AMÉRICA LATINAÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo da Bolívia otimista com projetos de cooperação com a Índia

O Presidente da República da Índia, Ram Nath Kovind, esteve em visita oficial ao Estado Plurinacional da Bolívia de 28 a 29 de março de 2019, quando se reuniu com seu homólogo Evo Morales e com empresários bolivianos. A viagem histórica – nunca um Presidente da Índia havia visitado a Bolívia – teve o objetivo de estreitamento de laços comerciais e deixou as autoridades bolivianas bastante otimistas.

Em final de janeiro de 2019, Morales anunciou a visita de Kovind e, em seguida, no início de fevereiro, Mariana Prado, Ministra do Planejamento do país andino, reuniu-se em La Paz* com Mandarapu Sabbarayudu, Embaixador da Índia, para uma ação prévia de revisão dos acordos de cooperação entre os dois países. O aprofundamento do intercâmbio era visto com bons olhos pelo Governo de La Paz, em razão da importância da Índia, que, além de ser a 6ª maior economia do mundo, foi o parceiro com o qual a Bolívia teve o maior superávit na balança comercial em 2018.

A agenda a ser cumprida em Santa Cruz de La Sierra* previa a reunião dos Executivos indiano e boliviano para a assinatura de acordos bilaterais referentes à cooperação e complementação comercial, integração energética e integração acadêmica. Um dia antes (27 de março) da chegada da comitiva oficial, um grupo de homens de negócios indianos chegou ao país com interesse na importação de ouro boliviano e no último dia (29 de março) foi realizada uma rodada de negócios entre empresários das duas nações. Havia tanta expectativa e entusiasmo que nos dois dias que duraram a visita (28 e 29 de março) foram publicadas mais de 25 notícias alusivas ao tema no site da Agência Boliviana de Información (ABI).

Reunião da equipe de governo da Bolívia e comitiva da Índia

Segundo notícia da ABI de 29 de março, ao final do encontro foram firmados oito acordos nas áreas de saúde, tecnologia, mineração, transportes, cultura e relações diplomáticas, dentre outras. Na área de saúde foram acordados créditos de 100 milhões de dólares (aproximadamente, 386,05 milhões de reais, conforme a cotação do dia 5 de abril de 2019) para implantação de indústria de medicamentos contra o câncer e dinamização da medicina alternativa homeopática; e a transferência de tecnologia para melhoria de equipamentos e infraestrutura hospitalar.

A nota menciona também investimentos para impulsionar o trem bioceânico, que une o Atlântico ao Pacífico; intercâmbio de conhecimentos e especialização na área de TI de bolivianos na Índia, que possibilitará inclusive a fabricação de um satélite de prospecção de mineral; investimento de 13 bilhões de dólares (em torno, 50,2 bilhões de reais, conforme a cotação do dia 5 de abril de 2019) no setor de hidrocarbonetos, a serem aplicados na construção de uma planta de Gás Natural Liquefeito (GNL) e de um gasoduto até o porto de Ilo, no  Peru, para exportação do gás para outros continentes, via Oceano Pacífico.

A Rodada de Negócios, da qual participaram 26 empresas indianas e 62 bolivianas, gerou 290 reuniões e mais de 32 milhões de dólares em intenções de negócios em diversos setores (próximos de 123,54 milhões de reais, também de acordo com a mesma cotação). Foram consideradas mais promissoras as áreas de mineração, comércio, agricultura, pecuária e agroindústria, além do compromisso de promover cooperação econômica e tecnológica. Kovind, antes de se despedir, afirmou que a Bolívia era um potencial parceiro em razão dos recursos naturais e que a distância geográfica já tinha sido superada pelos meios digitais. Morales enfatizou que seu país tem um grande futuro e manifestou sua esperança de que a aliança entre os setores públicos e também os privados de ambas as nações seja benéfica para o bem-estar dos respectivos povos.

