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[:pt]Ataque aéreo da coalizão norte-americana na Síria mata 33 civis[:]

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O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês) documentou na última quarta-feira, 22 de março, a morte de 33 pessoas no norte do país. O ataque teria sido fruto de bombardeios por aviões da Coalizão Internacional sobre uma escola abrigando deslocados ao sul da cidade de Mansoura, oeste de Al-Raqqah. De acordo com a nota do Observatório, moradores locais e jornalistas reportam que mais de 50 famílias deslocadas de aldeias de Al-Raqqah, Homs e Aleppo vivem na escola al Badia, e que mais corpos foram recuperados, mas o Observatório não foi capaz de documentar estas mortes.

A cidade de Raqqa vem sendo alvo de frequentes ataques da coalizão por possuir boa parte de seu território dominado pelo Estado Islâmico. A coalizão internacional composta por 30 países e liderada pelos Estados Unidos vem realizando ataques aéreos contra o grupo na Síria desde outubro de 2014. Na quarta-feira, dia 22 de março, a coalizão denominada Operação Resolução Inerente elevou seu arsenal com transportes aéreos e apoio de disparo, disse o Pentágono. Também no último mês (fevereiro) a coalizão intensificou sua campanha aérea contra o Estado Islâmico nos arredores de Raqqa, reportou a Al Jazeera.

O Pentágono ainda não confirmou o ataque, mas um Porta-voz do Comando Central dos EUA disse ao Independent que a Coalizão rotineiramente atinge alvos do ISIS nesta área. O Pentágono também anunciou uma investigação formal sobre outro recente ataque aéreo norte-americano, que matou pelo menos 49 pessoas e feriu dezenas em uma área controlada por rebeldes na província de Aleppo. Jornalistas locais e grupos de monitoramento alegam que os mortos eram civis reunidos em uma mesquita para orar, enquanto o Pentágono afirmou que o ataque atingiu uma reunião da Al-Qaeda na província de Idlib.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, de 8 de março de 2017 até 22 de março de 2017, contabilizando o ataque desta semana, o número de civis mortos pela Coalizão Internacional aumentou para 116. Ao todo, 18 crianças com idade inferior a dezoito anos, 23 mulheres e 42 homens e jovens foram mortos nas cidades de Al-Tabaqa; nos vilarejos de Shabhar, Al-Safsafa, Al-Ahwas, Al-Borashid, Matab al-Borashid; região de al-Kasrat; cidade de Al-Karama; vilarejo de Hamrasa Blasem; Fazendas de Al-Andalus; vilarejo de Jdaydet Khabur; na escola ao sul da cidade de Al-Mansoura e outras áreas em Al-Raqqah.

A coalizão recentemente admitiu ter matado pelo menos 220 civis em ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Contudo, organizações humanitárias advertem que o número real pode ser muito maior, com o grupo de monitoramento Airwars estimando pelo menos 2.700 homens inocentes, mulheres e crianças mortas na campanha de bombardeio contra o grupo terrorista, reportou o jornal britânico The Independent.

O grupo ativista “Raqqa está sendo assassinada silenciosamente” (RBSS, na sigla em inglês) declarou que “os massacres cometidos pela coalizão liderada pelos EUA em Raqqa são inaceitáveis”, e que a comunidade internacional deve intervir para cessar esta realidade. Além de suas missões aéreas, os Estados Unidos têm várias centenas de soldados no terreno na Síria apoiando a ofensiva anti-Estado Islâmico pelas Forças Democráticas da Síria, uma aliança de combatentes curdos e árabes que se opõem ao regime de Bashar al-Assad.

Atualmente, o Estado Islâmico está sob pressão de várias direções no norte da Síria. A Rússia apoia seu aliado sírio, o presidente Bashar al-Assad, enquanto em outra frente a Turquia fornece cobertura aérea aos grupos rebeldes lutando contra os jihadistas. O controle da Síria devastada pela guerra é dividido entre uma miríade de grupos armados, como rebeldes chamados de oposicionistas moderados, jihadistas radicais, milícias curdas e forças do governo sírio, além de atrair também a atenção de outros atores internacionais e regionais como Estados Unidos, países do Golfo árabe, Hezbollah e Irã.

Anos de esforços diplomáticos não conseguiram terminar o conflito de seis anos da Síria, que começou com protestos contra o regime de Assad em 2011 e já matou 320 mil pessoas. A atual escalada de violência ocorreu apenas um dia antes de uma nova rodada de negociações de paz promovida pela ONU e pelo enviado especial, Staffan de Mistura, em Genebra.

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ImagemInsígnia da forçatarefa Operação Resolução Inerente” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Combined_Joint_Task_Force_%E2%80%93_Operation_Inherent_Resolve#/media/File:Seal_of_Combined_Joint_Task_Force_%E2%80%93_Operation_Inherent_Resolve.svg

Imagem 2O Pentágono, com o rio Potomac e o monumento de Washington ao fundo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Pentágono

Imagem 3O logo do Observatório Sírio dos Direitos Humanos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Syrian_Observatory_for_Human_Rights

Imagem 4Página do Twitter da Raqqa está sendo assassinada silenciosamente” (Fonte):

https://twitter.com/raqqa_sl

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About author

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).
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