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NOTAS ANALÍTICAS

A visita de Didier Reynders e a “Diplomacia Econômica da Bélgica”

Didier ReyndersO “Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comércio Exterior e Assuntos Europeus da Bélgica”, Didier Reynders, esteve no Brasil no início de abril com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais entre ambos os países. Tal viagem contou com duas linhas de interesse distintos, uma de cunho político e outra de cunho econômico[1].

No que tange o viés político, o ministro Reynders se encontrou com “Ministro das Relações Exteriores do Brasil”, Antonio Patriota, quando foram discutidos temas como parcerias no setor de infraestrutura e logística, impressões acerca das negociações para o acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia, bem como o apoio à candidatura do embaixador brasileiro Roberto Azevedo ao cargo de “Diretor-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC)”[2]. No que diz respeito ao viés econômico, reuniu-se com o “Ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”, Fernando Pimentel, e tratou do fluxo comercial entre o Brasil e a Bélgica, discutindo maneiras de aumentar o investimento bilateral[3].

No entanto, é justamente na área econômica que Reynders demonstrou um dos verdadeiros motivos de sua visita, apresentando oito dos primeiros chamados “Conselheiros Econômicos” a serem instalados em vários países, começando pelo Brasil[4]. Estes Conselheiros seriam de preferência empresários ou advogados brasileiros e belgas que estariam presentes tanto na embaixada em Brasília quanto nos consulados do Rio de Janeiro e São Paulo, atuando como especialistas objetivando a promoção de investimentos em ambos os países[5].

O grande empecilho ao plano de Reynders é que tal atitude sugere uma reforma do sistema diplomático belga, que não prevê tal posto de “Conselheiro Econômico”. O Ministro belga afirmou que tal cargo não acarretaria custos extras às embaixadas, mas encontra forte oposição no seu país, onde tanto o Ministro-Presidente da região de Flandres, Kris Peeters[6], e o Ministro para o Comércio Exterior da região da Valônia, Charles Marcourt*, demonstraram insatisfação com tal projeto, pois afirmam que tal competência para prestar apoio ao comércio exterior está a cargo de cada uma das regiões belgas e não do governo federal**[7].

Reynders afirmou então que a diplomacia econômica fora negligenciada durante muito tempo devido às diversas crises políticas vividas pela Bélgica e tal reforma é necessária para desenvolver ainda mais as relações comerciais com os demais países, tal como o Brasil[8].

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* Ministro-Presidente seria uma espécie de governador enquanto que os demais ministros regionais seriam uma espécie de secretários de Estado.

** Importante mencionar que a Bélgica é uma Federação formada por três regiões federais, Flandres, Valônia e Bruxelas, três comunidades autônomas, francófona, neerlandofona e germanofona e pelo governo central.

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Imagem (Fonte):

https://ceiri.news/wp-content/uploads/2013/04/abr010413dsc_0692.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.rtbf.be/info/belgique/detail_didier-reynders-installe-les-premiers-conseillers-economiques-au-bresil?id=7960508

[2] Ver:

http://comexdobrasil.com/ministro-da-belgica-vem-brasilia-tratar-de-comercio-exterior-investimentos-politica-externa/

[3] Ver:

http://comexdobrasil.com/ministro-da-belgica-vem-brasilia-tratar-de-comercio-exterior-investimentos-politica-externa/

[4] Ver:

http://www.rtbf.be/info/belgique/detail_didier-reynders-installe-les-premiers-conseillers-economiques-au-bresil?id=7960508

[5] Ver:

http://www.lalibre.be/actu/politique-belge/article/806869/les-conseillers-economiques-s-installent-au-bresil-malgre-les-critiques.html

[6] Ver:

http://www.lalibre.be/actu/politique-belge/article/806869/les-conseillers-economiques-s-installent-au-bresil-malgre-les-critiques.html

[7] Ver:

http://www.rtbf.be/info/belgique/detail_diplomatie-economique-marcourt-pret-a-aller-devant-le-conseil-d-etat?id=7930819

[8] Ver:

http://www.lalibre.be/actu/politique-belge/article/806869/les-conseillers-economiques-s-installent-au-bresil-malgre-les-critiques.html


About author

Mestre em Estudos Europeus pela Universidade Católica de Louvain e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade da Amazônia - UNAMA. Estagiou durante um ano na Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia onde atuou na área de promoção do Comércio Exterior do Estado do Pará e, ao mesmo tempo, trabalhou como voluntario no GADE, grupo interessado em promover o voluntariado no Estado do Pará. Sempre interessado por integração europeia, realizou pesquisas envolvendo temáticas sobre a Política Agrícola Comum Europeia e sua relação com o livre-comércio e também sobre a evolução do Mercado Único e do setor de serviços da União Europeia. Morou seis meses em Varsóvia onde foi estudante Erasmus na Warsaw School of Economics.
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