AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador recebe empréstimo de 900 milhões de dólares da China

O Governo do Equador anunciou no último dia 12 de dezembro, quarta-feira passada, a obtenção de um crédito de $ 900 milhões de dólares, junto à China, aproximadamente 3,53 bilhões de reais,conforme a cotação do dia 17 de dezembro de 2018. Por meio da conta oficial da Presidência no twitter, o Executivo informou que este empréstimo, obtido com a “taxa de juros mais baixa da história”,  foi o principal benefício econômico-financeiro da visita oficial ao país asiático, que faz parte de uma agenda de visitas que inclui também o Catar e a Espanha.

https://twitter.com/ComunicacionEc/status/1072971504718094338

Segundo matéria publicada, em 2013, no periódico equatoriano La Hora, o país já se encontrava em posição de dependência do financiamento chinês, que acumulava, de 2005 a 2011, um montante de 7,254 milhões de dólares(em torno de 28,41 milhões de reais, também de acordo com a cotação do dia 17de dezembro), mais de 45 vezes o valor recebido do Banco Mundial e quase o triplo do obtido junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no mesmo período. Ainda segundo o La Hora, o Equador ocupava o posto de 4º maior tomador de empréstimo chinês no continente, superado por Venezuela, Argentina e Brasil.

Analistas criticavam a situação, na época, afirmando que: a) tratava-se de uma estratégia de disputa de espaço na região, por parte da China, em relação aos Estados Unidos; b) havia desvantagens para o Equador, que deixava de diversificar suas fontes de financiamento, em troca de uma relação assimétrica;c) os chineses tinham maior poder de decisão, o que resultava, dentre outras coisas, na reduzida contratação de empresas locais. 

O presidente Correa justificava que os empréstimos se davam a longo prazo, com a exigência de contrapartida em petróleo e não do que ele classificou de “sacrifícios horrendos” exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o analista e professor da Universidade de São Francisco de Quito, Pedro Romero, a preferência pela China era coerente com a diretriz correista de não depender das instituições de crédito multilaterais tradicionais.

Chegada do presidente Moreno à China

Os empréstimos contraídos na década passada dessa maneira tornaram-se mais difíceis de serem quitados, por conta da queda nos preços do petróleo, por isso a dívida do Equador com a China atinge hoje a cifra de $ 6,5 bilhões de dólares (em torno de 25,46 bilhões de reais, na mesma cotação), levando o atual Presidente, Lenín Moreno, a buscar solução para o problema, cogitando inclusive o financiamento por parte das instituições que Correa evitava.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), a Chancelaria equatoriana informou que a taxa de juros a ser aplicada pelo Banco de Desenvolvimento da China é de 6,5%em um período de 6 anos, com até 2 anos de carência. Moreno obteve ainda, com os chineses, um valor de $ 69,3 milhões de dólares para reconstrução e US$ 30 milhões, a título de assistência não reembolsável, respectivamente, próximos de 271,39 milhões de reais e 117,45 milhões de reais,na mesma cotação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assinatura do termo de empréstimo ChinaEquador”(Fonte Facebook da Presidência do Equador): https://scontent.fbsb8-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/48174604_2257828417563010_3223151760537288704_n.jpg?_nc_cat=101&_nc_ht=scontent.fbsb8-1.fna&oh=aae425f260911d770fce9ff354c913f7&oe=5C90F4DC

Imagem 2 Chegada do presidente Moreno à China”(Fonte Facebook da Presidência): https://scontent.fbsb8-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/48356368_2255302084482310_2683276497438900224_n.jpg?_nc_cat=107&_nc_ht=scontent.fbsb8-2.fna&oh=211ee6e033748f70c591c91835605d39&oe=5CA7EDC5

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Aladi promoverá rodada de negócios entre países membros

A Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) realizará de 17 a 19 de outubro de 2018 a Expo Aladi 2018, em Lima, capital do Peru. A macro-rodada de negócios multissetorial está sendo organizada juntamente com a Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e Turismo (Promperú) e abrangerá os seguintes setores: alimentos e bebidas processados; autopeças; couro e derivados; materiais elétricos, máquinas e implementos agrícolas;  produtos farmacêuticos, químicos e plásticos; têxteis, confecções e calçados; serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

Esta será a 5ª edição do evento, que tem como objetivo fomentar e ampliar o comércio entre os 13 países membros, potencializando, sobretudo, a participação das pequenas e microempresas, favorecendo a integração regional. As rodadas anteriores foram realizadas no Uruguai (2014), Argentina (2015), México (2016) e Bolívia (2017), totalizando mais de 2.200 participações de empresas e intenções de negócios em volume superior a 730 milhões de dólares.

