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A 50º visita internacional de Obama: Quênia e Etiópia

A quinquagésima viagem internacional do presidente estadunidense Barack Obama, além de ilustrar um número expressivo, traz à luz da argumentação, uma mensagem festiva, primeiro, pela marca alcançada; segundo, por exprimir o bom momento da política externa norte-americana, que ganhou grande destaque nesses últimos meses pelas conquistas históricas em relação à Cuba e ao Irã.

No giro pela região leste do continente africano, também conhecido como Chifre da África, a visita de Obama ao Quênia e a Etiópia busca aprofundar as relações bilaterais com os respectivos países. A presença do Presidente estadunidense incluiu reuniões entre as administrações e participação na Sexta Cúpula Global do Empreendedorismo, dando mais destaque ao Fórum e abrindo oportunidades para empresários quenianos mostrarem seu potencial para o restante do mundo.

Na perspectiva política, há razões mais profundas pela tomada de decisão em escolher as duas nações. Além da participação na Cúpula Global de Empreendedorismo, em Nairóbi, a Casa Branca passará por Adis Abeba, capital etíope, por entender que os Estados citados, apesar de apresentarem rápido crescimento econômico, ainda exprimem a problemática com direitos humanos e históricos democráticos pouco estáveis. Por Washington acreditar que apresenta credenciais sólidas de governança, direitos humanos, democracia e liberdade, sua ajuda nessas esferas tem como objetivo produzir pelas vias diplomáticas apoio a novas formas de governabilidade, as quais poderiam ser implementadas pelos Governos africanos.

A questão queniana de Direitos Humanos, segundo especialistas e acadêmicos, está enraizada nos serviços de segurança que cometem graves violações. As minorias somalis, de acordo com registros, são as que mais sofrem e acabam ajudando a fomentar apoio a organizações terroristas jihadistas, como o AlShabaab. Ainda há por parte do Governo do Presidente Kenyatta tendências para restringir o acesso aos meios de comunicação.

Na Etiópia, o desafio é de cunho democrático. Com a constatação de que as recentes eleições foram uma farsa, o Partido no poder utiliza de meios repressivos para manter a estabilidade social. Há restrições aos meios de comunicação e uma nova legislação restringe a liberdade de expressão e associação com a justificativa de medidas para combate a ações de cunho terrorista.

Aliado a tais prerrogativas políticas, a interpretação do Governo norteamericano tem importância estratégica por entender que Quênia e Etiópia, juntamente com Nigéria e África do Sul, cada qual com suas especificidades, fazem parte do grupo de atores chaves para a política externa da região no combate ao terrorismo (leia-se Boko Haram, na Nigéria; e Al Shabab, no Chifre da África) e no freio a incursão chinesa, que já é latente em grande parte do continente, por exemplo.

Na Cimeira, principalmente com Nairóbi, do presidente Kenyatta, o aprofundamento das relações comerciais visa aproveitar o momento oportuno da economia do país africano. As exportações do Quênia para os Estados Unidos aumentaram consideravelmente nos últimos anos, passando de US$ 247,2 milhões, em 2010, para US$ 420,8 milhões, em 2014, quando se incluiu artigos de vestuário, acessórios, café e minérios de titânio.

Diante de tal conjuntura, a capitalização poderia gerar a busca por mais concessões de Washington para beneficiar um número maior de exportadores quenianos, com o intuito de fornecer a eles mais acesso ao mercado norte-americano. Do contrário, como dito anteriormente, a China já é um ator com grande capacidade de angariar oportunidades para e com os países africanos e também já há esforços de sua parte com aqueles atores que ainda não concluíram aproximação política e diplomática, visando fomentar novas atividades comerciais.

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Imagem  “Boarding Air Force One at Bagram Air Field, Afghanistan, May 1, 2012” (FonteOfficial White House / Photo by Pete Souza):

https://cdn-images-1.medium.com/max/2000/1*f7Y_PdAnNE7rNUbE2LM_jQ.jpeg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.politico.com/story/2015/07/obama-kenyatta-clash-on-gay-rights-in-kenya-120621.html?hp=c1_3

Ver:

http://www.politico.com/story/2015/07/obama-kenya-visit-security-120586.html?hp=t3_r

Ver:

http://www.cfr.org/peacekeeping/enhancing-us-support-peace-operations-africa/p36530

Ver:

http://blogs.cfr.org/campbell/2015/07/22/president-obama-visits-kenya-and-ethiopia/

Ver:

https://csis.org/publication/president-obamas-engagement-africa-managing-complex-relationships

Ver:

http://www.brookings.edu/blogs/africa-in-focus/posts/2015/07/21-deepening-kenya-us-relations-odhiambo-otieno-muluvi

Ver:

http://www.brookings.edu/research/flash-topics/flash-topic-folder/obama-africa-trip-kenya-ethiopia

Ver:

http://www.brookings.edu/blogs/africa-in-focus/posts/2015/07/13-obama-buhari-african-policy-dilemmas-joseph

Ver:

http://www.brookings.edu/research/interviews/2015/07/20-obama-kenya-ethiopia-trip-sy-schneidman

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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