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Presidente do Peru pressiona Congresso a apoiar reforma política

O Plenário do Congresso Nacional do Peru aprovou, em 5 de junho de 2019, por maioria de votos, uma Moção de Confiança solicitada pelo Executivo para aprovação da reforma política e combate à corrupção. Com a vitória por 77 votos a favor, 44 contra e 3 abstenções, a Comissão de Constituição decidiu iniciar, dois dias depois, em 7 de junho, a apreciação dos projetos indicados na Moção.

Em dezembro de 2018, o presidente peruano Martín Vizcarra criou a Comissão de Alto Nível para Reforma Política, cujo trabalho resultou em 12 projetos que foram enviados pelo Executivo ao Congresso em 10 de abril deste ano (2019). O pacote contemplava várias medidas, tais como: mudança na imunidade parlamentar; impedimento à candidatura de condenados; participação popular na seleção de candidatos a eleições internas; garantia de equidade na participação política das mulheres e proibição de “dinheiro sujo” em campanhas.  

Por entender que estava havendo negligência e boicote à aprovação das medidas, o mandatário solicitou que o Presidente do Conselho de Ministros apresentasse ao Parlamento a Moção de Confiança, com base no Artigo 133 da Constituição. O Artigo 134 prevê, por sua vez, que o Presidente da República pode dissolver o Congresso e convocar novas eleições parlamentares no caso de recusa ao Voto de Confiança.

Congresso do Peru vota a Moção de Confiança

Martín Vizcarra era Vice-Presidente da República até 22 de março de 2018, quando assumiu o posto de titular, após um desgastante processo de tentativa de impeachment que culminou com a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski (PPK). Em meados de 2018, um escândalo envolvendo a cúpula do Judiciário levou à renúncia e destituição de vários membros da instituição. Em 2017, ainda na gestão de PPK, o CEIRI NEWS noticiava os casos de corrupção da Construtora Odebrecht no país, implicando os ex-Presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

O suicídio de Alan Garcia, em abril de 2019, pouco antes de ser preso, dividiu opiniões dos congressistas sobre a ação da Justiça na luta contra a corrupção. O significativo percentual de 38% de votantes não a favor (contra + abstenções) da Moção de Confiança expressa essa divisão. A indignação popular se manifestou nas ruas em uma caminhada realizada no dia 4 de junho pela sociedade civil organizada pró-reforma, e em apoio ao fechamento do Congresso. Nesse contexto, a ação do Executivo era o que se esperava de quem tomou posse com a promessa de “combate à corrupção e desenvolvimento equitativo”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Placar da votação pela Moção de Confiança” (Fonte): https://portal.andina.pe/EDPfotografia3/Thumbnail/2019/06/05/000591336W.jpg

Imagem 2 Congresso do Peru vota a Moção de Confiança” (Fonte): https://pbs.twimg.com/media/D8UNUBQU0AE_Kq6?format=jpg&name=900×900

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Colômbia e Bolívia substituem plantações de coca por lavoura cafeeira

O Governo da Colômbia e a empresa Nespresso acabaram de firmar uma parceria com o objetivo de reativar a lavoura de café na cidade de El Rosario, em substituição ao cultivo de coca. O anúncio foi feito em 28 de maio de 2019, por Ivan Duque, Presidente da Colômbia, e, em 6 de maio, o Governo da Bolívia havia anunciado a visita da firma francesa Malongo Café para celebração de acordo similar, no município de La Asunta.

A aliança com a Colômbia envolve ainda a Federación Nacional de Cafeteros (FNC) e a Fundação Howard G. Buffet, com o objetivo de ampliar a cafeicultura na região cocaleira. Cerca de 2 milhões de dólares serão investidos na melhoria de infraestrutura local e das fazendas, aproximadamente, 7,9 milhões de reais, conforme a cotação de 31, maio de 2019. Além disso, 100 produtores serão capacitados para praticar a agricultura sustentável e obter grãos de excelente qualidade. A produção será adquirida pela Nestlé Nespresso, pioneira em café em cápsulas, com 800 lojas em mais de 80 países.

O Governo Boliviano tem o apoio da representação local do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, em inglês) e juntos estão coordenando a celebração de acordo com a empresa francesa para aquisição da produção cafeeira e apoio técnico aos produtores.  A Malongo Café processa mais de 8 mil toneladas de grãos por ano, que são servidos em hotéis, restaurantes e mercados franceses. Com sede em Nice, na Côte d’Azur, no litoral Sul da França, a empresa familiar especializada em café gourmet exporta também para a Europa.