Marca da Expo Aladi-Peru 2018

A Aladi foi criada em 1980 para substituir a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc), com uma proposta de integração mais flexível que possibilite atingir, no longo prazo, o objetivo não atingido pela sua antecessora de conformar um mercado comum latino-americano.  Atualmente, o bloco integra quase 600 milhões de habitantes, dos seguintes países: Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colombia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Em maio de 2017, o ex-embaixador brasileiro Rubens Barbosa compartilhou em artigo publicado no jornal Estadão os desafios debatidos em reunião da Aladi para se obter reais avanços na integração. Na sua opinião, o Secretário-Geral da organização, Carlos Álvarez, que era um político argentino prestes a concluir seu mandato, deveria ser substituído por alguém com perfil técnico que facilitasse superar os obstáculos. Com efeito, foi designado, em setembro de 2017, Alejandro de la Peña Navarrete, diplomata mexicano, com sólida experiência em negociações internacionais no âmbito da OMC e da própria Aladi.

A Expo Aladi 2018 será a segunda rodada na gestão de la Peña, cujo mandato expirará em 2020. Em 2016, ainda na gestão Álvarez, o evento já contou com a participação da Aliança do Pacífico, da Comunidade Andina, do Mercosul e da Secretaria de Integração Econômica Centro-Americana (Sieca). Para este ano de 2018, o atual Secretário-Geral convida os demais países centro-americanos e do Caribe, que ainda não integram o bloco, a participar da Expo Aladi 2018 a fim de contribuir para o conhecimento recíproco e a materialização da ideia de unidade latino-americana e caribenha.

 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Lançamento da Expo AladiPeru 2018” (Fonte):

http://www.aladi.org/boletin/portugues/2018/EneroAbril/Images/actividades02foto1.jpg

Imagem 2 Marca da Expo AladiPeru 2018” (Fonte):

http://www.expoaladi.org/images/2018-logo-ExpoAladi.png

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Peru descobre vasta reserva de lítio

Em julho de 2018, a direção da empresa Macusani Yellowcake anunciou a descoberta de 2,5 milhões de toneladas de lítio nos depósitos explorados pela mineradora na região de Puno, sul do Peru, próxima à fronteira com a Bolívia. O Governo peruano recebeu com entusiasmo a notícia e trabalha na elaboração do marco legal de exploração do metal.

Fronteira Peru-Bolívia

De acordo com a Revista Electricidad, do Chile, entre 2020 e 2025 terá início um boom na demanda mundial de lítio, com aumento de 60%. Este aumento está relacionado sobretudo ao setor de mobilidade, uma vez que estudos apontam para um futuro com predominância de veículos elétricos, os quais deverão utilizar baterias de hidróxido de lítio. Essa crescente valorização faz com que o metal já seja conhecido como “a nova gasolina” e também como o “petróleo branco”.

De olho neste mercado futuro, a Argentina e o Chile iniciaram cooperação visando a extração sustentável do mineral, sem causar danos ao meio ambiente, na região de fronteira dos dois países com a Bolívia, conhecida como “triângulo do lítio” e “Arábia Saudita do lítio”, por reunirem 60% das reservas mundiais conhecidas. O governo de Evo Morales, que por um tempo preferia que a exploração fosse feita pelo próprio Estado, terminou por reconhecer as limitações técnicas e optou por uma parceria com a Alemanha, mas com controle de 51% pela Bolívia e produção de baterias naquele país.