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Nota:

* A capital constitucional da Bolívia é Sucre; La Paz é a sede do governo e Santa Cruz de la Sierra é a maior cidade e centro econômico e financeiro do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Bolívia recepciona Presidente da Índia” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/55711654_821538854889611_6656334804897759232_n.jpg?_nc_cat=101&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=730a9ac8e176fb6ac1c39ebf7e6f60db&oe=5D3D12B1

Imagem 2 Reunião da equipe de governo da Bolívia e comitiva da Índia” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/55549758_821538974889599_4995469147648294912_n.jpg?_nc_cat=108&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=67e4dd0f54a1bcafc803b854e7b1ef86&oe=5D09DBE6

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições internas no Equador contrapõem correistas e morenistas

No dia 24 de março de 2019 cerca de 13.262.000 pessoas compareceram às urnas para as eleições regionais do Equador, segundo estimativa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa entre os candidatos aliados ao ex-presidente Rafael Correa e ao atual mandatário Lenín Moreno foi uma das facetas do processo.

Para melhor entender as chamadas “eleições seccionais”, necessário se faz compreender a divisão política do Equador: são 24 províncias (semelhantes aos estados no Brasil), por sua vez subdivididas em 221 cantões que se subdividem em paróquias. Cada província tem um Governador, que é um representante federal designado pelo Presidente da República, e um Prefeito Provincial, eleito por voto popular. Os cantões são como municípios, com suas paróquias urbanas e paróquias rurais, governados por um Alcalde.

CNE – página de resultados das eleições

As Eleições 2019 visaram eleger pouco mais de onze mil cargos, entre titulares e suplentes, sendo: 23 Prefeitos(*) e Vice-Prefeitos, 221 Alcaldes, mais de 1.000 Conselheiros, dentre Urbanos e Rurais, cerca de 4 mil Vogais Paroquiais e 7 Conselheiros do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS). Os eleitos tomarão posse em 14 de maio de 2019, para um mandato de 4 anos.

O CPCCS tem como função garantir a transparência e governança do país, sendo inclusive responsável pela nomeação de membros da Defensoria Pública, da Controladoria Geral e do Conselho Nacional Eleitoral. O Conselho é formado por 3 membros do gênero masculino, 3 do feminino e 1 representante dos povos e nacionalidades indígenas, afroequatorianos ou mestiços e de equatorianos no exterior. Pela primeira vez foram eleitos por voto direto, em razão de referendo e consulta popular realizados em fevereiro de 2018, que alterou a forma de designação.

No período de 22 a 27 de março de 2019, foram decretados a Lei Seca (proibição de venda de bebidas alcóolicas) e o Silêncio Eleitoral, que proíbe publicidade eleitoral,   manifestações políticas e propaganda de instituições públicas.  Em 21 de março, quase 10 mil pessoas privadas de liberdade sem sentença condenatória votaram em centros de detenção e, no dia seguinte (22 de março) foi a vez dos idosos e das pessoas com deficiência, que por meio do programa Voto en Casa tiveram seus votos coletados em domicílio.

Em 23 de março começou na Austrália e Oceania a votação dos equatorianos residentes no exterior. Os eleitores com residência no próprio país votaram no dia 24 de março. Segundo a Missão da OEA, as eleições geridas pelo CNE foram realizadas sem maiores problemas, “com alta participação, em ambiente pacífico” e “a jornada transcorreu de maneira tranquila em todo o país, apesar de alguns incidentes isolados”.

Nas primeiras horas do dia principal de votação (24 de março) o jornal brasileiro Estadão apresentava um cenário de incerteza marcado por: de um lado, a queda na aprovação do governo de Lenín Moreno de 77%, no início do mandato (maio/2017), para 30%, em março de 2019; de outro, a dificuldade de posicionamento dos correistas, vinculados ao antecessor de Moreno, Rafael Correa. Finda a votação, a avaliação do mesmo periódico, em 26 de março, é que os correistas foram derrotados porque perderam a eleição nas três principais cidades do país, ou seja, Quito, Cuenca e Guayaquil.

