AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Protestos no Chile e Equador

Uma onda de protestos tomou conta do Equador depois que o governo anunciou, em 1º de outubro de 2019, um pacote de ajustes que retirava subsídios dos combustíveis, acarretando na elevação dos preços. No Chile, um aumento no valor das passagens do metrô deflagrou protestos no sábado e domingo (19 e 20 de outubro). A proximidade e a similaridade dos eventos chamaram a atenção e renderam diversas análises.

No Equador a escalada de violência levou o presidente Lenín Moreno a decretar o Estado de Exceção, por 60 dias, a partir de 3 de outubro. As manifestações continuaram por todo o país, sobretudo por parte das comunidades indígenas, enquanto o mandatário equatoriano alegava haver um golpe em curso, tramado por seu antecessor na Presidência, Rafael Correa, e seus seguidores (correístas).

Foi necessária a mediação da ONU para Governo e manifestantes chegarem a um acordo, em 13 de outubro, que resultou na revogação do Decreto 883, que continha as medidas impopulares. Até chegar nessa solução, a crise gerada por medidas negociadas com o FMI deixou um saldo de 7 mortos e mais de 1.300 feridos.

Eleito como sucessor de Rafael Correa, de quem veio a se tornar dissidente e desafeto, Moreno enfrenta forte oposição dos correístas que, inclusive, se fortaleceram nas últimas eleições  regionais. Ao completar dois anos, no primeiro semestre de 2019, a sua gestão tinha alcançado o menor índice de aprovação até então. O mandatário já vinha adotando políticas sociais inclusivas, como o Plan Toda Una Vida, para atender aos anseios da população, o que pode não ter sido suficiente.

Manifestações no Chile

Em se tratando do Chile, a situação política e econômica tem características bastante diferenciadas. Michele Bachelet e Sebastián Piñera vem se alternando no poder desde 2006, e especula-se que os chilenos optaram por não ter surpresas rodiziando candidatos que, na prática, adotam políticas mais convergentes que divergentes. Sob o prisma socioeconômico foi reconhecido como o “país mais feliz da América do Sul” e como “o melhor país da América Latina para fazer negócios”.

As manifestações incluíram queima de ônibus, ataques a estações do metrô, confrontos com a polícia e soldados, mesmo após a suspensão do aumento, resultando em 19 mortes. Os manifestantes clamavam por mais justiça social e uma das mais recentes medidas do presidente Piñera foi substituir o gabinete ministerial.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC, os protestos em ambos os países têm como causa a desigualdade social. Para eles, no Equador foi mais fácil dialogar porque as consequências do neoliberalismo adotado, consideradas por este como negativas, são mais recentes e se pôde identificar um grupo que liderava o movimento para o diálogo, os indígenas. No Chile, a manifestação esteve mais pulverizada na sociedade e as queixas se acumulavam há mais tempo. Se estiverem corretos, caberá ao Governo chileno um esforço ainda maior de articulação e diálogo com a sociedade.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Protestos no Equador” (Fonte): https://conaie.org/wp-content/uploads/2019/10/WhatsApp-Image-2019-10-09-at-11.45.28-3-1-1024×576.jpeg

Imagem 2 Manifestações no Chile” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_no_Chile_em_2019#/media/Ficheiro:Protestas_en_Chile_20191022_07.jpg

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Roupas de banho artesanais colombianas fazem sucesso na China

Uma marca de trajes de banho femininos da Colômbia está fazendo sucesso na China. Trata-se da Agua Bendita, que reúne o trabalho de mais de 550 artesãs do departamento colombiano de Antioquia.

Criada em 2003, por Catalina Álvarez e Mariana Hinestroza, a Agua Bendita era uma pequena confecção cujos produtos eram vendidos para amigas e parentes. Em 2007, elas apresentaram a coleção na Colombiamoda, famosa feira do setor, e no mesmo ano as peças apareceram na revista Sports Illustrated. Em 2015, com mais de 10 anos após sua criação, a empresa comemorou o fato de terem chegado à China.

Este foi o primeiro país asiático alcançado pela marca, que conta com 50 lojas em 12 países pelo mundo, dentre eles: Aruba, Equador, Estados Unidos, México, Panamá, Paraguai e Venezuela. No processo de internacionalização, a empresa teve o suporte da agência de promoção de exportações ProColombia.

