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Ainda há pirataria na costa da Somália?

De acordo com relatório do Banco Mundial, no período de 2005 a 2012, os piratas atuantes na costa da Somália e no Chifre da África arrecadaram com resgates um montante entre US$ 339 milhões e US$ 413 milhões[1][2]. O estudo foi feito com dados e evidências de entrevistas com ex-piratas, autoridades governamentais, banqueiros e outros atores envolvidos no combate à pirataria. Ao menos 179 barcos foram sequestrados no período, sendo que 85% deles só foram liberados após pagamento de resgates[3].

O grupo controlava diversas partes da Somália, um país que há décadas lida com ausência de um governo central forte e sofre com diversos conflitos internos entre os grupos armados. A pirataria chegava a beneficiar as comunidades locais, com o comércio de produtos e serviços entre piratas e cidadãos. Em um dos portos de Mogadíscio, capital da Somália, os piratas tinham um acordo para pagar um imposto de 20% para o grupo terrorista AlShaabab, ligado à AlQaeda[3].

A miséria no país e a falta de oportunidades de emprego levavam os somalis a sonhar com a fortuna repentina, visto que um pirata de baixo nível poderia lucrar de US$ 15 mil a US$ 150 mil em uma única operação[4]

Entretanto, as notícias sobre a pirataria foram aos poucos se extinguindo dos noticiários, dando lugar às atividades do AlShaabab no Chifre da África e nos atentados ao país vizinho, o Quênia. No fim de 2014, a ONU já observava que não havia registros de sequestros de navios comerciais na região, de outubro de 2013 a outubro de 2015. Além disso, apenas 20 ataques ou tentativas de ataques levados a cabo por piratas somalis foram relatados em 2013, valor significativamente inferior aos anos anteriores, quando contabilizaram 75 navios atacados, em 2012, e 237, em 2011[5].

A presença de guardas armados dentro das embarcações e de patrulhas navais – como as forças privadas e navios militares da OTAN – que acompanham os cargueiros em trechos perigosos foi fundamental para afastar os criminosos[4]. Além disso, em outubro de 2013, Mohamed Abdi Hassan, considerado o chefe número um da pirataria na Somália, foi detido no aeroporto de BruxelasHassan, também conhecido como “Boca Grande” (Afweynei, em somali), é suspeito de sequestrar o navio belga Pompei, em 2009, por 70 dias e com dez tripulantes[6].

Os atos de pirataria renderam em 2013 a produção hollywoodiana “Capitão Phillips”, protagonizada pelo ator Tom Hanks, que retratou o sequestro do cargueiro de bandeira americana “Maersk Alabama”, em 2009, na costa somali[4]. Em janeiro de 2015, uma tentativa de ataque de piratas somalis a um navio foi gravada. Na ocasião, o navio estava com fortes armamentos, o que impediu a ação dos piratas[7].

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Imagem (Fonte):

http://revistaescola.abril.com.br/img/historia/pirataria.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.unodc.org/unodc/en/frontpage/2013/November/pirate-trails-tracks-dirty-money-resulting-from-piracy-off-the-horn-of-africa.html?ref=fs3

[2] VerTSF Notícias”:

http://www.tsf.pt/multimedia/galeria/Default.aspx?content_id=3517812

[3] VerCarta Capital”:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/a-milionaria-cadeia-da-pirataria-na-somalia-6285.html

[4] VerVeja”:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/mesmo-fragilizados-piratas-ainda-ameacam-a-costa-da-africa/

[5] VerDN Globo”:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4229117

[6] VerPúblico”:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/lider-da-pirataria-da-somalia-detido-em-bruxelas-1609042

[7] VerUol”:

http://mais.uol.com.br/view/v1xaxe2lamb3/piratas-da-somalia-se-dando-mal-ao-tentar-atacar-um-navio-04028D9A366ECC995326?types=A&

About author

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.
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