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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

A importância da Cooperação Internacional na Política Externa da Bolívia

A política externa da Bolívia tornou-se elemento essencial para o desenvolvimento boliviano no governo do presidente Evo Morales. No entanto, antes de iniciar as discussões sobre cooperação internacional e política externa, é necessário trazer alguns elementos que auxiliam a compreensão do tema. Neste sentido, tanto a leitura histórica quanto a identificação de fenômenos da conjuntura são pertinentes no entendimento das questões abordadas.

Nos anos anteriores ao Governo de Evo Morales, a Bolívia se encontrava em um período de instabilidade política, quando a governabilidade se deparava com grandes dificuldades. No campo econômico, o país vinha adotando um conjunto de políticas identificadas como neoliberais, que, na prática, o Governo boliviano as implementava de maneira que foi vista pelos analistas como irresponsável. O objetivo era promover a Bolívia como o grande potencial energético da América do Sul, mas as privatizações da eletricidade, dos hidrocarbonetos, das telecomunicações, entre outras, não foram acompanhadas de um acesso da população boliviana a estes mercados. Neste sentido, as comunidades indígenas e os mais pobres foram os maiores prejudicados.

É sob esta realidade histórica que o presidente Evo Morales venceu as Eleições Presidenciais em 2005. Os erros consecutivos do Governo anterior propiciaram ao então candidato indígena uma plataforma de governo em combate ao neoliberalismo, agregando a promoção da justiça social e a defesa dos interesses nacionais.

Em linhas gerais, observadores internacionais e analistas consideram que o presidente Evo Morales implementou aquilo que havia prometido. Em pouco tempo de mandato, introduziu uma política de estatização das empresas e indústrias antes privatizadas. Em contrapartida, sob estas políticas, o Presidente também produziu certo desconforto com os seus vizinhos sul-americanos, especialmente aqueles que tinham indústrias no país. A conjuntura internacional, sobretudo do ponto de vista econômico, favoreceu a Bolívia devido à elevação do preço das commodities e, consequentemente, do preço do gás e do petróleo. O Governo boliviano aproveitou este espaço internacional favorável para imprimir uma política externa voltada para a valorização da riqueza natural do seu país.

Morales, então, definiu, cedo, uma política externa voltada para a “solidariedade dos povos” e para a promoção da prosperidade conjunta, buscando, de forma objetiva, parcerias e cooperação internacional[1]. Na prática, o Governo boliviano vem investindo nos Acordos de Cooperação Internacional e, utilizando a produção de energia como peça fundamental na construção de Acordos, vem firmando parcerias no setor militar, tecnológico e científico, dando precedência às relações sul-sul. Pode-se entender que a “solidariedade dos povos”, tema central apontado por Morales como caminho para a Política Externa da Bolívia, busca, portanto, promover um desenvolvimento regional no qual os países sul-americanos passam a contribuir para a diminuição das vulnerabilidades e disparidades existentes neles, coletivamente. Daí a importância da Cooperação Internacional.

 É verdade, também, que Evo Morales vem realizando cooperação com países fora do continente e da região. Conforme apresentado na nota analítica de 3 de novembro[2], No dia 29 de outubro deste ano (2015), o Governo boliviano firmou um Acordo com a Rússia para a construção de um Centro de Pesquisa em tecnologia nuclear que será instalado na Bolívia[3]. Semanas antes, havia firmado uma cooperação com a Argentina para o desenvolvimento de estudos na mesma vertente[4]. Conforme apontam especialistas, com relação aos estudos em tecnologia nuclear, o Governo deverá manter um debate transparente e respeitando as recomendações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

São exemplos que corroboram o utilização da cooperação internacional como um instrumento essencial para desenvolvimento da Bolívia. O país, tendo em vista sua economia em maior grau homogênea, vem buscando nos Acordos Internacionais, com ênfase em Cooperação, uma forma de diminuir as vulnerabilidades externas e promover o desenvolvimento nacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.md.government.bg/bg/tema_MissionsOperations_Afghanistan.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/12858/12858.PDFXXvmi=01RxH02USh610szfffsnrkqWNgRi9auabn9TnbPhsWispSJG8c5AwvxlNpEWBa7MxgHWsweWuxpVqaCAmHaUeJg2aVZL67zFohDSOSPkqggSqSsNBEJPo1RzWRl40VKodni3g8nIoFBPx5EaKo19pSJmL6rL2cbgAtjRDIA2ncSWiw73W9dm2WKO4cB6oNnZhHRUqsxOFQMZoU2l4gI7esViFwp5kN4DvWzWpwL6ox5Ns8awoSFDmBV39l8tad8G

[2] Ver:

[3] Ver:

http://www.la-razon.com/sociedad/El_Alto-centro-nuclear-construira-tecnologia-rusa_0_2372162771.html

[4] Ver:

http://www.lanacion.com.py/2015/10/22/bolivia-vendera-energia-electrica-a-cambio-de-tecnologia-nuclear/

About author

Mestrando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa de Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (NEPRI/UFU).
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