AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Na Venezuela, alguns negócios prosperam apesar da crise

Nos últimos cinco anos, a República Bolivariana da Venezuela vem passando por uma crise marcada pela instabilidade política, recessão econômica com hiperinflação, desemprego, aumento da violência e escassez de produtos básicos. Uma das consequências dessa situação crítica é o aumento da emigração de venezuelanos, especialmente para países vizinhos, tais como Brasil, Colômbia e Equador. Em meio a tudo isso, alguns dos cidadãos que permaneceram no país estão conseguindo empreender com sucesso, em meio ao caos.

Produto da Nedraki feito de material reciclado

A engenheira eletricista Mariangela Valladares, Gerente de Aceleração da Wayra, a aceleradora de startups da Telefónica, em  seu artigo publicado no BlogThinkBig, o blog de inovação da empresa de telefonia espanhola, explica que a demanda por consumo na Venezuela diminuiu e que o desafio do empreendedor é agregar valor aos seus produtos, já que o cliente se tornou ainda mais exigente, não faz compras compulsivas e busca experimentar antes o que está adquirindo.

Segundo a Gerente de Aceleração, tem havido procura por produtos artesanais e orgânicos, em substituição às grandes marcas hoje escassas, isto porque boa parte destas marcas é importada e o país não tem mostrado condições financeiras de pagar pelas importações. A emigração de jovens também criou oportunidade para serviços voltados para auxiliar idosos, agora solitários.

Em Caracas, capital do país, dois jovens engenheiros estão ganhando dinheiro inspirados por uma máxima apregoada em tempos difíceis que diz que, “na crise, enquanto alguns choram, outros vendem lenços”. Eles estão coletando lixo eletrônico, especialmente plástico, e transformando em peças para carros com auxílio de uma impressora 3D. As peças, que antes eram importadas e caras, estavam ainda mais difíceis de obter em razão das restrições de importação de bens que não fossem de primeira necessidade.

A empresa deles, a Nedraki, agora fornece, para mais de uma dezena de empresas, componentes a preços mais baixos em razão da eliminação de custos com importação, ou seja, imposto, transporte e diferença cambial. Recentemente, os sócios, de 26 e 27 anos, fizeram um contrato com uma usina de reciclagem para garantirem o fornecimento de uma maior quantidade de matéria prima. Dominguez, o mais novo, diz que “as pessoas não acreditam que uma tecnologia esteja sendo desenvolvida no país”.

Outro exemplo de sucesso é a destilaria de rum Santa Teresa. Com mais de 220 anos de existência, a empresa permanece privada e em mãos de um empresário venezuelano, enquanto outras foram adquiridas por grupos estrangeiros. A empresa líder de mercado, com 35% de market share no primeiro semestre de 2018, exporta de 10% a 15% da sua produção, mediante um acordo com a multinacional Bacardi. Em 2017 produziu mais de 1,2 milhão de garrafas do seu destilado de cana, apreciado e prestigiado pelo comércio varejista do país. A Santa Teresa mantém um projeto social de reintegração de delinquentes e Vollmer, proprietário e CEO empresa, se apresenta como não partidário, disposto a estender pontes e ser construtivo com quem esteja disposto a buscar soluções.

A Venezuela é um dos 40 países onde existe um programa de capacitação de empreendedores chamado Empretec, criado em 1988 e oferecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da sua agência para comércio e desenvolvimento (Unctad, em inglês). O renomado programa atribui uma premiação para mulheres que participam do seminário de 6 dias e que se destacam nos seus países como empreendedoras de sucesso.

O prêmio Empretec Women in Business Award (E-WBA) é conferido a cada 2 anos à vencedora, dentre as dezenas de participantes, pela excelência no desenvolvimento de ideias inovadoras de negócios que geram emprego e renda. Pela primeira vez, desde a edição inicial do E-WBA, em 2008, uma empreendedora venezuelana foi escolhida pelo painel de experts da Unctad para integrar a lista das 10 finalistas candidatas ao prêmio. Rina Arráez, que tem um negócio de acessórios feitos a mão com materiais reciclados, chegou na final competindo com 50 candidatas indicadas por 19 países ao E-WBA, cujas ganhadoras (1º, 2º e 3º lugares) serão anunciadas em 25 de outubro de 2018.

