NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Uma em cada quatro unidades de saúde em todo o mundo carece de serviços básicos de água

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, sigla em inglês) lançaram o relatório “Água, saneamento e higiene nos centros de atenção da saúde”.

Este informe indica que uma em cada quatro unidades de saúde em todo o mundo carece de serviços básicos de água, impactando em mais de 2 bilhões de pessoas. Esses serviços são essenciais para prevenir infecções e fornecer cuidados de qualidade, particularmente para o parto seguro. Estima-se, ainda, que 1 em cada 5 nascimentos ocorre globalmente nos países menos desenvolvidos e que, a cada ano, 17 milhões de mulheres nesses países dão à luz em centros de saúde com água, saneamento e higiene inadequados.

Hospital Al Rantisi, em Gaza. Possíveis vítimas dessa situação incluem recém-nascidos e crianças que dependem de incubadoras

Os pesquisadores da OMS e UNICEF indicam que mais de 1 milhão de mortes por ano estão associadas a nascimentos em centros de saúde sem água potável. As infecções respondem por 26% das mortes neonatais e 11% da mortalidade materna. 

Na Assembleia Mundial da Saúde de 2019, a ser realizada em maio, os governos debaterão uma resolução sobre Água, Saneamento e Higiene nas Instalações de Saúde, que foi unanimemente aprovada pelo Conselho Executivo da OMS no início deste ano (2019).

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Fontes Consultadas:

Imagem 1 Enfermeira prepara uma cama para um paciente com suspeitas de ebola, no Hospital Bwera, na RD Congo” (Fonte): https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/assets/2019/01/03-01-2019-UNICEF-Uganda-Ebola-UN0233859.jpg/image1170x530cropped.jpg

Imagem 2 Hospital Al Rantisi, em Gaza. Possíveis vítimas dessa situação incluem recémnascidos e crianças que dependem de incubadoras” (Fonte): https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/assets/2018/10/25-10-2018_OCHA_GAZA_01.jpg/image560x340cropped.jpg

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICASTecnologia

Amazon versus Amazônia: a disputa pelo domínio “.amazon”

De acordo com nota publicada pelo Itamaraty, o Conselho Diretor da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN) limitou até o dia 7 de abril para que os países da região amazônica e a empresa Amazon cheguem a um acordo sobre o registro do domínio “.amazon”.

Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais estão mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA

Desde 2012, por intermédio do Itamaraty, o Brasil, em coordenação com os demais países amazônicos, opõe-se firmemente à atribuição do “.amazon” à empresa norte-americana Amazon em regime de exclusividade. O argumento brasileiro indica que “devido a sua indissociável relação semântica com a Amazônia, aquele domínio não deve, de modo algum, ser o monopólio de uma empresa”.

O Itamaraty defende ainda que os países da região devem “participar da gestão e uso do domínio, com vistas a defender e promover o patrimônio natural, cultural e simbólico da região amazônica, bem como fomentar a economia regional e a inclusão digital das populações ali residentes”.

.Africa

Em outro caso, no ano de 2017, o domínio “.africa” foi considerado de nível superior continental para uso de organizações, empresas e indivíduos com orientação de agências africanas responsáveis pela governança da internet na região. A campanha por este registro foi liderada por uma empresa sul-africana ZA Central Registry (ZACR), que agora é responsável por registrar os nomes “.africa” e gerencia os registros, podendo distribuí-los a quem solicita, e não apenas a uma empresa que se atribuiria a condição de detentora exclusiva deste domínio.

