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A política externa russa para o Oriente Médio

A política externa russa sempre considerou o Oriente Médio como um espaço de interesse com alta relevância para seus objetivos geopolíticos. Em consequência disto, uma série de medidas e campanhas militares foram empreendidas pelo país na região.

Na última década, sobretudo após a deflagração do conflito da Síria, em 2012, o Kremlin tem diversificado alianças e construído a imagem de um ator fundamental para o equilíbrio da região.

Uma série de escolhas políticas empreendidas pela administração de Donald Trump, como o isolamento do Irã e a retirada de uma grande parte das tropas estadunidenses da Síria, têm representado para muitos analistas oportunidades para a política russa na área. Em um retrospecto, é possível afirmar que Moscou vem empreendendo um esforço considerável e bem-sucedido para aproveitá-las.

A política externa da Rússia para região tem resultado em uma série de acordos nas mais distintas áreas e com uma multiplicidade de aliados, desde a venda de equipamento militar para a Turquia, até a participação da Marinha do Irã em distintos exercícios militares organizados pelas Forças Armadas da Rússia, em outubro de 2019.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, recebe o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoygu, em Teerã, para tratar dos conflitos na Síria

O episódio mais recente é a reunião promovida pelo presidente russo Vladmir Putin com o seu par turco, Recep Tayyip Erdogan. Os mandatários reuniram-se na cidade litorânea de Sochi para tratar da Operação Nascente da Paz, a recente ofensiva militar turca sobre o norte da Síria.

A solução envolvendo as três partes levará à criação de uma zona de contenção na região. As forças curdas, particularmente das Unidades de Defesa Popular (YPG, da sigla em curdo para Yekîneyên Parastina Gel), deverão retroceder e permanecer a não menos do que 30 quilômetros da fronteira entre a Turquia e a Síria. Outras forças militares estrangeiras, notoriamente as estadunidenses, também deverão deixar a região.

Em uma solução visando equilibrar as tensões entre turcos e sírios, tropas da Rússia (reconhecida como um interlocutor razoável pelas demais partes) ocuparão o vazio deixado, já que a política externa conduzida atualmente pelos Estados Unidos para o Oriente Médio, que radicaliza a posição do país em negociações como as com o Irã, e também se ausenta da participação em outras esferas, como a proteção aos curdos no norte da Síria, cria uma série de espaços em termos da atuação de potências no Oriente Médio.

Frente a tais atitudes, os Estados da região têm buscado diálogos entre si e com outros aliados extra-regionais, visando diminuir possíveis instabilidades ou desentendimentos que possam vir a existir.

Aproveitando-se desta oportunidade, a Rússia tem atuado como pivô de negociações e ponte para aproximação dos interesses mais diversos. Ao fazer isso, ganha confiança de atores por vezes antagônicos no Oriente Médio.

Por ora, não parece possível afirmar que o país venha a consolidar sua posição de liderança na área, tendo em vista que não foi apresentada nenhuma política para ação conjunta ou criação de uma estrutura centrada na região. Entretanto, é necessário notar que a Rússia vem adotando uma linha da ação de aproveitar oportunidades, dedicada a se inserir em distintos espaços e aproveitar oportunidades que se apresentem.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Os presidentes da Turquia, Receip Tayyip Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro realizado na cidade russa de Sochi, para tratar da operação militar turca no Norte da Síria” (Fonte: Conta oficial da Presidência da Rússia no Twitter @KremlinRussia_E) https://twitter.com/KremlinRussia_E/status/1186739380146397189

Imagem 2O presidente do Irã, Hassan Rouhani, recebe o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoygu, em Teerã, para tratar dos conflitos na Síria”(Fonte: Conta oficial do Presidente do Irã no Twitter, @HassanRouhani): https://twitter.com/hassanrouhani?lang=en

https://twitter.com/hassanrouhani?lang=en

About author

É bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, atualmente é mestrando em História, Política e Bens Culturais no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Integrou o Grupo de Estudos de Segurança Internacional (GEDES) na condição de pesquisador, onde também colaborou como redator do Observatório Sul-Americano de Defesa e Forças Armadas. Como pesquisador da Rede de Segurança e Defesa da América Latina desenvolveu trabalho na área de segurança pública, defesa e manutenção da paz. Atualmente desenvolve pesquisa sobre a reconstrução do Estado no Iraque. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre a política e dinâmica regional do Oriente Médio.
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