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Acordo de Paz entre EUA e Afeganistão ameaça os direitos das mulheres

Em 19 de agosto de 2019, o Afeganistão comemorou os 100 anos de independência do país, da Inglaterra, de quem foi território colonial. Nesta data, entretanto, o Estado permanece sob intervenção dos Estados Unidos, que ocuparam com suas tropas o território nacional em setembro de 2001, há quase duas décadas.

Combatentes anti-Talibãn observando o bombardeio americano dos santuários das cavernas da organização terrorista al-Qaeda nas montanhas de Tora Bora, no Afeganistão, em 16 de dezembro de 2001

O uso da força pelos EUA, Reino Unido e pela OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sobre o país, cuja legalidade é matéria de controvérsia, foi motivado pelos ataques de 11 de setembro em solo americano. A responsabilidade pelos ataques foi associada à facção Al Qaeda, então abrigada pelo grupo político e religioso que dominava o Afeganistão à época, o Talibãn, ainda dominante na atualidade, como força opositora ao governo e à presença americana no país.

A derrota do Talibãn pela coalisão EUA-Reino Unido foi apoiada pelas Nações Unidas, e materializou-se na posse de governo interino e na deflagração de um processo de restabelecimento das instituições democráticas no país. As eleições para Presidente, em 2004, vencida por Hamid Karzai, a adoção de uma Constituição e, em seguida, as eleições para o Parlamento demarcaram este novo momento. 

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontra na Casa Branca com o presidente Hamid Karzai do Afeganistão e presidente Asif Ali Zardari do Paquistão, maio de 2009

Com o passar do tempo, contrariando a tendência à estabilização do estado de paz, o Talibãn retornou ao cenário político, como forças insurgentes de oposição. Estas circunstâncias levaram à permanência das tropas estrangeiras no país – ao menos até 2014, quando a OTAN e o Reino Unido retiraram-se, restando os norte-americanos.

O governo Trump, que se encerra em 2020, em um ano, anunciou recentemente a intenção de cumprir promessa de campanha, que é retirar as tropas americanas do Afeganistão. Esta iniciativa é também motivada por uma tentativa de acordo de paz em negociação entre o governo afegão e o Talibãn, o qual exige que a retirada se conclua.

A saída dos EUA do país, no entanto, suscita preocupação de grupos de defesa dos direitos humanos, como as feministas. Dados publicados pela imprensa americana indicam que, atualmente, 3,5 milhões de meninas e mulheres frequentam o ensino primário e secundário, que 100.000 mulheres estão registradas em universidades e que o Parlamento é composto por 20% de mulheres. Sob o governo Talibãn, as mulheres eram suprimidas em seus direitos humanos, como o acesso à educação, saúde, a liberdades –  como de caminhar nas ruas desacompanhadas de homens, e de trabalhar. A nova conformação política, em que os Talibãns ganharão poder, assusta os defensores da democracia e dos direitos humanos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Homen talibãn trata mulheres muçulmanas no Afeganistão em manifestação contra o uso do hijabi como rebanho”(Tradução livre de: “Taliban Afghan man herding hijabi women like his animals” – março, 2016). (Fonte): https://3.bp.blogspot.com/-Z7FI5np9TC4/VtdzxGRmnkI/AAAAAAAAX8Y/VW7NT7BMOVQ/w1200-h630-p-k-no-nu/Hijab-Afghan-1.jpg

Imagem 2Combatentes antiTalibãn observando o bombardeio americano dos santuários das cavernas da organização terrorista alQaeda nas montanhas de Tora Bora, no Afeganistão, em 16 de dezembro de 2001” (Fonte): https://www.britannica.com/event/Afghanistan-War/media/1/1686268/75175

Imagem 3Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontra na Casa Branca com o presidente Hamid Karzai do Afeganistão e presidente Asif Ali Zardari do Paquistão, maio de 2009” (Fonte): https://www.britannica.com/event/Afghanistan-War/media/1/1686268/142205

About author

Major da Brigada Militar do RS com 19 anos de serviço ativo, sendo 07 anos como Assessor de Inteligência da Agência Central de Inteligência da Brigada Militar do RS. Bacharel em Ciências Militares – Área Defesa Social pela Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do RS e Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Diplomado em Terrorismo e ContraInsurgência e em Combate ao Crime Organizado Transnacional e as Redes Ilícitas das Américas pelo Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa William J. Perry da Universidade de Defesa Nacional dos EUA. Negociador Policial. Observador Policial/United Nations Police (UNPol) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no ano de 2008. Atualmente exerce a função de Chefe da Secretaria Executiva do Chefe do Estado Maior da Brigada Militar do RS.
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