Plantação de café

O Presidente colombiano enfatizou a transformação social que será gerada pelo cultivo de produto legal, projeto que ele espera ver expandido às demais regiões do país. Cabe salientar que a Colômbia é o 3º maior país produtor de café do mundo (Brasil e Vietnam são 1º e 2º, respectivamente), segundo dados da Organização Internacional do Café.

Já a Bolívia, cuja produção cafeeira é bastante modesta (0,6% da colombiana), aposta na qualidade do seu café para atender um nicho específico de mercado na Europa. Em ambos os países coincide o esforço em criar alternativa econômica que reduza o cultivo da coca, que termina por alimentar o tráfico de drogas ilícitas e prejudiciais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Grãos de café torrado” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c5/Roasted_coffee_beans.jpg/800px-Roasted_coffee_beans.jpg

Imagem 2 Plantação de café” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cf/Coffee_Berries.jpg/800px-Coffee_Berries.jpg

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Equador abre concorrência internacional para corredor ferroviário costeiro

O Ministério de Transportes e Obras Públicas (MTOP) do Equador lançou, em 10 de maio de 2019, uma concorrência internacional para a concessão do corredor ferroviário costeiro Daule-Posorja. O objeto do certame é o desenho, a construção, exploração e transferência do trecho de 115 km entre as cidades de Daule e Posorja, na Província* de Guayas, que constitui a primeira etapa do projeto denominado Tren Playero (Trem Praieiro).

A obra demandará investimentos de 370 milhões de dólares (cerca de 1,48 bilhão de reais ao câmbio de 16 de maio de 2019) para a construção e vai gerar cerca de 1.000 empregos diretos nesta fase, mais 2.000 empregos nas fases de operação e manutenção, segundo Aurelio Hidalgo, titular do MTOP. O Tren Playero, depois de completo, se estenderá pelo litoral da Província* de Santa Elena até a cidade de Manta, na Província* de Manabí, totalizando 400km.

Um dos objetivos da ferrovia é fazer circular a produção de bens da região, inclusive por escoamento pelo Porto de Posorja, cuja construção deverá estar concluída ainda em 2019. O 1º porto de águas profundas do Equador  terá 16 metros de profundidade, com enorme capacidade de movimentação de cargas, pois permitirá o acesso de embarcações de maior calado operacional (fundura máxima do casco do navio carregado).

Banner da convocatória do Tren Playero

Além disso, o governo deseja fomentar a circulação de passageiros e o turismo nas regiões servidas pelo trem praieiro. O Equador conta com uma malha ferroviária bastante modesta, tanto para carga quanto passageiros, mas dispõe de um trem turístico que faz sucesso. O Tren Crucero (Trem Cruzeiro), que transporta mais de 115 mil turistas/ano nos seus 6 roteiros, recebeu em final de 2018, pelo quinto ano consecutivo, o Prêmio de Melhor Trem de Luxo da América do Sul, concedido pelo World Travel Awards, considerado o Oscar do Turismo.

O Ministério de Transporte e Obras Públicas espera receber propostas até 16 de agosto e contratar a empresa vencedora em 9 de novembro de 2019.  As informações para as empresas candidatas à concorrência estão disponibilizadas em link específico no site do MTOP. Contando a fase de planejamento, iniciada em 15 de outubro de 2018, o Ministro estima que esta primeira etapa possa ser entregue em 26 meses e que as 2 etapas seguintes, que totalizarão os 400k até Manta, sejam concluídas em mais um ano.

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Nota:

Províncias são divisões político-administrativas do território do Equador, similares aos Estados no Brasil. Dentre as 24 Províncias 5 são costeiras: as citadas Guayas, Manabí e Santa Elena, além de Esmeraldas e El Oro.

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Imagem 1 Ministro Hidalgo e presidente Moreno no lançamento da concorrência do Tren Playero” (Fonte): https://www.obraspublicas.gob.ec/wp-content/uploads/2019/05/Presidente-Lenin-Moreno-y-ministro-Aurelio-Hidalgo-en-el-lanzamiento-del-Tren-Playero-Daule-Posorja..jpg

Imagem 2 Banner da convocatória do Tren Playero” (Fonte): https://www.obraspublicas.gob.ec/wp-content/uploads/2019/05/BANNER_Tren_Playero_MTOP_SLIDE_3.png

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Colômbia inaugura 1º centro latino-americano da indústria 4.0

Foi inaugurado em 30 de abril de 2019 o Centro para a Quarta Revolução Industrial (em inglês, Center for Fourth Industrial Revolution, ou C4IR), na cidade de Medellín, com a presença de Ivan Duque, Presidente da Colômbia. A primeira instituição latino-americana dessa natureza trabalhará em projetos relacionados a Inteligência Artificial, internet das coisas, robótica, cidades inteligentes, aprendizagem automática e blockchain

O Presidente havia proposto, em 2018, abrigar o primeiro centro em país de língua espanhola. Em janeiro de 2019, a ideia foi acatada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, e o anúncio foi feito pelo próprio mandatário colombiano, em conferência de imprensa realizada no evento, em 23 de janeiro de 2019.

