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As aproximações da Venezuela com o Irã

Na semana passada, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que buscará apoio do Irã para o desenvolvimento da indústria venezuelana de material de construção civil, visando cumprir a meta de construção de 3 milhões de moradias até o ano de 2019 e, além disso, para também tornar-se um exportador de moradias, embora não tenha explicado adequadamente o que significa tal firmação.

Afirmou o Mandatário: “Hermanos de Irán, les seguimos pidiendo ayuda, necesitamos desarrollar la industria de materiales de construcción, es un punto vital para que venga la explosión en la construcción de viviendas. (…). Nuestro desafío es cómo aceleramos, cómo en vez de construir 250,000 viviendas construimos 350,000 el próximo año, y el próximo construimos 500,000. (…). …va a ser y va a tener una industria de construcción de viviendas modernas para (…) exportar vivienda[1].

A Venezuela já tem Acordos Bilaterais com o Governo iraniano realizados ao longos dos mandatos de Hugo Chávez, tendo, durante muito tempo, se posicionado como um aliado político e ideológico do regime persa, especialmente quando Mahmoud Ahmadinejad ocupava a Presidência Iraniana, num momento em que o discurso antiamericano tornava ambos os países aliados estratégicos automáticos.

Neste momento, Maduro segue a linha chavista, mas não detém o apoio que Chávez obteve e a situação internacional mudou, embora tenha sido mantida a perspectiva da aliança imediata da Venezuela com países que estejam em confronto direto com os EUA, que continua recebendo por parte do Governo venezuelano acusações de interferência direta em seus assuntos internos.

Maduro estará na Organização das Nações Unidas (ONU) esta semana para participar da Assembleia Geral da ONU, supostamente acompanhando-a desde o início (embora não tenha anunciado quando viajará), mesmo que tenha seu discurso marcado apenas para ao dia 26, próxima sexta-feira, e estejam sendo previstas manifestações de venezuelanos na sede da ONU contra ele, bem como tenha recebido críticas rígidas dos jornais estadunidenses, que afirmam ser ele autoritário, estão denunciando o seu governo como corrupto e violento e chamaram-lhe de “analfabeto econômico[2].

Conforme afirmou, ele será a voz da Venezuela, da Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA) e dos latino-americanos[3], acreditando que seu discurso poderá ter os reflexos que tinha os de Hugo Chávez, quando acusava os EUA e se apresentava o principal combatente mundial contra os EUA.  

Observadores apontam que além da conjuntura interna venezuelana e internacional ser diferente, a situação do país e a condução de seu Governo colocam-no diante de um quadro no qual será entendido como o representante de um Regime identificado como autoritário, da mesma forma que as posições que vem mantendo em política internacional de aproximar-se ou defender grupos que sejam antiamericanos perdem sentido quando, por exemplo, ele se apresenta como um crítico das ações ocidentais e norte-americanas contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Nesse sentido, acreditam os analistas que o seu discurso será repetitivo e o que apresentar de novo não trará benefícios a si e à Venezuela.

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Imagem (Fonte):

 wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.elnuevoherald.com/noticias/mundo/america-latina/venezuela-es/article2154817.html

Ver também:

http://www.globalpost.com/dispatch/news/agencia-efe/140919/venezuela-looks-iran-boost-construction-materials-industry

[2] Ver:

http://www.lasegunda.com/movil/detallenoticia.aspx?idnoticia=964276

[3] Ver:

http://digitallpost.mx/noticias-detalle.php?contenido_id=57497&seccion_id=27

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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