NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A possível guerra cibernética entre EUA e Rússia

Os Estados Unidos e a Federação Russa podem estar a poucos passos do início de uma guerra cibernética*. Recentemente, o jornal norte-americano The New York Times (NYT) realizou uma matéria acerca do acirramento das incursões digitais que oficiais estadunidenses estariam realizando na rede de energia elétrica da Rússia. O artigo contou com depoimentos de vários oficiais estadunidenses envolvidos na operação do Comando Cibernético, o qual tem o objetivo de defender e proteger a rede de computadores militares dos EUA.

De acordo com a reportagem do NYT, os norte-americanos estariam vigiando a rede elétrica da Rússia desde 2012. Antes, eram apenas missões de reconhecimento, a fim de encontrar possíveis irregularidades. Entretanto, nos últimos meses, a atuação teria se tornado mais severa. De acordo com os oficiais, agora eles estariam transmitindo malwares** para o sistema russo com o intuito de enviar um “aviso” e também para garantir que, caso uma guerra ocorra entre os dois países, a rede da Rússia estaria vulnerável aos programas maliciosos dos americanos.

Apesar de o jornal ter apurado a matéria por meses, apresentando fontes que preferiram manter-se em anonimato, o presidente Donald Trump utilizou da plataforma digital Twitter para expressar seu descontentamento com o NYT e sua reportagem, opinando de forma a desacreditar das informações apuradas. Assim, de acordo com Trump, “você acredita que o decaído New York Times acabou de fazer uma reportagem afirmando que os Estados Unidos estão aumentando substancialmente os ataques cibernéticos contra a Rússia? Este é um ato virtual de traição por um jornal que antes era importante, [eles] estão desesperados por uma história, qualquer história, mesmo que seja ruim para nosso país. [A qual] TAMBÉM não é verdade! Hoje, qualquer coisa passa pela nossa mídia de notícias corrupta. Eles farão, ou dirão, o que for preciso, sem o menor pensamento nas consequências! Esses são os verdadeiros covardes e, sem dúvida, O INIMIGO DO POVO!

Entretanto, de acordo com oficiais do governo, acredita-se que o presidente Trump não teria sido informado sobre a operação do Comando Cibernético de colocar o código malicioso na rede elétrica russa. Tal agência não precisa da aprovação presidencial para agir e não o teria inteirado por receio de que Trump reagiria contra e cancelasse o programa.

O Porta-Voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou que “se as agências norte-americanas estão conduzindo ataques cibernéticos sem notificar o Chefe de Estado isso poderia ser um sinal de ciberguerra direcionada à Rússia”. Peskov complementou destacando que alguns setores econômicos importantes do país vêm sofrendo ataques virtuais de outros países, mas que as agências russas estão trabalhando regularmente para prevenir que ocorra qualquer prejuízo.

Assim, especialistas apontam que uma guerra cibernética entre EUA e Federação Russa pode estar em vias de se desenrolar. A situação entre os dois Estados nesse campo já se encontrava bastante estremecida desde as acusações norte-americanas de que a Rússia teria interferido nas eleições estadunidenses de 2016, por meio de ataques virtuais. O senador John McCain pronunciou-se sobre o assunto, afirmando que “(…) a fim de fazer Putin lamentar profundamente seu ataque à nossa democracia, deveríamos considerar seriamente retaliar com os tipos de armas que ele usou. Também temos capacidades cibernéticas”.

Embora esse tipo de conflito não envolva armas físicas, ele pode afetar de maneira mais direta os civis e prejudicar a economia do país de forma drástica. Dessa forma, não se sabe quais serão as próximas consequências caso EUA e Rússia iniciem uma guerra cibernética com ataques reais em suas redes.

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Notas:

*A guerra cibernética se caracteriza por ser um conflito em que não se utiliza armas físicas, o confronto é por meios eletrônicos, são ataques a computadores, softwares ou redes específicas que comandam determinado setor de um país

** Malwares são programas de computador que tem o objetivo de se infiltrarem de maneira ilícita em redes alheias para causar danos, alterações ou ter acesso a informações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Militares americanos monitorando o envio de dados a aviões numa simulação de ciberguerra” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/62/Monitoring_a_simulated_test_at_Central_Control_Facility_at_Eglin_Air_Force_Base_%28080416-F-5297K-101%29.jpg/285px-Monitoring_a_simulated_test_at_Central_Control_Facility_at_Eglin_Air_Force_Base_%28080416-F-5297K-101%29.jpg

Imagem 2Pronunciamento do Presidente dos EUA, Donald Trump, via a plataforma digital Twitter” (Fonte): https://twitter.com/realDonaldTrump/status/1140065304019644427?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1140065304019644427&ref_url=https%3A%2F%2Fsputniknews.com%2Frussia%2F201906171075909744-trump-cyberattacks-russia-signs-cyberwar%2F

About author

Bacharela em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas, ambas pelas Faculdades de Campinas (FACAMP). Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.
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