O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum, ou WEF, em inglês) é uma organização internacional, sem fins lucrativos, criada em 1971, com sede em Genebra, Suiça, e busca engajar políticos, empresários e lideranças para elaboração de agenda global, local e industrial. O WEF se autodenomina como uma instituição “independente, imparcial e não vinculada a interesse específico”. As críticas ao WEF fizeram nascer o Fórum Social Mundial, como um contraponto de ideias e o slogan “um outro mundo é possível”.

Os Centros para a Quarta Revolução Industrial (C4IR) são espaços que reúnem diversos stakeholders para elaborarem políticas e estabelecerem acordos de colaboração que permitam superar entraves e acelerar os benefícios da ciência e da tecnologia. O primeiro C4IR foi estabelecido em março de 2017, em San Francisco, Estados Unidos; em 2018 foi a vez da Índia, China e Japão. Em 2019 foram abertas as unidades dos Emirados Árabes Unidos (28 de abril), da Colômbia (30 de abril) e a rede de C4IRs em breve contará com unidades na África do Sul e Israel.

Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google

Duque, que tem buscado colocar seu país na vanguarda da indústria 4.0, ou  quarta revolução industrial, esteve nos Estados Unidos, nos dias 8 e 9 de maio de 2019,  onde cumpriu agenda de visitas a  megaempresas da área tecnológica. No primeiro dia, no Vale do Silício, ele esteve acompanhado de 14 empreendedores colombianos que tiveram a oportunidade de apresentar seus negócios e casos de sucesso. A aceleradora de empreendimentos 500 Startups interessou-se em apoiar os jovens empresários.

A Apple manifestou interesse em participar do C4IR de Medellín, apoiar na área de educação e em políticas ambientais. Com a Cisco foi assinado um acordo para modernização das instituições públicas, dentre outras coisas. Ivan Duque pediu à Google apoio para estender o acesso à internet a lugares remotos e que identificasse empreendedores nativos que possam colaborar no trabalho.

Segundo ele, a Microsoft prometeu investir quase 10 bilhões de pesos (cerca de 12 milhões de reais à taxa de 10 de maio de 2019) em conectividade para atender em torno de 150 mil pessoas, cujo acesso à tecnologia é precário. Na Amazon, o Presidente encontrou colombianos que trabalham na empresa e iniciou conversações para o estabelecimento de uma parceria.

Em Medellín já existe o centro de inovações e negócios Ruta N, em cujo complexo está também sediado o C4IR e, além disso, funciona em Bogotá o Innpulsa, instituição de gestão do crescimento empresarial do governo federal.  Embora criada em 2012, na gestão de Juan Manuel Santos, antecessor de Duque, a organização tem como objetivos atuais levar a Colômbia a ser uma das 3 economias mais inovadoras até 2025, e uma das mais competitivas da América Latina até 2032.

Além das instituições existentes no país e dos investimentos que estão sendo feitos, Ivan Duque aposta na indústria criativa, também conhecida como economia laranja. Duque é coautor do manual “A Economia Laranja: uma oportunidade infinita”, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e disponível para download em quatro idiomas. Ao final das visitas ele declarou que tem como meta que a Colômbia seja vista como protagonista na América Latina, atraindo investimentos e obtendo êxito no setor tecnológico e de indústrias criativas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Complexo Ruta N, onde funciona o C4IR de Medellín” (Fonte): https://www.rutanmedellin.org/images/rutan/edificio/arutan.jpg

Imagem 2 Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google” (Fonte): https://id.presidencia.gov.co/Galeria_Fotografica/190508-Google-1800.jpg

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Peru firma acordo de promoção turística com a Malásia

O Ministério de Relações Exteriores do Peru informou que foi assinado, em abril de 2019, um Memorando de Entendimento (MoU, de Memorandum of Understanding, em inglês) com a Malásia, para promoção turística de ambos os destinos. O acordo faz parte de um conjunto de ações e campanhas que estão sendo empreendidas pelo Governo de Lima para aumentar o ingresso de turistas no país andino.

