ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A evolução do futebol na China como forma de impor seu poderio político-econômico

Há décadas o esporte vem sendo utilizado como ferramenta de propaganda política, principalmente no que diz respeito aos países comunistas, casos da antiga União Soviética – sempre em evidência no quadro de medalhas olímpicas –, Alemanha Oriental – até o final da Guerra Fria –, e atualmente Cuba, no cenário latino-americano.

Xi Jinping em encontro diplomático no Uzbequistão (23 de junho de 2016)

A China, por sua vez, consolida-se como umas das potências da nova ordem mundial, garantindo o sucesso de sua economia com a sustentabilidade de altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), graças ao desenvolvimento do comércio internacional e também à força e tamanho do mercado interno.

Politicamente, os governos chineses têm o histórico de impor suas demandas perante os parceiros e concorrentes, caso provado pela atual e iminente guerra comercial com os Estados Unidos da América, através de uma plataforma pautada no aumento das taxas dos impostos de importação, entre outras retaliações.

Diante deste cenário, e orientado pelas transações multimilionárias envolvendo a transferência internacional de jogadores entre os clubes, o governo chinês traçou a estratégia de investir no desenvolvimento do futebol, aliando o sistema nacional com o mecanismo de mercado, “utilizando a superioridade do sistema socialista”, conforme consta em seu discurso, a fim de tornar-se referência no esporte a longo prazo.

De imediato, poderosos empresários locais firmaram alianças com os clubes chineses e proporcionaram contratações de atletas consagrados, atraindo a atenção devido às altas quantias envolvidas. Compõem a lista de jogadores brasileiros que atuam na China: Paulinho (Guangzhou Evergrande), Oscar (Shanghai SIPG), Renato Augusto (Beijing Guoan), Diego Tardelli (Shandong Luneng) e Hernanes (Hebei Fortune).

Fã declarado do futebol, o Presidente da China, Xi Jinping, colocou o projeto em prática e elevou a prioridade do esporte desde que assumiu o poder, em 2013. Ele ordenou a obrigatoriedade na prática do futebol nas escolas e inspirou algumas de Pequim a irem além, a ponto de incluir o futebol nos seus exames de admissão.

Torcida na arquibancada abre bandeira gigante da China em setembro de 2016

O plano de reforma dos 50 pontos do futebol chinês, publicado em 2015, defende que este esporte tem um grande impacto social e é amado pelas grandes massas. Por isso, “o desenvolvimento e a revitalização do futebol melhorarão a condição física do povo chinês, enriquecerão a vida cultural, promoverão o espírito de patriotismo e coletivismo, cultivarão a cultura esportiva e desenvolverão a indústria esportiva. Isso tem um grande significado para a realização do sonho de se tornar uma nação esportiva poderosa e de grande importância para o desenvolvimento da economia, sociedade e cultura”.

Símbolo desta modalidade, a seleção chinesa de futebol também é alvo de transformações e melhorias até 2050. De acordo com o Presidente, os principais objetivos para o time nacional são: a classificação para outra Copa do Mundo FIFA, sediar uma Copa do Mundo FIFA e, eventualmente, ganhar o título desta competição.

A primeira e única participação da China na Copa foi pela edição de 2002, quando foi sorteada para jogar no grupo do Brasil, junto com Turquia e Costa Rica. Os chineses não marcaram, sofreram nove gols e foram eliminados em último lugar. Ocupa atualmente a 75ª posição no ranking oficial da FIFA.

O legado do plano de reforma chinês tem um formato bastante semelhante ao desenvolvimento das empresas multinacionais instaladas na China, em que a expertise estrangeira era empregada de forma a colaborar com a qualificação local. A começar pelo investimento nas categorias de base, passando pela erradicação da corrupção nas organizações que administram o futebol no país, o objetivo de construir uma seleção nacional mais forte fica cada vez mais próximo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Torcedores chineses comemoram vitória em jogo classificatório contra a Coreia do Sul” (Fonte):

https://img.fifa.com/mm/photo/tournament/competition/02/87/68/66/2876866_big-lnd.jpg

Imagem 2 “Xi Jinping em encontro diplomático no Uzbequistão (23 de junho de 2016)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/86/Prime_Minister_Narendra_Modi_with_Chinese_President_Xi_Jinping_%28cropped%29.jpg

Imagem 3 “Torcida na arquibancada abre bandeira gigante da China em setembro de 2016” (Fonte):

https://img.fifa.com/mm/photo/tournament/competition/02/83/00/85/2830085_big-lnd.jpg

About author

Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais pela Business School São Paulo (BSP), Bacharel em Relações Internacionais no Centro Universitário Fundação Santo André - Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas. Bolsista pelo CNPq em 2009 com o projeto de iniciação científica "A Soberania Nacional em face dos Tratados Bilaterais: A Questão do Tratado de Itaipu". Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Atitude e Ideologias Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: integração, direito, democracia, segurança e negociação internacional. Em sua carreira, conquistou o cargo de Gerente de Negócios Internacionais. Está em contato com o comércio exterior, aprofundando seu conhecimento e focando suas habilidades para os procedimentos de importação. Já participou de diversas feiras internacionais, representando sua empresa, tendo a função de estreitar o relacionamento com fornecedores, investidores e clientes estrangeiros, além de trabalhar a marca da empresa e conquistar distribuições em diferentes continentes.
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