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“Ágil, Eficiente e Responsável”: a nova fórmula para a FAO

No início de julho (2020), o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Donogyu, apresentou ao Conselho da Organização o segundo conjunto de medidas para a reforma da instituição. Seguindo os ideais do pacote aprovado em dezembro (2019), o intuito é promover a fórmula para torná-la mais ágil, eficiente e responsável em suas ações de combate à fome e à pobreza.

Em linhas gerais, a FAO articula um ambiente neutro para que os países tenham a oportunidade para se reunirem, discutirem ou promoverem políticas relacionadas com agricultura e a alimentação. Além disso, responsabiliza-se pelas normas internacionais, por facilitar o estabelecimento de convênios, acordos e organizar conferências, reuniões técnicas e consultorias de especialistas.

Atento à busca por respostas sinérgicas, Donogyu pretende reunir no centro da Organização a equipe de direção sênior, que será composta por três vice-diretores gerais, o economista chefe, o chefe científico e o diretor do gabinete, que o apoiarão nas tomadas de decisão. Também, visa estabelecer a criação de um novo Escritório para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); bem como uma nova Divisão de Sistemas e Segurança Alimentares.

Adicionando-se a isso, almeja-se o fortalecimento dos três centros de cooperação: o Centro de Investimentos, que colabora com instituições financeiras internacionais; o Centro Conjunto FAO/IAEA, refletindo a parceria estratégica de longa data sobre desenvolvimento agrícola sustentável e segurança alimentar por meio da ciência e tecnologia nuclear; e o Centro Conjunto FAO/OMS, que abrigará a Comissão do Codex Alimentarius e abordará questões relacionadas a doenças zoonóticas.

FAO pede ação global conjunta e coordenada em apoio à alimentação e agricultura / Foto: FAO

No anseio de suas proposições está o uso consciente das capacidades tecnológicas para fortalecer soluções mais sustentáveis na produção agrícola, como também a diminuição do desperdício de insumos e a valorização de toda a cadeia produtiva. Embora a África seja a região onde os níveis mais altos de insegurança alimentar total são observados, é na América Latina e no Caribe que ocorre o aumento mais rapidamente: cresceu de 22,9% em 2014 para 31,7% em 2019, devido a elevação na América do Sul.

Estima-se que 9% da população latino-americana sofre de grave insegurança alimentar, o que significa que as pessoas ficam sem comida e, na pior das hipóteses, passam um dia ou vários dias sem comer. Da mesma forma, quase um terço dos seus habitantes – 205 milhões de pessoas – vive em condições de insegurança alimentar moderada, isto é, são forçadas a reduzir a quantidade ou a qualidade dos alimentos que consomem. Porém, ressalta-se que estes dados são anteriores ao impacto proporcionado pela COVID-19.

Em relação à pandemia de Coronavírus, a FAO pretende apoiar mecanismos que permitam o desenvolvimento de sistemas alimentares globais determinados a aumentar a resiliência, a sustentabilidade e a equidade entre as nações no que tange à nutrição, a partir das seguintes áreas de atuação:

·                Fortalecer o plano global de resposta humanitária à COVID-19

·                Melhorar dados usados para tomada de decisão

·                Garantir a inclusão econômica e a proteção social para reduzir a pobreza

·                Fortalecer os padrões comerciais e de segurança alimentar

·                Promover a resiliência dos pequenos agricultores para a recuperação

·                Prevenir a próxima pandemia de origem zoonótica, aplicando uma abordagem com foco no conceito de “uma saúde

·                Iniciar a transformação dos sistemas alimentares

Para mais detalhes, acesse o Relatório Global sobre Crises Alimentares 2020 neste link (em inglês).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O diretorgeral da FAO, Qu Dongyu, apresentou ao Conselho da organização a sua visão sobre o enfrentamento dos desafios relacionados à alimentação e agricultura /Foto: FAO

(Fonte):

http://www.fao.org/news/story/en/item/1255324/icode/

Imagem 2FAO pede ação global conjunta e coordenada em apoio à alimentação e agricultura /Foto: FAO” (Fonte):

About author

Pós-graduanda em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2018-2019). Graduada em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS, 2015), pela I Turma de Relações Internacionais – Turma Nelson Mandela. Ao longo da graduação, implementou o Centro Acadêmico de Relações Internacionais (CARI) da UNISINOS. Possui interesse na área de Segurança Internacional, Organizações Internacionais e Direito Internacional, especificamente, no Direito Internacional dos Refugiados e Migrações. Tem como experiência profissional assessoria técnica para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão (SPGG, RS). Como articulista do CEIRI trabalha temas correlatos à América Latina.
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