Numa Venezuela  de economia combalida, onde as pessoas se ressentem, dentre outras coisas, da  total   falta de segurança, que faz com que 4 em cada 10 cidadãos desejem abandonar o país,   o exemplo desses “heróis da resistência” acende a esperança de que a sociedade venezuelana tenha capacidade para se mobilizar e decidir, de modo soberano, o futuro econômico, social e político da sua nação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barris de rum Santa Teresa” (Fonte):

https://ronsantateresa.com/img/6.jpg

Imagem 2 Produto da Nedraki feito de material reciclado” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/31919437_1870302263001505_8418447448497717248_n.jpg?_nc_cat=0&oh=d52f2f8f1a848edfa95715a7db0cfab5&oe=5BD06DF8

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador retoma cinco projetos hidroelétricos que estavam parados

No dia 2 de julho de 2018 o Ministro de Energia e Recursos Naturais não Renováveis do Equador (MERN), Carlos Pérez, declarou à imprensa que irá retomar 5 projetos hidrelétricos que estavam parados. O Ministro manifestou preocupação em garantir que a demanda futura por energia elétrica não supere a oferta e que haja honestidade, transparência e eficiência na realização das obras.

Após ter passado por um período de estiagem em 2009, que levou a uma crise energética sem precedentes, o Governo equatoriano anunciou, em início de 2010, ter superado o momento crítico e estar em condições de socorrer países vizinhos, tais como a Colômbia e a Venezuela, que estavam enfrentando a seca. Em 22 de agosto de 2014, o Equador, ainda sob a Presidência de Rafael Correa, teve aprovado o seu ingresso no Conselho Mundial de Energia (WEC em inglês), uma organização multilateral cuja missão é “promover o abastecimento e utilização sustentável da energia para benefício de todos”.

Ministro Pérez visita obras da Hidrelétrica Toachi-Pilatón

Em outubro do mesmo ano (2014), durante a participação na Assembleia Executiva do WEC, em Cartagena de Índias (Colômbia), o país andino recebeu elogios de Marie-Jose Nadeau, a então Presidente do Conselho Mundial de Energia, pela política de investimentos em energia elétrica que permitiu o acesso de 97% da população à eletricidade. A informação foi veiculada pelo, na época, Ministério de Eletricidade e Energia Renovável que também anunciou a construção de oito grandes projetos hidrelétricos.

O presidente Lenín Moreno, em abril de 2018, transferiu a carteira de Eletricidade e Energia Renovável para o Ministério de Hidrocarbonetos. Em seguida (maio de 2018), o Executivo, por meio do Decreto Presidencial 399,  incorporou 3 Órgãos – o Ministério de Eletricidade e Energia Renovável, o Ministério de Minas e a Secretaria de Hidrocarbonetos – ao Ministério de Hidrocarbonetos, que passou a ter a atual denominação de Ministério de Energia e Recursos Naturais não Renováveis. 

Com a assunção do setor de eletricidade, o atual Ministro solicitou auditoria de todos os oito projetos quer estivessem em funcionamento ou em construção. Segundo a Agencia Pública de Noticias del Ecuador y Suramérica (Andes), os projetos ainda não concluídos são: 1) Mazar Dudas (87,32%); 2) Delsitaniagua (92,80%); 3) Minas San Francisco (99,39%); 4) Quijos (46,2%) e 5) Toachi-Pilatón (95%). As outras três hidrelétricas são, ainda conforme a Andes,  a Sopladora, a Manduriacu, ambas operando a 100% da capacidade, e a Coca Codo Sinclair, a maior de todas, operando a 99,59% da sua capacidade de 1500 Megawatts.

