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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A Presença, no México, do Missionário da Misericórdia e da Paz

Na sequência das seis viagens pontifícias anteriores – cinco, efetuadas por Santo João Paulo II, em 1979, 1990, 1993, 1999 e 2002, e uma, de Bento XVI, em 2012 –, o Papa Francisco realizou, entre 12 e 18 de fevereiro, sua décima segunda viagem apostólica internacional, ao México, país da América Central com 1.964.380 km2 e 126.460.963 habitantes, dos quais cerca de 50% têm origem ameríndia, sendo, portanto, descendentes diretos das vítimas da política de tabula rasa levada a cabo pelos colonizadores europeus[1]. De acordo com o programa oficial da visita, o responsável máximo da Igreja Católica optou por se deslocar, na geografia do país, aos locais mais conflituosos. Antes, porém, ele manteve um encontro, em Cuba, com o Patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa. Numa mensagem de vídeo divulgada dias antes do início da viagem, que teve como lema “Papa Francisco, Missionário da Misericórdia e da Paz”, o sumo Pontífice declarou: “Quero estar o mais próximo possível a vocês, mas especialmente daqueles que sofrem, abraçá-los e dizer-lhes que Jesus os ama, que Ele está sempre ao seu lado”. Por outro lado, Francisco confidenciou ao povo mexicano: “Qual é um dos meus maiores desejos? Poder visitar a casa da Virgem Maria. Como um filho, me aproximarei da Mãe e colocarei aos seus pés tudo o que levo em meu coração. É bom poder visitar a casa materna e sentir a ternura de sua presença bondosa. Ali, quero olhar para ela e pedir para que nos olhe com misericórdia, porque ela é nossa Mãe do Céu”.

O encontro do Papa com o Patriarca de Moscou e de Toda a Rússia, qualificado como “uma etapa importante nas relações” entre as Igrejas Católica e Ortodoxa e, também, “um sinal de esperança para todas as pessoas de boa vontade”, decorreu numa sala VIP do Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, durante a tarde do dia 12[2], após anos de planejamento secreto e alguns meses de negociações pormenorizadas. Assessorados pelo Cardeal Dom Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e o Metropolita Hilarion, Presidente do Departamento de Relações Eclesiais Exteriores do Patriarcado de Moscou, assim como pelos respectivos tradutores, os dirigentes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Russa se reuniram 962 anos após o Grande Cisma do Oriente, de 1054, que separou as duas confissões religiosas. No final do encontro foi assinada uma Declaração Comum, de índole pastoral. Nela, de entre outras matérias relevantes, podemos ler: “Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias atuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar ações criminosas com slôganes religiosos”. Neste sentido, declararam Francisco e Kirill, “nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, ‘porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz’ (1 Cor 14, 33)”.

Ao discursar ante os Bispos mexicanos, na Catedral da Cidade do México, no dia 13, Francisco exortou os Prelados para aquela que deve ser a atuação correta na nova etapa da vida coletiva do país, após a violência que o assolou até recentemente: “Sede bispos de olhar límpido, alma transparente, rosto luminoso; não tenhais medo da transparência; a Igreja não precisa da obscuridade para trabalhar. Vigiai para que os vossos olhares não se cubram com as penumbras da névoa do mundanismo; não vos deixeis corromper pelo vulgar materialismo nem pelas ilusões sedutoras dos acordos feitos por baixo da mesa; não ponhais a vossa confiança nos ‘carros e cavalos’ dos faraós de hoje, porque a nossa força é a ‘coluna de fogo’ que irrompe separando em duas as águas do mar, sem fazer grande rumor (Ex 14, 24-25)”. Por outro lado, o Papa, se referindo ao primado da technê sobre a multidimensionalidade da pessoa humana, ou seja, ao individualismo que tem, como fundamento último, os valores aquisitivos, considerou que, “à prepotente ideia do ‘cogito’, que pelo menos não negava que houvesse uma rocha acima da areia do ser, sobrepôs-se hoje uma concepção da vida – no dizer de muitos – mais vacilante, vaga e caótica do que nunca, porque carece de um substrato sólido. As fronteiras, tão intensamente exigidas e sustentadas, tornaram-se permeáveis à novidade dum mundo em que a força de alguns já não pode sobreviver sem a vulnerabilidade dos outros. A hibridação irreversível da tecnologia aproxima o que está afastado, mas, infelizmente, torna distante o que deveria estar perto”. Neste sentido, para Francisco, somente “uma Igreja que saiba proteger o rosto dos homens que vêm bater à sua porta, será capaz de lhes falar de Deus. Se não decifrarmos os seus sofrimentos, se não nos dermos conta das suas necessidades, nada poderemos oferecer. A riqueza de que dispomos flui somente quando encontramos a pequenez daqueles que mendigam, encontro esse que se realiza, precisamente, no nosso coração de pastores”. No final da tarde do dia 13, durante a missa celebrada na Basílica de Guadalupe, localizada na Cidade do México, na presença de uma multidão de fiéis e peregrinos, ante a padroeira do México e das Américas, Francisco, tendo presente o sofrimento multissecular daquele povo, defendeu que “as lágrimas daqueles que sofrem, não são estéreis”. Por outro lado, de acordo com a análise da Rádio Vaticano, os momentos de meditação silenciosa do Papa diante da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, a “Morenita”, “retratam a profundidade espiritual dessa viagem, onde o Vigário de Cristo fez com que um país inteiro parasse com ele diante da ‘Mãe mexicana’. Foram 28 minutos inesquecíveis de silêncio e oração”.

