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#3 - Gestor de SmartCities fala sobre como tornar municípios mais eficientes e melhores de se viver

***As falas dos participantes refletem exclusivamente as suas opiniões e não devem ser interpretadas como posicionamento do CEIRI NEWSPAPER***

Encerrando o ciclo de artigos sobre SmartCities publicados no CEIRI NEWSPAPER (acesse em: http://ceiri.news/?s=smartcities ), neste episódio Wesley S.T Guerra entrevista Felipe Abreu, Gestor de Smartcity, Arquiteto e Urbanista. Abreu fala ao CNP sobre os desafios e oportunidades na execução de projetos de cidades inteligentes que torna a nossa vida melhor e eficiente!

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ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

O papel das dinâmicas sociais nas Smartcities

Muito além dos prédios, serviços, empresas e governo, a população é o coração e a mente do espaço urbano, afinal, “são as pessoas que fazem uma cidade”.

Não é possível gerir de forma eficiente ou promover o desenvolvimento de projetos inteligentes sem levar em consideração as dinâmicas populacionais e a formação social de uma cidade. Caso contrário, um projeto sempre será incompleto ou irá gerar maiores assimetrias e desigualdades do que resultados ao longo do tempo.

Trânsito Florianópolis. A mobilidade tem como origem problemas estruturais e dinâmicas sociais

Contemplar o município como um grande empreendimento ou uma grande organização, embora possa ser positivo para determinados setores, colide com a própria natureza desses espaços, já que nem todos os cidadãos estão incluídos socialmente, nem todos estão no mercado de trabalho formal, nem todos são legalizados (como no caso de alguns estrangeiros), nem todos tem possibilidades ou poder aquisitivo para acessar determinados serviços, existindo uma parcela dependente a longo prazo do Estado (órfãos, idosos sem recursos, pessoas incapacitadas) e, principalmente, o povo nem sempre responde como um grande rebanho às determinações  de alguns grupos, seja de forma consciente ou inconsciente.

Existem dinâmicas sociais oriundas da própria evolução do espaço urbano que, quando negligenciadas em um determinado projeto, afloram como uma forma de resistência ou de não aderência a um específico plano. O famoso “rolezinho”* que tomou conta das grandes cidades nos últimos anos é um exemplo desse processo.

O Bairro do Brás gera um volume superior ao de muitas cidades no Brasil, porém é um espaço degradado e com elevadas taxas de violência

Para consolidar uma Smartcity é fundamental conhecer as dinâmicas sociais de uma cidade e como as mesmas influenciam no próprio funcionamento do espaço urbano. No Brasil, por exemplo, existem bairros como o Brás e o Bom Retiro que concentram um grande número de trabalhadores estrangeiros e trabalhadores informais, essa dinâmica funciona há décadas, o que transformou ambos bairros em grandes polos têxteis. Um projeto para transformar esses bairros, hoje degradados, em novos espaços deve integrar essas pessoas, caso contrário aumentará a desigualdade e a marginalidade já existentes.

Nessa linha, podemos salientar que a comunidade estrangeira pode se transformar em um vetor importante da economia, quando são integradas às dinâmicas urbanas. Os estrangeiros podem gerar mão de obra, valor agregado e até mesmo competitividade. Mas a sua marginalização gera problemas de inclusão, informalidade e demais problemas. Uma cidade como São Paulo, pode fazer uso de suas comunidades de imigrantes para gerar sinergias com outras regiões do mundo e, através da paradiplomacia, transformar essa realidade em um fator competitivo – certo que isso já ocorre com as comunidades mais antigas – mas deve ser um processo contínuo.

Fluxo de trabalhadores na Grande São Paulo

Outro exemplo importante sobre o impacto da dinâmica social é a divisão populacional e os movimentos realizados dentro do espaço urbano, pois é um problema que vai além da simples mobilidade e que denuncia outros fatores, tais como a distribuição dos serviços, opções de lazer, trabalho, representações públicas, preço do metro quadrado, segurança etc. Muitas das cidades do Brasil sofrem com esse problema, a cidade de Florianópolis por exemplo, com menos de um milhão de habitantes, possui problemas de trânsito equivalentes aos da grandes cidades; o entorno de Brasília também enfrenta problemas de mobilidade e de concentração dos serviços e emprego na região central.

