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CNP In LocoNOTAS ANALÍTICASTecnologia

A internet e o submundo internacional*

Na década de 1960 os estadunidenses iniciaram estudos de um sistema de comunicação em rede, inicialmente para fins militares e comunicação do governo. Com o passar dos anos, os britânicos e franceses passaram a atuar no financiamento e desenvolvimento dessa tecnologia e, na década de 1980, a soma de vários estudos e sistemas de rede resultaram no sistema global de rede de computadores ou, simplificando, a Internet. Na época, ainda era algo bem restrito e foi ganhando popularidade conforme a tecnologia e a inclusão de computadores pessoais foram se desenvolvendo e sendo distribuídos em alguns países.

Até então, a comunicação basicamente era feita através de ondas de rádio, telefonia, correios e outros métodos mais ortodoxos. A partir da década de 1990 o mundo dos negócios internacionais, comunicação diplomática e intercambio intelectual sofreu uma revolução com a popularização do uso da internet e a velocidade de transmissão de dados e informações que ela oferecia frente aos métodos antigos.

Não se pode negar que a globalização e o aprimoramento e desenvolvimento de tecnologias para facilitar a interação de pessoas, empresas e governos beneficiou e ainda beneficia toda a sociedade, mas, apesar de todo os seus benefícios, ela também criou facilidades para que grupos extremistas, comerciantes do mercado negro de armas, de seres humanos entre outras atividades ilícitas se comunicarem.

Poucos sabem, mas para a World Wide Web (www.) funcionar são necessários servidores e equipamentos que ocupam edifícios completos para processar dados e convertê-los em vídeo, áudio, texto e imagens, e a maior parte desses servidores estão localizados nos Estados Unidos. Durante a década de 1990, atividades ilícitas na internet não eram tão frequentes devido a falta de servidores alternativos e eram longe para serem acionados agentes de segurança no mundo.

No decorrer dos anos 2000, com o aumento da aparição de hackers (piratas da internet) e grupos ilícitos e dominantes de tecnologia da informática e redes, o lado obscuro da internet foi ganhando um formato que hoje é conhecido como Deep Web e Dark Web. Conforme foram sendo criadas e popularizadas as redes sociais na internet comum, pessoas ligadas a este submundo utilizavam o espaço na internet legal para promover links de acesso a sua rede ilegal, popularizando-a entre pessoas mal-intencionadas e interessados em realizar negócios paralelos.

Observados os últimos 20 anos, muitos atentados terroristas, protestos, tráfico de pessoas e armas foram presenciados e difundidos na internet comum e obscura. No ano de 2013, o canal Motherboard havia publicado um documentário curto sobre a compra de armas e drogas na Deep Web.

Atualmente, pouco se fala sobre esse submundo da internet e apenas quando há fatalidades de repercussão internacional o tema do mercado negro na internet é novamente discutido pela grande mídia. Em 2015, sites e revistas como a DW (Deutsche Welle) já discutiam e comunicavam sobre as Redes Sociais como ferramenta de grupos terroristas.

Grupos ligados ao Estado Islâmico usavam e abusavam de vídeos em sites de Stream ao vivo para sua propaganda, para divulgar vídeos de chacina, decapitações etc. Em 2016, a revista Super Interessante apontou 6 técnicas do grupo terrorista nas redes sociais, em um momento no qual as atividades de seus seguidores eram diariamente postadas em páginas do Facebook e no YouTube.

Recentemente, o ataque às mesquitas na Nova Zelândia e os dois atiradores que mataram mais de 5 pessoas numa escola estadual em Suzano, na grande São Paulo, reavivou o tema do uso de redes sociais, Deep Web e Dark Web.

Captura de Tela da Transmissão do atentado na Nova Zelândia

No caso da Nova Zelândia, o australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, fez uma live (transmissão ao vivo) no Facebook, mostrando toda a sua ação, desde a chegada no local, onde realizou os disparos, até o momento em que ele foi embora, e ainda fez comentários em tom de piada sobre o atentado. O atirador também comentou que em países como o Brasil, que possuem diversidade étnica e cultural, é impossível ter uma sociedade uniforme e sem discriminação, além de usar palavras incentivando atos como o dele ao redor do mundo.

