muito e com a necessidade de mais espaço o evento se mudou para São Paulo ganhando novo formato e novo nome.

Jogadores interagindo com jogos eletrônicos durante a BGS – Foto 2

Quem conhece o evento atual, as vezes desconhece o seu criador. Muitos jogadores profissionais de e-sports (modalidade profissional de jogos eletrônicos) não sabem que Marcelo Tavares era um gamer profissional no passado.

O fundador e CEO da BGS é fluminense, passou a amar o mundo dos jogos eletrônicos junto com muitos brasileiros no início dos anos 1990, quando houve a chegada de consoles e sistemas árcades em casas de fliperamas espalhadas pelo país. O empresário, também formado em jornalismo com foco em jogos eletrônicos e tecnologia, conseguiu fazer a maior feira do gênero no país, algo que, segundo ele, é um de seus maiores orgulhos.

A Brasil Game Show retrata hoje não apenas uma feira para lançamentos e interação do público gamer, ela também demonstra a importância do Brasil, hoje, no mercado de jogos eletrônicos no mundo. Atualmente, o país conta com mais de 60 milhões de jogadores, consumidores de produtos digitais e físicos, sendo o maior mercado na américa latina e um dos únicos a ganhar notoriedade e servidores específicos fora dos Estados Unidos, Europa e da Ásia.

Segundo a Newzoo, empresa internacional especializada em marketing de jogos eletrônicos, em 2017 o país somava 66,3 milhões de jogadores, que movimentaram mais de US$ 1 bilhão (aproximadamente, 3,7 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 30 de outubro de 2018), posicionando o país na 13º colocação no ranking global e na liderança do ranking latino-americano. Em 2018 é esperado que esse mercado gere mais de US$ 1,5 bilhão em negócios, (aproximadamente, 5,49 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 30 de outubro de 2018), contando com mais de 75 milhões de gamers em todo o país.

Esses dados englobam jogadores e empresas envolvidas em desenvolvimento de tecnologia, desenvolvimento de jogos, hardware, entre outros acessórios destinado ao público jogador. Desta forma, temos o mercado de computadores e componentes, consoles (videogames), smartphones e tablets cada vez mais aquecido, pois atuam constantemente no desenvolvimento de equipamentos para poderem processar jogos em diferentes plataformas e sistemas operacionais.

Com Universidades investindo em cursos de jogos eletrônicos, empresas brasileiras investindo no desenvolvimento de games, licenciamento de marcas e produção de produtos e acessórios para crianças, adolescentes e adultos gamers e para o ramo profissional de e-sports, a Brasil Game Show se tornou o espaço para empresas brasileiras e estrangeiras exporem suas inovações e renovações e disseminá-las para a comunidade gamer internacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Marcelo Tavares CEO e Fundador da Brasil Game Show Foto 1” (Fonte):

Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Imagem 2 Jogadores interagindo com jogos eletrônicos durante a BGS Foto 2” (Fonte):

Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER (CNP)

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Dia Nacional de Taiwan

A segunda semana de outubro é o período de celebrações do Dia Nacional de Taiwan. Também conhecido como Duplo Dez (國慶日/雙十節), no dia 10 de outubro é comemorado o início da Revolta de Wuchan. No Brasil, a data é comemorada com uma série de atividades, eventos culturais e cerimonial fechado para autoridades e convidados ligados a empresas e organizações taiwanesas instaladas no país.

Da esquerda para a direita: Tsung-che, Chang Fu-Mei e Chang, Jui-Pin. Foto: Patrícia Nórica / para o CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Em São Paulo, a Comissão de Assuntos Chineses (OCAC – sigla em inglês) trouxe uma apresentação especial da Trupe Acrobática da Escola Nacional de Performance Artística, celebrando, assim, o Dia Nacional da Missão Cultural da Boa Vontade, contando com a presença da Diretora Chang, Fu-Mei, assessora do presidente de Assuntos de Política Nacional taiwanesa.

Fu-Mei expressou-se encantada com a cidade de São Paulo e com outras regiões do Brasil nas quais conseguiu fazer uma visita. Ela se surpreendeu com o número de descendentes taiwaneses presentes em solo brasileiro, muito superior ao de outros países na região, incluindo o Paraguai, um dos países com os quais tem amplo relacionamento e também fizeram uma visita oficial. Ela enfatizou sua prioridade de aumentar o intercâmbio Brasil-Taiwan, principalmente em atividades culturais e outros temas ligados aos jovens, o que serviu de pressão para os Escritórios Econômicos de Taipei no Brasil.