Uma cidade inteligente, precisa funcionar como um ente inteligente, formado por diversos processos e dinâmicas internas inerentes a esse espaço urbano. Caso os problemas sejam isolados e tratados mediante intervenções localizadas e pontuais, não haverá uma real repercussão na realidade da cidade, somente a solução temporária de uma deficiência. É necessário pensar a cidade como um espaço integrado, onde o fechamento de uma determinada avenida afetará o trânsito em uma região ao outro lado da cidade, onde o fechamento de espaços públicos na periferia aumentará o fluxo para a região central etc.

É de vital importância compreender que os projetos de Smartcity, mesmo liderados pelo poder público, não atendem a uma visão ideológica ou partidária, mas à própria natureza da cidade, aos seus desafios e as suas potencialidades, as suas mazelas e as suas conquistas. Cada projeto é algo único, já que cada cidade é um universo, sendo necessário ter a maturidade de aceitar que se trata de um projeto em benefício de todos, capaz de integrar e melhorar a qualidade de vida de todos, não somente por um período, mas a longo prazo.

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Nota:

* O termo “rolezinho” é uma gíria brasileira para designar um pequeno passeio com amigos para algum lugar, especialmente para Shoppings Centers.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fases de uma cidade em uma cidade emergente e sustentável” (Fonte):

http://servicesaws.iadb.org/wmsfiles/images/0x0/-40249.png

Imagem 2 Trânsito Florianópolis. A mobilidade tem como origem problemas estruturais e dinâmicas sociais” (Fonte):

http://www.mobfloripa.com.br/imagens/noticia002688.jpg

Imagem 3 O Bairro do Brás gera um volume superior ao de muitas cidades no Brasil, porém é um espaço degradado e com elevadas taxas de violência” (Fonte):

https://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/0f/13/d6/a6/atacado-e-varejo.jpg

Imagem 4 Fluxo de trabalhadores na Grande São Paulo” (Fonte):

http://s2.glbimg.com/GHcbkefmKUhohwRnwWf_PPMMfDQ=/620×465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2015/03/24/mapaibge.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

O processo produtivo, criativo e o desenvolvimento social das Smartcities

Criar um espaço inteligente em um meio urbano não se trata apenas de implementar uma nova tecnologia, serviço básico, público ou realizar ações locais determinadas, incapazes de promover um real benefício para toda a cidade.

Projeto [email protected] – Distrito Inteligente de Barcelona

Um processo inteligente, conforme foi abordado ao longo deste ciclo de artigos sobre Smartcities, deve levar em consideração as dinâmicas intrínsecas das cidades e atuar como vetor da mudança e inovação dessas dinâmicas, promovendo uma sinergia entre os diferentes atores e fatores implicados, sendo este um processo inclusivo no qual a cidade atua como um grande ente vivo onde cada dinâmica é fundamental para seu funcionamento.

O projeto de Smartcity de uma cidade é a própria inteligência desse ente urbano, de modo que se afasta dos típicos programas eleitorais e ações governamentais limitadas cronologicamente, para ter um caráter próprio e único que perdura ao longo do tempo e serve de guia real para as ações públicas. A cidade deixa de estar à mercê de uma visão política determinada e passa a impor sua realidade e suas dinâmicas como um roteiro ao qual as forças políticas e privadas devem se adaptar.

Um exemplo visível disso são as próprias dinâmicas produtivas de uma cidade. A distribuição de fábricas, a força de trabalho e a segmentação econômica dos bairros vão continuar as mesmas – salvo grande intervenções – independentes do partido que ocupe o poder, de modo que uma política implementada em um bairro de alto padrão durante uma determinada gestão, em nada irá afetar a produtividade ou realidade das regiões industriais que normalmente ficam mais afastadas, ao menos não a curto prazo ou de forma controlada.