Até 2019, a Macusani Yellowcake concluirá estudos para determinar com precisão o volume das reservas peruanas e apresentará estudos de impacto ambiental. A mineração é conhecida por gerar poluição do solo, bem como poluição e redução do volume de água utilizada pelos habitantes do entorno. A descoberta do que pode vir a ser a maior mina de lítio do mundo, em um sítio pré-histórico e de população pobre, coloca o Governo do Peru diante de um desafio: garantir que a exploração possa gerar benefícios para a sociedade, de modo sustentável e com transparência. 

Os escândalos de corrupção que resultaram na renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK), em março (2018), e de diversos membros do Poder Judiciário, em julho (2018), abalaram sobremaneira a confiança do povo peruano e caberá a Martin Vizcarra, atual Presidente do Peru, aproveitar este momento em que a taxa de aprovação da sua gestão experimentou em meados de agosto uma reversão no declínio, pela primeira vez desde sua posse, e resgatar a credibilidade do Governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exploração de lítio em Puno, Peru” (Fonte):

https://portal.andina.pe/EDPfotografia3/Thumbnail/2018/07/16/000518533W.jpg

Imagem 2 Fronteira PeruBolívia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fronteira_Bol%C3%ADvia-Peru#/media/File:Lago_titicaca_001.png

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Forças Armadas do Equador recebem mulheres para serviço voluntário pela primeira vez

No dia 4 de agosto de 2018, centenas de equatorianas maiores de 18 anos compareceram às instalações das Forças Armadas do Equador para se alistarem para o serviço militar pela primeira vez. Neste primeiro momento, o projeto piloto irá acolher 199 cidadãs, para prestação do serviço voluntário por 12 meses, em quartéis localizados na capital, Quito, e nas cidades de Cuenca, Guayaquil e Manta.

Mulher em treinamento no Exército Equatoriano

Por ocasião das comemorações dos 189 anos do Exército Equatoriano, em fevereiro de 2018, o presidente Lenín Moreno anunciou o plano para aumentar a presença feminina nas corporações militares. Segundo informação divulgada pelo Comando Conjunto das Forças Armadas do país andino, as 199 vagas estão assim distribuídas: a) Exército com 150 vagas alocadas  igualmente em Quito, Cuenca e Guayaquil; b) Marinha com 25 em Guayaquil e; c)  Força Aérea com 24 em Manta, na Província de Manabí.

De acordo com a última versão (2016) do Atlas Comparativo da Defesa na América Latina e Caribe  do think tank Red de Seguridad y Defensa de América Latina (Resdal), os quatro países latino-americanos com maiores percentuais de mulheres nas forças armadas são:  República Dominicana (21,76%), Venezuela (21%), Uruguai (18,02%) e Argentina (17,01%). Costa Rica, Haiti e Panamá são analisados separadamente na publicação, por serem países que não possuem Forças Armadas, por determinação constitucional, embora tenham serviços de polícia nacional, vigilância aérea e guarda-costeira. 

Segundo os dados do Atlas, o Equador é o penúltimo no ranking da região em percentual de presença feminina no conjunto das três armas (2,90%), acima apenas da Bolívia (1,95%). No país, as cerca de 1.400 mulheres exercem atividades especializadas, o serviço militar não é obrigatório e o alistamento voluntário era direcionado somente aos homens, razão pela qual o Ministério da Defesa  considerou a mudança como um fato histórico. Com esta medida, a prestação do serviço voluntário temporário abrirá vagas duas vezes no ano, março e agosto, e ampliará gradativamente o número de mulheres. Desta forma, o Governo estará realizando o serviço militar voluntário “no marco do respeito à diversidade e aos direitos” e garantindo que as pessoas “não serão discriminadas”, conforme preconizado nos Artigos 160 e 161 da Constituição da República do Equador.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Equatorianas se apresentam para o serviço militar voluntário” (Fonte):

https://www.defensa.gob.ec/wp-content/uploads/2018/08/WhatsApp-Image-2018-08-04-at-3.31.43-PM-768×512.jpeg

Imagem 2 Mulher em treinamento no Exército Equatoriano” (Fonte):

https://www.defensa.gob.ec/wp-content/uploads/2018/08/MUJER-DEFENSA-35-768×512.jpg

                                                                                             

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Bolívia exerce protagonismo para impulsionar projeto do trem bioceânico

Nos dias 30 e 31 de julho de 2018, autoridades brasileiras e bolivianas estiveram reunidas em Corumbá (MS) para acertar detalhes do projeto de trem bioceânico. Reunião similar foi mantida com o Peru no início de julho para impulsionar as obras deste ambicioso plano de interconexão ferroviária sul-americano. Evo Morales, Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, está pessoalmente empenhado na efetivação do Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração (CFBI).

