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Aumentam as dificuldades dos refugiados sírios após a ruptura das relações entre o Egito e a Síria

Na sequência do anúncio do apoio dos EUA aos rebeldes na Síria, o Egito, através de seu Presidente, Mohamed Morsi, anunciou recentemente o fim das relações diplomáticas com a Síria. A decisão de Mohamed Morsi, segundo ele, foi motivada pelo envolvimento do Hezbollah naGuerra Civil” síria[1]. A resolução egípcia foi reprovada por este país e, em tom de crítica, um oficial sírio classificou a decisão como “irresponsável”, tendo acusado Mohamed Morsi de estar envolvido numa conspiração contra o seu país[2].

O Presidente egípcio também solicitou, das potências mundiais, uma zona de exclusão aérea sobre a Síria[3] e, no seu discurso, pediu ainda que os aliados do Presidente Bashar al-Assad recuem, exigindo a retirada do Hezbollah do território sírio[4]. A atitude do Egito surpreendeu os refugiados deste país que, no momento, segundo dados da ONU, já passam de um milhão e quinhentos mil civis[5], sendo que mais de noventa mil se encontram em território egípcio[6].

O Egito rompeu as relações com a Síria no momento em que, no norte do país, os refugiados enfrentam uma epidemia de sarampo que começou em maio e levou ao agravamento da crise humanitária. Com a guerra, o sistema de saúde entrou em colapso e, desde 2011, os programas de vacinação foram interrompidos. Apesar da campanha de vacinação em massa realizada pelos “Médicos Sem Fronteiras” em fevereiro deste ano (2013), o número de pessoas com a doença não pára de aumentar, estando esta organização a planejar outra vacinação em massa nos campos de refugiados de Idlib. As condições de vida precárias nos campos de refugiados superlotados e insalubres agravam a situação. Devido à polarização do conflito, as equipes da saúde têm encontrado dificuldades para trabalhar e o número de mortes está a aumentar, principalmente entre as pessoas mais vulneráveis por falta de acesso aos cuidados da medicina preventiva[7].

Com o fim das relações diplomáticas entre o Egito e a Síria e o encerramento da embaixada egípcia em Damasco, surgiu mais uma dificuldade para os refugiados sírios que tinham o Egito como destino. Para alguns, o Egito não era o país definitivo, mas sim uma plataforma de transição para outro país ou, ainda, apenas um território de permanência temporária, na medida em que tencionavam retornar à Síria assim que a situação normalizasse.

A decisão tomada pelo presidente Mohamed Morsi tornou-se motivo de preocupação para os refugiados, que se encontram sem amparo legal, somando-se deste modo mais um elemento para o aumento das tensões na região, numa altura em que a Síria perde o apoio de um dos seus principais vizinhos. Cresce, assim, a instabilidade regional e, em contrapartida, diminuem as hipóteses de um retorno mais rápido dos refugiados sírios que pretendem voltar para a sua Pátria.

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Imagem (Fonte):

http://graphics8.nytimes.com/images/2013/01/09/world/09syria_image/09syria_image-superJumbo-v2.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.startribune.com/politics/national/211743851.html

[2] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,siria-critica-egito-por-cortar-relacoes-diplomaticas,1043162,0.htm

[3] Ver:

http://www.abc.net.au/news/2013-06-16/egypt-severs-ties-with-syria/4756932

[4] Ver:

http://www.onu.org.br/numero-de-refugiados-sirios-chega-a-15-milhao-e-continua-a-crescer-alerta-onu/

[5] Ver:

http://www.onu.org.br/agencias-da-onu-fornecem-ajuda-alimentar-a-refugiados-sirios-no-egito/

[6] Ver:
http://feedproxy.google.com/~r/DoctorsWithoutBordersPR/~3/bVC5oxBPq_w/release.cfm

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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