AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Peru sedia concurso mundial de azeite de oliva

O Peru foi a sede do concurso de azeites de oliva Sol d’Oro Hemisfério Sul, realizado de 22 a 27 de setembro de 2019, na cidade de Tacna. Na competição são premiados os três melhores azeites extra-virgens produzidos em países ao sul do Equador, nas categorias: delicado, mediano e fruta intensa.

O Concurso Sol d’Oro é realizado há 17 anos, na versão Hemisfério Norte, sempre em Verona, na Itália, e, agora, chega à sua sexta edição no Hemisfério Sul. A intenção é prestigiar os azeites produzidos na região, além de incentivar avanços na produção, qualidade e exportação. Segundo a Agência de Promoção do Peru (PromPerú), pela primeira vez o concurso teve a participação de Argentina, África do Sul, Austrália, Brasil, Chile, Peru e Uruguai. Os competidores são julgados com o mesmo rigor da edição italiana.

Além de receberem o Sol de Ouro, Sol de Prata e Sol de Bronze, os três finalistas em cada categoria participam de várias atividades de promoção internacional. Dentre elas se destaca a inclusão no guia “Estrelas de Sol d’Oro”, além de um Selo de Ouro, a ser aplicado nas garrafas vencedoras.

Concurso SOL D’ORO HEMISFERIO SUR 2019

Foi a primeira vez que o Brasil participou do certame que teve como vencedores: Chile (1 medalha de ouro e 2 de prata), África do Sul e Uruguai (1 de ouro e 1 de bronze, cada país), Peru (1 de prata) e Brasil (1 de bronze). O Peru é o 4º maior produtor e 4º maior exportador de azeite de oliva da América do Sul.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Óleo de oliva” (Fonte): https://www.solagrifood.com/hubfs/olio%20oliva-3.jpg

Imagem 2Concurso SOL DORO HEMISFERIO SUR 2019” (Fonte): https://www.solagrifood.com/hubfs/Sol%20Doro%20Sud%202019/WhatsApp%20Image%202019-09-23%20at%2009.30.59.jpeg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Peru: a crise política se agrava

Martín Vizcarra, Presidente do Peru, deu posse a um novo gabinete ministerial, em 3 de outubro de 2019, quando substituiu 11 dos 19 ministros. A troca de ministros foi mais um episódio da crise política que confronta o Executivo e o Parlamento peruanos.

No dia 1º de outubro, Vizcarra havia dissolvido o Congresso, de maioria fujimorista e opositora, e convocado novas eleições. Em retaliação, os congressistas aprovaram a substituição do mandatário por 12 meses, por “incapacidade temporal”, e designaram a vice-presidente Mercedes Araóz como Presidente em Exercício. Araóz, na noite do dia seguinte, recusou a indicação e renunciou, de modo irrevogável, ao cargo de Vice-Presidente, alegando que fora rompida a ordem constitucional no país.

Para entender melhor a história, é necessário retroagir a março de 2018, quando o presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK) sofreu a segunda tentativa de impeachment e terminou por renunciar ao cargo. Na ocasião, Martín Vizcarra, que era seu Vice e servia como Embaixador do Peru nos Estados Unidos, voltou de Washington para Lima e foi empossado como Chefe do Executivo.

PPK, assim como diversos outros ex-Presidentes – a exemplo de Ollanta Humala, Alan García e Alejandro Toledo – são investigados por corrupção no âmbito da Operação Lava Jato peruana. Nesse rol se inclui Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto e líder do partido Força Popular, que se encontra em prisão preventiva, em razão de provável envolvimento em caso de suborno da Construtora Odebrecht.

Em 2018 eclodiu um escândalo envolvendo corrupção no sistema judiciário e, um ano depois (junho de 2019), o Chefe do Executivo peruano pressionou os parlamentares a apoiarem a reforma política, ameaçando com a possibilidade de fechamento do Congresso. O pomo de discórdia mais recente foi a decisão dos congressistas em nomearem juízes para o Tribunal Constitucional, em lugar de fazerem uma seleção pública, como de hábito no país. A manobra foi vista como uma forma de indicar simpatizantes e garantir a impunidade.

