ANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

Robôs são aposta para coleta e reciclagem de lixo no mundo

A utilização de robôs para coleta e reciclagem de materiais é uma das três tendências mais fortes de solução para o problema da crescente produção de resíduos no planeta. Projetos que aliam tecnologias de robótica e de inteligência artificial vem sendo desenvolvidos em diversos países com esse objetivo.

Estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) demonstram que a produção de resíduos tem aumentado numa proporção três vezes maior que o crescimento populacional e o problema preocupa governos no mundo inteiro. O crescente consumo de produtos, potencializado pela obsolescência programada, faz crescer os volumes de descarte, especialmente do chamado lixo eletrônico.

Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, essa preocupação deu origem a uma campanha de consumo consciente baseada no Princípio dos 3Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. 

Pôster do filme Wall-E, de 2008

Em 2008, o cinema americano produziu o filme de animação Wall-E que conta a história de um robô criado num futuro distante para recolher o lixo acumulado na Terra pelo consumo desenfreado que forçou a humanidade a buscar refúgio noutro planeta. Na vida real, entretanto, os robôs já estão sendo utilizados na tarefa de coletar e selecionar o lixo.

Com foco no “R” de Reciclar, a empresa finlandesa Zen Robotics começou a produzir em setembro de 2012 o Zen Robotics Recycler (ZRR), um robô inteligente que faz a separação de materiais recicláveis com eficiência. O software do ZRR funciona de modo semelhante ao cérebro humano e consegue separar materiais, aprendendo com os próprios erros e aprimorando o seu desempenho com a prática. A empresa tem investido no aperfeiçoamento dos produtos e já opera em 4 continentes.

Nos EUA, o Carton Council, conselho que congrega os 4 maiores fabricantes de embalagens de papelão, em associação com a AMP Robotics e a Alpine Waste & Recycling, desenvolveu em 2016 um sistema robótico denominado “Clarke que utiliza de inteligência artificial para fazer separação de materiais. Os sistemas robóticos baseados em inteligência artificial tem a capacidade de aprender e “pensar de modo semelhante aos seres humanos. 

Estudantes da Universidade Salvador (Unifacs), localizada em Salvador, estado da Bahia, no Brasil, desenvolveram um robô capaz de recolher lixos em parques e fazer a seleção de recicláveis sólidos. Com a criação do robô, batizado de Amazon-e, os estudantes venceram uma competição internacional de robótica.

Quando se trata de reciclagem, costuma-se dizer que um dos primeiros passos é saber o que pode ser reciclado e qual a destinação a ser dada a estes materiais. No Canadá, por exemplo, a cidade de Vancouver está utilizando plástico reciclado em mistura com o asfalto para a pavimentação de ruas e avenidas.

Uma das vantagens do uso de robôs para a reciclagem, em substituição a seres humanos, é a sua capacidade de fazer a triagem com rapidez e a segurança no tocante a acidentes e contaminação por agentes danosos à saúde. A evolução dos modelos, a descoberta de novas tecnologias e o aumento de produção tenderão a permitir a redução dos custos de fabricação. Já em 2012, a ONU alertava para a urgência de se enfrentar a “crise global do lixo” e tudo indica que os robôs inteligentes serão uma “tropa de elite” no combate a este problema mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mão de robô imagem no Facebook da Zen Robotics” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t31.0-8/14409630_1499987806694705_5075675218437018008_o.jpg?_nc_cat=0&oh=16cefe49493e31dc6ac800993b254cfb&oe=5B5F7D86

Imagem 2 Pôster do filme WallE, de 2008” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/WALL%C2%B7E#/media/File:WALL-E.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Costa Rica elege a primeira Vice-Presidente negra da América Latina

Epsy Alejandra Campbell Barr tornou-se a primeira mulher afrodescendente a ocupar o cargo de Vice-Presidente de uma nação latino-americana, ao ser eleita no domingo, 1o de abril, na chapa do candidato Carlos Alvarado, pelo Partido da Ação Cidadã (PAC).

Campbell é economista, Mestre em Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, Mestre em Técnicas de Gestão e Decisão, foi duas vezes Deputada (2002-2006 e 2014-2018) e Presidente do PAC de 2005 a 2009. É conhecida por sua destacada atuação na defesa dos direitos das minorias, inclusive como palestrante e escritora.