Um processo inteligente, por outro lado, tem como objetivo harmonizar o impacto de projetos na própria dinâmica populacional, levando em consideração onde moram os trabalhadores, a oferta de transporte para os centros de produção, onde se localiza o consumo de maior volume na cidade, a distância dos centros financeiros etc., tudo funcionando de forma esquematizada para gerar um fluxo inteligente e sustentável, pois uma ação gera impacto e ecoa em vários setores.

A utilização de processos inteligentes, ajudou a muitas cidades europeias a transformarem o setor produtivo de suas grandes capitais, mas antes foi necessário compreender os processos e dinâmicas que moldavam a realidade dessas cidades.

Setores em Barcelona

Madrid, Barcelona, Milão, Londres, Paris, Berlim e Bilbao, por exemplo, sofreram um grande processo de desindustrialização entre os anos 80-90, assim como um aumento considerável dos custos da mão de obra, a falta de trabalhadores, o aumento desproporcional do valor dos imóveis, o crescente fluxo migratório e informalidade de vários setores, a globalização das economias e a concorrência das economias emergentes (China, Brasil, Índia, Rússia). As cidades europeias cresciam em economia, mas perdiam em competitividade e em qualidade de vida, até que as cidades inteligentes floresceram por todo o continente.

Os projetos urbanos mudaram essa realidade. A cidade de Barcelona foi uma das primeiras com o projeto olímpico Barcelona 92, que logo se transformou no projeto Barcelona Smartcity, e muitas cidades da Espanha e da Europa seguiram o exemplo, promovendo uma grande onda de transformações só antes vista no século XIX.

O processo produtivo e as dinâmicas sociais serviram de guia para essas cidades localizarem onde se reúnem os principais contingentes populacionais, a dinâmica econômica entre eles, a flexibilização e mobilização social prevista, o potencial inovador a mobilidade e formação disponível sendo as bases de uma grande revolução.

A criação de distritos da criatividade e inovação em regiões deterioradas da cidade, o aumento da oferta de transporte público e um rígido controle dos imóveis desocupados, promoveram um enorme impacto nas dinâmicas sociais e uma redução considerável da desigualdade, pois as classes sociais já não se agrupavam de uma forma tão visível, mas se distribuíram melhor pela cidade, gerando novas dinâmicas econômicas.

O setor produtivo foi levado a setores industriais ou a zonas francas (normalmente posicionadas, ou próximas aos portos ou aeroportos) reduzindo os custos logísticos de curto e longo prazo, promovendo a criação de clusters ou polos especializados, gerando uma força única de indução – se o governo precisa levar o metrô até o aeroporto, ele deve passar obrigatoriamente por esses setores –, aproveitando a dinâmica do próprio espaço urbano para gerar impulsos de inovação.

Ou seja, não se trata de investir e trazer uma tecnologia cara que funcione em um país desenvolvido. Isso não é ser “inteligente”, é simplesmente “colar na prova” e quase nunca dá resultados. Trata-se de conhecer como funciona uma cidade para justamente saber como racionalizar um processo inerente desse espaço e de como modificá-lo.

Os setores produtivo e criativo são geradores e ao mesmo tempo beneficiários desses projetos e é nessa dimensão que o setor privado participa do processo de desenvolvimento da urbe. Já que a evolução de uma cidade não é algo bom somente para o cidadão, ou para o político que a governa, mas para todos os que ocupam e exercem suas atividades nesse espaço, e deve ser contemplado dessa forma.

O desenvolvimento é a força motriz que fornece energia a todo o processo e quanto mais avança uma cidade em seu projeto inteligente, maior é a performance e o resultado do desenvolvimento, seja este econômico, produtivo, criativo ou social.

Em países como o Brasil este processo é de vital importância, pois mais de 80% da população é urbana, tem uma grande taxa de desigualdade, concentração econômica e produtiva no eixo “São Paulo–Rio de Janeiro–Belo Horizonte” e falta de serviços básicos e de infraestrutura. É necessário conhecer bem a realidade das cidades para implementar estes projetos, não somente nas grandes cidades, mas também nos pequenos e médios municípios.

De nada serve gerar um complexo inteligente de última geração na Zona Sul do Rio de Janeiro, quando a mão de obra se concentra na baixada, acrescentando-se que o parque Tecnológico do Rio de Janeiro também está na baixada e o CBD (Central Business District – centro de negócios de uma cidade) na região central. Ou seja, isto seria uma intervenção exclusiva e não inclusiva. O mesmo se aplica a praticamente todas as capitais do Brasil.

