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A Nova Rota da Seda digital: integração euroasiática no século XXI

A Nova Rota da Seda, denominada oficialmente de Belt and Road Initiative (BRI)*, consiste em um plano de investimentos em infraestrutura visando promover o desenvolvimento e a conectividade através do espaço euroasiático. Outra importante faceta da Iniciativa consiste na integração e promoção das conexões digitais, o que se denomina oficialmente de “Rota da Seda Digital”. A China planeja investimentos que visam dinamizar as trocas de informações e a integração que engloba os setores de alta tecnologia.

Imagem simbolizando das trocas globais de informação

A visão oficial sublinha que as empresas chinesas de telecomunicações, comércio digital e tecnologia da informação de um modo geral poderiam aumentar a sua inserção nos países compreendidos pela BRI. Exemplos de investimentos neste sentido incluem a construção conjunta de satélites, além da expansão da rede transcontinental de cabos de fibra óptica. No que diz respeito à dimensão estratégica, estes recursos poderiam reduzir a dependência da China sobre a infraestrutura de cabos atualmente existente, que é sobretudo decorrente de aportes norte-americanos.

Além das preocupações com a defesa cibernética e buscando maior autonomia, a Rota da Seda digital poderia facilitar a internacionalização de empresas como a BeiDou Navigation System, a versão chinesa do sistema de posicionamento global originalmente criado pelos Estados Unidos. A Organização das Nações Unidas estima que 62% da população das regiões da Ásia e do Oceano Pacífico não estejam conectadas à internet e isto representa uma grande fatia de mercado e uma significativa potencialidade.

A tecnologia está mudando os negócios

O setor da economia digital já representa 30,3% do PIB chinês, sendo que o fluxo de comércio pela internet que ocorre no país corresponde a 42% do total global para este segmento, que é liderado pelas empresas Alibaba e Tencent. A Nova Rota da Seda digital deverá focar nas tecnologias como telecomunicação 5G; computação em nuvem; inteligência artificial; big data; além da crescente integração da internet à indústria.

Analistas críticos vêm expressando a sua preocupação em relação à possibilidade de controle e o uso das informações pela parte do Governo chinês. Por fim, ainda não é possível apresentar uma visão conclusiva sobre o tema, visto que os projetos da Nova Rota da Seda Digital estão em pleno desenvolvimento.

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Nota:

* O delineamento geral da BRI já foi anteriormente abordado em notas previamente publicadas no CEIRI Newspaper.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa delineando alguns dos países que participam da Nova Rota da Seda” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:One_Belt_One_Road.png

Imagem 2Imagem simbolizando das trocas globais de informação” (Fonte):

https://www.publicdomainpictures.net/en/view-image.php?image=212237&picture=digital-world

Imagem 2A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte):

https://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

About author

Mestrando em Estudos Contemporâneos da China pela Renmin University of China (RUC) e pesquisador afiliado pela Silk Road School. Mestre em Relações Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2016.
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