Mapa Patagônia

Outro exemplo similar foi com relação a empresa de roupas de esportes de inverno Patagônia que solicitou o registro do domínio “.patagonia. A empresa acabou retirando sua candidatura após pressão da Argentina e do Chile que levantaram o temor de que tal ação prejudicaria a região da Patagônia que se estende por parte da América do Sul.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Amazon” (Fonte): https://pixabay.com/illustrations/shop-amazon-mobile-phone-smartphone-1908580/

Imagem 2Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais estão mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia#/media/File:Amazon_rainforest.jpg

Imagem 3 .Africa” (Fonte): https://tech-ish.com/2017/09/12/dotafrica-domains/

Imagem 4 Mapa Patagônia” (Fonte): https://domaingang.com/domain-news/patagonia-inc-rushes-in-last-minute-comments-in-support-of-dot-patagonia/

ANÁLISES DE CONJUNTURASAÚDE

10 Riscos Globais para a Saúde em 2019

O mundo está enfrentando vários desafios relacionados à saúde, desde doenças evitáveis à possibilidade do surgimento de novas pandemias de origem desconhecida. Observando os principais desafios globais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em janeiro de 2019, o seu plano estratégico para os próximos 5 anos (2019-2023). Este documento destaca os 10 riscos globais para a saúde neste ano:

1. Poluição do ar e mudança climática

Em 2019, a poluição do ar é considerada pela OMS como o maior risco ambiental para a saúde. Poluentes microscópicos no ar podem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, danificando os pulmões, coração e cérebro, matando 7 milhões de pessoas todos os anos prematuramente de doenças como câncer, derrames, doenças cardíacas e pulmonares. Cerca de 90% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda, com altos volumes de emissões da indústria, dos transportes e da agricultura, ressalta a OMS.

2. Doenças não transmissíveis

As doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardíacas, são responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo, ou 41 milhões de pessoas. Mais de 85% dessas mortes prematuras ocorrem em países de baixa e média renda. O aumento dessas doenças, ainda de acordo com a OMS, tem sido impulsionado por cinco fatores de risco principais: uso do tabaco, inatividade física, consumo nocivo do álcool, dietas pouco saudáveis e poluição do ar. Esses fatores de risco também acentuam os problemas de saúde mental: metade de todas as enfermidades mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada ou tratada, por sua vez, o suicídio é a segunda causa de morte de jovens entre 15 e 19 anos.

3. Pandemia Global de Gripe

A preocupação com a possibilidade de uma próxima pandemia global de gripe é constante. A OMS monitora a circulação dos vírus da gripe para detectar potenciais pandemias: 153 instituições em 114 países estão envolvidas na vigilância e resposta global. 

4. Contextos frágeis e vulneráveis

Mais de 1,6 bilhão de pessoas (22% da população mundial) vivem em locais onde crises prolongadas (por meio de uma combinação de desafios como seca, fome, conflitos e deslocamento da população) e frágeis serviços de saúde os deixam sem acesso a cuidados básicos. 
Em seu plano estratégico, a OMS indica a necessidade de trabalhar para o fortalecimento dos sistemas de saúde de modo que eles estejam mais preparados para detectar e responder a surtos, bem como para fornecer serviços de saúde de qualidade, incluindo, especialmente, a imunização.

5. Resistência microbiana

O desenvolvimento de antibióticos, antivirais e antimaláricos são alguns dos maiores sucessos da medicina moderna. Agora, a resistência microbiana – a capacidade de bactérias, parasitas, vírus e fungos resistirem aos medicamentos – ameaça nos mandar de volta à uma época em que não conseguíamos tratar facilmente infecções como pneumoniatuberculosegonorreia e salmonelose

Como exemplo, em 2017, cerca de 600 mil casos de tuberculose foram resistentes à rifampicina – droga de primeira linha mais eficaz – e 82% dessas pessoas apresentaram tuberculose multirresistente.

Uma das linhas de trabalho da OMS é a implementação de um plano de ação global para combater a resistência microbiana aumentando a conscientização, o conhecimento e incentivando o uso prudente de antibióticos.

6. Ebola e outros agentes infecciosos de alta ameaça

Em 2018, a República Democrática do Congo vivenciou dois surtos de Ebola no país, os quais se espalharam para cidades com mais de 1 milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas também está em uma zona de conflito.