Não há consenso entre a mídia, entretanto, quanto a essa avaliação e, para a Rede de TV Telesur, o voto dos eleitores da Província de Manabí e de Pichincha, onde fica Quito, a capital, consagram o correismo como “a primeira força eleitoral do Equador”.  O El País também destaca o forte apoio popular a candidatos correistas que tiveram que se valer da organização política Força Compromisso Social, em razão de não terem logrado êxito no registro do Movimento Acordo Nacional (MANA),  depois que o Aliança País, fundado por Correa ficou em mãos de Moreno, como resultado de uma disputa.

Posições mais moderadas, como do mexicano Diario Tiempo, consideram que houve alguma expansão do correismo, embora não tenham ocupado postos-chaves nas três cidades mais importantes. As perdas econômicas e sociais acumuladas nos quase dois anos de governo de Moreno parecem estar ajudando a dar uma sobrevida ou mesmo um renascer à Revolução Cidadã, movimento que marcou a gestão de Rafael Correa.

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Nota:

* Dentre as 24 províncias, as Ilhas Gálapagos são a única Província com regime especial, sem Prefeito Provincial, mas elegem os demais candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Votação nas eleições seccionais do Equador” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190322_cne_voto.jpg

Imagem 2 CNE – página de resultados das eleições” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190325_cne_general.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Peru, Chile e a Guerra do Pisco

O Peru rechaçou com veemência a sugestão chilena de compartilharem a denominação de origem da bebida conhecida como Pisco. A recusa manifestada em março de 2019 veio em resposta a uma proposta de solução de disputa feita em final de fevereiro passado pelo Ministro da Agricultura do Chile ao seu par peruano.

O pisco é uma aguardente de uva produzida nos dois países. No Peru se faz com sete a oito quilos de uva por litro, enquanto o chileno usa cerca de um quilo por garrafa, o que explicaria, segundo os peruanos, a melhor qualidade e preço superior do produto do seu país.

Pisco do Peru

A versão peruana é produzida em cinco regiões, utilizando oito tipos de uvas. Recipientes de metal (aço, cobre) ou de plástico são usados, em lugar de barris de madeira que alterariam o sabor da bebida, que é produzida de modo artesanal até os dias de hoje. A destilação é feita somente uma vez, o que mantém o aroma e sabor mais encorpados e é proibido adicionar água, o que limita a criatividade, mas mantém a qualidade e consistência de um produto natural.

O Chile produz a bebida em apenas duas regiões, mas com quase o dobro (quinze) de castas de uvas. Armazenam em barris de carvalho ou não, pois o hábito é consumir logo após fabricada, em lugar de envelhecida. O processo chileno é realizado, via de regra, em modernas destilarias com uso de tecnologia que preserva o sabor e estilo ao longo do tempo. Destilam a bebida mais de uma vez,  o que retira impurezas, mas também reduz o sabor e o aroma, além de acentuar o teor alcoólico, um problema sanado com a adição de água.

Pisco do Chile

Os peruanos afirmam que a bebida foi inventada por eles no período pré-hispânico. Esclarecem que a palavra “pisco” significa “pássaro” no idioma Quéchua, utilizada pelos incas, e lembram que antes da bebida, na época colonial, já existiam um vale, um rio e uma cidade chamados Pisco. Os chilenos, por sua vez, alegam que a aguardente foi criada pela antiga civilização Aymara, na região do Vale do Elqui. Em 1936, o Presidente do Chile alterou o nome da região para Pisco Elqui, o que os peruanos entendem como uma tentativa dos rivais de validar a denominação de origem.

A confirmação da origem pela via histórica e geográfica torna-se ainda mais complexa porque ambos os países disputam fronteiras desde os anos 1500 e, em 1613, o Peru e o Chile eram partes de um mesmo território dominado pelos espanhóis e conhecido como Vice-Reino do Peru.