Modelo e marca da Agua Bendita

A Agua Bendita teve que fazer adaptações dos produtos ao tipo físico das chinesas e criou novos modelos. Além disso, adotou um posicionamento de marca voltado a um nicho de mercado formado por consumidores de alto poder aquisitivo, e que valorizam a moda.  Isso fez da filial chinesa a loja líder de vendas da rede no mundo.

Entusiasmada com os resultados, a companhia deseja atingir outros mercados do Oriente, a exemplo do Japão e da Malásia. Para isso, estão buscando investidores que aportem não só capital como conhecimento dos mercados-alvo. Esteban González, CEO da empresa, ressalta que a produção não atingirá escala industrial porque a intenção é manter o estilo artesanal, responsável pelo sucesso internacional da Agua Bendita.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Peças da Agua Bendita” (Fonte): https://scontent.fudi1-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/74605524_2850107281708738_7115834604069584896_n.jpg?_nc_cat=110&_nc_oc=AQkkUokN9dGHdR4SMciiVeMJYKBsK4ijATJ7X60XfHHdyxC167C96DNXXamkKUtrmRk&_nc_ht=scontent.fudi1-2.fna&oh=b2c4ca24203825aa5a42b4ae0ef7295b&oe=5E5037E0

Imagem 2 Modelo e marca da Agua Bendita” (Fonte): https://scontent.fudi1-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/14720594_1484807084869811_9166014899288160959_n.jpg?_nc_cat=111&_nc_oc=AQk0qXWtdxUSKHirUwZqWtS8aHmI7sYEnmdWKd-l-2MhhE5QmYGBVzrIsZGzK5Im9M8&_nc_ht=scontent.fudi1-2.fna&oh=d190cda9cac35f7f9b5a167f42f8a1b5&oe=5E56EBBA

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Peru sedia concurso mundial de azeite de oliva

O Peru foi a sede do concurso de azeites de oliva Sol d’Oro Hemisfério Sul, realizado de 22 a 27 de setembro de 2019, na cidade de Tacna. Na competição são premiados os três melhores azeites extra-virgens produzidos em países ao sul do Equador, nas categorias: delicado, mediano e fruta intensa.

O Concurso Sol d’Oro é realizado há 17 anos, na versão Hemisfério Norte, sempre em Verona, na Itália, e, agora, chega à sua sexta edição no Hemisfério Sul. A intenção é prestigiar os azeites produzidos na região, além de incentivar avanços na produção, qualidade e exportação. Segundo a Agência de Promoção do Peru (PromPerú), pela primeira vez o concurso teve a participação de Argentina, África do Sul, Austrália, Brasil, Chile, Peru e Uruguai. Os competidores são julgados com o mesmo rigor da edição italiana.

Além de receberem o Sol de Ouro, Sol de Prata e Sol de Bronze, os três finalistas em cada categoria participam de várias atividades de promoção internacional. Dentre elas se destaca a inclusão no guia “Estrelas de Sol d’Oro”, além de um Selo de Ouro, a ser aplicado nas garrafas vencedoras.

Concurso SOL D’ORO HEMISFERIO SUR 2019

Foi a primeira vez que o Brasil participou do certame que teve como vencedores: Chile (1 medalha de ouro e 2 de prata), África do Sul e Uruguai (1 de ouro e 1 de bronze, cada país), Peru (1 de prata) e Brasil (1 de bronze). O Peru é o 4º maior produtor e 4º maior exportador de azeite de oliva da América do Sul.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Óleo de oliva” (Fonte): https://www.solagrifood.com/hubfs/olio%20oliva-3.jpg

Imagem 2Concurso SOL DORO HEMISFERIO SUR 2019” (Fonte): https://www.solagrifood.com/hubfs/Sol%20Doro%20Sud%202019/WhatsApp%20Image%202019-09-23%20at%2009.30.59.jpeg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Peru: a crise política se agrava

Martín Vizcarra, Presidente do Peru, deu posse a um novo gabinete ministerial, em 3 de outubro de 2019, quando substituiu 11 dos 19 ministros. A troca de ministros foi mais um episódio da crise política que confronta o Executivo e o Parlamento peruanos.