Ainda no mandato de Rafael Correa, em fevereiro de 2017, o jornal El Comércio publicou matéria informando que 3 dos 8 projetos já estavam em funcionamento e que segundo o Governo as 5 obras em atraso ou paralisadas, principalmente por restrições de recursos, representavam apenas 28% do total de energia oferecido. Sob a gestão de Moreno, o periódico El Universo informou, em maio de 2018, que apenas 3 dos 8 empreendimentos estavam em operação e que o novo Ministro declarava que as hidrelétricas foram mal concebidas ou houve sobrepreço.

Em final de junho (2018), o ministro Pérez deu início à construção de mais um projeto, o Triunfo-Villano-Paparawa, que atenderá à província de Pastaza, a maior do Equador.   Enquanto as auditorias nos oito projetos estão sendo realizadas pela Controladoria Geral do Estado, Pérez tem feito visitas técnicas às instalações e afirmou sua intenção de colocar em funcionamento todos os oito projetos, em razão dos investimentos já realizados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hidrelétrica Coca Codo Sinclair, a maior do Equador” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Coca_Codo_Sinclair#/media/File:Coca_Codo_Sinclair.jpg

Imagem 2 Ministro Pérez visita obras da Hidrelétrica ToachiPilatón” (Fonte):

https://www.energia.gob.ec/wp-content/uploads/2018/07/Recorrido-Toachi-copy.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente do Equador pede devolução de edifício onde funciona sede da Unasul

O presidente Lenín Moreno, do Equador, declarou que vai solicitar a devolução do edifício que serve de sede à União de Nações Sul-Americanas (Unasul). O anúncio aconteceu na cidade de Latacunga, em 6 de julho de 2018, quando o mandatário assinou um Decreto criando a Secretaria de Educação Intercultural Bilingue e informou que a Universidade Indígena poderá ter como sede o imóvel ocupado pela Organização.

A Unasul, que comemorou em 23 de maio de 2018 os dez anos da assinatura em Brasília do seu Tratado Constitutivo, ocupa uma construção que, de acordo com a CNN, foi doada à instituição em 2014 pelo então presidente Rafael Correa. O edifício custou cerca de 40 milhões de dólares aos cofres do Governo equatoriano e leva o nome de Nestor Kirchner, ex-Presidente da Argentina e primeiro Secretário-Geral da Organização, de 4 de maio de 2010 até 27 de outubro do mesmo ano, data do seu falecimento.

Marca de 10 anos da Unasul

Uma crise está instalada na Unasul desde que seis países-membros (Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Paraguai e Peru) informaram à Presidência Pró-Tempore, ora em mãos da Bolívia, a saída temporária da instituição até perceberem resultados concretos que garantam o seu funcionamento adequado. Restaram como participantes Bolívia, Equador, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Na ocasião da ruptura, o jornal El Universo, do Equador, noticiou que o Chanceler do Chile queixou-se de que o organismo estaria parado há mais de um ano e meio, não ajuda na integração regional e não é capaz de resolver os problemas, funcionando por veto. Ainda segundo o periódico, o Chanceler da Bolívia teria responsabilizado a Argentina, que acabara de transferir a Presidência Pró-Tempore, por ter deixado pendências, dentre elas a escolha do novo Secretário-Geral.

Lenín Moreno justificou a solicitação de devolução do prédio dizendo que a Unasul não está cumprindo seu papel e que metade dos integrantes já se retiraram. Rafael Correa, que antecedeu Moreno na Presidência do Equador e hoje vive na Bélgica, manifestou-se contrário à medida e parafraseou o atual mandatário para dizer que se a devolução do edifício está sendo pedida porque a Unasul não funciona, então, pela mesma lógica, o Governo do Equador deveria ser devolvido ao povo. Correa também questionou se o movimento indígena seria cúmplice da destruição da entidade de integração, no que foi rechaçado pelo Presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que defendeu a decisão de Moreno.