Já no caso das pequenas e médias cidades, de nada vale tentar criar uma região de inovação tecnológica copiando o Vale do Silício na Califórnia, se não existem bons acessos, infraestrutura, mão de obra e uma economia capaz de estimular startups, ou, pior ainda, aqueles municípios que se destacam em agrobusiness e desejam implementar soluções para a indústria que não é do seu know how, sendo que a geração de valor dentro de um setor onde o município é competitivo, sem dúvidas, é mais viável.

A produtividade, a criatividade e o desenvolvimento não são ciclos que começam de forma anacrônica. Os fatores locais, sua história e o seu funcionamento vão determinar o caminho que é preciso trilhar. Isso, sim, é ser uma cidade inteligente, sendo cada projeto único.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Global Cities Connection” (Fonte):

http://www.corrs.com.au/assets/expertise/secondary/jd-global-laying-foundations.jpg

Imagem 2Plano ampliação de Madri 1857 (Em vermelho nova área urbana ao redor do centro histórico)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7d/Plano_del_Ensanche_de_Madrid-1861.jpg

Imagem 3Setores em Barcelona” (Fonte):

https://image.slidesharecdn.com/22barcelona-versin-castellana-etre-20073112/95/22barcelona-versin-castellana-etre-2007-14-728.jpg?cb=1191231709

ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

O Papel da Tecnologia nas Smartcities

Os projetos de Smarcities (Cidades Inteligentes) têm como seu principal objetivo estimular a criação de um ambiente inteligente no qual as dinâmicas e processos intrínsecos do espaço urbano são raciocinados e direcionados para promover o desenvolvimento sustentável da cidade e de sua população. 

Segmentos Smartcity

A tecnologia é sem dúvidas um dos principais vetores no desenvolvimento deste tipo de projeto, atuando como integradora das diversas dimensões que abrangem este processo, possibilitando a inovação e também a geração, integração ou modificação de novas dinâmicas dentro das cidades.

Mas existem desafios importantes no uso da tecnologia em projetos de Smartcity. O principal é a falta de integração dos próprios atores implicados. De nada serve instalar um processo informático de controle dos estoques de materiais para obras públicas se não existir uma rede interligada capaz de harmonizar essas informações e transformar a mesma em um processo lógico ou comando; da mesma forma, não é eficiente um sistema de controle de ocorrências na rede elétrica que não esteja interligado às diferentes prestadoras de serviço. Dispor de uma tecnologia não necessariamente significa gerar um processo inteligente. Essa realidade é perceptível em diversas cidades do Brasil.

A tecnologia oferece a possibilidade de reduzir as assimetrias típicas das cidades brasileiras. A criação de um ambiente digital oferece uma homogeneidade que permite visualizar a cidade como um grande ente formado por diferentes dinâmicas, sejam estas sociais, políticas, econômica ou produtivas.

Ao contemplar a cidade como um espaço inteligente, as intervenções passam a ser interligadas e não apenas projetos isolados, gerando um efeito em cadeia. Mas, para isso, é necessário uma correta implementação e o uso das ferramentas tecnológicas disponíveis.

Outro aspecto relevante da tecnologia é o seu potencial inovador e sua capacidade de estimular e gerar novos projetos. Para as cidades inteligentes, ela é a principal ferramenta para a evolução do processo, havendo diferentes tipos que podem ser implementados conforme as próprias características dos polos urbanos. Entre as principais podemos destacar:

– Tecnologia da informação, usada para integrar os diferentes atores que compõem o espaço urbano e redesenhar processos existentes, buscando um maior resultado e maior eficiência. Mediante a tecnologia da informação é possível digitalizar o espaço urbano e fazer uso de novas ferramentas, tais como a Internet das coisas, o e-government, o e-health etc.

– Tecnologia da produção, usada para aumentar a competitividade do sistema produtivo de uma cidade ou região, permitindo o desenvolvimento de uma economia cíclica, estimulando o setor criativo e inserindo novas técnicas produtivas tais como a robótica.