Para este ano de 2019, o Ministério de Comércio Exterior e Turismo (Mincetur) estima que o país receberá cerca de 4,7 milhões de turistas estrangeiros, ou seja, 9% a mais que no ano de 2018.  A meta do Mincetur é chegar a 5,6 milhões de visitantes internacionais em 2021, o que representaria um ingresso de 6 bilhões de dólares (cerca de 23,63 bilhões de reais ao câmbio de 7 de maio de 2019).

Os mais de 1,102 milhão de visitantes recebidos no primeiro trimestre de 2019 reforçam este otimismo, pois, segundo o ministro Edgar Vásquez, houve um incremento de 2,1% sobre igual período de 2018. Setenta por cento dos turistas são oriundos de doze países: Alemanha, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Equador, EUA, França e Holanda. Na estatística por bloco, os parceiros do Peru na Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia e México) apresentaram aumento de 4% e somaram pouco mais de 39% dos desembarques.

No período de 17 a 20 de maio de 2019, quando ocorrerá o Peru Travel Mart, maior evento de turismo  do país, cerca de 70 empresários turísticos do Canadá, Chile, Colômbia, EUA, França e México visitarão destinos tradicionais e novos de nove regiões. De acordo com estudos da Comissão de Promoção do Peru para Exportação e Turismo (Promperú) o turismo cultural é o objetivo de 90% dos viajantes que chegam e as regiões mais visitadas são: 1) Lima (onde fica a capital) com 100%; 2) Cuzco (onde ficam Cuzco e Machu Picchu) com 85% e; 3) Puno (onde ficam Puno e o Lago Titicaca) com 31%.

Imagem da campanha Peru, o país mais rico do mundo

Análises de marca país, tais como a Nation Brands 2018, da empresa de consultoria Brand Finance, mostram o Peru como 6º colocado dentre os latino-americanos, já o Country Brand Report 2017-2018 coloca os peruanos em 5º lugar. No quesito segurança e ausência de conflitos, analisado pelo Global Peace Index 2018, a 74ª posição no ranking mundial de 163 nações, é muito melhor que a da Colômbia (145ª), que  inclusive já foi objeto de Nota Analítica no Ceiri News.

A Organização Mundial de Turismo da ONU (UNWTO, em inglês) divulgou em janeiro de 2019 que a chegada de turistas internacionais no mundo aumentou 6% em 2018, alcançando 1,4 bilhão, dois anos antes do previsto, que era 2020. As médias por região foram: Américas (3%); África (7%); Ásia-Pacífico (6%); Europa (6%) e Oriente Médio (10%). O Anexo Estatístico da publicação Barômetro do Turismo Mundial da UNWTO mostra, com base em 2017, que a Malásia recebeu 6 vezes mais visitantes e mais receita que o Peru.

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, em inglês) informa em relatório por país que pode ser solicitado no site que os impactos, tanto direto, quanto indireto e total, do segmento de turismo no PIB do Peru são maiores que dos setores automotivo, químico e bancário. Quanto à geração de empregos, o turismo só perde para a construção, o varejo e o agronegócio. O WTCC estima que na próxima década o setor de turismo peruano crescerá a uma taxa anual de 5,5%, mais que os 3,8% de média da economia nacional como um todo e somente superada pelos 5,7% do setor financeiro.

Conforme se pode observar, os peruanos estão apostando no futuro promissor deste mercado. Além disso, ao assinar o MoU com a Malaysian Association of Tour and Travel Agents (MATTA), que representa mais de 3.400 agentes de viagens malaios, o Peru pode se beneficiar de duas formas: fazendo benchmarking com um destino turístico que está entre os Top 15 em número de turistas estrangeiros recebidos e Top 20 em volume de receita em dólares; e atrair turistas de um país que está entre os 30 que mais gastam com viagens e turismo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Representantes do Peru e da Malásia na assinatura do MoU” (Fonte): https://cdn.www.gob.pe/uploads/document/file/308606/standard_matta_canatur_mou2.jpg

Imagem 2 Imagem da campanha Peru, o país mais rico do mundo” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/35240226_1751408928285161_4582436990493917184_n.jpg?_nc_cat=102&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=45461dc3b20d9e2e1239f4b4572d9e2c&oe=5D368329

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Chile estreita relações com a China

Sebastián Piñera, Presidente do Chile, esteve em visita à China de 24 a 28 de abril de 2019, onde firmou Plano de Ação 2019-2022 com catorze matérias. A pauta incluiu as áreas de política, comércio, ciência, tecnologia, inovação e empreendimento, nas quais ambos ao países aprofundarão a cooperação pelos próximos três anos.