A República da Costa Rica, localizada na América Central, tem quase 5 milhões de habitantes e adota o sistema presidencialista, com Parlamento unicameral representado pela Assembleia Legislativa, integrada por 57 deputados. As eleições presidenciais deste ano foram marcadas pela acirrada disputa entre Fabrício Alvarado Muñoz, do Partido Restauração Nacional (PRN), e Carlos Alvarado Quesada, do partido governista, o PAC. O candidato do PRN, que defendia uma pauta considerada mais conservadora,  liderou no primeiro turno por uma diferença de 3 pontos percentuais. No segundo turno, o candidato do governo venceu as eleições com mais de 60% dos votos.

Localização da Costa Rica no Mapa Mundi

A participação das mulheres na política costa-riquenha tem como ícones: Thelma Curling, primeira deputada negra da Costa Rica (1982-1986); Victória Garrón, pioneira na ocupação do cargo de Vice-Presidente (1986-1990); e Laura Chichilla, a primeira Presidente feminina de uma nação da América Central (2010-2014). Em Julho de 2017, no Dia Internacional das Mulheres Afrodescendentes da América Latina, do Caribe e da Diáspora, Epsy Campbell pronunciou-se destacando  os avanços obtidos e conclamando as mulheres afrodescendentes a participar mais ativamente da política.

No dia da eleição, em entrevista ao jornal CRHoy.com, quando perguntada sobre este marco que representa a sua eleição, ela declarou que “É uma responsabilidade não só para representar os afrodescendentes, mas para representar todas as mulheres e todos os homens deste país. Um país onde pessoas como eu tem as mesmas oportunidades, por isso quero seguir trabalhando”*, e finalizou dizendo: “creio que seria uma oportunidade de seguir aprofundando a democracia costarriquense justamente no quatriênio em que celebraremos o bicentenário da independência”* (Tradução Livre).   

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Nota:

* No original: “Es una responsabilidad no solo para representar a los y las afrodescendientes sino para representar a todas las mujeres y a todos los hombres de este país. Un país en donde personas como yo tenemos las mismas oportunidades, por eso quiero seguir trabajando (…) creo que sería una oportunidad de seguir profundizando la democracia costarricense justamente en el cuatrienio donde celebraremos el bicentenario de la independencia”,

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Epsy Campbell Barr” (Fonte Foto da sua página no Facebook):

https://www.facebook.com/EpsyCampbellBarr/photos/a.447613314451.240592.45370099451/10156229470679452/?type=1&theater

Imagem 2 Localização da Costa Rica no Mapa Mundi” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/89/CRI_orthographic.svg/550px-CRI_orthographic.svg.png

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Detalhes da renúncia do presidente peruano Pedro Paulo Kuczynski

Pedro Pablo Kuczynski (PPK) apresentou no dia 22 de março, ao Congresso Nacional do Peru uma carta de renúncia ao cargo de Presidente da República. O pedido foi acatado pelo parlamento que declarou vago o cargo, assumido transitoriamente por Luís Galarreta, Presidente do Congresso, o qual, no mesmo dia, deu posse ao vice-presidente da República Martín Vizcarra.

No dia 15 passado o congresso peruano havia deliberado pela abertura de processo de afastamento de Kuczynski sob alegação de permanente incapacidade moral. O comunicado emitido informava que o pedido se fundamentava no fato de que Kuczynski mentiu reiteradamente acerca das suas relações, como pessoa física e jurídica, com empresas brasileiras investigadas pela Operação Lava Jato no Peru, a exemplo da Odebrecht. O Presidente do Congresso comunicou ao Presidente que estava marcado para o dia 22 de março a Sessão para que ele apresentasse sua defesa e o Plenário decidisse se daria continuidade ao processo.

Em 2017, PPK sofreu um processo similar que ao final não foi aprovado pelo Parlamento. Segundo o jornal Folha de São Paulo, ele conseguiu evitar o afastamento negociando a abstenção de um grupo de parlamentares, com Kenji Fujimori, filho do ex-presidente Alberto Fujimori.  Poucos dias depois Kuczynski concedeu indulto a Alberto Fujimori que estava preso, desde 2009, cumprindo pena de 25 anos por corrupção e outros crimes. Na ocasião, a Organização das Nações Unidas condenou a decisão por meio de comunicado do representante do Escritório de Direitos Humanos na América do Sul.