– Tecnologia verde, usada com o objetivo de melhorar a relação das pessoas com o meio ambiente e a sustentabilidade, promovendo o uso mais eficiente dos recursos além da correta preservação ambiental necessária para garantir o futuro das próximas gerações.

– Inovação, não se trata de uma tecnologia determinada, mas sim, da capacidade de transformação e melhoria contínua dos processos que existem ou que venham a existir em uma região urbana.

Cada tecnologia possuí serviços e ferramentas disponíveis de forma desigual, não sendo todas aplicáveis a todas as cidades, embora exista uma série de setores nos quais se fundamentam as Smartcities, que são:

– Open Data

– Mobilidade

– Plataforma participativa e E-government

– Smart grids

– Coleta Seletiva

– Serviços inteligentes

– Conectividade

– Educação

– AgroSmart

Cada projeto de Smartcity é único, pois cada cidade  possui características próprias e mesmo que existam polos urbanos semelhantes, e que compartem desafios parecidos, não há um guia padrão que explique como deve ser realizado o uso da tecnologia e sua aplicação, além do mais, é necessário levar em consideração que todas as cidades são passíveis de se transformar em polos inteligentes dentro de suas próprias características, mas nem todas possuem capacidade financeira ou estrutural para seguir um roteiro pré-estabelecido pelas grandes metrópoles.

Ao redor do mundo existem exemplos de diferentes cidades inteligentes que aplicaram a tecnologia conforme suas próprias características. A cidade de Madrid, por exemplo, utiliza uma rede integrada de transporte que permite uma melhor ocupação e distribuição da população na cidade; por outro lado, a pequena cidade francesa de Dijon criou um espaço urbano integrado gerenciado pela Prefeitura onde o cidadão tem acesso a todos os serviços públicos desde uma plataforma digital.

Centro de Operações do Rio de Janeiro

No Brasil já existe um número considerável de projetos de Smartcity, as capitais estaduais e capitais regionais lideram esses projetos, embora cada uma esteja em uma etapa diferente. No Rio de janeiro, o Centro de Operações atua como uma plataforma integrada dos serviços de emergência pública; já em Florianópolis o setor criativo é estimulado graças ao estabelecimento de parques tecnológicos e centros de pesquisa.

Existem redes formadas por essas cidades com o objetivo de fomentar o intercâmbio de conhecimento e experiências, sendo crescente o interesse tanto na área pública quanto na privada. Neste aspecto, a tecnologia se transforma em um ponto fundamental ao reduzir as distâncias e ao permitir uma maior interação entre os diferentes atores.

É certo que o país ainda apresenta deficiências na infraestrutura que podem afetar a evolução de alguns projetos de Smartcity, mas, por outro lado, essas cidades podem atuar como polos indutores e transformadores da região, além de atrair um novo fluxo de investimentos e uma distribuição mais equitativa no país.

A integração tecnológica pode ser realizada em diferentes níveis e, aos poucos, gerar os processos necessários para a implementação de um projeto de Cidade Inteligente. No entanto, a mesma deve estar aliada a uma série de intervenções que permitam essa integração, tais como infraestrutura mínima, educação, participação pública e privada. Mas, sem dúvida, uma vez instalada esta passa a atuar como uma pedra fundamental no futuro da cidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Componentes de um projeto de Smartcity” (Fonte):

http://cdn.ttgtmedia.com/rms/onlineImages/iota-smart_city_components_desktop.jpg

Imagem 2 Segmentos Smartcity” (Fonte):

https://us.123rf.com/450wm/monicaodo/monicaodo1602/monicaodo160200011/52445942-conceito-de-cidade-inteligente-com-diferente-%EF%BF%BDcone-e-elementos.-design-de-cidade-moderna,-com-tecnolog.jpg?ver=6

Imagem 3 Centro de Operações do Rio de Janeiro” (Fonte):

http://www.simi.org.br/files/news/image/305/centro_de_operacoes_do_rio_de_janeiro.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Smartcities e a corrida pela liderança global

A expressão Cidade Inteligente, ou, em inglês, o termo SmartCity, surgiu no final do século XX, como forma de identificar determinados polos urbanos que reúnem uma série de características e fatores, tais como a utilização eficiente e eficaz dos recursos econômicos, tecnológicos, energéticos e humanos disponíveis em um espaço urbano e o funcionamento do mesmo.