Em Ecatepec de Morelos, cidade integrante da Zona Metropolitana da Cidade do México, que se caracteriza pelo elevado grau de violência contra a vida humana e os bens materiais, no final da missa que decorreu no dia 14, Francisco apelou aos mexicanos no sentido de recordarem os sofrimentos do passado para, assim, poderem construir oportunidades significativas para um país melhor. Disse o Papa: “Queremos como povo fazer memória, queremos ser povo com a memória viva da passagem de Deus por meio do seu povo, no seu povo. Queremos olhar os nossos filhos, sabendo que herdarão não só uma terra, uma língua, uma cultura e uma tradição, mas herdarão também o fruto vivo da fé que recorda a passagem certa de Deus por esta terra; a certeza da sua proximidade e da sua solidariedade. Uma certeza que nos ajuda a levantar a cabeça e, com vivo desejo, esperar a aurora”. Neste sentido, o Papa recomendou: “Desejo convidar-vos hoje a estar na vanguarda, a ‘primeirear’ em todas as iniciativas que possam ajudar a fazer desta abençoada terra mexicana uma terra de oportunidades; onde não haja necessidade de emigrar para sonhar; onde não haja necessidade de se deixar explorar para ter emprego; onde não haja necessidade de fazer do desespero e da pobreza de muitos ocasião para o oportunismo de poucos”.

No dia 15, Francisco discursou no Centro Desportivo Municipal, em San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, ante as comunidades indígenas. Neste Estado, o mais meridional e menos católico dos Estados do México, que faz fronteira com a Guatemala, durante a homilia, o Papa reiterou a denúncia contra o eurocentrismo que, naquele país, excluiu e eliminou as populações autóctones. Para Francisco, “alguns consideram inferiores os vossos valores, a vossa cultura e as vossas tradições. Outros, fascinados pelo poder, o dinheiro e as leis do mercado, espoliaram-vos das vossas terras ou realizaram empreendimentos que as contaminaram. Que tristeza! Como nos seria útil a todos fazer um exame de consciência e aprender a pedir perdão!”. A liturgia que, além do espanhol, foi celebrada em três línguas indígenas, constituiu, para lá de um grito de alerta contra as injustiças cometidas contra as populações ameríndias, mais uma denúncia de Francisco contra as arbitrariedades praticadas pela economia globalizada[3]. Com efeito, o Papa considerou que “o mundo de hoje, espoliado pela cultura do descarte, necessita de vós. Os jovens de hoje, expostos a uma cultura que tenta suprimir todas as riquezas e características culturais tendo em vista um mundo homogêneo, estes jovens precisam que não se perca a sabedoria dos vossos anciãos. O mundo de hoje, prisioneiro do pragmatismo, tem necessidade de voltar a aprender o valor da gratuidade”. Por outro lado, o Papa Francisco sublinhou, nesta oportunidade, o uso, pelos povos indígenas, do livro sagrado dos maias, o Popol Vuh[4], assinalando o anseio de eles viverem “em liberdade; um anseio que tem o sabor da terra prometida, onde a opressão, os maus-tratos e a degradação não sejam moeda corrente. No coração do homem e na memória de muitos dos nossos povos, está inscrito o anseio por uma terra, por um tempo em que o desprezo seja superado pela fraternidade, a injustiça seja vencida pela solidariedade e a violência seja cancelada pela paz”.

