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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A influência dos xiitas e sunitas no Oriente Médio

Diversas facções políticas islâmicas são destaques nos conflitos existentes no Oriente Médio[1], como o Hezbollah, o Estado Islâmico (EI), o Hamas e a Al Qaeda, e, diariamente, a violência sectária faz novas vítimas. Diante de todas essas contendas, existe um conflito histórico entre grupos Xiitas e Sunitas, que remonta às primeiras gerações de muçulmanos.

Com a desavença política surgida após a morte do profeta Maomé[2], os dois grupos geraram diferenças teológicas e políticas e hoje protagonizam também um confronto geopolítico localizado. Durante o século VII[3], após a disseminação do islamismo na Península Arábica, foram organizadas ofensivas militares para empreender a conversão religiosa, Jihad, diante de outros povos. Tal investida possibilitou a conquista de um vasto território que, com passar do tempo, se estendeu por regiões da Ásia, do Norte da África e da Península Ibérica. Neste processo de avanço territorial e de propagação religiosa, o crescimento da comunidade islâmica contribuiu fortemente para que novos grupos aparecessem, gerando um conflito político sobre o domínio das ricas terras conquistadas. Diante de tal disputa, Sunitas e Xiitas se estabeleceram como os dois principais grupos religiosos e políticos do Oriente Médio.

Basicamente, os Xiitas[4] adotam uma interpretação mais rígida do Alcorão; não reconhecem os ensinamentos provenientes de qualquer outro livro e o islamismo deve ser politicamente controlado por membros diretos da família do profeta Maomé, pois somente os descendentes da casa de Maomé teriam a sabedoria necessária para conduzir os fiéis. Segundo os Xiitas, o Imã é uma espécie de santo por ser o verdadeiro sucessor espiritual do Profeta, além disso, eles acreditam na vinda do Mahdi (Redentor). Os Sunitas[5], por sua vez, adotam a Suna, livro que conta a trajetória do profeta Maomé, como referencial na resolução das questões não esclarecidas pelo Alcorão; reconhecem a ascensão dos líderes religiosos escolhidos pela população islâmica e acreditam que a autoridade espiritual baseia-se na tradição[6] dos ensinamentos deixados pelo Profeta. Para eles, o Imã não é revestido de santidade, sendo apenas o líder da congregação.

Atualmente, os Sunitas representam cerca de 90% do Islã e os Xiitas 10%. A antiga desavença[7] é travada por governos cujos interesses ultrapassam a tradição religiosa. A Guerra Civil na Síria reascendeu ancestrais rivalidades entre os dois principais ramos do Islã: o Sunita (majoritário) e o Xiita, ambos são formados por rebeldes que lutam[8] para derrubar a elite dominante e o Governo de Bashar AlAssad (os quais são Alauitas, uma ramificação Xiita), que recebe apoio do Irã e do Hezbollah (do Líbano), ambos Xiitas, e tem a Rússia como aliada na diplomacia internacional. Os Sunitas recebem apoio da Arábia Saudita, do Qatar, da Milícia Frente alNusra (ligada a AlQaeda), todos estes Sunitas, e da Turquia. Em países[9] como o Iraque,Barein (no norte do Iêmen) e em algumas regiões do Afeganistão e do Paquistão também existem grandes concentrações de Xiitas.

Na Arábia Saudita (Sunita), que enxerga o Irã como principal ameaça[10], a liderança monárquica fomenta uma versão extremista sunita, o Wahhabismo, ensinado em escolas e mesquitas ao redor do mundo, as quais são financiadas com o dinheiro do petróleo. O Irã (Xiita), por sua vez, patrocina grupos terroristas como o libanês Hezbollah. Segundo os especialistas em História do Islã, Bernard Lewis e Jorge Zahar, o cenário atual é de um conflito geopolítico, onde existem dois polos de influência no mundo islâmico. No entanto, mesmo com as divergências religiosas e políticas, os povos muçulmanos conseguiram propagar sua crença para diversas civilizações do mundo e as facções radicais não refletem as posições políticas e religiosas de grande parte dos seguidores do profeta Maomé.

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Imagem (Fonte):

http://blogs.timesofisrael.com/sunni-shia-geopolitics-maintaining-the-balance-of-power-in-the-levant-through-intervention/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/confira-como-surgiu-divisao-sunitas-xiitas-696521.shtml

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jan/05/editorial-comment-middle-east-sunni-shia

[3] Ver:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/proa/noticia/2015/01/sunitas-e-xiitas-caracteristicas-origens-e-novas-formas-de-enfrentamento-4682954.html

[4] Ver:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/proa/noticia/2015/01/sunitas-e-xiitas-caracteristicas-origens-e-novas-formas-de-enfrentamento-4682954.html

[5] Ver:

http://mundialissimo.blogfolha.uol.com.br/2014/12/08/o-que-sao-os-xiitas/

[6] Ver:

http://www.jornalissimo.com/atualidade/158-qual-a-diferenca-entre-xiitas-e-sunitas

[7] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/apr/05/sunni-shia-why-conflict-more-political-than-religious-sectarian-middle-east

[8] Ver:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/conflito-no-oriente-medio-e-mais-do-que-religiao-7461.html

[9] Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/03/29/conflito-no-iemen-evidencia-velha-inimizade-entre-sunitas-e-xiitas.htm

[10] Ver:

http://wp.clicrbs.com.br/olharglobal/category/oriente-medio/?topo=13,1,1,,,13

About author

Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; Pós-graduanda em Política Internacional pela Faculdade Damásio, Pós-graduanda em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela Universidade de Araraquara(UNIARA); Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; atua como voluntária no Instituto de Reintegração do Refugiado(ADUS).
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