Por se tratar de um processo em evolução, não existe um consenso que delimite o “termo” Cidade Inteligente em sua totalidade, embora, aos poucos, surjam teorias que ajudam a identificar as dimensões que o mesmo abrange. A Cidade Inteligente, ou SmartCity, não deve ser confundida com Cidade Global, ou Cidade Alpha, pois esta última refere-se à centros urbanos que obtém seu reconhecimento através de sua influência no setor financeiro e peso no cenário internacional. Já o termo SmartCity é muito mais abrangente e pode ser aplicado a cidades menores.

É mais fácil identificar uma Cidade Inteligente pelos fatores que compõe a realidade desses centros urbanos que pela sua definição. Cidades como Singapura, Barcelona, San Diego, Vancouver, Paris, Dubai, Seul, Tóquio etc. possuem características em comum que vão além de sua importância política e financeira. São espaços inteligentes por se caracterizarem pela otimização dos processos e pela eficiência na utilização dos recursos disponíveis, havendo 7 grandes áreas:

– Sociedade:  na SmartCity, o indivíduo é priorizado e deve centralizar todas as ações públicas com o fim de obter um espaço de convivência e de desenvolvimento sustentável. Formação, cultura, participação na vida pública e integração social são aspectos relevantes.

– Economia e Negócios: Espaços inteligentes devem promover a inovação e o empreendedorismo, gerando uma maior dinâmica social e econômica participativa da região. Com maior flexibilidade e facilidades das autoridades.

– Mobilidade: O espaço urbano deve se desenvolver de forma equânime de modo que é preciso investir em mobilidade urbana e em infraestrutura. Reduzindo os efeitos negativos das grandes cidades e da cultura do automóvel.

– Governo: A participação do cidadão deve ser estimulada e a utilização da internet deve ser uma prioridade para agilizar os processos e promover maior transparência e eficiência na prestação de serviços à comunidade.

– Moradia: A cidade deve integrar todas suas regiões, utilizando fatores anteriores (economia, mobilidade e governo), promovendo um aumento na qualidade de vida de uma forma inteligente e equilibrada, e também promover a correta ocupação do espaço urbano. Promovendo coesão, segurança e melhora nas condições de vida.

– Meio Ambiente: Com o aumento da população urbana mundial é preciso integrar o meio ambiente aos centros urbanos. Ou seja, realizar a utilização de redes de energia mais eficientes e de fontes alternativas; efetivar a integração de espaços verdes nas cidades, e de políticas ambientais e de conscientização, capazes de promover a correta ocupação de todo o espaço urbano.

– Tecnologia: Implementar a tecnologia a serviço da sociedade. Promover a universalização da tecnologia e a criação de espaços tecnológicos capazes de atrair empresas de alta tecnologia. Integrar mediante a internet todas os fatores anteriores e promover uma maior eficiência geral e eficácia na utilização de recursos e na disponibilização dos mesmos.

Embora os conceitos pareçam ser universais e lógicos, são poucas as cidades que conseguem estabelecer e seguir uma agenda ou projeto de SmartCity. Ainda assim, existem exemplos bastantes adiantados, tais como:

– Barcelona:  Cidade que, desde as Olimpíadas de 92, seguiu uma agenda de transformação, sendo considerada uma das Smartcities globais de referência e é sede do Congresso Anual de Cidades Inteligentes.

– Singapura: A pequena Cidade Estado fomentou a ocupação inteligente do território e a otimização dos processos internos, transformando-se em um dos territórios mais eficientes e prósperos do planeta.

– Seul: Cidade que, até os anos 80, estava entre as mais pobres do 3º Mundo, mas que sofreu grandes transformações, até se transformar em um exemplo de desenvolvimento para o Sul Global e um dos centros urbanos mais desenvolvidos do planeta.

– Estocolmo: Cidade reconhecida por projetos pioneiros de transformação social e ambiental.