Um preparado bastante conhecido é o Pisco Sour, feito com 3 medidas do destilado, uma medida de limão, açúcar, clara de ovo e gelo picado. Desde 2003 os peruanos celebram, no primeiro sábado de fevereiro, o Dia do Pisco Sour, declarado patrimônio cultural. O mesmo decreto que instituiu o Dia determinou que o coquetel substitua o vinho e o espumante nas celebrações realizadas pelo Palácio do Governo, Ministérios e Embaixadas peruanas.

Mas, nem o Pisco Sour escapa da contenda, porque uma versão conta que um americano que emigrou para o Peru e teve um bar em Lima criou o drinque, como uma variação do Whisky Sour. A outra afirma que o aperitivo, que é ligeiramente diferente do rival, nasceu na cidade chilena de Iquique. Apenas o “Pisco Punch” não é motivo de disputa porque é reconhecido que foi inventado no século XIX num bar em San Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos.

A chamada “Guerra do Pisco” se arrasta há anos e tem episódios bastante curiosos. Em um concurso mundial de bebidas alcoólicas, cuja edição 2017 foi sediada no Chile, as destilarias peruanas somente poderiam competir na categoria “aguardente de uva”. Isto porque, de acordo com a lei chilena, o produto peruano tem que ter o nome “Pisco” retirado do rótulo para circular no país vizinho. O Governo do Peru então orientou seus produtores a se retirarem do concurso sob pena de sofrerem sanções, incluindo a possibilidade de perdas das licenças de uso do nome “Pisco” se aceitassem a categorização indicada. Os organizadores da competição sugeriram o uso de “Pisco do Peru” para solucionar o impasse, mas os peruanos decidiram não participar do certame, sob a alegação de estarem sendo tratados como produto de segunda classe. 

De acordo com a Associação de Exportadores (ADEX) do Peru, as exportações do Pisco em 2018 atingiram mais de 9,5 bilhões de dólares (aproximadamente, 35,97 bilhões de reais, conforme a cotação de 22 de março de 2019), sendo que 70% é a soma dos volumes destinados ao seu concorrente Chile (44%) e Estados unidos (26%). A recusa à proposta chilena de compartilhamento da denominação de origem foi objeto de editorial do periódico El Peruano, republicado no website da Adex, e, a julgar pelo tom enfático da manifestação dos peruanos, a “Guerra do Pisco” está longe de terminar. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pisco Sour” (Fonte): https://de.wikipedia.org/wiki/Pisco_(Getr%C3%A4nk)#/media/File:PiscoSour.JPG

Imagem 2 Pisco do Peru” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco_peru.jpg

Imagem 3 Pisco do Chile” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)#/media/File:Pisco-bottles-Chile.jpg

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Equador obtém reconhecimento do Banco Mundial por política social inclusiva

Em recente visita realizada ao Equador, o Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Axel van Trostenburg, elogiou as políticas sociais do Governo voltadas para os segmentos mais vulneráveis da população. Trostenburg destacou a abordagem integral do trabalho, por ocasião de visita às brigadas da Misión Las Manuelas, em Quito, no dia 7 de março de 2019.

A Misión Las Manuelas busca “garantir a atenção integral a pessoas com deficiência e a seus núcleos familiares” por meio de visitas de equipes multidisciplinares (as brigadas) realizadas a domicílios no país, para identificar pessoas com deficiência em estado de extrema pobreza. A estas pessoas são fornecidos meios de desenvolver e fortalecer suas capacidades, habilidades e competências, visando inseri-las no mercado laboral. As características individuais são respeitadas na abordagem, além disso, os beneficiários são protagonistas das decisões que impactarão suas vidas. Casos de agressão recebem o tratamento adequado e atenção à saúde é ofertada de modo contínuo e integral para que alcancem o melhor nível possível de bem-estar mental, físico e social.