O Presidente, com base no Artigo 33 da Constituição, submeteu uma Moção de Confiança ao Parlamento para mudança do processo de escolha dos magistrados, a qual foi rechaçada, o que o levou a dissolver a Casa, com base no Artigo 34. A Constituição também prevê que o cargo de Presidente seja declarado vago pelo Congresso por incapacidade moral ou física do ocupante, entretanto, a medida não é válida se este mesmo Congresso foi destituído.

Martin Vizcarra tem o apoio dos militares e da polícia, mas, não tem alto índice de aprovação popular, em razão dos baixos resultados sócio-econômicos, apesar de o Peru ter obtido reconhecimento do PNUD por redução da pobreza. A população, entretanto, apoia o fechamento do Congresso e a antecipação das eleições, e desaprova o afastamento do Presidente.

Se mantida a decisão de Vizcarra, novas eleições serão realizadas em 26 de janeiro de 2020, resta saber se o Congresso Peruano, que é unicameral e dominado pelos fujimoristas,  vai acatar o ato presidencial, que tem respaldo popular, ou se irá contra-atacar e prolongar a longa disputa que trava com o Executivo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente Vizcarra empossa novo gabinete ministerial” (Fonte): https://portal.andina.pe/EDPmedia//fotografia/2019/10/03/48549_gabinete_fotog.jpg

Imagem 2 Marca do Congresso do Peru” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/24/Logo_congreso.png

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Corte equatoriana rejeita pedidos de consulta popular para mineração

A Corte Constitucional (CC) do Equador negou, em 17 de setembro de 2019, dois pedidos distintos de consulta popular sobre a atividade de mineração. Um pedido havia sido encaminhado por Yaku Perez, Prefeito Provincial de Azuay, e o outro por Elías Bermeo, Prefeito do Cantão Camilo Ponce Enriquez, na mesma Província.

No primeiro caso (Yaku Pérez) a consulta indagava se a população estava de acordo com a proibição da mineração na sua localidade, enquanto que no segundo (Bermeo) perguntava se o cidadão estava de acordo com a exploração mineira. Para ambos os casos, a CC, como a Corte é identificada pela mídia equatoriana, argumentou que as perguntas não tinham clarezas necessárias para garantir a liberdade do eleito.

Yaku Pérez, Prefeito da Província de Azuay

A primeira negativa causou mais repercussões e, segundo o periódico El Telégrafo, o Sr. Carlos Sucuzhañay, Presidente da Confederação Quéchua do Equador (Ecuarunari), havia protestado antes da decisão e afirmado que as companhias de mineração não adentrariam nos territórios do seu povo. Para a Telesur TV, a solicitação de Yaku Pérez é fruto da rejeição popular à entrada das multinacionais canadenses e americanas que lideram os projetos locais. Ainda segundo a Telesur, a decisão da CC foi celebrada pelo Vice-Ministro de Minas, Fernando Benalcázar.

Ainda na noite da 17 de setembro, a CC informou que irá analisar as consultas populares caso a caso. Não obstante, Yaku Pérez, que havia liderado uma vigília em frente da sede da Corte desde a manhã, já avisou que irá apelar para uma Consulta Popular em nível nacional, uma Emenda Constitucional ou à realização de uma Assembleia Nacional Constituinte.

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Imagem 1 Corte Constitucional do Equador” (Fonte): https://www.corteconstitucional.gob.ec/media/k2/items/cache/thumbs/5fd45095a868b007b05013834dba7a95_XL_940x393.jpg

Imagem 2 Yaku Pérez, Prefeito da Província de Azuay” (Fonte): http://www.azuay.gob.ec/prv/wp-content/uploads/2019/09/erere-768×367.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

As patinetes elétricas invadem a América Latina

O conceito de mobilidade urbana está relacionado à condição que as pessoas têm de se deslocarem no espaço da cidade, utilizando os meios de transporte disponíveis. No mundo e, por conseguinte, na América Latina, estes meios têm se expandido e a mais recente novidade são as patinetes elétricas.