– Vancouver: Durante 4 anos consecutivos, foi considerada a cidade mais desenvolvida do planeta, ao implementar uma agenda composta e integradora: mais de 48% da população de Vancouver é estrangeira.

Não é preciso ser uma grande metrópole para seguir uma agenda inteligente e promover a ocupação eficiente do espaço urbano.  A utilização de ferramentas diplomáticas, nesse caso paradiplomáticas – pois se tratam de negociações a nível subnacional – são fundamentais para o desenvolvimento desse tipo de projeto, pois os centros urbanos com características similares podem aprender da experiência de outras regiões no mundo e, dessa forma, corrigir desvios e avançar mais rapidamente na adesão de uma agenda inteligente. Um exemplo de pequeno município com uma agenda inteligente é a cidade de São José, em Santa Catarina, que possui um projeto de SmartCity reconhecido internacionalmente.

Países como Colômbia, México, Índia, China e Chile já possuem projetos que avançam nesse sentido. Na Europa, Estados Unidos e Oceania as cidades inteligentes já são uma realidade. No caso do Brasil, há alguns exemplos e projetos, tais como as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, São José, Recife e Fortaleza, embora sejam recentes e ainda existam muitos desafios para essas cidades, causados pela centralização política e econômica brasileira, bem como pela falta de um marco legal que atribua maiores competências aos municípios. Como se pode ver, a corrida global pelas cidades inteligentes já começou e o Brasil está atrasado.

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Imagem (Fonte):

http://www.yelads.com/images/solutions/PS_City.jpg

 

ANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Smartcity e Coronavírus, lições de uma pandemia

A pandemia causada pelo Covid-19 já soma mais de 1 milhão de contagiados e milhares de falecidos em todo o planeta. Um episódio trágico na história da humanidade que sem dúvidas marcará as próximas décadas, seja pelo impacto social, seja pelo impacto político ou econômico.

Diante de cenas como vistas na Itália, com caminhões de féretros desfilando em uma macabra marcha fúnebre, ou de convalescidos em plenas ruas do Equador, aparece o contraste, com imagens de animais silvestres circulando por cidades vazias, águas transparentes em grandes urbes e a visão no horizonte do Himalaia, a centenas de quilômetros, após esta montanha estar oculta nos últimos 30 anos devido à contaminação atmosférica. Lições de um mundo dignas de um filme post-apocalíptico ou da gênese de um novo episódio na nossa história.

Mesmo com o negacionismo presente em líderes tais como Boris Johnson, Donald Trump, Shinzo Abe e Jair Bolsonaro, que aos poucos foram cedendo, seja por fruto das pressões sociais e políticas, ou graças ao reflexo da própria realidade, vemos como a civilização e todas as construções sociais advindas dos diferentes modelos de pacto social e sistemas culturais são um frágil castelo de areia, assim como o sistema logístico e econômico internacional.

A mão invisível do mercado precisou em muitos cenários do pulso firme do Estado, pois, conforme vem sendo observado internacionalmente por vários analistas, a tragédia não entende de sistemas bancários nem modelos financeiros, também não se decanta por ideologias ou lados partidários, e nem por fronteiras desenhadas em um mapa.

Em um mundo onde mais de 80% da população se concentra nas cidades, o papel da gestão local ganhou destaque, seja aplicando medidas de confinamento e controle da epidemia, seja realizando campanhas a favor da atividade econômica, ainda com a contrapartida social e moral perante as possíveis perdas humanas.

Nesse contexto, a inteligência das cidades e a racionalização de seus processos tiveram um papel fundamental no sucesso ou fracasso de suas gestões diante da crise, e deixaram em evidência a necessidade de estabelecer processos inteligentes no gerenciamento dos espaços urbanos. Assim mesmo, diversas são as lições que ficaram para a posterioridade.

Camiões transportando falecidos pelo Covid-19 na Itália

Em Madri por exemplo, antes mesmo da declaração oficial do Governo Espanhol do Estado de Alarme, a Prefeitura já havia ordenado o fechamento das escolas, cancelado eventos públicos, e começado a articular e preparar todo seu sistema sanitário, ainda assim, a medida não levou em consideração as movimentações dos habitantes e suas dinâmicas migratórias, fazendo com que diversos cidadãos levassem o vírus a outras cidades em sua fuga desde Madri. A inteligência da capital espanhola foi o suficiente para preparar o sistema de saúde e as atividades econômicas dentro da cidade, mas falhou no que se refere ao transporte e mobilidade dentro da área de influência da mesma.