Segundo o jornal El Comercio, a escritura de doação do imóvel, que seria de 2016 e não de 2014, como informa a CNN, prevê 3 situações para a devolução: 1) decisão unânime de todos os Estados-membros de transferir a sede para outro país; 2) decisão consensual dos doze integrantes de extinguir o Tratado Constitutivo, por conseguinte, a Unasul; 3) o Equador denunciar o Tratado, ou seja, retirar-se da entidade, decisão esta que deve ser aprovada pelo Congresso daquele país.

Em princípio, não estaria prevista, portanto, a forma anunciada pelo Chefe do Executivo do Equador que, ao afirmar que a Unasul deveria ser alocada em outro espaço, gerou interpretações diversas, alguns entendendo que o Governo equatoriano ofereceria outro espaço, outros achando que o Organismo seria convidado a abandonar o país. Moreno, apesar das críticas, manifestou-se a favor da integração, já a Unasul não fez qualquer pronunciamento, certamente aguardando a formalização para melhor compreender o que de fato será pedido e proposto.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Edíficiosede da Unasul, em Quito, Equador” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/544929_1528274250746728_3313924531770334689_n.png?_nc_cat=0&oh=123c210fc02a25da53857209f5ca3d4c&oe=5BCED53B

Imagem 2 Marca de 10 anos da Unasul” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/18010801_1898216140419202_8819412412876535338_n.png?_nc_cat=0&oh=aa059d844c5fc08071da5f7d7b2c498a&oe=5BD1C846

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Equador recebe visita de veleiros de marinhas de sete nações amigas

Entre os dias 28 de junho e 2 de julho de 2018, o Equador recebeu a visita de sete veleiros de forças navais de sete nações amigas. Os navios que aportaram na cidade de Guayaquil foram: Libertad (Argentina); Cisne Branco (Brasil); Esmeralda (Chile); Gloria (Colômbia); Cuauhtémoc (México);  Unión (Peru); Simón Bolívar (Venezuela). Além deles, o veleiro Guayas da Armada do Equador também integrou a visita.

Navio-escola Guayas da Armada do Equador

O motivo é um encontro internacional de grandes veleiros, cuja primeira edição aconteceu no ano de 2010 com o nome de Velas SudAmerica. Em 2012, por ocasião da XXV Conferência Naval Interamericana, realizada em Cancun, no México, decidiu-se repetir o evento a cada quatro anos com o nome de Velas LatinoAmerica. Em 2014, a Argentina esteve responsável pela organização e em 2018 a tarefa coube ao Chile, em razão do Bicentenário da Independência, dentre outros marcos históricos daquele país. Este ano (2018) participam 10 navios-escola de 9 nações latino-americanas, a saber: Argentina (2 navios); Brasil; Chile; Colômbia; Equador; México, Peru, Uruguai, Venezuela.  Um navio de Portugal (Sagres) e um da Espanha (Juan Sebastián de Elcano) completam o grupo, totalizando uma dúzia de barcos, todos a vela.

O roteiro começou em 25 de março de 2018, no Rio de Janeiro (Brasil), e quando se encerrar em Vera Cruz (México), no dia 2 de setembro, as naus terão completado mais de 12 mil milhas marítimas (cerca de 19 mil km) nos mares da América Latina e Caribe. Serão visitadas 17 cidades portuárias de 11 países, nesta sequência: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador, Panamá, Curaçao, Colômbia, República Dominicana e México.

Marinhas de diversos Estados possuem veleiros que são utilizados como navios-escola para treinamento dos marinheiros em navegação com e sem instrumentos. Eventos como o Vela LatinoAmerica permitem o exercício prático em condições diversas, o intercâmbio profissional entre os tripulantes e o contato com as populações das cidades do roteiro, uma vez que as embarcações são abertas à visitação pública. Por esta última atividade de relacionamento e projeção de imagem, estes barcos são freqüentemente referidos como “embaixadores” pelas respectivas marinhas.