Piñera foi recebido por Xi Jinping, Presidente da China, no Grande Palácio do Povo, onde assinaram o acordo, e  encontrou-se também com o líder do Parlamento Chinês, Li Zhanshu, com quem tratou de intercâmbio de acadêmicos e capacitação de técnicos.  Com o Primeiro-Ministro, Li Keqiang, o diálogo versou sobre relações econômicas e investimentos chineses em transporte, energia e infraestrutura no Chile.

Piñera fala a empresários chineses, em almoço de negócios

A agenda seguinte incluiu diversas atividades, tais como:  visita à Didi, empresa de transporte por aplicativos, que iniciará operação em território chileno ainda em 2019; almoço de negócios com executivos de 16 grandes empresas chinesas, onde se discutiu a ampliação das relações comerciais; reunião com empresas de eletromobilidade, dentre elas a BYD e a Yutong. Entre dezembro de 2018 e março de 2019, as 2 empresas forneceram ao Governo Chileno um total de 200 ônibus 100% elétricos, a maior frota da América Latina, e que torna o Chile, depois da China, o país com mais ônibus elétricos em circulação.

Em 25 de abril, em um fórum de investimentos e inovação, Piñera declarou que deseja fazer do Chile uma porta de entrada para que empresas chinesas alcancem todo o continente latino-americano. E foi o único Chefe de Estado da América Latina a participar do II Fórum Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional (26 de abril). Ele também inaugurou um evento de promoção de vinhos na capital, Pequim, no dia 25. O país asiático tornou-se o principal destino do produto chileno depois que o volume importado se ampliou de 200 mil caixas em 2006 para 8 milhões em 2018.

A relação sino-chilena, que completará 50 anos em 2020, tem alguns marcos importantes: o Chile foi o primeiro país sul-americano a estabelecer laços diplomáticos com Pequim, em 1970, e o primeiro na América Latina a estabelecer acordo bilateral e reconhecer o status de economia de mercado da China, quando do seu ingresso na OMC. Em 2005 foi assinado o primeiro Tratado de Livre Comércio, nas gestões de Ricardo Lagos (Chile) e Hu Jintao (China).

Piñera, único Chefe de Estado da América Latina no II Fórum do Cinturão e Rota

Os laços têm sido reforçados nestes últimos treze anos em que Michele Bachelet e Sebastián Piñera tem se alternado no Governo chileno. Na primeira visita de Xi Jinping ao Chile, em 2016, ele e Bachelet elevaram a relação para uma parceria estratégica abrangente, que já vinha sendo gestada desde 2013, com Piñera. O comércio foi multiplicado sete vezes de 2006 a 2018 e, atualmente, a China é o destino de 28% das exportações do Chile, e seu principal parceiro comercial. A parceria extrapola o campo do comércio e, em 2018, uma frota naval chinesa visitou o país andino, onde realizou exercícios militares com a Armada chilena.

Recentemente, em início de abril de 2019, esta união foi criticada pelo Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que também criticou a presença chinesa na América Latina. Piñera declarou em Pequim que cada país tem o sistema político que deseja, mas o que importa neste caso é que Chile e China estão buscando ações pragmáticas que gerem benefícios a ambos os povos. Este giro pela Ásia incluiu uma visita à Coreia do Sul, no domingo (28 de abril), com retorno a Santiago na segunda-feira (29).

Pesquisa recente elaborada pela empresa chilena Cadem, com chilenos que tem conhecimento da guerra comercial entre EUA e China, apresentou os seguintes resultados: mais da metade dos chilenos (51%) acredita que o Chile deve estreitar a relação com os chineses, 25% entende que deve ser com os EUA e 15% com ambos. Os respondentes também reconhecem que é a China (60%) e não os EUA (33%) o principal parceiro comercial do seu país. No que se refere à boa imagem dos aliados, a China obteve 77% versus 61% de adesão aos norte-americanos e Xi Jinping tem mais que o dobro (61%) de Trump (30%).

A pesquisa de 24 de abril de 2019, denominada Estudo 275, avaliou também o desempenho do Gabinete do Governo Piñera com 48% de desaprovação e apenas 31% de aprovação. No comando da nação que recentemente foi indicada pela Forbes como “o melhor país da América Latina para fazer negócios em 2019”, e pela ONU como “o país mais feliz da América do Sul”, Sebastián Piñera parece estar fazendo uma opção que atraia mais investimentos para o Chile e melhore a avaliação do seu governo.

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Imagem 1 Piñera é recebido no Grande Palácio do Povo, por Xi Jinping” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim7371_653x431.png

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