ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

As “Olimpíadas de Inverno” face ao “Aquecimento Global”

No último dia 23, encerraram-se os “Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi”, uma das mais polêmicas edições das “Olimpíadas de Inverno” ocorridas, na qual preocupações com ataques terroristas, manifestações de repúdio ao preconceito sexual, acentuada propaganda política russa e altíssimos custos de organização marcaram de forma negativa a realização destas Olimpíadas. Contudo, em que pesem todos estas polêmicas, “Sochi 2014” – considerados os “Jogos Olímpicos de Inverno” mais quentes de toda história – também mostrou ao mundo os inequívocos efeitos do fenômeno do “Aquecimento Global”, o que pode vir a se transformar em uma grande ameaça para realização das próximas edições das “Olimpíadas de Inverno”.

Constatou-se que as temperaturas ocorridas durante a realização dos Jogos estiveram mais próximas das experimentadas durante o verão, o que fez com que, na cerimônia de abertura, a neve na cobertura do “Estádio Olímpico” fosse falsa. Segundo especialistas no estudo do aquecimento global, muitas das cidades que eram propícias à prática de esportes de inverno já vêm apresentando mudanças de modo que as condições anteriormente verificadas já diminuíram de forma gradativa, e isso não apenas em Sochi, mas em inúmeros outras cidades que anteriormente foram sede das “Olimpíadas de Inverno”, as quais podem se tornar, em um período de tempo não muito longo,  completamente impróprias para a prática dos esportes de inverno.

De acordo com o geógrafo austríaco Robert Sieger, que, juntamente com outros pesquisadores austríacos e canadenses, publicou, recentemente, um estudo sobre os impactos do aquecimento global nas “Olimpíadas de Inverno”, as alterações climáticas poderão impossibilitar a prática de esportes de inverno em várias regiões, haja vista que, segundo os cálculos destes pesquisadores, até o término de nosso século somente 6 das 19 cidades que já sediaram as “Olimpíadas de Inverno” ainda apresentarão condições propícias para tanto. Para Sochi, as estimativas destes pesquisadores apontam o ano de 2050 como data limite. No que tange às demais cidades-sede, o estudo mostra que, em média, a temperatura, que era de 3,1ºC no período de 1960 a 1990, já atinge, no século XXI, 7,8ºC.

Esta mudança na temperatura que se processa devido ao “Aquecimento Global” – segundo afirmam os pesquisadores – tem feito com que o “Comitê Olímpico Internacional” (COI) seja menos rigoroso na escolha das cidades-sede dos “Jogos Olímpicos de Inverno”, conforme o ocorrido com Sochi, uma cidade relativamente bem mais quente do que as sedes anteriores. Sim, pois de acordo com as regras expressas do COI a cidade-sede deve, em um período de tempo de dez anos, ter tido por nove anos no mínimo 30 cm de neve no início de fevereiro, bem como apresentar temperaturas abaixo de zero durante o dia, regras estas que não foram estritamente levadas em conta em Sochi.

Ponto importante nesta análise é o levantado por Sieger, que encara a tendência recente pela realização das “Olimpíadas de Inverno” em regiões metropolitanas como bastante problemática, não somente no aspecto meteorológico, por estas serem mais quentes, dado que se encontram mais afastadas das regiões de montanhas, mas também pela própria logística necessária ao adequado desenrolar das competições. E, mesmo com a existência de neve artificial e de eventos indoor, grande parte das competições dependem da certeza de que haverá neve natural, caso contrário a realização de tais competições será totalmente prejudicada. Assim, ainda segundo Sieger, a não ser que os “Jogos de Inverno” voltem a ser unicamente realizados em regiões montanhosas, não se poderá supor que, no futuro, estes sejam realizados tão somente com gelo e neve naturais.

—————————————–

ImagemAs Olimpíadas de Inverno Mais Quentes da História” (Fonte):

http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/poliesportiva/conteudo.phtml?id=1446729

—————————————–

Fonte consultada:

http://www.dw.de/aquecimento-global-ameaça-jogos-de-inverno/a-17445701

About author

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!