Aproveitando a visita, a cidade equatoriana de Guayaquil, em conjunto com a Armada do Equador, promoveu o evento Guayaquil a Toda Vela 2018, com uma vasta programação que incluiu desfile náutico, visitas a bordo, recepção para Comandantes, festa para marinheiros visitantes e público em geral, festival cultural e náutico e desfile de tripulantes. O Guayaquil a Toda Vela foi lançado em 28 de maio de 2018, portanto um mês antes da chegada das naus participantes do Velas LatinoAmerica 2018. As autoridades municipais vislumbraram na visita uma oportunidade de divulgar a cidade de Guayaquil, estimular o aumento do fluxo turístico e a dinamização da economia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Veleiros do Velas LatinoAmerica 2018 em Guayaquil, Equador” (Fonte):

http://www.velaslatinoamerica2018.cl/img/noticias/31a.jpg

Imagem 2 ”Navio-escola Guayas da Armada do Equador ” (Fonte):

http://www.velaslatinoamerica2018.cl/img/guayas.jpg

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Comunidade Andina das Nações executa projeto para eliminar roaming entre países membros

O Secretário-Geral da Comunidade Andina de Nações (CAN), Walker San Miguel, apresentou estudos visando a redução de custos de roaming entre os países membros do bloco. A apresentação foi feita em 13 de junho de 2018, na cidade de La Paz, capital da Bolívia, durante o evento denominado Economia Digital na Comunidade Andina.

O projeto irá beneficiar cidadãos andinos que se desloquem entre as nações da Comunidade (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) portando celulares registrados nas suas cidades de origem. A medida reveste-se de grande importância se considerarmos  que a CAN vem gradativamente adotando medidas para facilitar a circulação  intrarregional de pessoas e garantir direitos a trabalhadores migrantes na região, tais como: aceitação do documento de identidade nacional para turistas nativos dos países do Bloco (2001); criação do Passaporte Andino (2001) e adoção de padrão único de nomenclatura e segurança (2002);  adoção do Instrumento Andino de Migração Laboral (2003), seguidos do Instrumento Andino de Seguridade Social (2004) e do Instrumento Andino de Seguridade e Saúde no Trabalho (2004). O tráfego aéreo entre os quatro países foi superior a 5 milhões de passageiros em 2017, um aumento de 14,4% em relação a 2016, que atesta o  incremento no fluxo.

A proposta definitiva deverá ser apreciada por organismos deliberativos da CAN ainda em julho de 2018 para aprovação e implementação. Um dos órgãos internos que deverá apreciar a proposta é o Comitê Andino de Autoridades de Telecomunicações (CAATEL), que já vem adotando uma série de ações para promover a integração das telecomunicações na região. O CAATEL é formado por representantes das entidades encarregadas das políticas nacionais da área nos seus respectivos países.

Sistema Andino de Integração (SAI)

A iniciativa da CAN conta com o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina  (CAF), em regime de cooperação, uma vez que ambas as instituições são  integrantes do chamado Sistema Andino de Integração (SAI), que visa articular o trabalho das partes com objetivo de facilitar e aprofundar a integração dos países da Região dos Andes. O Secretário-Geral acredita que poderão reduzir a tarifa de roaming a zero  e informa que o sucesso dessa empreitada tornará os andinos pioneiros no continente, uma vez que, segundo ele mesmo, apenas a União Europeia conseguiu tal feito e, mesmo assim, após dez anos de negociações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Evento de Economia Digital na Comunidade Andina” (Fonte): http://www.comunidadandina.org/StaticFiles/2018614112923DSC_0232.JPG

Imagem 2 Sistema Andino de Integração (SAI)” (Fonte): http://www.comunidadandina.org/StaticFiles/201508281536SAI.png

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Empresa peruana busca financiamento internacional para seu projeto de mina de cobre

A mineradora Minsur S.A., do Peru, anunciou que espera obter em agosto de 2018 um financiamento da ordem de 800 a 900 milhões de dólares para seu projeto Mina Justa, de extração de cobre. Segundo o presidente da corporação, o contrato de empréstimo será firmado com um grupo de Bancos da Alemanha, Austrália, Canadá e Coreia do Sul, com pagamento previsto para oito anos.