Em 2012, numa palestra do Projeto Fronteiras do Pensamento, o colombiano Enrique Peñalosa afirmou que a utilização do transporte de massa deveria ser mais incentivada que o uso de veículos particulares, e que os pedestres deveriam ser priorizados em relação aos veículos. Ele, que é economista, urbanista e foi Prefeito de Bogotá, entre 1998 e 2012, diz ter construído centenas de quilômetros de ciclovias.

Peñalosa é conhecido também como o responsável pela implantação do Transmilênio, o BRT da capital colombiana, inspirado no sistema implantado em Curitiba (estado do Paraná – Brasil), nos anos 70, quando o urbanista Jaime Lerner foi Prefeito daquela capital brasileira.

O automóvel particular, que era símbolo de status e de liberdade, passou a trazer o stress dos congestionamentos gerados pelo crescente número de veículos, associados à limitação das ruas e avenidas em dar vazão ao volume de trânsito. Como solução, a locomoção no espaço urbano vem incorporando novas formas, tais como o BRT (Bus Rapid Transit), o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), as bicicletas de aluguel (Itaú, Tembici, Yellow), serviços de aluguel de autos (Cabify, 99[Didi], Uber), compartilhamento de veículos (Bla Bla Car, Waze Carpool) e as scooters* ou patinetes.

As primeiras patinetes de aluguel na América Latina chegaram no México em 2018. Em seguida foram aparecendo no Brasil, Chile, Colômbia e Peru. Agora, fazem parte do cotidiano das cidades, transportando pessoas para lá e para cá, inclusive com registros de acidentes. E cada acidente que acontece traz à tona a discussão sobre a necessidade de regulamentação do serviço. Entretanto, nem os acidentes, nem os preços, estão reduzindo o uso dos patinetes.

Blue SG – Singapura

As empresas de aluguel desses veículos investem no negócio porque já percebem a sua crescente aceitação e uso, que irá gerar receitas cada vez maiores. Em Singapura, a opção mais recente é o Blue SG, um serviço de locação de carros elétricos que ficam estacionados em pontos estratégicos da cidade, e o aluguel funciona de modo bem similar ao das bikes e patinetes. Possivelmente, esta será a próxima modalidade no continente latino-americano.

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Nota:

* Scooter é um termo usado tanto para patinete quanto para lambreta.

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Imagem 1 Patinetes elétricas” (Fonte): https://lime.app.box.com/s/ayh7rkd5hz8modd4fmveyrc72ub1aede/file/397728998908

Imagem 2 Blue SG Singapura” (Fonte): https://www.bluesg.com.sg/sites/bluesg/files/medias/images/hdb_close.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Colômbia vai a Peru e Chile em busca de investidores

A Agência ProColombia visitou o Peru e o Chile, de 2 a 6 de setembro de 2019, com objetivo de atrair investimentos. O giro pelas cidades de Lima e Santiago, que foi comandado por esta agência de promoção de exportações, turismo, investimentos estrangeiros e gestão de marca país, incluiu outras instituições colombianas.

Acompanhando a ProColombia estiveram quatro agências regionais de investimentos (Armenia, Barranquilla, Manizales e Pereira) e quatro Zonas Francas, a saber: Barranquilla, Bogotá, La Cayena e Pacífico. A estratégia visa destacar o potencial de cada região e atrair investidores que contribuam para a inserção de empresas locais nas cadeias de valor global.

O Chile, país que mais investe na América Latina, realizou semelhante viagem de atração de investimentos, tendo como destino exatamente o Peru e a Colômbia, além do Brasil. A InvestChile programou uma sequência de eventos denominado “Roadshow Latam, que visitou Lima e Bogotá em junho de 2019 e, em agosto, também deste ano, esteve nas capitais brasileiras Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. 