Autoridades taiwanesas junto com trupe acrobática durante sua apresentação em São Paulo. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Atualmente, a República da China (ROC, na sigla em inglês), conhecida pelos brasileiros como Formosa, mantém espaços culturais e consulares em regiões com grande presença de conterrâneos, promove campanhas para aumentar o intercâmbio estudantil e captar turistas para visitar a ilha taiwanesa, no sudeste asiático. Visitas a universidades, eventos comerciais e feiras de negócios são algumas das ações mais encontradas na relação de atividades dos representantes do país asiático nos sites consulares do Distrito Federal e de São Paulo.

O objetivo de fomentar o conhecimento sobre a cultura taiwanesa no país se dá pela elevada desinformação e pelo desentendimento que há por parte da sociedade brasileira sobre empresas originadas de Taiwan, além da existência de produções audiovisuais culturais que frequentemente são confundidas com as da China Continental, cujo nome é República Popular da China.

O leitor que está acompanhando essa informação aqui no portal CEIRI NEWSPAPER (CNP), provavelmente está utilizando um notebook, tablete, celular ou desktop de origem taiwanesa, ou, caso esteja utilizando um produto de marca japonesa, estadunidense ou europeia, desconhece que entre 30% a 80% de seus componentes são fabricados em Taiwan e, mesmo alguns produtos Made in China, são de empresas originadas em Taipei. Há muitas empresas famosas como a Asus, Acer, Foxconn e a OAC que são facilmente reconhecidas em qualquer terminal de trabalho ou lojas varejistas na seção de produtos eletrônicos.

Apresentação da Trupe Taiwanesa. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER (CNP)

O desconhecimento sobre aquele arquipélago asiático, sua cultura e tecnologia é comum, pois, no Brasil, a República da China não é formalmente reconhecida como um Estado. Em outras nações pelo mundo Taiwan é reconhecida pelo nome China-Taipei, um nome bem comum e utilizado para identificar os atletas taiwaneses em jogos olímpicos, por exemplo, apesar de algumas equipes esportivas da região serem classificadas como chinesas em algumas modalidades esportivas. Reconhecer Taiwan como um país tem sido uma missão difícil, que já dura anos e não se sabe ao certo se irá conseguir sucesso, algo que representará a conquista da total independência da China continental e o estabelecimento definitivo no mapa global de duas nações, uma República da China e outra com o nome de República Popular da China.

O caminho taiwanês tem sido fortalecer o reconhecimento cultural e comercial, principalmente no Ocidente, e aposta no turismo para atrair novos admiradores.  Formosa tem seu espaço territorial menor que o estado de São Paulo. Viajar pelo país e conhecer seus principais pontos turísticos, senão toda a ilha, não se torna caro, em comparação a outros países, e até mesmo viajar pelo próprio Brasil.

Apresentação do ballet artístico taiwanês em São Paulo. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER (CNP)

O seu conteúdo cultural é muito conhecido em países asiáticos, sendo bem difundido graças as novelas, conhecidas por lá como Doramas. Taiwan já foi uma colônia japonesa, e sempre teve forte presença estadunidense e de outras nações ocidentais. A influência dessas culturas em sua sociedade, somada com a local, resultou em boas estratégias de criar conteúdo que fosse facilmente reconhecido na Ásia, resultando positivamente no turismo, mas ainda está longe dos seus objetivos de aumentar o número de visitantes ocidentais.

Comparando-a com seus vizinhos Japão, China, Coreia do Sul e outros países do sudeste asiático, visitar Formosa é mais barato, menos burocrático em questões consulares e o turista consegue desfrutar de grande parte da cultura e história chinesa que não foi perdida no pós-Segunda Guerra Mundial. Conforme apontam especialistas, muita propriedade cultural foi preservada na ilha enquanto era destruída pelo governo comunista na China Continental. Apostando nesses elementos para atrair novos visitantes, o objetivo dos escritórios consulares de Taipei no Brasil e em outros países sul-americanos será de promover e estimular o interesse local por Taiwan.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Diretor do Escritório Econômico de Taipei em São Paulo, Tsungche Chang ao lado de Chang, FuMei assessora de Assuntos de Política Nacional de Taiwan e Chang, JuiPin Presidente do NTCPA” (Fonte):

Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Imagem 2 Da esquerda para a direita: Tsungche, Chang FuMei e Chang, JuiPin” (Fonte):

