ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

50 anos da morte de Martin Luther King Jr.: sua influência no esporte, desde as Olimpíadas de 1968

Ao dia 4 de abril de 1968 – há 50 anos, portanto –, o ativista-ícone contra a desigualdade racial nos Estados Unidos fora assassinado na cidade de Memphis, Tennessee, aos 39 anos de idade, momentos antes de uma marcha organizada sob sua liderança.

For use by white persons’ (em português: ‘Para uso de pessoas brancas’) – placa da era do apartheid

Martin Luther King Jr., Doutor em Teologia e Pastor da Igreja Batista, dedicou-se veementemente, a partir da década de 1950, à luta pelos direitos civis, como a garantia de voto à população negra e o acesso ao mercado de trabalho, usando da tática da desobediência civil e a não violência, o que subsidiou ao líder afro-americano ao posterior Prêmio Nobel da Paz de 1964.

Em 28 de agosto de 1963, ele proferiu seu discurso mais famoso – “I have a dream”* – na cidade de Washington, para um público de mais de 200.000 pessoas. Da escadaria do Lincoln Memorial, King citou o ex-presidente Abraham Lincoln e a Proclamação da Emancipação, a Constituição dos Estados Unidos e a Declaração da Independência, para reafirmar seu compromisso de liberdade e justiça para todos os cidadãos.

O sucesso das marchas idealizadas por Martin Luther King Jr. e a mobilização com apoio nacional de negros e não negros inspiraram o ativista Stokely Carmichael, futuro líder do Partido dos Panteras Negras (Black Panthers Party – BPP), a criar a expressão Black Power (Poder Negro). O partido socialista, fundado por Bobby Seale e Huey Newton, em 1966, surgiu para fazer frente à denúncias de segregação racial e abuso de autoridade dos policiais contra a população afro-americana. No entanto, ao contrário do discurso de Martin L. King, o partido lançava mão de estratégias violentas para conseguir seus objetivos.

Norman (esq), Smith (centro) e Carlos (dir) na famosa foto na Cidade do México 68

A participação da delegação da África do Sul na Olimpíada de 1968, no México, trouxe à tona a questão do Apartheid para a comunidade internacional. Após o boicote de 40 países aos Jogos, em reação ao racismo instaurado no país de Nelson Mandela, o Comitê Olímpico Internacional (COI) reconsiderou e baniu a participação sul-africana na competição.

Em forma de protesto à conjuntura social, Tommie Smith e John Carlos, dois atletas afro-americanos representando os Estados Unidos, subiram ao pódio e ergueram seus punhos cerrados (raised fist) – símbolo do BPP – durante a cerimônia de premiação, chamando a atenção de todo o mundo acerca do racismo. Tal atitude foi recriminada pelo COI e os atletas foram banidos dos Jogos Olímpicos pelo restante de suas carreiras, mas não impediu que o registro fosse marcado na História dos Jogos Olímpicos e na luta contra a desigualdade racial. 

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Notas:

* Discurso completo disponível em:

https://www.archives.gov/files/press/exhibits/dream-speech.pdf (Acesso em 5 de abril de 2018)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Martin Luther King Jr. durante seu discurso em 1963” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/81/Martin_Luther_King_-_March_on_Washington.jpg

Imagem 2 For use by white persons’ (em português: ‘Para uso de pessoas brancas’) – placa da era do apartheid” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid

Imagem 3 Norman (esq), Smith (centro) e Carlos (dir) na famosa foto na Cidade do México 68” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/John_Carlos%2C_Tommie_Smith%2C_Peter_Norman_1968cr.jpg

About author

Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais pela Business School São Paulo (BSP), Bacharel em Relações Internacionais no Centro Universitário Fundação Santo André - Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas. Bolsista pelo CNPq em 2009 com o projeto de iniciação científica "A Soberania Nacional em face dos Tratados Bilaterais: A Questão do Tratado de Itaipu". Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Atitude e Ideologias Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: integração, direito, democracia, segurança e negociação internacional. Em sua carreira, conquistou o cargo de Gerente de Negócios Internacionais. Está em contato com o comércio exterior, aprofundando seu conhecimento e focando suas habilidades para os procedimentos de importação. Já participou de diversas feiras internacionais, representando sua empresa, tendo a função de estreitar o relacionamento com fornecedores, investidores e clientes estrangeiros, além de trabalhar a marca da empresa e conquistar distribuições em diferentes continentes.
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