Passados pouco mais de cinco meses da apresentação de Neymar Jr. no Paris Saint-Germain (PSG), transação recorde que abalou o mercado do futebol por atingir a cifra de 222 milhões de euros – aproximadamente, R$ 840 milhões –,as consequências vão além de apenas uma ação de marketing e melhores resultados em campo. A mudança do craque brasileiro atrai o foco e dirige a atenção de olhares atentos a um dos problemas mais graves que a Europa vem enfrentando na última década: os ataques terroristas.

Homenagem às vítimas mortas no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Bichat

Em novembro de 2015, a capital francesa sofria uma série de atentados iniciada justamente nas proximidades do Stade de France, onde o então presidente François Hollande acompanhava de perto a partida entre as seleções de França e Alemanha – terminada com o placar de 2 a 0 em favor do time da casa. Hollande foi prontamente evacuado pela sua equipe de seguranças, mas não foi possível impedir que um homem-bomba detonasse seu colete de explosivos na entrada do estádio, culminando em 5 mortos e 10 feridos. Os números finais desta noite de devastação somaram pelo menos 128 mortos e 180 feridos.

O Estado Islâmico (EI) reivindicou imediatamente a autoria destes crimes, o que mobilizou as lideranças internacionais e trouxe à tona o debate sobre o combate às ameaças terroristas. A França tem se colocado como um dos atores mais críticos e atuantes contra a expansão do terrorismo fundamentalista e, talvez, seja este o principal motivo pelo qual foi selecionada como alvo dos ataques. O palco da primeira explosão também foi friamente escolhido, aproveitando-se da popularidade do futebol, dos milhares de espectadores presentes e da transmissão da partida ao vivo para os demais países.

Agora, este esporte volta a ser tema estampado nas capas dos jornais franceses e estrangeiros ao destacar a importância dos gols e assistências deste reforço de peso. Também exaltam a contribuição do camisa 10 para guiar o PSG a manter-se na liderança da Ligue 1, campeonato nacional (com a vantagem de 9 pontos para o segundo colocado, contabilizando os resultados até a décima nona rodada), e seguir avançando no grupo dos times de elite que disputam a Liga dos Campeões da UEFA (atualmente classificado para as oitavas de final, que começará a ser disputada em 13 de fevereiro de 2018, com o PSG jogando a partida de ida no dia 14). Os próximos duelos nestas competições são contra Nantes e Real Madrid, respectivamente.

A esperança de um novo amanhã

Vale lembrar que estamos em contagem regressiva para o maior evento esportivo entre seleções de futebol do mundo: a Copa da Rússia FIFA 2018, com abertura marcada para o dia 14 de junho. Tal proximidade eleva os rumores e a preocupação com a possibilidade de testemunharmos novamente outras investidas do EI contra o continente europeu através de sua estratégia terrorista, utilizando-se até mesmo de ameaças contra a integridade dos próprios jogadores profissionais durante o torneio, conforme já veiculado recentemente pelo grupo em suas propagandas ofensivas.

Vladimir Putin, Presidente anfitrião, assinou um decreto em maio do ano passado (2017) que reforça as medidas de segurança por meio de zonas restritas de voos e navegação durante a Copa do Mundo, assim como foi testado e aprovado na Copa das Confederações 2017, cuja campeã foi a seleção da Alemanha, ao superar o Chile por 1 a 0.

Enquanto isso, o general Alexander Bortnikov, atual diretor do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (FSB), em entrevista à revista Rossiyskaya, alega que todos os esforços de cooperação internacional estão sendo feitos – tanto em âmbito bilateral, como multilateral – para neutralizar as ameaças terroristas e garantir a segurança.

De acordo com ele, foram impedidos 23 atos de terrorismo apenas em 2017, graças à “oposição sistemática de uma ampla gama de estruturas competentes”. Mais à frente, reitera sua posição ao afirmar que “a experiência acumulada de interação será usada para garantir a segurança dos importantes eventos internacionais que se realizarão em nosso país, especialmente a próxima Copa do Mundo na Rússia”.

O sinal de alerta segue ligado e o que vemos, apesar das nítidas divergências da política externa russa com os demais governos ocidentais, é um alinhamento supranacional tendo como plano de fundo a integridade e a segurança da Copa do Mundo. Mais uma vez, o futebol se coloca como ferramenta de união e fortalecimento entre as nações, valendo-se da projeção midiática para transmitir ao mundo uma clara mensagem de força soberana, capacidade inabalável de superação e resiliência contra o “inimigo invisível”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Apresentação de Neymar Jr.” (Fonte):

https://www.psg.fr/img/image/upload/t_image_1290x725,q_auto/gm4fxwo4y4fnn3rweyix

Imagem 2 “Homenagem às vítimas mortas no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Bichat” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/09/Paris_Shootings_-_The_day_after_%2823011898735%29.jpg

Imagem 3 “A esperança de um novo amanhã” (Fonte):

https://www.psg.fr/img/image/upload/t_image_1290x725,q_auto/rn5pqqnqdncfegeyyaht