Na missa realizada no Estádio Venustiano Carranza, na cidade de Morelia, com Sacerdotes, Religiosas e Religiosos, Consagrados e Seminaristas, na manhã do dia 16, o Papa, autor de O Nome de Deus é Misericórdia[5], livro recentemente publicado, incitou os presentes a considerarem a misericórdia como eixo norteador de suas vidas. No decurso da homilia, Francisco propôs aos consagrados: “Não queremos ser funcionários do divino; não somos, nem o queremos ser jamais, empregados da empresa de Deus, porque fomos convidados a participar na sua vida, fomos convidados a encerrar-nos no seu coração, um coração que reza e vive dizendo: Pai Nosso”. Por outro lado, Francisco instou aqueles que o escutavam a não se submeterem à resignação. Com efeito, disse o Papa, “à vista desta realidade, pode vencer-nos uma das armas preferidas do demónio: a resignação. ‘E que podes tu fazer? A vida é assim’. Uma resignação que nos paralisa e impede não só de caminhar, mas também de abrir caminho; uma resignação que não só nos atemoriza, mas também nos entrincheira nas nossas ‘sacristias’ e seguranças aparentes; uma resignação que não só nos impede de anunciar, mas impede-nos também de louvar, tira-nos a alegria, o prazer do louvor”. Se a resignação consiste na atitude própria de quem vive no plano da justificativa e do consolo – portanto, no passado assumido como fonte do imobilismo que ancora a vida presente –, então, é a “resignação que nos impede não só de projetar, mas também nos trava na hora de arriscar e transformar”. Mais tarde, no encontro com os jovens, celebrado no Estádio José María Morelos y Pavón, igualmente situado em Morelia, e retransmitido para os jovens reunidos na Praça São João Paulo II, em Guadalajara, Francisco se mostrou radicalmente contra o narcotráfico e o crime organizado. Após ter reiterado, aos jovens, o papel que lhes está reservado na construção da Esperança – “Vós sois a riqueza do México, vós sois a riqueza da Igreja” –, Francisco adiantou que “muitas vezes se torna difícil sentir-se tal riqueza, quando nos vemos continuamente sujeitos à perda de amigos ou familiares nas mãos do narcotráfico, das drogas, de organizações criminosas que semeiam o terror. É difícil sentir-se a riqueza duma nação, quando não se tem oportunidades de trabalho digno […], possibilidades de estudo e formação, quando não se sentem reconhecidos os direitos levando-vos depois a situações extremas”. Na verdade, interpelou o Papa, “a principal ameaça é quando uma pessoa sente que tudo aquilo de que precisa é ter dinheiro para comprar tudo, inclusive o carinho dos outros. A principal ameaça é crer que, pelo facto de ter um grande ‘carro’, és feliz. Será verdade isto? Por teres um grande carro, és feliz?”. Em alternativa à vida concebida como espaço e tempo dedicados à aquisição e à fruição de bens materiais, obtidos por via ilícita, afirmou Francisco, “talvez não tenhais à porta o último modelo de carro, […] não tenhais a carteira cheia de dinheiro, mas tereis algo que ninguém vos poderá jamais roubar: a experiência de vos sentirdes amados, abraçados e acompanhados”. Apelando ao primado da sensibilidade e do querer, que se concretiza na vivência dos afetos, Francisco referiu a importância do “encanto de apreciar o encontro, o encanto de sonhar com o encontro de todos. É a experiência de vos sentirdes família, de vos sentirdes comunidade. E é a experiência de olhar o mundo, olhos nos olhos e de testa erguida, sem o carro, sem o dinheiro, mas de testa erguida: a dignidade”.

No dia 17, Francisco visitou Ciudad Juárez, localidade que faz fronteira com El Paso, no Texas, e que é conhecida como o “epicentro da dor” mexicana. Entrevistado pela Rádio Vaticano, o Padre José Manuel Félix Chacón, natural de Zacatecas, caracterizou o drama da imigração deste modo: “A situação por que passa todo o país é um pouco triste, com violência e incertezas. Infelizmente, nos últimos anos se desencadeou a violência devido à questão do narcotráfico. Há também muita migração. Às vezes, as oportunidades para se obter um emprego são poucas e então muitas pessoas emigraram para os Estados Unidos, populações inteiras. Há cidadezinhas onde tem mais gente em Los Angeles, na Califórnia, do que na própria cidade”. Durante o sermão proferido durante a missa que decorreu na Área da Feira de Ciudad Juárez, o Papa sublinhou o fato de que, “aqui em Ciudad Juarez, como noutras áreas fronteiriças, concentram-se milhares de migrantes da América Central e doutros países, sem esquecer tantos mexicanos que procuram também passar para ‘o outro lado’. Uma passagem, um caminho carregado de injustiças terríveis: escravizados, sequestrados, objetos de extorsão, muitos irmãos nossos acabam vítimas do tráfico humano”. Atualmente, recordou o Sumo Pontífice ante as centenas de milhares de pessoas que participavam na cerimônia religiosa dos dois lados da fronteira, a migração forçada se tornou “um fenômeno global. Esta crise que se pode medir em números, queremos medi-la por nomes, por histórias, por famílias. São irmãos e irmãs que partem, forçados pela pobreza e a violência, pelo narcotráfico e o crime organizado. No meio de tantas lacunas legais, estende-se uma rede que apanha e destrói sempre os mais pobres. À pobreza que já sofrem, vem juntar-se o sofrimento de todas estas formas de violência. Uma injustiça que se radicaliza ainda mais contra os jovens: como ‘carne de canhão’, eles vêem-se perseguidos e ameaçados quando tentam sair da espiral de violência e do inferno das drogas. E que dizer de tantas mulheres a quem arrebataram injustamente a vida?”.