Traçado do Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração

A ideia da integração física na América do Sul vem sendo debatida desde os anos 90, pelo menos, e uma das primeiras tentativas de estruturar planos com essa finalidade foi a criação da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), no ano 2000, conduzida por um Comitê de Direção Executiva. Em 2011, a IIRSA foi incorporada à Unasul e passou a ser gerida pelo Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), criado em 2009 e formado por Ministros de Estado das nações membros do Bloco.

O termo Corredor Bioceânico tem sido utilizado para identificar diversas ideias de rodovias e de ferrovias que atravessam a região e unem os dois Oceanos, Atlântico e Pacífico. Uma empresa privada apresentou, em 2009, uma solução de linha férrea denominada Corredor Bioceânico Aconcágua que uniria os países do Cone Sul, mas a iniciativa não prosperou e tudo indica ter sido abandonada.  Para escolher o percurso rodoviário, dirigentes de empresas de transportes e logística do Brasil fizeram uma expedição do Mato Grosso ao litoral chileno, indo pela Bolívia e voltando por Argentina e Paraguai. Ao final, a rota definida pelo governo e pelos empresários brasileiros foi a que liga Campo Grande aos portos na região de Iquique e Antofagasta, no Chile, atravessando somente o Paraguai e a Argentina. Da capital sul-mato-grossense o corredor se conecta ao porto brasileiro de Santos por rodovia pré-existente.

O CFBI encurta distâncias

Para o trajeto ferroviário, a primeira opção, incentivada pela China, interligava apenas o Peru ao Brasil, contornando o território boliviano, sem adentrar no país. Evo Morales, com apoio do então Presidente peruano, Pedro Pablo Kuczysnki (PPK), conseguiu aprovar a rota atual, que perpassa cidades bolivianas, sobretudo com dois argumentos: 1) ao contrário do anterior, que era um arco de 5 mil km, ao custo de 50 bilhões de dólares, o trajeto que corta a Bolívia é uma “reta que liga dois pontos” sendo 25% mais curto e custo estimado em 14 bilhões de dólares; 2) a ferrovia em arco acarretaria, principalmente para o Brasil, maior gasto financeiro e dano ambiental para transpassar a selva amazônica. Além disso, esta rota é de grande interesse para a Bolívia, que, desde 2013, reivindica junto à Corte Internacional de Justiça uma saída para o mar pelo território chileno. 

Os 3.755 km do Corredor Ferroviário unem o Porto de Santos ao Porto de Ilo, no Peru, abrangendo Brasil, Bolívia e Peru, e o Governo de La Paz conseguiu convencer o Chile, o Paraguai e o Uruguai a realizarem estudos de viabilidade para interligar linhas férreas e hidrovias ao eixo principal. O projeto, originalmente chamado de Corredor Ferroviário Bioceânico Central (CFBC), passou então a ser denominado de Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração (CFBI) pela nova perspectiva de inclusão. O Parlamento do Mercosul (Parlasul) manifestou apoio em novembro de 2017 e acenou com a  possibilidade de financiamento pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM). Por sua vez, o Cosiplan da Unasul, reunido em Buenos Aires, em dezembro de 2017, emitiu declaração especial de compromisso em consolidar o CFBI.

