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A importância dos curdos na corrida para as eleições presidenciais na Turquia

O voto curdo tem um papel muito importante nas Eleições Presidenciais na Turquia, previstas para ter o seu primeiro turno em 10 de agosto e, se houver necessidade de um segundo turno, a ocorrer em 24 de agosto. Еsta minoria representa 20% da população turca.

No dia 10 de julho, o Parlamento votou uma Lei para relançar o processo de paz com os Rebeldes curdos.

Foi uma iniciativa do Partido da Justiça e Desenvolvimento (em turco: Adalet ve Kalkınma Partisi, cuja formas abreviadas são AK Parti ou AKP), de cariz islâmico e conservador, que está no poder e, alegadamente, é apoiado pelo curdoAbdulah Ocalan, líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (em curdo, : پارتی کار کهرانی کوردستان,, transl. Parti Karkerani Kurdistan, ou Partiya Karkerên Kurdistan, PKK), que teria chegado a um acordo com Erdogan em 2012, o que é motivo de satisfação em Diyarbakir[1].

Na Turquia, os votos dos curdos são repartidos por três regiões: Sudeste, Leste e outras regiões de Anatólia. Com 50% dos votos, o AKP é o primeiro partido político nestas regiões. O Partido Republicano do Povo (CHP) não tem uma representação importante perante os curdos, que o consideram nacionalista. Neste contexto, os votos dos curdos podem criar alguma surpresa nestas eleições, já, por si, inéditas[2].

Depois de dominar a política turca durante mais de uma década, poucos duvidam que Recep Erdogan irá derrotar seu principal rival, Ekmeleddin Ihsanoglu, um diplomata de pouco destaque na política nacional, ou Selahattin Demirtas, esperança da população curda[3].

Mas, os adversários de Erdogan dizem se tratar de uma disputa injusta, acusação que o Premiê rejeita. Uma vitória de Erdogan concentraria mais poder nas mãos de um homem que dividiu a sociedade turca em facções seculares e religiosas e despertou a desconfiança de aliados ocidentais da Turquia. Enquanto seus oponentes financiaram suas campanhas principalmente com doações, Erdogan transformou suas aparições públicas, algumas com dinheiro do Estado, em demonstrações de força, desde a inauguração do terceiro aeroporto de Istambul, em junho passado, ao lançamento de um trem de alta velocidade ocorrido no fim de julho[4].

Ele cruzou o país no jato de Primeiro-Ministro para se encontrar com seus apoiadores, começando sua campanha de fato bem antes de 11 de julho, data oficial estabelecida pelo Comitê Еleitoral. O porta-voz de Erdogan disse que o Premiê deixou de usar o avião e o carro oficiais desde que restrições mais severas para as campanhas entraram em vigor, em 31 de julho. Uma fonte da sede de campanha declarou que Erdogan é a figura política mais forte da Turquia e “não precisa de nenhum financiamento estatal”na sua corrida presidencial, acrescentando não ser nem antiético nem ilegal sua participação em cerimônias inaugurais.

No mês passado, o Comitê Еleitoral rejeitou um recurso do principal partido de oposição, o CHP, pedindo que Erdogan entregasse o cargo para poder concorrer à Presidência. Erdogan, em sua defesa, menciona as campanhas eleitorais do presidente norte-americano Barack Obama e da chanceler alemã,Angela Merkel, que concorreram aos respectivos cargos enquanto exerciam a função[5].

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Imagem (Fonte):

http://pressadaily.bg/publication/39519-%D0%9D%D0%B0%D1%81%D0%B8%D0%BB%D0%B8%D0%B5-%D0%B8-%D0%B6%D0%B5%D1%80%D1%82%D0%B2%D0%B8-%D0%B1%D0%B5%D0%BB%D1%8F%D0%B7%D0%B0%D1%85%D0%B0-%D0%BC%D0%B5%D1%81%D1%82%D0%BD%D0%B8%D1%82%D0%B5-%D0%B8%D0%B7%D0%B1%D0%BE%D1%80%D0%B8-%D0%B2-%D0%A2%D1%83%D1%80%D1%86%D0%B8%D1%8F

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.euronews.com/2014/08/05/kurdish-vote-has-added-value-in-turkey/

[2] Ver:

http://www.miamiherald.com/2014/07/30/4262589/poll-turks-divided-on-erdogan.html

[3] Ver:

http://www.euronews.com/2014/08/04/turkey-s-possible-regime-change-election/

[4] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-28584912

[5]Ver:
http://www.todayszaman.com/news-354237-osce-to-observe-presidential-elections-in-turkey.html

About author

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).
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