No domingo dia 18, Pedro Pablo Kuczynski declarou à mídia que não acreditava na sua deposição porque “seria um golpe de estado”. Afirmou não estar arrependido de ter concedido indulto a Fujimori, justificando que “o Peru precisa de reconciliação”. No dia seguinte, na cidade de Iquitos, voltou a falar de reconciliação para reafirmar sua confiança de que tudo sairia bem e conclamou os setores de esquerda, centro e direita a trabalharem pelo progresso do Peru, independente de ideologias.

Até então se delineava um cenário considerado de bastante incerteza para o julgamento do dia 22 de março. Analistas peruanos consultados pelo La Tercera do Chile  informaram que, dos 87 votos necessários para destituir PPK, 85 parlamentares já teriam se manifestado pelo afastamento, mas os acordos e pressão do governo poderiam influenciar no resultado. O diário de economia e negócios  Gestión,  do Peru, divulgou análise da Bloomberg, uma das principais fornecedoras de informação para o mercado financeiro, segundo a qual havia 70% de chances do Chefe do Executivo peruano ser deposto, mas ressalvava que alguns partidos de oposição não haviam chegado a um consenso e nem todos eram favoráveis ao impeachment.

Antes da data do julgamento, a  divulgação de vídeos, por parte da oposição, envolvendo a compra de votos para manter Kuczynski no poder, levou congressistas a solicitar que ele considerasse renunciar para evitar o afastamento. Imediatamente, o Presidente entregou uma carta de renúncia, na qual afirmava que deu o melhor de si, mas que o confronto permanente da maioria do Legislativo criou um clima de ingovernabilidade que  causava danos ao país.

Em pronunciamento divulgado pela televisão e pelo Canal da Presidência no YouTube, o renunciante acusou a oposição de distorcer fatos visando prejudicar a ele e ao seu governo. Alegou que depois que muitos congressistas manifestaram o desejo de votar a seu favor, com a consciência e não seguindo a orientação partidária, apareceram gravações editadas e tendenciosas que buscavam demonstrar que o governo estava oferecendo obras em troca destes votos.

Estes fatos novos converteram a Sessão de votação da deposição em sessão de apreciação da carta de renúncia. Em um primeiro momento o parlamento cogitou de apresentar uma proposta de resolução legislativa que utilizava o termo “traição à pátria”, rejeitado por Kuczynski que ameaçou retirar a renúncia e se submeter ao processo de vacância que corria antes da sua carta. Por fim, a renúncia foi aceita e a resolução teve excluído o termo contestado, considerando apenas que “a crise atual conduziu à renúncia do presidente da República”.

Martín Vizcarra faz juramento solene como Presidente da República

Na sexta-feira, 23, o vice-presidente Martín Vizcarra, que exercia função de embaixador no Canadá, retornou a Lima para ser empossado no cargo de Presidente da República. O discurso de posse de Vizcarra, segundo o El Heraldo, informativo oficial do Congresso, foi marcado pela promessa de “combate à corrupção e desenvolvimento equitativo”.  

Para o Gestión  alguns dos desafios do novo Presidente são: Congresso composto majoritariamente pela oposição; atuação de setores extremistas; desgaste e falta de credibilidade da equipe ministerial junto ao povo; unir o parlamento em prol de demandas da população, sem esquecer que o Legislativo tem direito a exercer função de controle. O editorial da America Economia, por sua vez, também menciona o descrédito da classe política e a força da oposição, questiona o posicionamento das forças antagônicas ligadas aos irmãos Fujimori (Keiko e Kenji) e evoca a figura de um antigo presidente peruano, Paniagua, que teria obtido êxito em unir forças no país.  O discurso de posse de Vizcarra tem o mérito de abordar todas estas questões.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PPK comunica renúncia ao povo peruano” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/presidenciaperu/40944212071/in/album-72157689027491580/

Imagem 2 Martín Vizcarra faz juramento solene como Presidente da República” (Fonte):

http://www2.congreso.gob.pe/I_Fotografias/2018/180323juraVizcarraCR.WF_01.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Venezuela corta três zeros da moeda

O presidente Nicolás Maduro, da República Bolivariana da Venezuela, anunciou na semana passada o corte de três zeros na moeda nacional, como parte da chamada reconversão monetária.

A moeda atual, que se chama bolívar, dará lugar ao bolívar soberano, a partir de 4 de junho, informou o mandatário, enfatizando que “Não vamos dolarizar nossa economia, vamos defender nosso Bolívar”. A dolarização da economia venezuelana é defendida por Henri Falcon, principal concorrente de Maduro nas eleições presidenciais marcadas para 20 de maio próximo.

