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A influência da Turquia na política do Oriente Médio

A Turquia é um país que possui um importante papel na dinâmica política do Oriente Médio. Não somente pelo tamanho de sua população, mas também pela relação histórica que há com os países da região. Por séculos, foi o centro político e decisório, através da administração do Império Otomano.

Na atualidade, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, tratou de implementar políticas visando trazer força de lei aos costumes vinculados ao Islã. Também vinculou sua figura com uma forte defesa dos interesses nacionais turcos, bem como de suas instituições e da modernização do país.

Desde que assumiu como Primeiro-Ministro, em 2003, fez uma série de ações que visavam desde colocar a Turquia no G20, e expandir seu papel na União Europeia, a financiar a ação de imãs em Mesquitas pelo Oriente Médio, África e Europa. Também construiu Mesquitas em outros países, financiou cursos da língua turca e deu apoio estratégico direto, como a construção de uma base militar na Somália, acompanhada do treinamento de 10 mil soldados no país.

Ao mesmo tempo que se tornava popular fora da Turquia, os constantes atritos com militares e secularistas culminaram em uma tentativa de Golpe de Estado. Esta foi levada à cabo em julho de 2016, por um grupo das Forças Armadas, autointitulado Conselho pela Paz Nacional.

A movimentação foi detida pelo governo, além de ser repudiada pela população com protestos nas ruas. Uma vez derrotado o grupo de militares, a euforia pavimentou o caminho para a condução de um referendo que concentrava funções e aumentou o poder de decisão nas mãos do Chefe do Executivo, que ocorreu em 2017.

Em julho de 2018, à frente do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), tornou-se o primeiro mandatário na história do país a assumir a posição de Presidente por meio do voto. Antes do referendo o cargo era indicado pelo Parlamento.

Erdogan em comício de campanha para as eleições presidências, em 2018

Este processo diminuiu a influência dos militares sobre o governo. Como muito países do Oriente Médio, a Turquia havia enfrentado um histórico de democracia tutelada pelas Forças Armadas. Por isso, as reformas que permitem ao Presidente possuir mais poder do que outros grupos de interesse estão sendo vistas em outros Estados da região como um modelo.

Para além da proximidade no diálogo, outros países no Oriente Médio enxergam na política perseguida por Erdogan uma forma de tornar funcionais suas instituições internas. Distintos fatores, como a consolidada taxa crescimento econômico de 5,4% por ano entre 2003 e 2015, aliada a difusão cultural de novelas e filmes turcos, transmitiram e consolidaram a imagem de um país moderno.

O governo da Turquia tem tomado posições firmes com relação a declarações dos Estados Unidos e ações de Israel na região, oficialmente condenando a posição da administração Trump quanto à posse das Colinas de Golã e da Faixa de Gaza por Israel. Também promoveu apoio ao Qatar para mitigar os efeitos do bloqueio e participa ativamente das negociações para resolução do conflito da Síria. Também figura como aliado estratégico para russos e chineses na região.

Para além da movimentação diplomática, também abriu as portas do país a 3,2 milhões de imigrantes sírios, revogou vistos para cidadãos de outros países árabes entrarem na Turquia e criou bolsas que permitiram que ao menos 72 mil estudantes na região fossem estudar em universidade turcas.

Erdogan recebe o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, em Ankara, em abril de 2019

O conjunto destes fatores transformou o mandatário em uma figura querida no Oriente Médio. Não é incomum a alusão de que seria um novo “sultão”, em referência aos antigos regentes do Império Otomano.

Dentre aqueles que buscam inspiração no modelo empreendido na Turquia está o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi. O General da reserva nunca escondeu sua admiração por Erdogan e buscou realizar um referendo de natureza semelhante em 2019. Sua imagem também é vista positivamente em países como a Síria e a Palestina, que veem em Erdogan um aliado.

Dentre as críticas à figura do Presidente, existe o problema que representa sua figura autoritária, além das acusações de corrupção e de perseguição à opositores. A Human Rights Watch reportou que quase um quinto da população carcerária na Turquia, 48.924 pessoas, está presa por acusação de terrorismo e crimes políticos. Ações militares contra o Curdistão e associação à Irmandade Muçulmana são outros elementos vistos com preocupação.

A presente recessão que o país enfrenta é também encarada como elemento complicador nas ambições políticas de Erdogan. No entanto, para muitos analistas, a sua figura, bem como a do governo turco permanecerão como modelo influente. Em pesquisa feita pelo Arab Barometer, em distintos Estados da região, 50% dos entrevistados afirmavam desejar que seus países possuíssem mais relações comerciais com a Turquia e 43% afirmou desejar que a influência turca na região aumentasse.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Recep Tayyip Erdogan em frente a membros do Parlamento Turco” (FontePágina Oficial no Facebook do presidente Erdogan): https://www.facebook.com/RecepTayyipErdogan/photos/a.370422308576/10155974851003577/?type=3&theater

Imagem 2Erdogan em comício de campanha para as eleições presidências, em 2018” (FontePágina Oficial no Facebook do presidente Erdogan): https://www.facebook.com/RecepTayyipErdogan/photos/a.370422308576/10155870525368577/?type=3&theater

Imagem 3Erdogan recebe o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, em Ankara, em abril de 2019” (FontePágina oficial da Presidência da Turquia no Facebook): https://www.facebook.com/trpresidency/photos/a.804669166317302/2510755922375276/?type=3&theater

About author

É bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, atualmente é mestrando em História, Política e Bens Culturais no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Integrou o Grupo de Estudos de Segurança Internacional (GEDES) na condição de pesquisador, onde também colaborou como redator do Observatório Sul-Americano de Defesa e Forças Armadas. Como pesquisador da Rede de Segurança e Defesa da América Latina desenvolveu trabalho na área de segurança pública, defesa e manutenção da paz. Atualmente desenvolve pesquisa sobre a reconstrução do Estado no Iraque. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre a política e dinâmica regional do Oriente Médio.
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