No caso de Suzano, no Brasil, os dois atiradores, Guilherme Taucci, de 17 anos, e Luiz Henrique, de 25 anos, eram usuários e frequentadores de fóruns na Deep Web. Como apurado pela polícia paulista, perguntas sobre armamento e outras formas de conduta foram feitas por ambos em sites do submundo da internet. O atentado realizado pelos dois jovens tinha como objetivo ser superior e mais famoso do que o massacre em Columbine, nos Estados Unidos, em 1999. Esses e outros casos similares demonstram como a internet é utilizada de forma positiva e negativa para a promoção das relações internacionais.

Laptop Conectado na Deep Web

Quem navegar em páginas da Deep Web para entendê-la sob o ponto de vista internacionalista, a cada passo, a cada novo fórum e site visitado, percebe-se uma realidade paralela com estabelecimento de relações comerciais ilegais, surgindo, dessa forma, o lado obscuro das Relações Internacionais.

Tudo o que um profissional de relações internacionais faz hoje, como analisar o cenário mundial, situação política, risco de conflitos, avaliação de negócios, parcerias e cooperação entre um ou mais atores no cenário internacional, também existe no ambiente da Deep Web, onde ocorrem relações entre milícias, traficantes, organizações criminosas ao redor do mundo, e é criado um espaço perfeito para troca de informações sobre suas regiões e realização de negócios. Porém, esses negócios não possuem qualquer tipo de segurança ou certeza de que será realmente efetivado.

Para ter acesso a Deep e Dark Web é necessário instalar alguns programas que ocultam sua localização, seu endereço de IP, entre outras ferramentas ligadas ao rastreamento na internet. Isso é necessário não por conta de rastreamento de agentes de segurança, mas para se proteger dos hackers e pessoas ligadas aos sites e fóruns que irá interagir**.

Captura de tela de Notificação de vulnerabilidade no acesso a Deep Web


Conforme é apontado, em muitos casos aparece um aviso informando que o programa ou o tipo de navegador que está utilizando não é mais seguro, ressaltando que se estiver dentro dos Estados Unidos, o FBI pode te rastrear. Em outros casos aparecem avisos de que em seu país não é possível fazer negócios, outros mais te alertam que dentro do submundo existem criminosos que roubam de criminosos.

Captura de tela de um site que comercializa armas na Deep Web

Quem navega nas camadas mais profundas consegue alcançar níveis inimagináveis e entende como grupos terroristas compram e vendem armamentos para outros grupos ou para pessoas comuns e simpatizantes de suas ideologias. Aqueles que possuem a criptomoeda BitCoin podem acessar sites de compras onde é possível encontrar todos os tipos de negócios ilegais, de drogas até animais em extinção***.

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Nota:

* Para a produção dessa reportagem foi realizado acesso a internet sombria utilizando de aplicativos e programas para transformá-la em uma navegação segura que, conforme vai ocorrendo a pesquisa e navegação em níveis diferentes no lado escuro da internet, obtém-se contato com diferentes atores, grupos e organizações que podem oferecer quaisquer itens exóticos ou bélicos que seria impossível encontrar em uma loja ou site comum e de forma legalizada. Na medida em que se navega, emerge a compreensão de como funcionam os grupos e fóruns no submundo, podendo alguém se tornar um profissional de Relações Internacionais do mercado negro, fazendo aquilo que apenas um indivíduo da área é capaz: mapear todos os elementos de um sistema globalizado e trabalhar com a informação para atender grupos e clientes com base em seus interesses.

** Na Deep e Dark Web muitos sites são temporários, alguns duram 5 minutos e já ficam fora do ar. Em alguns casos é devido a sites falsos, outros por serem apenas temporários e outros por serem alvo de investigação de agências de segurança.

*** Todas as capturas de telas foram realizadas navegando em sites da rede ONION que é considerada a mais segura no submundo. A rede é designada para manter a privacidade e tranquilidade de seus usuários com menos ataques de vírus e hackers.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Iceberg representando o topo a internet comum e a parte submersa, que são a Deep Web e a Dark Web” (Fonte): http://www.blognerdegeek.com/wp-content/uploads/iceberg-deep-web.jpg

Imagem 2 Captura de Tela da Transmissão do atentado na Nova Zelândia** (Fonte): Foto Fabricio Bomjardim (CEIRI NEWS)

Imagem 3Laptop Conectado na Deep Web”(Fonte):Foto Fabricio Bomjardim (CEIRI NEWS)

Imagem 4Captura de tela de Notificação de vulnerabilidade no acesso a Deep Web”(Fonte):

Foto Fabricio Bomjardim (CEIRI NEWS):Imagem 5Captura de tela de um site que comercializa armas na Deep Web” (Fonte):Foto Fabricio Bomjardim (CEIRI NEWS)

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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