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África abre suas fronteiras para o capital internacional

O crescimento econômico que a África vivencia nos últimos anos despertou o interesse dos grandes investidores estrangeiros em alocar seus dólares nas economias deste continente. A desaceleração nos principais países emergentes junto com a gradativa recuperação das nações desenvolvidas da crise de 2008 torna as nações africanas um polo atrativo de investimentos externos e especulativos.

No que diz respeito à última categoria, a criação de Bolsas de Valores é o primeiro passo para atrair mais investimentos, destinados, principalmente, à compra de dívidas e títulos públicos. Importantes nações africanas ainda não contam com uma Bolsa de Valores, o que trava o aumento do fluxo de capital externo nesta região.

Uma delas, Angola, anunciou no inicio deste mês que a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) será estabelecida no início do mês de novembro deste ano (2014)[1]. Segundo o presidente da BODIVA, António Furtado, neste ano será aberto somente a negociação de títulos da dívida pública, sendo que os títulos de dívida privada serão negociados somente no ano que vem[1].

Há longo tempo, a abertura de uma Bolsas de Valores em Angola é demandada por investidores externos e por empresários angolanos, que viam nesta instituição uma oportunidade para aumentar o fluxo de divisas no país[2]. No entanto, as condições legais e o cenário econômico favorável somente foram alcançados nos últimos anos.

Pensamos que o ambiente macroeconômico está agora melhor para o arranque da Bolsa (…). Numa altura em que assistimos a um processo de diversificação da economia e à elevação do PIB do sector não petrolífero, o aumento do número de  bancos, companhias de seguros, (…) chegou à altura de decidir a abertura da Bolsa[1], afirmou António Furtado, em entrevista ao Jornal de Angola.

Ruanda é outra nação na África cuja economia em ascensão propicia a oportunidade de estabelecer uma Bolsas de Valores[3]. Criada ano passado, a East-Africa Exchange(EAX), ramo da Africa Exchange Holdings(AFEX), tem como principal objetivo a negociação de commodities, como petróleo e minério[3][4]. A EAX estabeleceu-se como centro geral de negociações destes ativos na África Oriental, visando expandir suas operações ainda neste ano para mercados adjacentes, como o Quênia e Uganda[4].

No que diz respeito ao Investimento Estrangeiro Direto (IED), a África do Sul gradativamente cede participação para outras nações emergentes, como Egito e Nigéria. Atualmente, ambos os países possuem maior participação no montante de IED direcionado ao continente africano do que a nação sul-africana[5]. Moçambique, Argélia e Tunísia são países que também apresentaram expressiva taxa de crescimento deste indicador nos últimos anos[5].

No entanto, o montante de IED aportado na África nos anos de 2012 e 2013 é o menor desde 2008. Na verdade, a percepção dos investidores externos é melhor do que os dados de investimento externo em si, o que mostra que a captação de recursos estrangeiros ainda está em fase incipiente[5].

Segundo agências internacionais, o ano de 2014 será marcado pelo recorde de IED na África: estima-se que o continente receberá 84 bilhões de dólares, sendo que sua maioria será destinada ao setor de “TMT” (tecnologia, mídia e telecomunicações) e ao setor de serviços financeiros[6]. Espera-se também que maior parte do capital externo venha primeiramente do Reino Unido, seguido pelos Estados Unidos e Índia[5].

Isto, em partes, ocorre devido ao fato de que muitas empresas destas nações pretendem constituir filiais no continente africano, ou mesmo mover as operações intensivas em mão de obra do sudeste asiático para a África[6]. Empresas como a Nestlé, Unilever e o grupo singapuriano Temasek já anunciaram investimentos a ser feitos para os próximos anos[6].

O encontro entre o presidente americano Barack Obama e líderes africanos na semana passada foi realizado com o intuito de acentuar o comércio internacional entre as duas regiões[7]. Em carta aberta sobre os principais tópicos a serem abordados neste evento, os presidentes Paul Kigame, Uhuru Kenyatta e Yoweri Musevini, de Ruanda, Quênia e Uganda, respectivamente, expressaram seu otimismo quanto à gradativa abertura comercial que ocorre na África: “Da União Europeia até o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, nós vemos como regiões geográficas podem criar condições para crescimento compartilhado e prosperidade ao retirar barreiras ao comércio, harmonização de normas regulatórias, abertura do mercado de trabalho e desenvolvimento de infraestrutura comum[7].

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Imagem (FonteNações Unidas):

http://www.un.org/africarenewal/magazine/april-2009/world-downturn-squeezing-africa

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Fontes consultadas:

[1] VerJornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/abertura_da_bolsa_e_ja_em_novembro

[2] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2013/10/17/angola-markets-idUSL6N0I742020131017

[3] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/03/24/world/africa/rwanda-reaches-for-new-economic-model.html?_r=0

[4] VerAfrica Exchange Holdings”:

http://www.africaexchange.com/

[5] VerErnest & Young – Publications”:

http://www.ey.com/Publication/vwLUAssets/EY-attractiveness-africa-2014/$FILE/EY-attractiveness-africa-2014.pdf

[6] VerThe Wall Street Journal”:

http://www.ft.com/intl/cms/s/0/bb92ba22-df2e-11e3-86a4-00144feabdc0.html#axzz39zs27MI7

[7] VerProject Syndicate”:

http://www.project-syndicate.org/commentary/paul-kagame-et-al-emphasize-the-need-for-regional-integration-to-sustain-the-continent-s-progress

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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