No dia 1º de outubro, Vizcarra havia dissolvido o Congresso, de maioria fujimorista e opositora, e convocado novas eleições. Em retaliação, os congressistas aprovaram a substituição do mandatário por 12 meses, por “incapacidade temporal”, e designaram a vice-presidente Mercedes Araóz como Presidente em Exercício. Araóz, na noite do dia seguinte, recusou a indicação e renunciou, de modo irrevogável, ao cargo de Vice-Presidente, alegando que fora rompida a ordem constitucional no país.

Para entender melhor a história, é necessário retroagir a março de 2018, quando o presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK) sofreu a segunda tentativa de impeachment e terminou por renunciar ao cargo. Na ocasião, Martín Vizcarra, que era seu Vice e servia como Embaixador do Peru nos Estados Unidos, voltou de Washington para Lima e foi empossado como Chefe do Executivo.

PPK, assim como diversos outros ex-Presidentes – a exemplo de Ollanta Humala, Alan García e Alejandro Toledo – são investigados por corrupção no âmbito da Operação Lava Jato peruana. Nesse rol se inclui Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto e líder do partido Força Popular, que se encontra em prisão preventiva, em razão de provável envolvimento em caso de suborno da Construtora Odebrecht.

Em 2018 eclodiu um escândalo envolvendo corrupção no sistema judiciário e, um ano depois (junho de 2019), o Chefe do Executivo peruano pressionou os parlamentares a apoiarem a reforma política, ameaçando com a possibilidade de fechamento do Congresso. O pomo de discórdia mais recente foi a decisão dos congressistas em nomearem juízes para o Tribunal Constitucional, em lugar de fazerem uma seleção pública, como de hábito no país. A manobra foi vista como uma forma de indicar simpatizantes e garantir a impunidade.

O Presidente, com base no Artigo 33 da Constituição, submeteu uma Moção de Confiança ao Parlamento para mudança do processo de escolha dos magistrados, a qual foi rechaçada, o que o levou a dissolver a Casa, com base no Artigo 34. A Constituição também prevê que o cargo de Presidente seja declarado vago pelo Congresso por incapacidade moral ou física do ocupante, entretanto, a medida não é válida se este mesmo Congresso foi destituído.

Martin Vizcarra tem o apoio dos militares e da polícia, mas, não tem alto índice de aprovação popular, em razão dos baixos resultados sócio-econômicos, apesar de o Peru ter obtido reconhecimento do PNUD por redução da pobreza. A população, entretanto, apoia o fechamento do Congresso e a antecipação das eleições, e desaprova o afastamento do Presidente.

Se mantida a decisão de Vizcarra, novas eleições serão realizadas em 26 de janeiro de 2020, resta saber se o Congresso Peruano, que é unicameral e dominado pelos fujimoristas,  vai acatar o ato presidencial, que tem respaldo popular, ou se irá contra-atacar e prolongar a longa disputa que trava com o Executivo.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente Vizcarra empossa novo gabinete ministerial” (Fonte): https://portal.andina.pe/EDPmedia//fotografia/2019/10/03/48549_gabinete_fotog.jpg

Imagem 2 Marca do Congresso do Peru” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/24/Logo_congreso.png

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Corte equatoriana rejeita pedidos de consulta popular para mineração

A Corte Constitucional (CC) do Equador negou, em 17 de setembro de 2019, dois pedidos distintos de consulta popular sobre a atividade de mineração. Um pedido havia sido encaminhado por Yaku Perez, Prefeito Provincial de Azuay, e o outro por Elías Bermeo, Prefeito do Cantão Camilo Ponce Enriquez, na mesma Província.

No primeiro caso (Yaku Pérez) a consulta indagava se a população estava de acordo com a proibição da mineração na sua localidade, enquanto que no segundo (Bermeo) perguntava se o cidadão estava de acordo com a exploração mineira. Para ambos os casos, a CC, como a Corte é identificada pela mídia equatoriana, argumentou que as perguntas não tinham clarezas necessárias para garantir a liberdade do eleito.