A missão foi criada originalmente em 2009, na gestão de Rafael Correa, tendo Lenín Moreno como seu Vice-Presidente, por meio de um acordo de cooperação com Cuba e se chamava Misión Solidaria Manuela Espejo, em homenagem à enfermeira equatoriana Manuela Espejo que viveu entre os séculos XVIII e XIX. Moreno, que é cadeirante desde 1998, foi entusiasta da iniciativa e tratou de reinseri-la na agenda governamental, já como Presidente, em novembro de 2017, como parte do Plan Toda Una Vida. Segundo o periódico equatoriano El Telégrafo, Moreno tratou de reativar o projeto, agora como Misión Las Manuelas, alegando que foi abandonado pelos governos anteriores porque as pessoas com deficiência não têm direito a voto.

Las Manuelas é uma das sete missões do  “Plan Nacional de Desarrollo 2017-2021 Toda una Vida”, conhecido como Plan Toda Una Vida, que atua com foco em três eixos: 1) Direitos para todos por toda a vida; 2) Economia a serviço da sociedade; 3) Mais sociedade, melhor Estado. As outras seis missões são: 1) Casa para todos; 2) Ternura; 3) Menos pobreza, más desarollo; 4) Mujer; 5) Mis Mejores Años e 6) Impulso Joven. Os objetivos do Plano são convergentes com os da Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e a gestão está a cargo de um Comitê Interinstitucional presidido pela primeira dama Rocío González de Moreno.

Axel Trostenburg, que tomou posse como Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, em 1º de fevereiro de 2019, conheceu o trabalho em Quito, acompanhado do Presidente, da Primeira Dama e da Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida. Ele, então, demonstrou interesse em divulgar a Misión Manuelas como um modelo aplicável ao atendimento dos mais de hum milhão de pessoas com deficiência no mundo.

Objetivos do Misión Manuelas

Em final de fevereiro passado o Misión Manuelas já havia despertado o interesse da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) quando, em reunião conjunta, o Governo do Equador sugeriu que a capital, Quito, sediasse a primeira reunião do “Programa Iberoamericano sobre direitos das pessoas com deficiência”, a ser realizado de 1º a 2 de abril. A SEGIB, conforme informado no seu site, é “um organismo internacional que apoia os 22 países que constituem a comunidade ibero-americana: 19 da América Latina de língua espanhola e portuguesa, e Espanha, Portugal e Andorra, na Península Ibérica”. Nessa ocasião deverão ser eleitas a Presidência e a Unidade Técnica e os equatorianos manifestaram o desejo de liderar a iniciativa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trostenburg acompanha Presidente do Equador, Primeira Dama e Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-07-at-11.57.16.jpeg

Imagem 2 Objetivos do Misión Manuelas” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2017/07/misionLasManuelas-01-768×803.png

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Chile e Colômbia propõem a criação da outra organização para substituir a Unasul

Em 11 de fevereiro de 2019, realizou-se na sede do Ministério das Relações Exteriores do Chile, na capital Santiago,  uma reunião de diplomatas sul-americanos para debater sobre a integração regional. Segundo o periódico chileno La Tercera, este encontro teria como objetivo discutir as bases de um novo arranjo, provisoriamente denominado Prosul, para substituir a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O desejo de criar uma nova instituição de cooperação sul-americana foi anunciado em meados de janeiro de 2019, por Ivan Duque, Presidente da Colômbia, que afirmou à imprensa estar mantendo diálogo com o Presidente do Chile, Sebastián Piñera, e outros mandatários de nações vizinhas com esse objetivo. Duque, que tomou posse em 7 de agosto de 2018 e, no mesmo mês, anunciou a retirada da Colômbia da Unasul, entende que o novo organismo deve ser formado por nações que defendam ideais democráticos, isolando a Venezuela, cujo governo de Nicolás Maduro não foi reconhecido pelo chamado Grupo de Lima desde as últimas eleições.

A Unasul, que comemorou dez anos de fundação em 2018, foi criada em maio de 2008, por sugestão do presidente Hugo Chávez (Venezuela), com o apoio dos presidentes Nestor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Lula (Brasil) e Rafael Correa (Equador). A União chegou a ter doze Estados membros participando ativamente: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Uruguai, Suriname e Venezuela.

