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Ansar Bayt al-Maqdis é, doravante, o braço armado do Estado Islâmico na Península do Sinai

Ansar Bayt al-Maqdis, o grupo jihadista mais atuante na Península do Sinai desde a queda de Muhammad Morsi, em 2013[1], declarou, em 10 de novembro, lealdade ao autoproclamado Califa Abu Bakr al-Baghdadi, tornando-se o braço oficial do Estado Islâmico no Egito.

Em uma gravação em áudio, o orador do Ansar Bayt al-Maqdis, falando em nome do grupo, jurou fidelidade ao Califa e o reconheceu como sendo escolhido por Deus, tendo ressaltado a necessidade de os muçulmanos fazerem o mesmo, após décadas de humilhações. O orador afirmou que “não temos outra alternativa senão declarar o nosso compromisso de fidelidade ao Califa… para ouvir e obedecer-lhe… e apelamos a todos os muçulmanos a jurar-lhe fidelidade. O que você está esperando depois de sua honra ter sido agredida e o sangue de seus filhos ter sido derramado nas mãos desse tirano [o Presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi] e de seus soldados? Meios pacíficos e democracia infiéis não têm qualquer benefício para você”[2].

A adesão do Ansar Bayt al-Maqdis ao Estado Islâmico representa uma vitória para al-Baghdadi, que conseguiu uma filiação internacional no país mais populoso e um dos mais importantes do mundo árabe. Em vídeo, reproduzido em 13 de novembro, al-Baghdadi aceitou os juramentos de lealdade e confirmou a expansão do Estado Islâmico “para novas terras, para as terras de al-Haramayn [Arábia Saudita], o Iêmen, o Egito, a Líbia e a Argélia”[3].

A ligação entre o Ansar Bayt al-Maqdis e o Estado Islâmico é uma preocupação acrescida para o Governo egípcio, na medida em que os jihadistas podem desviar-se de seu foco principal, que é atacar as Forças Militares e de Segurança do país, para desencadear uma escalada de violência contra civis. Se este fato se confirmar, os esforços do Governo do Egito para reativar o turismo, uma fonte vital para a sua economia, estarão fadados ao fracasso[4]. Um funcionário do Governo, que não foi identificado, fez a seguinte declaração: “Estou muito preocupado, agora que existe mais instabilidade no oeste, e Ansar Bayt al-Maqdis fará mais incursões no Cairo e nas grandes cidades”[5].

Segundo autoridades ocidentais, o mais novo aliado do Estado Islâmico possui células de combatentes dos dois lados do Rio Nilo. Isto significa que as frágeis fronteiras com a Líbia oriental e a Faixa de Gaza têm servido como refúgio aos jihadistas do Ansar Bayt al-Maqdis e, também, para conseguir suprimentos militares através de militantes afetos à causa do grupo[6].

No presente, tanto o Ansar Bayt al-Maqdis quanto o Estado Islâmico ganharam fôlego novo. Cada parte poderá contribuir com aquilo que possui de melhor para a conquista de seus objetivos. Os jihadistas do Sinai que enfrentam, no momento, uma forte incursão das Forças Armadas Egípcias, poderão se capitalizar financeiramente e ganhar o reforço de novos combatentes para a sua causa que passou a ser, também, a causa do Califa e seus fiéis.

O Estado Islâmico, hoje, está mais fortalecido com a nova adesão e tudo indica que se encontra economicamente pujante, pois o seu líder acabou de anunciar que irá cunhar a sua própria moeda em ouro e prata[7]. Neste contexto, a atual conjuntura está indefinida. Enquanto isso, o mundo está em compasso de espera aguardando o próximo passo do Estado Islâmico, uma vez que as Forças Armadas, egípcias e ocidentais, ainda não conseguiram neutralizá-lo.

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ImagemManifestação violenta, no Cairo, em janeiro de 2014, com a marca de Ansar Bayt al-Maqdis, organização terrorista inspirada na Irmandade Muçulmana” (Fonte):

http://farm3.staticflickr.com/2813/11941446315_f371a55128_o.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://ceiri.news/vaga-de-atentados-assola-a-peninsula-do-sinai/

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.625602

[3] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2014/11/islamic_state_releas_1.php?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+LongWarJournalSiteWide+%28The+Long+War+Journal+%28Site-Wide%29%29

[4] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/11/11/world/middleeast/egyptian-militant-group-pledges-loyalty-to-isis.html?_r=1

[5] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/11/11/world/middleeast/egyptian-militant-group-pledges-loyalty-to-isis.html?_r=1

[6] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/11/11/world/middleeast/egyptian-militant-group-pledges-loyalty-to-isis.html?_r=1

[7] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/NewsReports/564404-isis-unveils-own-currency

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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