Yaku Pérez, Prefeito da Província de Azuay

A primeira negativa causou mais repercussões e, segundo o periódico El Telégrafo, o Sr. Carlos Sucuzhañay, Presidente da Confederação Quéchua do Equador (Ecuarunari), havia protestado antes da decisão e afirmado que as companhias de mineração não adentrariam nos territórios do seu povo. Para a Telesur TV, a solicitação de Yaku Pérez é fruto da rejeição popular à entrada das multinacionais canadenses e americanas que lideram os projetos locais. Ainda segundo a Telesur, a decisão da CC foi celebrada pelo Vice-Ministro de Minas, Fernando Benalcázar.

Ainda na noite da 17 de setembro, a CC informou que irá analisar as consultas populares caso a caso. Não obstante, Yaku Pérez, que havia liderado uma vigília em frente da sede da Corte desde a manhã, já avisou que irá apelar para uma Consulta Popular em nível nacional, uma Emenda Constitucional ou à realização de uma Assembleia Nacional Constituinte.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Corte Constitucional do Equador” (Fonte): https://www.corteconstitucional.gob.ec/media/k2/items/cache/thumbs/5fd45095a868b007b05013834dba7a95_XL_940x393.jpg

Imagem 2 Yaku Pérez, Prefeito da Província de Azuay” (Fonte): http://www.azuay.gob.ec/prv/wp-content/uploads/2019/09/erere-768×367.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

As patinetes elétricas invadem a América Latina

O conceito de mobilidade urbana está relacionado à condição que as pessoas têm de se deslocarem no espaço da cidade, utilizando os meios de transporte disponíveis. No mundo e, por conseguinte, na América Latina, estes meios têm se expandido e a mais recente novidade são as patinetes elétricas.

Em 2012, numa palestra do Projeto Fronteiras do Pensamento, o colombiano Enrique Peñalosa afirmou que a utilização do transporte de massa deveria ser mais incentivada que o uso de veículos particulares, e que os pedestres deveriam ser priorizados em relação aos veículos. Ele, que é economista, urbanista e foi Prefeito de Bogotá, entre 1998 e 2012, diz ter construído centenas de quilômetros de ciclovias.

Peñalosa é conhecido também como o responsável pela implantação do Transmilênio, o BRT da capital colombiana, inspirado no sistema implantado em Curitiba (estado do Paraná – Brasil), nos anos 70, quando o urbanista Jaime Lerner foi Prefeito daquela capital brasileira.

O automóvel particular, que era símbolo de status e de liberdade, passou a trazer o stress dos congestionamentos gerados pelo crescente número de veículos, associados à limitação das ruas e avenidas em dar vazão ao volume de trânsito. Como solução, a locomoção no espaço urbano vem incorporando novas formas, tais como o BRT (Bus Rapid Transit), o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), as bicicletas de aluguel (Itaú, Tembici, Yellow), serviços de aluguel de autos (Cabify, 99[Didi], Uber), compartilhamento de veículos (Bla Bla Car, Waze Carpool) e as scooters* ou patinetes.

As primeiras patinetes de aluguel na América Latina chegaram no México em 2018. Em seguida foram aparecendo no Brasil, Chile, Colômbia e Peru. Agora, fazem parte do cotidiano das cidades, transportando pessoas para lá e para cá, inclusive com registros de acidentes. E cada acidente que acontece traz à tona a discussão sobre a necessidade de regulamentação do serviço. Entretanto, nem os acidentes, nem os preços, estão reduzindo o uso dos patinetes.

Blue SG – Singapura

As empresas de aluguel desses veículos investem no negócio porque já percebem a sua crescente aceitação e uso, que irá gerar receitas cada vez maiores. Em Singapura, a opção mais recente é o Blue SG, um serviço de locação de carros elétricos que ficam estacionados em pontos estratégicos da cidade, e o aluguel funciona de modo bem similar ao das bikes e patinetes. Possivelmente, esta será a próxima modalidade no continente latino-americano.

———————————————————————————————–

Nota:

* Scooter é um termo usado tanto para patinete quanto para lambreta.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Patinetes elétricas” (Fonte): https://lime.app.box.com/s/ayh7rkd5hz8modd4fmveyrc72ub1aede/file/397728998908

Imagem 2 Blue SG Singapura” (Fonte): https://www.bluesg.com.sg/sites/bluesg/files/medias/images/hdb_close.jpg