A reforma monetária com corte de zeros não é uma novidade no mundo, Brasil e Argentina já lançaram mão da medida nos anos 90 e o Governo da Colômbia está cogitando fazer o mesmo para 2019. Na Venezuela, em 2007, Hugo Chávez implantou reforma similar e, na ocasião, o bolívar foi substituído pelo bolívar fuerte.

Maduro apresenta o bolívar soberano

O governo venezuelano justifica que a mudança tem cinco objetivos: simplificar cálculos para facilitar as transações econômicas e comerciais; aumentar a disponibilidade de moeda em espécie na economia; facilitar os sistemas contábeis de empresas públicas e privadas; evitar o contrabando de moeda nacional, garantindo o desenvolvimento da economia doméstica; permitir a solvência da economia no Plano da Pátria 2025.

Correntes contrárias à reconversão argumentam que se trata de uma “maquiagem” que não ataca as causas da hiperinflação, a qual atingiu mais de 6.000%, segundo estimativas do Congresso Nacional venezuelano, de maioria oposicionista. Colocam em dúvida a capacidade de logística do governo para emissão e distribuição da nova moeda no prazo estabelecido. Alegam ainda que a pura e simples conversão dos salários não otimizará o poder de compra e apontam um problema bastante peculiar à realidade do país: como os preços de  passagens de metrô e gasolina são muito baixos, a  menor  unidade do bolívar soberano, que é a moeda de 50 centavos, compraria 1.250  bilhetes e não haveria troco para quem enchesse um tanque de 50 litros, que custaria 30 centavos.

Críticos moderados acreditam na validade da reconversão, mas alertam para a necessidade de uma política fiscal, uma política monetária e de uma boa estratégia de comunicação junto à população.

A cédula de maior valor atualmente, a de 100.000 bolívares, suficiente apenas para comprar um cafezinho, será substituída pela de 100 bolívares soberanos. O novo cone monetário – conjunto de notas e moedas de um país – mantém o padrão de estampa com faces de personagens ilustres e animais ameaçados de extinção. O bolívar soberano  entrará em vigor logo depois das eleições e o Presidente do Banco Central da Venezuela informou que  haverá amplo debate e campanhas de esclarecimento informativas, inclusive já existe um site denominado bolivarsoberano.com.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Maduro apresenta o bolívar soberano” (Fonte):

http://www.presidencia.gob.ve/Site/Web/Principal/imagenes/adjuntos/Web/2018/03/2018-03-22_billetes_/Aimg-9483_3.png

Imagem 2 Site bolivarsoberano.com” (Fonte):

http://bolivarsoberano.com/billete-de-2-bss/

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Congresso do Equador destitui seu Presidente por suspeita de conspiração

José Serrano foi destituído do cargo de Presidente do Congresso do Equador sob suspeição de conspirar contra o procurador-geral Carlos Baca. A decisão foi tomada, em Sessão do dia 9 de março último,  pelos 106 membros presentes*, com 103 votos a favor e 3 abstenções, porque Serrano teria tentado remover o Procurador-Geral de investigações de suborno envolvendo a Odebrecht. O Plenário também decidiu realizar o julgamento político de Baca, em razão da divulgação de um áudio, segundo o qual Serrano tramava a remoção dele.

José Serrano

José Serrano foi Ministro do Interior na gestão de Rafael Correa, Deputado mais votado nas eleições para o Parlamento em fevereiro de 2017 e escolhido para Presidente do Congresso, em maio daquele ano, com 77 votos a favor e 31 contra, além de 26 abstenções e 2 votos em branco.  Em seu  pronunciamento sobre a gravação telefônica, ele ressaltou os 12 anos de vida pública servindo em três Ministérios e afirmou que seu erro foi ter atendido a uma chamada que julgava ser espontânea e não uma emboscada.

Com a perda da Presidência do Congresso, Serrano não perde seu mandato como deputado, já Carlos Baca fica sujeito à perda do cargo no final do julgamento. O presidente Lenin Moreno, em reunião com os membros do partido Alianza País, declarou dois dias antes da Sessão que definiu a deposição de Serrano que “aquele que comete um erro deve encarar as consequências e não arrastar a instituição junto consigo”.

O ex-presidente Rafael Correa, agora opositor de Lenin Moreno, manifestou-se, por meio das redes sociais, afirmando que “Serrano é o operador de Moreno” e que Carlos Baca foi o responsável pela deposição de Jorge Glas, do cargo de Vice-Presidente,  cuja condenação em julgamento já havia sido questionada por Correa.