Bandeira da Unasul

Uma crise teve início na Unasul quando seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Paraguai e Peru) anunciaram a suspensão temporária de participação em abril de 2018, sob alegação de que o organismo não estava obtendo resultados concretos. Além disso, o colegiado não obteve consenso na indicação de um Secretário-Geral, ainda na gestão do argentino Mauricio Macri, para suceder a Ernesto Samper (Colômbia) e o posto está vago desde 2017.

Em meados de 2018, cerca de três meses depois de Evo Morales (Bolívia) ter assumido a Presidência Pró-Tempore, o presidente Lenín Moreno, do Equador, declarou que iria solicitar a devolução do edifício que sediava a Unasul. Em 10 de janeiro de 2019, o diário equatoriano El Comercio noticiou que o Governo daquele país andino ofereceu um imóvel no centro histórico de Quito para a transferência da organização.

Os defensores da ideia de substituição da Unasul pela Prosul alegam que o antigo órgão é demasiado burocrático e não logrou apresentar resultados pragmáticos, além de ter viés ideológico e estar atualmente sendo manipulado pelo governo do venezuelano Maduro. Em análise publicada na revista argentina Ciudad Nueva, o italiano Alberto Barlocci, professor da Universidade Católica do Norte (Chile) afirma que a União foi criada e ancorada em forte viés ideológico de esquerda que já não é mais compartilhado por diversos Chefes de Estado e Chefes de Governo da região. Barlocci aponta para a necessidade de um projeto de integração mais sólido e alerta que a mera criação de um novo Bloco, com viés de direita não é uma solução e sim o debate em torno dos interesses comuns.

Novo encontro para tratar da criação da futura instituição está sendo planejado pelo Governo do Chile para 22 março de 2019 e se cogita inclusive a presença de Juan Guaidó como representante de Caracas. O diário colombiano El Espectador, no seu Editorial publicado em dia 15 de janeiro de 2019, concorda com as críticas feitas à Unasul, mas reconhece a sua importância e, à semelhança de Barlocci, alerta para o risco de que se adote um viés ideológico de direita que prejudique os reais objetivos integracionistas.  Questionando se não seria o caso de reformar a Unasul, em vez de extingui-la, o El Espectador sugere que se aproveite o legado da entidade  de modo que esta se torne mais útil para o fortalecimento do Bloco sul-americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunião no Ministério das Relações Exteriores do Chile”(Fonte): https://minrel.gob.cl/minrel/site/artic/20190211/imag/foto_0000000220190211185812.png

Imagem 2 Bandeira da Unasul” (Fonte Wikipedia): https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_de_Na%C3%A7%C3%B5es_Sul-Americanas#/media/File:Flag_of_UNASUR.svg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Chile encabeça a lista dos melhores países da América Latina para fazer negócios

A República do Chile é o melhor país da América Latina para fazer negócios em 2019, de acordo com a lista divulgada em dezembro de 2018 pela Forbes, renomada publicação de economia e negócios dos Estados Unidos. No ranking com total de 161 países, liderado este ano pelo Reino Unido, o Chile aparece em 33º lugar, sendo o primeiro país latino-americano, seguido pela Costa Rica, em 48º, e pelo México, em 54º. 

A classificação tem sido feita nos últimos 13 anos e considera 15 fatores distintos, a saber: direitos de propriedade; inovação; taxas; tecnologia; corrupção; infraestrutura; tamanho do mercado; risco político; qualidade de vida; força de trabalho; liberdade individual; liberdade de comércio; liberdade monetária; burocracia; proteção do investidor.

A Forbes utiliza fontes diversas de informação e, no caso de taxas, proteção do investidor e burocracia os dados têm origem no relatório Doing Business do Banco Mundial. Na classificação geral do Banco Mundial, o México é o primeiro país latino-americano, figurando em 54º, seguido do Chile, em 56º, e da Colômbia, em 65º.