Relativamente ao combate ao Zika Vírus, uma preocupação mundial que também é, em grande medida, um problema latino-americano, o Papa, no voo de regresso a Roma, traçou, para os católicos, a linha vermelha no âmbito das medidas de combate à doença. Para Francisco, “o aborto não é um ‘mal menor’. É um crime. Matar uma pessoa para salvar a vida de outra é o que a máfia faz. É um crime, é um mal absoluto. Em relação ao ‘mal menor’: ao evitar a gravidez estamos falando de um conflito entre o quinto[6] e o sexto mandamentos[7]. Paulo VI – o grande! – numa situação difícil, em África, permitiu que as freiras usassem os anticoncepcionais para os casos de violência”. Explicitando sua posição acerca da interrupção voluntária da gravidez, encarada como meio profilático para os casos de microcefalia causados pelo Zika Vírus, entretanto diagnosticados nas grávidas, Francisco esclareceu, mais uma vez, que “o aborto não é um problema teológico: é um problema humano, é um problema médico. Mata-se uma pessoa para se salvar outra – no melhor dos casos – ou para passar bem. É contra o Juramento de Hipócrates que os médicos agem assim”. O aborto, considerou o Papa à luz dos preceitos defendidos pela Igreja Católica, “é um mal em si próprio, mas não é um mal religioso, no início, não, é um mal humano. E, evidentemente, como é um mal humano – como cada morte – é condenável. Em vez disso, evitar a gravidez não é um mal absoluto e, em certos casos, como aquele que eu mencionei, do Beato Paulo VI, era claro”. Naquela oportunidade, o Papa fez, ainda, um pedido veemente aos prestadores de cuidados de Saúde: “Gostaria de exortar os médicos que façam de tudo para encontrar vacinas contra estes  dois mosquitos e as doenças que carregam”.

Ainda na conferência de imprensa a bordo da aeronave da companhia AeroMéxico, um Boeing 787 Dreamliner, Phil Pulella, jornalista da agência Reuters, referiu que, “numa entrevista recente um dos candidatos à Casa Branca, o republicano Donald Trump, afirmou que o Papa é um homem político, chegando a dizer que talvez seja um peão, um instrumento do governo mexicano para a política de imigração. Declarou que, se for eleito, quer construir 2.500 km de muro ao longo da fronteira; quer deportar 11 milhões de imigrantes ilegais, separando assim as famílias”. Respondendo à pergunta de Pulella – “que pensa destas acusações contra si e, se um católico norte-americano, pode votar em tal pessoa?” –, o Sumo Pontífice foi peremptório acerca de uma personalidade com a qual ele tem poucos pontos de contato, em termos econômicos e, também, sociais: “Graças a Deus, que disse que sou político, porque Aristóteles define a pessoa humana como ‘animal politicus’. Pelo menos sou uma pessoa humana! Quanto a ser um peão, bem, talvez seja melhor nem comentar… deixo isso ao vosso juízo, ao juízo das pessoas. E, depois, uma pessoa que só pensa em fazer muros, onde quer que seja, e não em fazer pontes, não é cristã. Isto não está no Evangelho. Quanto àquilo que me perguntava sobre o conselho que daria de votar ou não votar: não me intrometo. Digo apenas: se diz estas coisas, este homem não é cristão. É preciso ver se ele disse estas coisas; por isso lhe dou o benefício da dúvida”. Entrementes, os conservadores dos Estados Unidos têm vindo a refutar a posição de Francisco acerca do tratamento a dar aos emigrantes mexicanos, naquele país. Para muitos deles, à semelhança de Trump, “o México deve ser forçado a pagar a construção de um muro para manter os imigrantes longe da travessia ilegal [da fronteira] para os Estados Unidos. Sua promessa de deportar todos os trabalhadores indocumentados tem sido uma peça-chave de sua campanha presidencial”. Deste modo, assinala Dahleen Glanton nas páginas do jornal Chicago Tribune, ao considerar Donald Trump e, implicitamente, seus seguidores, como sendo anticristãos, o Papa se deixou enredar pelos argumentos do político norte-americano, tendo, deste modo, perdido na disputa com o pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.