Logo da Assembleia Nacional do Equador

Oficialmente, o Parlamento do Equador se denomina Assembleia Nacional, uma vez que o antigo Congresso Nacional foi dissolvido em 2007, pela Assembleia Constituinte que assumiu as funções legislativas e elaborou a nova Constituição de 2008. 

Com a deposição, o Presidente interino da Assembleia Nacional Carlos Bermann, convocou Sessão Plenária para o dia 14 de março,  para eleger o substituto ou substituta de Serrano até o fim do mandato. Os 107 parlamentares presentes na Sessão elegeram Elizabeth Cabezas, com 84 votos a favor, 2 contra e 21 abstenções, para ocupar o cargo de Presidente do Congresso do Equador  até 14 de maio de 2019.

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Nota:

* A Assembleia é composta por 137 membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assembleia Nacional do Equador Sessão de julgamento de José Serrano” (Fonte):

http://www.asambleanacional.gob.ec/sites/default/files/field/imagen/indice_1.jpg

Imagem 2 José Serrano” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/75/Jos%C3%A9_Serrano_-_Presidente_de_la_Asamblea_Nacional_del_Ecuador.jpg/320px-Jos%C3%A9_Serrano_-_Presidente_de_la_Asamblea_Nacional_del_Ecuador.jpg

Imagem 3 Logo da Assembleia Nacional do Equador” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/76/Logo_of_the_National_Assembly_of_Ecuador.svg/434px-Logo_of_the_National_Assembly_of_Ecuador.svg.png

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Equador: após rompimento com Moreno, Rafael Correa e aliados criam grupo opositor ao governo

No último dia 23 de fevereiro, seguidores do ex-presidente Rafael Correa, do Equador, decidiram criar um grupo político de oposição ao governo, que se chamará Movimiento de la Revolución Alfarista.

A decisão foi tomada após o rompimento do ex-mandatário com o atual presidente Lenín Moreno e uma disputa pela direção do Alianza País, que resultou na saída de Correa e aliados do partido. Os correistas alegam que o governo de Moreno é “contrarrevolucionário e liberal” e não mais se coaduna com os ideais do grupo liderado por Correa, que eles defendem como sendo democráticos, inclusivos e revolucionários.

Logo do partido Alianza País

Fundado em 2006, por Rafael Correa, o Alianza País é um partido socialista que em 2011 congregava em torno de 1,5 milhão de afiliados, e pelo qual Correa se elegeu sucessivamente Presidente do Equador, em 2007, 2009 e 2013.  Nas eleições de 2017 o partido indicou Lenin Moreno como candidato, que fora vice-presidente de Correa no período 2007-2013.

Ele tomou posse como Presidente em 24 de maio de 2017, e a relação com Correa começou a se deteriorar a partir da abertura de diálogo com setores que eram antes antagonizados pelo seu antecessor. Poucos meses depois, o vice-presidente Jorge Glas, aliado de Correa e também seu vice de 2013 a 2017, foi afastado e preso preventivamente, em razão de acusação de crime de corrupção passiva, envolvendo a empresa brasileira Odebrecht e, por fim, condenado a 6 anos de prisão.

Rafael Correa, que estava na Bélgica desde que deixou a Presidência, voltou ao Equador, em novembro do ano passado (2017), para participar de uma convenção do Alianza País e, na ocasião, declarou seu desejo de expulsar Moreno do partido. Em entrevista concedida, em janeiro último, ao periódico Página 12,  da Argentina, o ex-Mandatário acusa Moreno e seu grupo de terem se aliado à direita e traído seus antigos companheiros, e questiona inclusive a prisão de Glas.

A mais recente querela entre o ex-Presidente e o atual Presidente se deu em 5 de fevereiro, quando foi feita uma consulta popular, composta de 7 perguntas que promoviam mudanças no legado deixado por Correa.  Os correistas fizeram campanha pelo não, mas ao final venceu o sim, inclusive para o fim da reeleição indefinida que permitiria uma nova candidatura de Rafael Correa.

Ele e seus seguidores trabalham agora com a perspectiva de recolher 175 mil assinaturas, como requer a legislação, para requerer o registro do partido político que pretende fazer oposição ao governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assembleia de criação do Movimiento de la Revolución Alfarista” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DWvjamKX0AUnpLy.jpg:large

Imagem 2 Logo do partido Alianza País” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alianza_Pa%C3%ADs#/media/File:Alianza_PAIS_02.svg