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A Dinamarca é um dos Estados que mais investiu na recepção dos refugiados durante a recente crise na Europa, sob a égide do acolhimento e da solidariedade. Por ser uma sociedade homogênea e de elevado grau de secularização, os próprios dinamarqueses não religiosos observam que as crenças religiosas dos refugiados e de seus próprios cidadãos representam um risco para a democracia.

A defesa pela “cultura dinamarquesa” já chegou a um estágio de pânico, ao ponto de o Jornal Kristeligt Dagblad informar a atuação das autoridades, ao criarem uma legislação com o propósito de inibir a voz de “pregadores religiosos que buscam minar as leis e os valores dinamarqueses”. A situação está tensa no país, a ponto de existirem discursos de proibição de uso de símbolos religiosos por funcionários em hospitais que possuam contato com os pacientes na região da Dinamarca do Sul.

No último dia 5 deste mês (abril), diversos líderes religiosos realizaram uma conferência com o propósito de discutirem a liberdade religiosa na atualidade, e salientaram que a Democracia não exclui a religião, bem como que está ocorrendo a tendência para a unilateralidade de posicionamento que busca retirar a religião do debate, estando o extremismo religioso e o secularismo intolerante equivalendo-se neste comportamento unilateral. A retórica dos direitos humanos parece estar sendo aplicável apenas aos interesses de grupos não religiosos que desejam liberdade e respeito para si, mas que querem impor a proibição da cerimônia da circuncisão, ou mesmo obrigarem as religiões a aceitarem as teorias de gênero como norma de reconhecimento legal.

Conforme vem sendo apontado por especialistas, a Dinamarca precisa deixar seus cidadãos religiosos e não religiosos desfrutarem de suas vidas em consonância com o Capítulo VII, Inciso 67, de sua própria Constituição, que relata: “Os cidadãos tem o direito de formar congregações para a adoração a Deus de maneira coerente com suas convicções” e não buscar controlá-los sob pretextos sociais e de bem comum, conforme também observou o especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU), Heiner Bielefeldt, no site da instituição, ao realizar visita oficial ao país escandinavo: “Eu valorizo que a Dinamarca respeite o direito de todos de praticarem livremente sua religião, tanto em privado, quanto em público”. E reitera: “trabalhar por uma maior compreensão mútua entre diferentes religiões e os não religiosos (ou ‘seculares’) na sociedade deve ser uma das principais prioridades”.

Conforme a opinião dos analistas entende-se que existe um choque discursivo forte entre os cidadãos religiosos e não religiosos no seio da sociedade dinamarquesa, o qual somente poderá ser diminuído a partir da pluralidade democrática, ou seja, mediante a participação e exposição de argumentos pelos grupos sociais, todavia o que é visto como inconcebível é a tentativa de secularizar a religião a favor das aspirações de uma parcela da população, ou mesmo de uma minoria, de forma a extinguir a autonomia e a liberdade religiosa dos indivíduos.

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Imagem 1 Igreja de Nossa Senhora Catedral de Copenhague (interior)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/Vor_Frue_Kirke_Copenhagen_interior.jpg/1280px-Vor_Frue_Kirke_Copenhagen_interior.jpg (copiar e colar diretamente no navegador)

Imagem 2 Pomba carregando ramo de oliveira” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0e/Peace_dove_noredblobs.svg/705px-Peace_dove_noredblobs.svg.png (copiar e colar diretamente no navegador)

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Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.
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