Foto: Patrícia Nórica / para o CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Imagem 3 Autoridades taiwanesas junto com trupe acrobática durante sua apresentação em São Paulo” (Fonte):

Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Imagem 4 Apresentação da Trupe Taiwanesa” (Fonte):

Foto: Patrícia Nórica / para o CEIRI NEWSPAPER (CNP)

Imagem 5 Apresentação do ballet artístico taiwanês em São Paulo” (Fonte):

Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER (CNP)

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Candidato presidencial Alckmin propõe reestruturação interna para fortalecer as Relações Internacionais do Brasil

O ex-governador do Estado de São Paulo e atual candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), participou do evento “Presidenciáveis 20018, Seu País, Sua Decisão”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) em parceria com o Brazil-US Business Council, na última terça-feira (24), na cidade de São Paulo. O evento contou com a presença de jornalistas, empresários brasileiros e estadunidenses, além de outros convidados pela entidade, para conhecer as propostas do presidenciável.

SAO PAULO, SP – 24.07.2018 – ELEIÇÕES 2018 – O presidenciável, Geraldo Alckmin participa do evento Presidenciáveis 2018 promovido pela Camara Americana de Comércio (Amcham) na manhã desta terça-feira (24) na zona sul de São Paulo.
(Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

Alckmin focou em problemas internos que vem acontecendo no país, os quais englobam o tema político, econômico e social, e gera confusão para a compreensão da população brasileira, dificultando ainda mais para os estrangeiros entenderem como funcionam o país, as suas leis, os tributos e quais são os meios de se investir no Brasil. Ele defende que o país deve, primeiro, fazer reformas internas, reestruturar as entidades, organizações e ministérios que cuidam da área econômica brasileira e reformular ou renovar o sistema político, para, de então, dar prioridade ao comércio internacional.

Durante o evento, os membros do conselho administrativo da Amcham entregaram um documento com propostas da entidade para melhorar a competitividade brasileira, documento que defende um dos pilares da Amcham, que é a simplificação tributária. Alckmin concorda que existe a necessidade de rever a carga tributária. Segundo ele, enquanto no Brasil se trabalha com cinco impostos (ICMS, ISS, IPI, PIS, Confins), no resto do mundo se trabalha apenas com um, o IVA (Imposto de Valor Agregado).

Muitos assuntos abordados no decorrer do evento trataram de propostas e soluções para melhorar a produtividade e a competitividade brasileira, além dos novos empresários, das startups e das questões para a promoção do empreendedorismo em nível nacional. O país conta com potenciais criadores, desenvolvedores e pequenos investidores que ainda não têm facilidades na hora de iniciar ou de manter seus empreendimentos, patentear novas descobertas e incentivos de inovação científica. Por essas razões, o presidenciável diz que esses brasileiros devem ter sua importância reconhecida nas políticas públicas e ganhar incentivos para ajudar no crescimento do país. Em suas palavras: “Para isso, temos que fazer todas as reformas. Assim, vamos atrair investimentos e criar um ambiente favorável à atividade empreendedora”. Respondendo aos jornalistas presentes sobre o tema de empreendedorismo, Alckmin falou sobre a baixa poupança do brasileiro e sobre a baixa poupança do País.

SAO PAULO, SP – 24.07.2018 – ELEIÇÕES 2018 – O presidenciável, Geraldo Alckmin participa do evento Presidenciáveis 2018 promovido pela Camara Americana de Comércio (Amcham) na manhã desta terça-feira (24) na zona sul de São Paulo.
(Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

Além de reformas internas para buscar soluções para aumentar a receita e o desenvolvimento do país, o candidato tucano citou alguns caminhos que estão ligados diretamente com as Relações Internacionais do Brasil. Alckmin citou os Blocos econômicos, como o Mercosul, União Europeia, elogiou o BRICS e o Tratado Integral e Progressista de Associação Transpacífico (TPP, na sigla resumida em inglês).

O ex-governador do Estado de São Paulo é a favor da abertura comercial do Brasil com outros países, seja de forma bilateral ou agindo em grupo. Alckmin falou sobre o Mercosul, fez uma crítica sobre o pouco que foi conquistado com o Bloco, a demora com que avançam as negociações entre os membros e a formalização de acordos comerciais com outros Blocos e países.

