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As negociações de John Kerry no Oriente Médio: busca de novos rumos para a paz

O périplo do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ao Oriente Médio, sequência da visita de Barack Obama à região, no passado mês de março, tem por objetivo reativar as negociações para a paz entre Israel e a Palestina, suspensas desde 2010. Analistas destacam inicialmente que tal feito requer, por parte de John Kerry, a habilidade para conseguir que ambos os lados façam concessões necessárias para retomar as negociações e ainda que o Hamas venha para a mesa de negociações.

Atualmente, a Palestina está politicamente dividida. De acordo com os observadores, aquilo que for acertado por Mahmoud Abbas, presidente da “Autoridade Nacional Palestina”, não será acatado pelo Hamas, que domina a “Faixa de Gaza” e tem um governo próprio. O fato de o Hamas não reconhecer o “Estado de Israel” e este Estado, juntamente com os “Estados Unidos”, o considerar um grupo terrorista, é um grande obstáculo para as negociações de paz, pois o Hamas não se sente obrigado a cumprir os acordos dos quais não participou.

No entanto, a presença de John Kerry na região deve ser considerada positiva, pois retomou a possibilidade de reavivar o processo de paz, tendo também demonstrado empenho para o restabelecimento das relações entre Israel e a Turquia, negociações entabuladas pelo presidente Barack Obama[1]. John Kerry foi coerente ao não levar consigo um plano de paz já pronto, mas apenas a disposição em ouvir as partes. Apesar de, como afirmam alguns especialistas, os desafios serem enormes, o secretário de Estado mantém-se otimista.

Como afirmou no “Consulado dos Estados Unidos em Jerusalém”, na passada segunda-feira, “as crianças não odeiam. As pessoas são ensinadas a odiar. E o que nós precisamos fazer é desfazer essa aprendizagem, chegando a um ponto onde as pessoas comecem a entender as possibilidades do que a vida realmente é[2]. No Oriente Médio, frisou Kerry, “a Palestina, Israel, os visitantes, todos acreditam na possibilidade de paz[2].

No entanto, segundo alguns especialistas, avançar com o processo de paz pode implicar no fim do governo de Benjamin Netanyahu, que resultou de uma coalizão que integra os ultranacionalistas. Este gabinete, onde o ultranacionalismo se cruza com o conservadorismo, manifesta rejeição aos palestinos e incentiva a continuidade da construção de novos assentamentos na Cisjordânia e em “Jerusalém Oriental[3]. Se, por um lado, o governo de Benjamin Netanyahu dá mostras de querer continuar com a construção dos assentamentos, a Palestina exige o seu congelamento imediato, a libertação de seus prisioneiros, assim como o retorno das fronteiras anteriores à “Guerra dos Seis Dias”.

Os entraves para reatar do processo de paz são vários e de grande monta, o que dificulta um possível acordo entre Israel e a Palestina. Provavelmente, John Kerry está diante de uma missão difícil, que consiste na promoção do entendimento entre os dois lados. Conseguir a satisfação dos interesses de israelenses e palestinos será para a Administração Obama uma façanha expressiva, na medida em que a dignidade, a terra e a paz,  ou seja, aquilo que é essencial para qualquer povo, se revelam como sendo indispensáveis tanto para um lado quanto para o outro[4].

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Imagem (Fonte):

http://www.kalb.com/story/20790557/john-kerry-confirmed-as-secretary-of-state

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/04/07/us-turkey-usa-kerry-idUSBRE93600Q20130407

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/hearing-the-birds-singing-in-jerusalem-kerry-croons-a-promise-of-peace.premium-1.514398

[3] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=580180

[4] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=583317

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About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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