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Aspectos que envolvem a retirada dos EUA de Acordo nuclear com a Rússia

Como foi noticiado, no dia 20 de outubro (2018), o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá retirar o seu país do Tratado de Forças Nucleares de Faixa Intermediária (INF, sigla em inglês)*, o qual foi firmado entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS), em 1987, com o objetivo de encerrar o uso e a fabricação de mísseis nucleares e convencionais que teriam um alcance de 500 à 5.500 quilômetros. Esse banimento resultou na destruição de 2.692 mísseis até o prazo final dado pelo Documento, o qual foi 1º de junho de 1991.

O Vice-Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabokv

O INF, portanto, representou um progresso na aproximação diplomática entre as duas superpotências. Ele garantiu a diminuição das tensões da Guerra Fria** e o corte de arsenais nucleares. Não obstante, o período marcado por aquele conflito ideológico encerrou-se e o Tratado continuou em vigência, porém agora entre EUA e a Federação Russa, o principal país que carrega consigo o legado da URSS. Dessa maneira, mesmo que o INF tenha sido firmado em um período histórico-político diferente, sua relevância ainda prevalece nos dias atuais, pois garante um certo controle do arsenal balístico de dois países avançados militarmente.

Apesar desse fato, o Presidente Trump resolveu anunciar a saída dos EUA do Tratado sob a justificativa de que a Rússia estaria descumprindo-o há alguns anos. Essa acusação soma-se à suspeita norte-americana de que os russos estariam desenvolvendo um novo sistema de mísseis terrestres, o 9M729, o qual violaria o INF, pois permitiria o lançamento de um ataque direto à Europa sem aviso prévio.

Além da apreensão de Trump em relação à Rússia, ele também deixou subentendido em seu anúncio de que a China estaria aprimorando esse tipo de armamento, que poderia vir a ameaçar os EUA. De acordo com ele, a sua decisão só se alteraria caso “(…) a Rússia venha até nós e a China venha até nós e que eles todos venham até nós e digam ‘sejamos todos inteligentes, que nenhum de nós desenvolva essas armas’”. Todavia, prosseguiu, afirmando: “(…) Mas se a Rússia está fazendo isso e a China está fazendo isso e nós estamos mantendo o acordo, isso é inaceitável. Então nós temos um tremendo montante de dinheiro para colocar em nosso setor militar”. Entretanto, o INF nunca foi um Acordo entre outros países senão a Rússia e os EUA, de forma que a China não estaria atrelada a nenhuma diretriz desse Tratado em específico.

A Rússia respondeu oficialmente ao pronunciamento alegando ter sempre respeitado estritamente o Tratado, declarando que aqueles que o burlaram foram os norte-americanos. Ademais, afirmou que a saída dos EUA representava um passo perigoso e retroativo nas relações entre os dois países. Inclusive o Vice-Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, comentou que “se os norte-americanos continuarem a agir de modo tão grosseiro e brutal, como já vimos em várias situações, se eles continuarem a sair de tratados, diferentes acordos e mecanismos unilateralmente (…) não nos restará nada mais que empreender medidas de resposta, inclusive do caráter técnico militar. Mas não queríamos chegar a esse ponto”.

A decisão de Trump colocou em alerta toda a comunidade internacional. Por enquanto, o Reino Unido é um dos poucos que apoiam essa iniciativa norte-americana, aceitando as alegações de violação do INF por parte da Rússia. Em contrapartida, países como Alemanha, Espanha e França repudiaram a decisão do Presidente estadunidense, declarando que esse não é o caminho para a manutenção das boas relações diplomáticas, além de que isso coloca em perigo a estabilidade da Europa.

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Nota:

* Também tem sido traduzido como Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.

** A Guerra Fria foi um embate político, ideológico e militar entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA), durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear, naquilo que entrou para a história com o nome de “Equilíbrio do Terror”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Míssil balístico nuclear intercontinental norteamericano de longo alcance intitulado UGM-133 Trident II ou Trident D5” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Trident_II_missile_image.jpg/200px-Trident_II_missile_image.jpg

Imagem 2 O ViceMinistro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabokv” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Sergei_Ryabkov.jpg

                                                                                             

About author

Bacharela em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas, ambas pelas Faculdades de Campinas (FACAMP). Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.
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