O representante boliviano nas reuniões operacionais é Milton Claros, Ministro de Obras Públicas, Serviços e Habitação que informou em junho (2018), em entrevista à Red Uno da Bolívia, que cerca de 90% da via está construída. Ele explicou que todo o trecho brasileiro até a fronteira já existia, embora necessite obras de reforço para suportar o trânsito de cargas mais pesadas. Portanto, dos 3.775 km o que falta construir de fato são 400 km na Bolívia e 340 km no Peru para consolidar o projeto que estima estar pronto em um horizonte de cinco anos. O Governo boliviano conseguiu atrair a atenção da Alemanha, Espanha, Reino Unido, Rússia e Suíça e de outros parceiros europeus, os quais tem interesse em participar das obras, seja oferecendo assistência técnica, financiamento ou parceria público-privada.

Hoje em dia, uma carga despachada no Porto de Santos para a China, pelo tradicional roteiro via Canal do Panamá, leva 67 dias, mas se for embarcada no Peru serão apenas 38 dias. Esse diferencial levou Evo Morales a afirmar enfaticamente que o trem bioceânico é o “Canal do Panamá do Século XXI” e utilizá-lo como ferramenta estratégica para agregar os países vizinhos em prol de um objetivo integracionista. A Unasul sofre com o afastamento de alguns Estados-partes, precedida por forte dissensão que impediu até mesmo o consenso para indicar um Secretário-Geral, posto que permanece vago até o momento (Julho/2018).

Ao assumir a Presidência Pró-Tempore (PPT) da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em abril (2018), o mandatário boliviano imprimiu ainda mais energia para deslanchar o CFBI. A vacância do cargo de Secretário-Geral da instituição tem deixado mais espaço para a sua atuação. A estratégia de Morales vem obtendo êxito em reunir pelo menos 7 dos 12 Estados-parte em torno de uma proposta de interesse comum que beneficia a todos: 1) o trem bioceânico abre uma “porta” ao Oceano Pacífico para os países banhados pelo Atlântico (Argentina, Brasil e Uruguai); 2) propicia uma saída ao Atlântico para as nações do Pacífico (Chile e Peru); 3) Bolívia e Paraguai, os únicos sem litoral marítimo, ganham saída para 2 oceanos. Para se ter uma ideia do que isso representa, ao exportar produtos para a costa leste da América do Norte, para o Caribe, a Europa e a África a partir de um porto no Atlântico encurtam-se distâncias e reduzem-se custos de transporte. O embarque desde o Pacífico traz os mesmos benefícios se o destino for a costa oeste americana, Ásia e Oceania. A existência do corredor ferroviário oferece a todos a possibilidade de escolher o oceano de embarque de acordo com a sua conveniência.

Reuniões têm sido realizadas sistematicamente com os envolvidos para ajustar questões relativas à facilitação dos trâmites aduaneiros, regras de imigração e a implantação de fluxo de trem de passageiros na mesma linha, visando impulsionar o turismo. Evo Morales tem enfatizado que deseja trens de alta velocidade que desenvolvam 300 a 350 km por hora. Se conseguir este objetivo, o CFBI, além de se firmar como via principal bioceânica ferroviária, poderá se tornar mais rápido que o corredor rodoviário. Dessa maneira, além de aumentar as chances de reintegrar a Unasul, o Presidente boliviano reduz a dependência do seu país em relação aos portos do Chile e, qualquer que seja o resultado da contenda com aquele país no âmbito da Corte Internacional de Justiça, ele já garante saída rápida por dois oceanos para escoamento dos produtos “Made in Bolívia”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/25507639_1766421566711053_2525029477731225850_n.jpg?_nc_cat=0&oh=b412c9e06c4f3a55334082f7c35159e7&oe=5BD922C3

Imagem 2 Traçado do Corredor Ferroviário Bioceânico de Integração” (Fonte):

https://3.bp.blogspot.com/-8fojW7znMug/WxGxL11f5tI/AAAAAAAAHj4/__2rq6aHxfsKuIiHt6ryQRCJtf6tNT8HQCEwYBhgL/s400/corredor.png

Imagem 3 O CFBI encurta distâncias” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/37872821_2026947833991757_2786814110107435008_n.jpg?_nc_cat=0&oh=a41f8339d6d9fb30f42b113d14ec6c21&oe=5BD1A101

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Oleoduto equatoriano ajuda a escoar produção de petróleo da Colômbia

O Oleoducto de Crudos Pesados (OCP) equatoriano tem servido, desde 2013, como rota de escoamento de petróleo cru colombiano para outros países. O OCP interliga o Terminal Amazonas na cidade de Nueva Loja, capital do Cantão Lago Agrio, na Província de Sucumbíos, ao Terminal Marítimo de Punta Gorda, na cidade de Esmeraldas, capital do Cantão e Província de mesmo nome*.