Por outro lado, a capital financeira Italiana, Milão, fez uma campanha para manter a atividade econômica tomando medidas simples de distanciamento social, o que não se mostraram efetivas e, hoje, amarga um dos maiores números de contágios na Europa.

Em Nova York, as autoridades locais, em confronto aberto com o presidente Trump, não hesitaram em tomar medidas de distanciamento local e confinamento, porém, a falta de um sistema público de saúde eficiente e a elevada densidade populacional transformaram a “capital do mundo” em um dos principais focos da doença.

Estes e outros exemplos no mundo inteiro demonstram a importância de gerar espaços inteligentes e principalmente a necessidade de integrar as diferentes dimensões que compõem a realidade urbana.

De nada serve ter um sistema de gerenciamento sanitário eficiente sem uma integração com outros sistemas, tais como transporte público, política local, logística ou segurança. Assim mesmo, a centralização do comando derivada do Estado de Alarme ou Emergência decretado em diversos países, como acontece na Espanha, por um lado facilitou o gerenciamento da crise em âmbito nacional, porém gerou assimetrias em relação às implicações locais, produzindo a falta de equipamentos ou a concentração dos mesmos, fomentando, assim, um atendimento desigual perante diferentes cenários dentro da nação.

Hospital habilitado no centro de exposições de Madrid

Porém quais são as ferramentas dentro do âmbito das cidades inteligentes que fizeram ou poderiam fazer a diferença? Assim como o termo Smartcity (Cidade Inteligente) é amplo e composto de diferentes óticas e dimensões conforme a realidade local, suas aplicações são igualmente abrangentes. Sem embargo, uma série de preceitos comuns aos diversos projetos de Smartcity podem ser usados, sendo eles:

Interoperabilidade de sistemas: Para uma correta gestão do espaço urbano e os diferentes níveis de poder que o compõe, a integração dos sistemas de informação possibilita uma melhor comunicação e gestão dos recursos, assim como atende às necessidades locais, regionais, estaduais e até mesmo nacionais. Há um contínuo fluxo de informação referente a recursos, projetos, medidas e políticas que devem dialogar entre si.

Centro de Operações Integradas: Um centro capaz de gerir diversas informações, tal como existe no Rio de Janeiro, com maior capacidade, fomentando a colaboração e adequação à realidade local.

SmartHealth: ou Sistema de Saúde Inteligente, capaz de gerenciar não somente a evolução, mas de equilibrar o uso dos recursos de modo preditivo, evitando uma possível saturação.

Smartmobility: A mobilidade, embora reduzida, deve ser controlada, para reduzir o impacto ou o uso desnecessário de recursos em um lado da cidade enquanto o outro permanece negligenciado.

TIC: Soluções como trabalho ou educação à distância só são possíveis e aplicáveis mediante a integração digital da cidadania e a disponibilização de recursos, tais como o Wifi gratuito em cidades com esse dispositivo.

Inteligência e integração são conceitos chaves para as Smartcities e esta crise revelou não somente as vantagens de racionalizar os espaços urbanos, mas, também, o longo trabalho que ainda precisa ser feito, pois esta pandemia com o tempo passará, assim como outras ao longo da história e, como esta, várias ainda podem surgir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 SmartHealth” (Fonte): https://www.gradiant.org/wp-content/uploads/2019/03/eSalud_02_cabecera.jpg

Imagem 2 Caminhões transportando falecidos pelo Covid19 na Itália” (Fonte): https://mk0ultimasnoticeq5hf.kinstacdn.com/wp-content/uploads/2020/03/5e7382a759bf5b2f295451c9.jpg

Imagem 3 Hospital habilitado no centro de exposições de Madrid” (Fonte): https://www.que.es/wp-content/uploads/2020/03/ifema-coronavirus-640×480.jpeg