Stand da Minsur na XXI Feira do Trabalho no Peru

A Minsur é uma empresa de capital 100% peruano que atua há mais de cinquenta anos no setor de mineração de ouro e de estanho, e possui duas unidades de extração e uma de fundição. A Unidad Minera San Rafael, de sua propriedade, é a principal mina de estanho da América do Sul e a quarta do mundo. Quando a Mina Justa estiver em produção, o que está previsto para 2020, a Minsur passará a fazer parte do promissor mercado de cobre do Peru, que, hoje, é dominado pelas mineradoras Cerro Verde (21% da produção), Las Bambas (19%), Antamina (18%) e Southern (13%)*.

O cobre é um metal de cor avermelhada, geralmente utilizado em tubulações de gás e hidráulica, e também em cabeamento elétrico devido à sua excelente condutibilidade.  É também usado em motores de aviões, barcos, trens e automóveis, equipamentos eletrônicos e como parte de dieta alimentar humana. Em 2017, o Chile foi responsável por 27% da produção mundial de cobre, o Peru ficou com 12%. Os maiores consumidores e importadores do produto são a China (50%) e a Europa (16%).

O Peru é o segundo maior produtor de cobre do mundo, atrás apenas do Chile que produz duas vezes mais que o concorrente. Em 2017, ainda sob a Presidência de  Pedro Paulo Kuczinsky (PPK), o Governo peruano planejava atuar sobre a burocracia e questões sócio-ambientais, que são vistos como maiores obstáculos ao sonho de ocupar o  primeiro lugar do ranking de países produtores. O atual Presidente do Peru, Martín Vizcarra, acredita que podem aumentar a produção e enxerga o diálogo com a sociedade como a saída para resolver os conflitos e a queixa quanto à poluição ambiental.

Ainda mais assertivo, o  Presidente do Instituto de Engenheiros de Minas do Peru (IIMP, na sigla em espanhol) afirma que além do volume de reservas do minério, o país tem como vantagens o baixo custo de energia e mão-de-obra competitiva, e acredita haver plenas condições de produzir e exportar um volume superior a 5 milhões de toneladas de cobre/ano, superando o Chile. 

A Minsur compartilha o projeto Mina Justa com o conglomerado chileno Copec, a quem vendeu 40% de participação por 200 milhões de dólares em abril de 2018. Somando recursos próprios ao aporte financeiro dos Bancos, a empresa espera alcançar o valor de 1,6 bilhão necessário para realizar toda a obra, a ser iniciada ainda em 2018, e começar a produzir em final de 2020, com volume estimado de 100 mil toneladas por ano. O portfólio deverá então ficar distribuído em 40-45% de estanho, o mesmo percentual de cobre e os restantes 10-20% de ouro. 

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Nota:

* Esses dados referem-se ao ranking de 2017 (jan-dez), que mostra tal posicionamento. Destacamos que, com base nas novas informações divulgadas, houve mudanças no ranqueamento das empresas no quadrimestre de jan-abr/2018. Ressalte-se, contudo, que os informes de 2017 são de um ano inteiro, fechado, e incluem todos os grandes produtores, totalizando 71% da produção. Já no caso dos dados de jan-abr/2018, neles não são apresentadas todas as empresas e não há indicação do percentual de produção de cada uma delas no período, no entanto, já apontam que a Antamina subiu de posição, ocupando o primeiro lugar. Nesse sentido, as informações de jan-abr/2018 são parciais, enfatizando-se ainda que o ano não está fechado, portanto não há como saber se o ranking estará ou não alterado quando fechar 2018. Devido a essas ressalvas, é adequado apresentar as posições das empresas de acordo com os dados completos, mesmo que já se tenha informações de que neste primeiro quadrimestre de 2018 a Antamina esteja em primeiro lugar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mina de Cobre no Peru” (Fonte Facebook do Instituto de Engenheiros de Minas do Peru):

http://iimp.org.pe/archivos/img/m536-20180622-122901-12fe.png

Imagem 2 Stand da Minsur na XXI Feira do Trabalho no Peru” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DJNq5AoXUAA8TmG.jpg:large