O litoral colombiano tem 3.208km distribuídos nos Oceanos Atlântico (1.760km) e Pacífico (1.448km), enquanto a faixa litorânea equatoriana tem 2.237km, exclusivamente no Pacífico, e a Colômbia tem mais portos que o Equador, portanto, a oferta de embarcadouros não é a razão da escolha deste país como rota. Também não é por falta de oleoduto em direção ao mar, porque o Oleoducto Trasandino (OTA), com cerca de 314km, parte da região amazônica colombiana até o porto de Tumaco, no Pacífico, enquanto o OCP tem 485km de extensão desde a Amazônia equatoriana até a costa do mesmo Oceano no Equador.

A exploração de petróleo na região do Parque Nacional Yasuní** é contestada desde 2007 e, em razão da capacidade ociosa do oleoduto, a empresa proprietária, OCP Ecuador, passou a buscar opções fora do país. Um Acordo Binacional, firmado em fevereiro de 2013, garantiu a legalidade aduaneira do transporte transfronteiriço e permitiu a criação de rota alternativa de escoamento do petróleo. As operações iniciaram em abril de  2013, com empresas petrolíferas das Províncias de Putumayo e Nariño, no sul da Colômbia, por meio da interconexão de oleodutos. 

Em junho de 2015, um atentado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ao OTA danificou o equipamento, além de ter causado “o maior dano ambiental da década no país. O escoamento por território colombiano passou a representar risco de perdas e prejuízos e, a partir de setembro de 2015, a OCP Ecuador passou a receber o petróleo da nação vizinha no seu Terminal Amazonas, entregue também por carros-tanque.

O Acordo de Paz assinado entre o Governo de Bogotá e as FARC, em 2016, não foi suficiente para solucionar o problema. O oleoduto sofreu nova investida terrorista, desta vez de uma facção do Exército de Libertação Nacional (ELN), em novembro de 2016. Por ocasião de mais uma ação criminosa de ruptura da tubulação, em abril de 2018 o periódico colombiano La República noticiou que os oleodutos do país haviam sofrido mais de 60 ataques em 2017. Um mês depois, o diário El Tiempo contabilizou nove ocorrências, somente contra o OTA, no período de janeiro a maio de 2018.

A insegurança que ronda o equipamento colombiano gerou ainda mais oportunidades para o similar equatoriano, pois, embora o narcoterrorismo já tenha se expandido para a faixa fronteiriça entre os dois países, o trajeto do Oleoduto em direção ao mar se afasta mais dessa região. A OCP Ecuador investiu em novas tecnologias e conseguiu, a partir de fevereiro de 2017, iniciar o transporte não só de petróleo cru do tipo pesado como também do tipo leve, atendendo uma demanda de clientes deste tipo de produto.

Desde final de 2015, a OCP transporta inclusive óleo cru da empresa dona do OTA,  uma sociedade anônima colombiana de economia mista e controle estatal denominada Ecopetrol S.A.. Enquanto a Colômbia aumenta os volumes exportados para os Estados Unidos, superando a Venezuela, a empresa proprietária do Oleoducto de Crudos Pesados, que mantém 11 convênios e acumula mais de 15 milhões de barris transportados, comemora o aumento das operações de transporte e embarque do “ouro negro” colombiano.

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Nota:

* Os cantões, em número de 221, são o 2º nível de divisão administrativa do Equador, logo abaixo das 21 províncias.

** Na floresta do Equador.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trajeto do Oleoduto de Crus Pesados (OCP)” (Fonte):

http://ocpecuador.com/sites/default/files/public/images/perfil-ocp-2013-con_valvulas.jpg

Imagem 2 Tubulação do Oleoduto de Crus Pesados (OCP)” (Fonte):

http://ocpecuador.com/sites/default/files/public/images/dia_3_3.jpg