Segundo afirma, o fortalecimento do Mercosul é uma das alternativas para o desenvolvimento brasileiro e fortalecimento dos países sul-americanos, e, partindo dessa visão, ele vê o grupo de forma positiva, pretendendo trabalhar para seu fortalecimento. Considera as relações entre Mercosul e União Europeia, e com os países asiáticos, como de extrema relevância, por isso não podem ser perdidas por conta da lentidão burocrática e de entendimento dos seus membros.

Alckmin defende a entrada do Brasil no TTP, pois suas ideias e propostas de simplificação tributária e investimentos no comercio exterior tem por objetivo incluir o país de forma mais proativa no comercio internacional, atuando até em Blocos econômicos do qual não é signatário. Ele vê o BRICS como um grupo ainda a ser melhor explorado, porém não deu mais detalhes de como poderia ser trabalhada essa atuação brasileira no cenário internacional.

O candidato não citou preferências para as relações brasileiras. Os Estados Unidos, que, hoje, juntamente com a China são os grandes parceiros comerciais do Brasil, têm automaticamente prioridades, mas, em seu discurso, Canadá e Coreia do Sul ganharam uma ênfase positiva. Em resposta ao representante da Amcham sobre as relações Brasil-EUA, declarou: “Vamos dar prioridade ao comércio exterior, buscando complementaridade econômica com os EUA, mas também acordos entre Mercosul e União Europeia”.

Os Estados, Blocos e a ideia de melhorar a abertura econômica do país com o mundo é um ponto importante para os profissionais de Relações Internacionais. Nesse sentido, a visão de cada um dos candidatos nas eleições 2018 sobre a posição do Brasil no mundo dará um norte sobre o que poderá ser construído, de forma positiva ou negativa, a partir de 2019.

Para o Candidato, o Mercosul tem sua importância e a demora com que as coisas acontecem não é de seu agrado. Analisando esse ponto de vista, pode-se esperar que, assumindo a Presidência em 2019, o Brasil atuaria mais como uma liderança, com mais pró-atividade, mediando e participando ativamente de temas sensíveis que envolvem os países membros do Bloco, buscando ainda consolidar o grupo, fortalecer os laços entre os membros e agir como uma unidade frente aos desafios globais.

SAO PAULO, SP – 24.07.2018 – ELEIÇÕES 2018 – O presidenciável, Geraldo Alckmin participa do evento Presidenciáveis 2018 promovido pela Camara Americana de Comércio (Amcham) na manhã desta terça-feira (24) na zona sul de São Paulo.
(Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

O Tratado da Associação Transpacífico (TTP) foi assinado por 11 países em março deste ano (2018), sem a participação dos Estados Unidos. Atualmente, a Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Japão, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã são os membros signatários do Tratado, trazendo a questão sobre se Brasil teria algum objetivo além da abertura comercial com os membros atuais. Faltou ao candidato falar mais sobre o seu plano de ação e pretensões especificamente neste Bloco.

Os membros do BRICS são importantes para o futuro comercial brasileiro, por isso, manter uma boa política com cada um deles é essencial, destacando-se que, atualmente, o maior parceiro comercial do país é um dos membros, a China, que também é quem mais apresentou evoluções nas relações com o Brasil desde 2001, compartilhando seu grau de importância com os Estados Unidos, outra peça significativa para o comércio internacional brasileiro. Rússia e Índia também são duas importantes potências globais que ainda carecem de mais avanços nas relações com Brasília, ressaltando-se que não existem atritos e nem abalos, porém ainda não estão em um grau elevado, ao ponto de torná-los tão importantes para o Brasil quanto o grupo é para o comercio internacional.

A carência de reformas internas no campo político, tributário, comercial e estrutural não é um assunto inédito. Entidades e associações que tratam de comercio exterior, relações internacionais e outras atividades que ultrapassam as fronteiras nacionais já apontam essas dificuldades por anos. No mundo globalizado as relações diplomáticas e comerciais voltadas para o exterior são tão importantes quanto as políticas públicas, tributárias e estruturais internas de um país, de forma que harmonizar a velocidade com que cada uma delas evolui pode resultar na atração de investimento externo e simplificação da entrada desses recursos no país de maneira positiva, o que resultará no seu desenvolvimento, bem como das Relações Internacionais como um todo.

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Nota:

O evento completo realizado pela AMCHAM pode ser assistido na íntegra, no portal oficial (www.amcham.com.br), e no canal oficial no YouTube (https://www.youtube.com/watch?time_continue=36&v=jpVbbBGZ3g4)

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Fontes das Imagens:

Fotos do presidenciável Geraldo Alkmin, realizadas pelo autor: Fabrício Bomjardim / CNP

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