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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acompanhando as negociações de paz entre Israel e Palestina

Nessa semana, o governo israelense libertou 26 prisioneiros palestinos dos 104 prometidos, a fim de permitir que as negociações de paz se reiniciassem[1]. No entanto, Israel também aprovou a construção de 942 novos lares em “Jerusalém Oriental[2], tendo, já no domingo, aprovado 1200 novos lares tanto em “Jerusalém Oriental” como na Cisjordânia. Isso foi feito nesta terça-feira, dia 13 de agosto, um dia antes do agendado para a retomada das conversas entre os dois governos[3][4].

Essa decisão atraiu severas críticas de palestinos e também da comunidade internacional[4], para os quais, das suas perspectivas, o momento escolhido para o anúncio da medida revela o que consideram como sendo um certo cinismo, numa tentativa de minar as negociações[5].

Em resposta, Israel afirmou que os lares serão construídos em territórios que o país não pretende abrir mão em qualquer acordo de paz[4]. Essa postura, sobretudo em sua rigidez, aparece como um problema, face às ambições palestinas no que concerne às conversas de paz a se iniciarem hoje, quarta-feira, dia 14, que são fortemente marcadas pela questão dos assentamentos[6].

Além disso, o Secretário de Estado americano, John Kerry, que esteve à frente dos esforços para o restabelecimento do diálogo entre Israel e Palestina, afirmou que novas construções eram, até certo grau, esperadas, e não devem descarrilar as negociações[4].

Para alguns analistas internacionais, como Aaron David Miller[7], o papel dos “Estados Unidos” foi fundamental na retomada das conversas e também o será durante todo o processo, uma vez que o histórico do diálogo entre Israel e Palestina evidencia uma baixa taxa de sucesso para negociações diretas, i.e., “cara-a-cara”.

Segundo Miller, a mediação americana deve assumir o papel de facilitadora: “dar a israelenses e palestinos um intervalo decente para ver o que podem fazer por conta própria; ver onde estão as falhas; e, por razões políticas, dar às conversas diretas entre as partes espaço e tempo, sem sobrecarregá-los[7].

Ainda assim, cabe perguntar, acompanhando alguns observadores internacionais, qual a importância dessas negociações para o quadro político turbulento do “Oriente Médio” como um todo. Nesse sentido, o correspondente diplomático da BBC, Jonathan Marcus[8], destaca os contextos egípcio, sírio e iraquiano, entre outros, ao traçar os limites do alcance de um possível resultado bem-sucedido das negociações de paz para a região.

Enquanto, por um lado, como o espera o governo britânico, há a possibilidade de que esse sucesso ajude a expandir um clima de reconciliação para todo o “Oriente Médio”; por outro, a complexidade das tensões que assolam a região podem transformar a paz palestina em uma questão à parte[8].

De toda forma, como aponta Marcus, o clima de “caos e incerteza” característico da chamada “Primavera Árabe”, juntamente com a percepção internacional de que a porta parece estar se fechando para uma solução de dois Estados para a questão israelo-palestina – que fundamentam os esforços de Kerry –, podem tornar o resultado das negociações ainda mais crucial, capaz de, ao inflamar paixões e tensões, contribuir para o agravamento da situação na região[8].

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ImagemÀ esquerda, Saeb Erekat, chefe das negociações do lado palestino; ao centro, John Kerry, secretário de Estado americano; à direita, a Ministra da Justiça, Tzipi Livni, representando o lado israelense” (Fonte):

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/08/12/in_praise_of_the_middleman_middle_east_peace

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23686235

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/08/201381355044730911.html

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2013/08/13/world/meast/mideast-palestinians-israelis/

[4] Ver:

http://mideast.foreignpolicy.com/posts/2013/08/13/israel_announces_new_settlement_homes_and_prepares_to_release_26_palestinian_prison

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23678647

[6] Para maiores detalhes sobre as questão que pautam as negociações de paz, conferir:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-11138790

[7] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/08/12/in_praise_of_the_middleman_middle_east_peace

[8] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23666270

 

About author

Mestre em Segurança Internacional pela Paris School of International Affairs, Sciences Po, com especialidade em direitos humanos e Oriente Médio. Especialista em Ajuda Humanitária e ao Desenvolvimento pela PUC-Rio. Bacharel e licenciado em História pela UFF. Atualmente, atua como pesquisador da ONG palestina BADIL Resource Center, e possui experiência de campo na Cisjordânia. Escreve para o CEIRI Newspaper sobre crises humanitárias, violações de direitos humanos e fluxos migratórios e de refugiados.
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