Logo da ProColombia

Algumas das vantagens destacadas foram a localização privilegiada de Barranquilla, que facilita alcançar o resto do país, bem como a América Central e o Caribe. Manizales oferece apoio institucional, mão-de-obra qualificada e custo competitivo. Os pontos fortes de Armenia é a baixa carga tributária e facilidades de abrir empresas. Pereira apresenta uma boa estrutura logística como atrativo.

A Colômbia acaba de ser reconhecida como um dos cinco primeiros países das Américas com maior valor de marca país como destino de negócios. O Country Brand Ranking, elaborado pela Bloom Consulting, apresenta Estados Unidos, Brasil, Canadá e México à frente dos colombianos, que estão nos Top 25 no ranking mundial de 194 países. Essa posição de destaque, divulgada em 4 de setembro de 2019 pela ProColombia, pode funcionar como um elemento a mais na atração de investimentos peruanos e chilenos.

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Imagem 1 Apresentação da ProColombia para investidores” (Fonte): https://external.fudi1-1.fna.fbcdn.net/safe_image.php?d=AQDt8HIci2lQtsIY&w=540&h=282&url=http%3A%2F%2Fwww.procolombia.co%2Fnoticias%2Fsites%2Fdefault%2Ffiles%2Fapris_1900px_01_0.jpg&cfs=1&upscale=1&fallback=news_d_placeholder_publisher&_nc_hash=AQD8eq9vn5uagfsU

Imagem 2 Logo da ProColombia” (Fonte): http://www.procolombia.co/noticias/sites/all/themes/prensa/logo.png

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Equador consegue que convenção internacional declare o Cedro como espécie protegida

O Governo do Equador conseguiu que o Cedro seja considerado como espécie protegida do comércio internacional. A proposta obteve consenso na Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora (CITES, em inglês), que se realizou de 17 a 28 de agosto de 2019, em Genebra, na Suíça.

A Cites “é um acordo internacional entre governos, cujo objetivo é garantir que o comércio internacional de espécies da fauna e da flora não representem uma ameaça para a sobrevivência [destas]…”. As decisões são baseadas em critérios técnicos e, para isso, contam com o suporte especializado da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e da ONG Traffic.

A Cites lista as espécies em 3 categorias, denominadas “Apêndices”, de acordo com os níveis de proteção requeridos: o Apêndice I contempla as espécies em perigo de extinção; o Apêndice II para aquelas cujo comércio deve ser controlado, para evitar-se que passem para o nível do Apêndice I; e o III, se refere às que já são protegidas no país que solicitou apoio e que entende ser necessária a cooperação de outros Estados.

Folhagem do Cedro Cheiroso

A madeira oriunda do tipo Cedro Cheiroso (nome científico: cedrela odorata) é utilizada pelas indústrias de móveis e na produção de óleo para perfumaria. De acordo com o Governo Equatoriano, a presença do cedro no mundo já se reduziu quase 30% nos últimos 100 anos e essa redução deverá ultrapassar os 40% nos próximos cem. A cedrela odorata já integrava a Lista Vermelha da UICN, que a classificou, em 2017, como “vulnerável” em escala mundial, considerando a extração como a principal ameaça.

A proposta do Equador foi de inclusão de todas as 17 espécies do gênero cedrela no Apêndice II e contou com o apoio da União Europeia, da Cites, Argentina, Brasil, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Estados Unidos, Honduras e Peru. A espécie cedrela odorata já estava na categoria de Apêndice III por parte da Colômbia e Peru (2011), Guatemala (2008), Bolívia (2010) e do Brasil (2011). Isso facilitou a aprovação final na Plenária, por consenso.

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Imagem 1 Palácio de Carondelet, sede do Governo do Equador” (Fonte): https://www.cancilleria.gob.ec/wp-content/uploads/2019/08/presidencia-1024×680.png

Imagem 2 Folhagem do Cedro Cheiroso” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/29/Cedrela_odorata_foliage.jpg