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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

A influência do Movimento Gülen no cenário internacional

[:pt]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmet” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmet.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmet atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:en]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:ru]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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About author

Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; Pós-graduanda em Política Internacional pela Faculdade Damásio, Pós-graduanda em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela Universidade de Araraquara(UNIARA); Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; atua como voluntária no Instituto de Reintegração do Refugiado(ADUS).
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