A viagem de Francisco ao México constituiu a reafirmação da popularidade do Papa que, desde o início de seu pontificado, tem feito um esforço notável de aproximação aos fiéis. Entrementes, fazendo o balanço preliminar da sua visita ao México, a agência de notícias Russia Today afirmou que os problemas estruturais dos mexicanos – a violência, a pobreza, as migrações, o narcotráfico, o tema dos desaparecidos e as relações de violência com os indígenas – voltaram a tomar conta das pessoas. No entanto, as declarações de Maxim Baboshkin, acabadas de parafrasear, não correspondem, fielmente, àquilo que as populações tocadas pelo Papa, no México, estão vivenciando. Com efeito, a mensagem fundamental de Francisco, naquele país do Novo Mundo, foi “uma mensagem de encorajamento, de esperança e de chamada de atenção de todos à responsabilidade. Este falar, antes de tudo aos jovens, ao povo do México como um povo jovem” continuará a ecoar, nos tempos vindouros, no coração dos protegidos pela Virgem de Guadalupe.

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ImagemO Papa Francisco foi recebido, em sua chegada ao Aeroporto Internacional Benito Juárez, Cidade do México, com mariachis (música tradicional do país) e multidões de fiéis nas ruas”  (Fonte):

http://www.mancheteonline.com.br/wp-content/uploads/2016/02/PLRM_Papa-Francisco-durante-visita-ao-Mexico-2016_13022016003.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

  1. M. DE BARROS DIAS, “Espanha e Ibero-América, do Século XVI aos Nossos Dias: Relatos de Vida, Apatia e Esperança”, in FRANCISCO MARTINS RAMOS, et al. (Coordenação), Homenagem ao Professor Augusto da Silva, Évora, Évora, Universidade de Évora –   Departamento de Sociologia, 2000, págs. 105-116.

[2] Nas últimas décadas foram levadas a cabo várias tentativas de aproximação entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. Neste contexto, é de destacar o encontro mantido entre o Beato Paulo VI e Atenágoras I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, em Jerusalém, em 7 de dezembro de 1965. Deste evento resultou a Declaração Conjunta Católica-Ortodoxa de Sua Santidade o Papa Paulo VI e o Patriarca Ecumênico Atenágoras I. Disponível online, em:

https://w2.vatican.va/content/paul-vi/en/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651207_common-declaration.html.

Por outro lado, também devemos salientar a carta do Santo Papa João Paulo II a Sua Santidade Aleixo II, Patriarca de Moscou e de Toda a Rússia, Vaticano, 25 de agosto de 2004. Disponível online, em:

http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/2004/documents/hf_jp-ii_let_20040828_alessio-ii.html

[3] No encontro mantido com o mundo do trabalho, dia 17, no Colegio de Bachilleres del Estado de Chihuahua, Ciudad Juárez, o Papa foi peremptório: “O lucro e o capital não são um bem superior ao homem, estão ao serviço do bem comum. E, quando o bem comum é forçado a estar ao serviço do lucro, e o capital é o único ganho possível, isso tem um nome, se chama exclusão, e assim se vai consolidando a cultura do desperdício: Desperdício! Excluído!”.

[4] Traduzido literalmente da língua quiché como Livro da Comunidade, ou dos Conselhos, o Popol Vuh é um repositório da criação do mundo e da cultura maia, redigido no século XVI. O Popol Vuh pode ser consultado, online, no seguinte endereço web:

http://www.samaelgnosis.net/sagrados/pdf/popol_vuh.pdf

[5] Ver:

FRANCISCO, O Nome de Deus é Misericórdia, São Paulo, Planeta do Brasil, 2016, trad. do italiano por Catarina Mourão, 141 págs. [Uma conversa com Andrea Tornielli].

[6] Ver:

Não matarás o inocente nem o justo” (Ex 20, 13; Ex 23, 7).

[7] Ver:

Não cometerás adultério” (Ex 20, 14).

About author

É Licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto (Portugal) e Doutor em Filosofia pela Universidade de Évora (Portugal). Professor Associado da Universidade de Évora, reside em Curitiba desde início de 2012, onde é Professor na Faculdade São Braz e na Faculdade Inspirar. É autor de doze livros e mais de cem artigos científicos nas áreas da Ética, Filosofia da Educação e Filosofia Social e Política.
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