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A relação entre as organizações internacionais e federações esportivas na luta contra doenças epidêmicas

A existência de empreitadas conjuntas de Organizações Internacionais, tal como a Organizações das Nações Unidas (ONU), e Federações Esportivas se torna cada vez mais presente e fica muito explícita esta ação conjugada na política de criação de parcerias para cumprir com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) instaurados pela ONU no começo do século XXI[1].

A instauração destas parcerias entre a ONU (bem como suas diversas Agências) e diversas Federações Esportivas por vezes também incluem um terceiro ator, seja ele governamental, ou instituição privada. O interesse por parte dos diversos envolvidos fica muitas vezes claro, devido ao alcance mediático de certas lutas, como são os casos de doenças epidêmicas.

Dentre as metas traçadas pela Assembleia Geral da ONU em 2000, o ponto número 6, que preconiza a luta contra doenças como HIV/Aids, Malária e outras doenças é o que tem tido ultimamente recebido foco devido a nova epidemia de Ebola no Oeste da África[2].

Um dos grandes problemas que o Continente está passando é a falta de recursos para combater a doença, sejam eles de ordem financeira, sejam na área da saúde. O apelo feito à Comunidade Internacional por parte das nações africanas atingidas pela doença, também tem eco nas Agências ligadas a ONU, com a presença de médicos ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O envolvimento da ONU pelo mundo em conflitos e pacificações, entretanto, tem dificultado muito conseguir esta ajuda financeira e, para que seja possível um subsídio, mostrou-se necessário criar ações conjuntas. O benefício para ONU nessa situação implica em não haver o imperativo de retirar sua ajuda de outros locais no mundo, mas continuar seu trabalho na área com a ajuda de fundos desbloqueados por outras organizações.

A Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), por exemplo, decidiu se unir a ONU na luta contra o Ebola no Oeste da África com uma doação de meio milhão de dólares (0,5 mi)[3]. Ressalta-se, contudo, que a data em que a FIFA lançou o seu comunicado e informou à Comunidade Internacional coincidiu com o lançamento da candidatura do atual presidente Joseph Blatter para reeleição.

Não cabe dizer se foi somente por interesse para se reeleger, ou se realmente a luta contra doenças epidêmicas faz parte da agenda da FIFA. É interessante, no entanto, observar a relação próxima da doação feita por esta Entidade com o lançamento da campanha para mais uma reeleição de seu Presidente, destacando-se que a FIFA passa por maus momentos devido a escândalos de corrupção e as escolhas feitas para sedes das Copas do Mundo (futuras e passadas).

Existem outros casos que poderiam ser citados, como o Fundo Global e sua associação com a UNESCO, o Comitê Olímpico Internacional e futuramente com outras Agências da ONU[4]. Especialistas apontam que sempre há interesses por trás de acordos financeiros e da criação de projetos através do mundo. No caso desta captação de recursos por parte da FIFA para lutar contra o Ebola, no entanto, seria possível e legítimo usar o dito popular, “a cavalo dado não se olham os dentes”, pois é importante que esta captação seja feita e o investimento por parte dos atores envolvidos seja utilizado para combater a doença e sua expansão.

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Imagem (Fonte):

http://www.insideworldfootball.com/world-football/15467-fifa-and-caf-working-with-the-un-and-who-as-ebola-crisis-escalates

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Fontes Consultadas:

[1] VerSite do Acompanhamento Brasileiro dos ODM”:

http://www.portalodm.com.br/

[2] VerSite da ONU com dados do ponto número 6”:

http://www.un.org/millenniumgoals/aids.shtml

[3] Comunicado de Imprensa da UNOSDP:

http://www.un.org/wcm/content/site/sport/home/template/news_item.jsp?cid=41937

[4] VerCaptação de Recursos em Glasgow 2014em:

http://www.glasgow2014.com/media-centre/press-releases/glasgow-2014-opening-ceremony-first-feature-commonwealthwide-fundraiser; e

The Global Fund”:

http://www.theglobalfund.org/en/

About author

Mestrando em Estudos Políticos do Oriente Médio e do Mediterrâneo no King’s College London. Especialista em História e Política do Oriente Médio e Maghreb. Possui Bacharelado em Historia pela UFSC. Participou de diversos projetos de pesquisa ligados ao CNPQ: A imagem do Outro em relatos de viajantes; Diáspora Africana no Brasil e Movimento Sem Terra. Hoje, além de trabalhar academicamente com Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz, é treinador voluntário em um projeto que ensina jovens de bairros desprivilegiados a jogar futebol.
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