Os fatores liberdade de comércio e liberdade monetária são coletados do Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom em inglês) da Heritage Foundation e os chilenos ocupam a 18ª posição, à frente de todos os demais vizinhos regionais. O quesito liberdade individual (direitos políticos e liberdades civis) vem do Relatório Liberdade no Mundo (Freedom in the World) da Freedom House, no qual os três países latinos com melhor colocação são: Uruguai (9º lugar); Chile (21º) e Costa Rica (38º). 

O Relatório de Competitividade Global (Global Competitiveness Report) do Fórum Econômico Mundial foi a fonte dos indicadores de tecnologia, inovação e infraestrutura, no qualos primeiros países da região são: Chile (33º); México (46º) e Uruguai (53º). Com efeito, o Chile tem se destacado nessa área e vem conseguindo atrair o interesse de grandes investidores internacionais, a exemplo de IBM, Amazon e do Google, que mantém no território chileno, desde 2015, o seu único data center na América Latina.

Presidente Piñera discursa na abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019

O ranking do Índice Internacional de Direitos de Propriedade (International Property Rights Index) da Property Rights Alliance foi utilizado para o quesito direitos de propriedade, no qual a região está liderada por Chile (1º lugar regional e 29º global); Costa Rica (2º; 31º) e Uruguai (3º; 43º). No que se refere à percepção de corrupção, os dados proveem do  Índice da Transparência Internacional e os três melhores desempenhos entre os latino-americanos ficam com Uruguai (23º global), Chile (27º) e Costa Rica (48). 

Em termos de qualidade de vida, as melhores posições da América Latina, baseadas no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, pertencem a Chile (44ª), Argentina (47ª) e Costa Rica (63ª).  Segundo o Mapa de Risco Político de Marsh & McLennan os maiores níveis de estabilidade (risco político) da região estão situados no Chile, Uruguai e Panamá. O tamanho de mercado foi considerado em função do PIB e a força de trabalho calculada com base em dados do Banco Mundial. Outras informações gerais e da economia das nações foram coletadas do CIA’S World Factbook.

De acordo com a lista da Forbes, Chile (33º) e Costa Rica (48º) são os únicos da região entre os primeiros 50 países. No grupo intermediário aparecem México (54), Uruguai (58), Peru (64), Colômbia (67), Brasil (73), Panamá (75), Argentina (76), Guatemala (97) e Equador (99).  No último terço da lista temos El Salvador (101), Paraguai (114), Honduras (120), Bolívia (128), Nicarágua (135) e Venezuela (143).

Entre os dias 15 a 17 de janeiro de 2019, a InvestChile, agência governamental de promoção do país como destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED),  promoveu o 5º Fórum Internacional de Investimentos Chile 2019, com a participação de uma centena de empresas de 21 países e volume de investimentos estimados em mais de 7 bilhões de dólares.

Na cerimônia de abertura do Fórum, o presidente chileno Sebastián Piñera dedicou parte do seu discurso na conferência inaugural à atração de IED, ressaltando, dentre outras coisas, que seu país é estável política e economicamente e afirmou que há um estado de direito sólido, com regras claras e até mesmo vantagens concedidas a investidores estrangeiros que não estão disponíveis para os nacionais. 

Atenta a tais oportunidades de negócios, a TMF Group, uma corporação que se apresenta comouma expert global em negócios locais” e que detém “expertise local e o conhecimento para ajudar empresas” na sua expansão publicou, em 2018,  um artigo intitulado “Considerações culturais ao fazer negócios com o Chile” por meio do  qual orienta potenciais investidores estrangeiros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019” (Fonte): https://investchile.gob.cl/wp-content/uploads/2019/01/sin-tixxtulo-16-de-267.jpg

Imagem 2 Presidente Piñera discursa na abertura do 5° Fórum Internacional de Investimento Chile 2019” (Fonte): https://investchile.gob.cl/wp-content/uploads/2019/01/sin-tixxtulo-122-de-267.jpg