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África do Sul: Reeleição de Jacob Zuma é marcada por protestos

Nesta última quarta-feira (7 de maio) a África do Sul foi às urnas e reelegeu o presidente Jacob Zuma. Com 62,2% dos votos, o Congresso Nacional Africano (CNA) obteve a ampla maioria das cadeiras no Parlamento (249 no total), algo que acontece desde o fim do Apartheid, em 1994. Entretanto, o CNA perdeu significativa quantidade de votos em relação às ultimas eleições gerais: cerca de 200 mil eleitores a menos[1].

Esta queda é vista por alguns como fruto da perda de popularidade do governo de Zuma, evidenciada pela maciça onda de protestos que varre o país nos últimos anos[2]. Como foi relatado pelo CEIRI NEWSPAPER[3] na semana passada, a insatisfação reside na falta de acesso a serviços públicos e a ausência de oportunidades iguais.

Do outro lado, a Aliança Democrática (AD) aumentou a sua participação, conquistando um total de 89 cadeiras. A AD manteve-se como governante da Província do Cabo Ocidental, a segunda mais rica da África do Sul[4].

No discurso feito após a divulgação dos resultados oficiais, o presidente Jacob Zuma fez questão de citar o plano econômico do Governo para este segundo mandato. Fica evidente a sua preocupação em atender as questões levantadas nos protestos: “Nenhuma comunidade em nosso país deve viver em um estado de desordem. As questões levantadas por elas serão debatidas[4], afirmou o Presidente.

Para este novo mandato, o objetivo principal será a criação de novos postos de trabalho. Antes das eleições, Zuma já havia prometido 6 milhões de empregos caso fosse reeleito[5]. Alguns opositores criticaram severamente esta posição, afirmando que o Presidente estaria se utilizando da alta taxa de desemprego como estratégia política[6]. Jacob Zuma também afirmou que buscará estreitar as relações entre o setor público e o empresariado, principalmente as pequenas empresas. Por fim, ressaltou a importância de projetos que visem a melhoria do serviço público de saúde e o acesso impreterível à educação[7]. Tais medidas serão fundamentais para a redução da desigualdade social e dos mais de 30 protestos que acontecem ao redor da África do Sul todos os dias[3].

Entretanto, o recente protesto no distrito de Alexandra, ao norte de Joanesburgo, ilustra os desafios que o CNA deverá superar para reconquistar a ordem civil.

Na noite de sexta-feira para sábado (10 de maio) 56 pessoas foram presas no distrito de Alexandra. Segundo autoridades locais, o protesto começou devido à insatisfação da população local em relação aos resultados das eleições. As balas de borracha e as bombas de efeito moral utilizadas pela polícia não foram suficientes para controlar o tumulto. Por isso, o Exército foi chamado para auxiliar no reestabelecimento da ordem[8].

Outro fato relevante destas eleições é o número de votos conquistados pelos Guerreiros da Liberdade Econômica (GLE). Fundado por Julius Malema, ex-membro do CNA, este partido de extrema esquerda conquistou 25 cadeiras no Parlamento e promete ser uma frente oposicionista participativa nestes próximos anos[4].

A significativa quantia de votos recebida pelo GLE está em sintonia com a crescente participação política de partidos extremistas em outros países, como é o caso do partido Alvorada Dourada, na Grécia, e da Frente Nacional, na França[9]. Os três são exemplos de partidos políticos que vem ganhando crescente adesão popular à medida que problemas como o desemprego e a estagnação econômica não são resolvidos.

Dessa forma, dado os eventos ocorridos na África do Sul nesta última semana, observadores e cidadãos preocupados com a Democracia deverão acompanhar esse país de perto nos próximos anos.

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Imagem (FonteNews24):

http://www.news24.com/elections/news/zumas-plan-for-2nd-term-20140511

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Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/05/10/us-safrica-election-idUSBREA480UC20140510

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/may/09/anc-wins-fifth-election-south-africa-jacob-zuma

[3] VerCEIRI NEWSPAPER”:

https://ceiri.news/em-meio-protestos-contra-conjuntura-economica-e-politica-sul-africanos-vao-urnas/

[4] VerMail & Guardian”:

http://mg.co.za/article/2014-05-10-elections-2014-humbled-zuma-comforts-the-losers

[5] VerNews24”:

http://www.news24.com/SouthAfrica/News/Zuma-We-aim-to-create-six-million-jobs-20140111

[6] VerMSN News”:

http://news.howzit.msn.com/da-believes-south-africa-can-create-6-million-real-jobs-in-next-10-years

[7] VerNews24”:

http://www.news24.com/elections/news/zumas-plan-for-2nd-term-20140511

[8] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/05/11/world/africa/south-african-army-called-in-to-crack-down-on-post-election-unrest.html?ref=africa&_r=0

[9] VerAljazeera”:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/04/golden-dawn-rise-far-right-euro-201441483840429923.html

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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