AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Venezuela busca ampliar voos para a Europa

Na segunda quinzena de março, autoridades do Aeroporto Internacional Simon Bolívar da Venezuela se reuniram com representantes da empresa aérea espanhola Plus Ultra, para firmarem acordo e acertarem detalhes para o início de voos regulares da Europa para Caracas. A ação faz parte da diretriz de ampliação de conectividade aérea do Ministério dos Transportes  venezuelano, que está também alinhada com a estratégia do Ministério do Turismo, de utilizar o turismo como motor de desenvolvimento daquele país.

Por ocasião da 25ª Exposição Internacional de Viajes e Turismo de Moscou (MITT 2018, na sigla em inglês), que reuniu 23 mil profissionais da Rússia e de mais de 100 países, de 13 a 14 de março último, a Venezuela se fez presente com um stand e o seu Vice-Ministro de Turismo Internacional firmou acordo de cooperação com autoridades da Abecásia para promoção dos dois países como destino turístico.

Ao longo do ano de 2017, diversas empresas aéreas desativaram suas operações na Venezuela, preocupadas com a falta de segurança, a instabilidade política e a retenção de fundos devidos às companhias. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês), que representa cerca de 275 empresas e 83% do tráfego aéreo internacional, manifestou-se, em meados de 2017, contrária à negativa do Governo de Caracas, de repatriar mais de 3,8 bilhões de dólares* de fundos das empresas, insistindo que “respeitem os padrões globais, para assegurar a competitividade e sustentabilidade do transporte aéreo na Venezuela”.

Banner no site da Plus Ultra

Em matéria publicada em janeiro de 2018, o jornal online australiano news.com.au, tece duras críticas ao país sul-americano quanto ao que chamou de “plano audacioso para sair do caos econômico” e aponta problemas diversos como:  a insegurança causada pela violência urbana; a escassez de voos destinados ao país; flutuação dos preços, em razão da instabilidade da moeda; a precária infraestrutura dos hotéis, devido às dificuldades de manutenção e roubos de equipamentos; dentre outros.  Ainda segundo o news.com.au, o principal obstáculo é que, por essas razões, ninguém quer visitar a Venezuela.

Não obstante as posições contrárias, o governo venezuelano dá continuidade ao plano e a página principal do site da Plus Ultra já oferece reserva de voos ida e volta entre as capitais espanhola e venezuelana. Mais abaixo, na mesma página, um banner anuncia que a empresa aterrissou na Venezuela e que a rota Madri-Caracas será inaugurada em 22 de maio de 2018. Além disso, os dirigentes do Instituto Aeroporto Internacional de Maiquetía** (IAM) informam que estão avaliando com a Turkish Airlines a ampliação da frequência de voos Istambul-Caracas.

———————————————————————————————–

Nota:

* Aproximadamente, 37,95 bilhões de bolívares venezuelanos, ou 12,44 bilhões de reais, nas cotações de 22 de março de 2018.

** Município limítrofe a Caracas, em cujo território está localizado o Aeroporto Internacional Simón Bolívar também conhecido como Aeroporto de Maiquetía.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aeroporto Internacional Simón Bolívar” (Fonte):

http://www.aeropuerto-maiquetia.com.ve/web/img/galeria/img001.jpg

Imagem 2 Banner no site da Plus Ultra” (Fonte):

https://plusultra.com/

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Congresso do Equador destitui seu Presidente por suspeita de conspiração

José Serrano foi destituído do cargo de Presidente do Congresso do Equador sob suspeição de conspirar contra o procurador-geral Carlos Baca. A decisão foi tomada, em Sessão do dia 9 de março último,  pelos 106 membros presentes*, com 103 votos a favor e 3 abstenções, porque Serrano teria tentado remover o Procurador-Geral de investigações de suborno envolvendo a Odebrecht. O Plenário também decidiu realizar o julgamento político de Baca, em razão da divulgação de um áudio, segundo o qual Serrano tramava a remoção dele.

José Serrano

José Serrano foi Ministro do Interior na gestão de Rafael Correa, Deputado mais votado nas eleições para o Parlamento em fevereiro de 2017 e escolhido para Presidente do Congresso, em maio daquele ano, com 77 votos a favor e 31 contra, além de 26 abstenções e 2 votos em branco.  Em seu  pronunciamento sobre a gravação telefônica, ele ressaltou os 12 anos de vida pública servindo em três Ministérios e afirmou que seu erro foi ter atendido a uma chamada que julgava ser espontânea e não uma emboscada.

Com a perda da Presidência do Congresso, Serrano não perde seu mandato como deputado, já Carlos Baca fica sujeito à perda do cargo no final do julgamento. O presidente Lenin Moreno, em reunião com os membros do partido Alianza País, declarou dois dias antes da Sessão que definiu a deposição de Serrano que “aquele que comete um erro deve encarar as consequências e não arrastar a instituição junto consigo”.

O ex-presidente Rafael Correa, agora opositor de Lenin Moreno, manifestou-se, por meio das redes sociais, afirmando que “Serrano é o operador de Moreno” e que Carlos Baca foi o responsável pela deposição de Jorge Glas, do cargo de Vice-Presidente,  cuja condenação em julgamento já havia sido questionada por Correa.

Logo da Assembleia Nacional do Equador

Oficialmente, o Parlamento do Equador se denomina Assembleia Nacional, uma vez que o antigo Congresso Nacional foi dissolvido em 2007, pela Assembleia Constituinte que assumiu as funções legislativas e elaborou a nova Constituição de 2008. 

Com a deposição, o Presidente interino da Assembleia Nacional Carlos Bermann, convocou Sessão Plenária para o dia 14 de março,  para eleger o substituto ou substituta de Serrano até o fim do mandato. Os 107 parlamentares presentes na Sessão elegeram Elizabeth Cabezas, com 84 votos a favor, 2 contra e 21 abstenções, para ocupar o cargo de Presidente do Congresso do Equador  até 14 de maio de 2019.

———————————————————————————————–                     

Nota:

* A Assembleia é composta por 137 membros.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assembleia Nacional do Equador Sessão de julgamento de José Serrano” (Fonte):

http://www.asambleanacional.gob.ec/sites/default/files/field/imagen/indice_1.jpg

Imagem 2 José Serrano” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/75/Jos%C3%A9_Serrano_-_Presidente_de_la_Asamblea_Nacional_del_Ecuador.jpg/320px-Jos%C3%A9_Serrano_-_Presidente_de_la_Asamblea_Nacional_del_Ecuador.jpg

Imagem 3 Logo da Assembleia Nacional do Equador” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/76/Logo_of_the_National_Assembly_of_Ecuador.svg/434px-Logo_of_the_National_Assembly_of_Ecuador.svg.png

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Diversificação do parque Industrial e da receita governamental: os desafios bolivianos para manter desenvolvimento

O Estado Plurinacional da Bolívia tem se destacado como o país sul-americano que mais cresce no continente, com média de 5% anuais há mais de dez anos, fenômeno que tem sido chamado de “milagre econômico boliviano”.

As projeções da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) para 2017, ainda não confirmadas, estimaram um crescimento da economia boliviana da ordem de 4,3%, uma pequena queda, mas, ainda assim, o maior índice do continente. Para 2018, o Jornal de Negócios apresenta, com base em dados do FMI, um infográfico no qual a Bolívia aparece com o maior índice de expectativa de crescimento da América do Sul. O desafio boliviano é manter este ritmo de crescimento, fomentando a expansão da indústria nacional de modo a reduzir a dependência externa e alcançar um patamar de desenvolvimento endógeno e sustentável. 

Evolução do PIB da Bolívia

O país vem logrando êxito por meio de uma política sustentada por três pilares: a nacionalização de hidrocarbonetos como gás e petróleo; investimento público e políticas sociais; e a estabilidade política e social da longeva gestão de Evo Morales. A estatização de empresas e a renegociação de contratos permitiu ao Estado ampliar as receitas com hidrocarbonetos, alavancadas com a exportação de gás para o Brasil e a Argentina. Os investimentos públicos, por sua vez, foram custeados com este extraordinário aumento de receitas que possibilitou a geração de uma reserva financeira capaz de sustentar também os programas sociais. Dentre os 14 anos de crescimento econômico, observa-se que Evo Morales esteve como chefe do executivo nos últimos onze anos, o que certamente contribuiu para a continuidade da política de Estado adotada. 

Em que pese o longo período de bonança, o governo não fez o pagamento, por dois anos consecutivos, da segunda parcela do Aguinaldo, uma espécie de 13º salário pago em junho e dezembro na Bolívia.  As autoridades econômicas bolivianas atribuem à crise brasileira, que fez reduzir a demanda, a indisponibilidade de recursos para honrar tal pagamento.  Acreditam, entretanto, numa melhoria em 2018, com base na expectativa de crescimento da demanda externa, de importadores como o Brasil, Estados Unidos, China e países da Europa.  

Os críticos veem com reservas a manutenção do crescimento da Bolívia, que denominam jaguar sul-americano, numa cética alusão ao fenômeno dos tigres asiáticos. Destacam que, a despeito das altas taxas de crescimento, o país segue sendo o mais pobre do continente e questionam se o aumento da dívida pública acumulada e o esgotamento das reservas não causarão uma estagnação no futuro.

A economia boliviana está baseada no rentismo, no caso, a receita advinda das exportações de petróleo e gás que sustenta os investimentos públicos e a importação de produtos, inclusive os de primeira necessidade. Os riscos, para a diversificação da indústria, em países com economia rentista altamente dependente do petróleo, já haviam sido apontados por Celso Furtado em duas análises sobre a Venezuela, sendo a primeira em 1957. Nas décadas seguintes, o perigo de desindustrialização, em país desenvolvido, foi objeto de análise aplicada à Holanda, que iria dar origem ao termo “doença holandesa” (Dutch Disease).  

A exemplo da economia venezuelana, o perigo do rentismo para a Bolívia reside na aposta em fonte única de receitas, ou seja, a indústria do petróleo, de modo que se desestimule o desenvolvimento de outros setores da indústria nacional. Uma das consequências é a crise de abastecimento, decorrentes de quedas nos preços do petróleo e gás que comprometam o equilíbrio das contas públicas e a capacidade de importação. 

Em recente decisão da justiça boliviana, Evo Morales adquiriu o direito de tentar nova reeleição em 2019 e a possibilidade de continuar na gestão, no período de 2020 a 2025. Desde já e para os próximos anos, seja com Evo Morales ou outro Presidente, o desafio da Bolívia, para não seguir o caminho da Venezuela, é utilizar parte das reservas obtidas com o rentismo e aplicá-la no fomento aos demais segmentos da indústria nacional. Dessa forma, pode-se diversificar a fonte de receitas e reduzir a dependência externa para o abastecimento das necessidades de consumo interno. 

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente Evo Morales discursa nas Jornadas Europeias de Desenvolvimento” (Fonte):

https://www.facebook.com/MinPresidencia/photos/a.223952224648280.1073741828.221347191575450/446888029021364/?type=3&theater

Imagem 2Evolução do PIB da Bolívia” (Fonte):

https://www.ine.gob.bo/