Plano de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS identifica doenças e agentes infecciosos que têm potencial para causar uma emergência de saúde pública, mas carecem de tratamentos e vacinas eficazes. Esta lista para pesquisa e desenvolvimento prioritários inclui Ebola, várias outras febres hemorrágicas, ZikaNipahcoronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a “doença X”, que representa o conhecimento de que uma grave epidemia internacional poderia ser causada por um agente infeccioso atualmente desconhecido. Por isso, os planos de pesquisa e desenvolvimento buscam explicitamente habilitar, na medida do possível, a preparação transversal que também é relevante para uma “doença X” desconhecida.

Especialistas da OMS indicam que uma nova enfermidade tem a possibilidade de surgir a partir da manipulação de genes, acidente ou até mesmo terrorismo. Há ainda a hipótese de que ela possa ser provocada por uma patologia zoonótica, ou seja, transmitida de animais a seres humanos.

7. Atenção primária à saúde

A atenção primária à saúde é geralmente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com o sistema de saúde e, idealmente, deve fornecer cuidados abrangentes, acessíveis ao longo da vida. 

No entanto, muitos países não possuem instalações de atenção primária adequadas. Essa negligência pode ser por falta de recursos em países de baixa ou média renda, mas, também possivelmente um foco nas últimas décadas em programas para doenças específicas. Em 2019, a OMS pretende trabalhar com parceiros para revitalizar e fortalecer a atenção primária à saúde em diversos países.

8. Recusa em Vacinar

A hesitação na vacinação – a relutância ou a recusa em vacinar apesar da disponibilidade de vacinas – ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis. 

A vacinação é uma das formas mais econômicas de se evitar moléstias. Atualmente, de acordo com a OMS, previne-se 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outros 1,5 milhão poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinas melhorasse.

sarampo, por exemplo, registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo. As razões para esse aumento são complexas, e nem todos esses casos se devem à hesitação. No entanto, alguns países que estavam perto de eliminar a doença viram o ressurgimento dela. 

A título de ilustração, no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, quase metade dos municípios brasileiros em 2018 não atingiram a meta de vacinar 95% das crianças de 1 a 5 anos de idade, mesmo com 11 estados que enfrentaram um grande surto da doença ano passado, totalizando mais de 10.300 casos no país. 

9. Dengue

Uma ameaça crescente há décadas, a dengue, transmitida por mosquito que causa sintomas semelhantes aos da gripe, pode ser letal e matar até 20% das pessoas com dengue grave. 

Estima-se que 40% do mundo está em risco de contrair a doença, e existem cerca de 390 milhões de infecções por ano. A estratégia de controle da dengue da OMS visa reduzir as mortes em 50% até 2020. 

10. HIV

O HIV ainda é uma epidemia global com quase um milhão de pessoas a cada ano morrendo. Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões adquiriram a infecção e cerca de 35 milhões morreram. Hoje, cerca de 37 milhões de indivíduos no mundo vivem com HIV. De acordo com a OMS, alcançar pessoas como profissionais do sexo, pessoas na prisão, homens que fazem sexo com homens* ou pessoas transexuais é um desafio em vários países, pois muitos ainda não estão preparados para estes atendimentos.

Este ano (2019), a OMS trabalhará com diversos governos para apoiar a introdução do auto-teste, para que mais pessoas que vivem com o HIV conheçam seu estado e possam receber tratamento (ou medidas preventivas, no caso de um resultado negativo).

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Nota:
*
No relatório está sendo usada exatamente
esta forma de expressar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Máscara de Gás” (Fonte): https://pixabay.com/pt/m%C3%A1scara-g%C3%A1s-m%C3%A1scara-de-g%C3%A1s-467738/

Imagem 2 “Chaminé de Indústria” (Fonte): https://pixabay.com/pt/fumo-fumar-chamin%C3%A9-lareira-fuma%C3%A7a-258786/

Imagem 3 “Homem fumando e bebendo” (Fonte): https://pixabay.com/pt/homem-fumo-cerveja-trigo-tabagismo-2181478/

Imagem 4 “Vírus” (Fonte): https://pixabay.com/pt/v%C3%ADrus-microsc%C3%B3pio-infec%C3%A7%C3%A3o-doen%C3%A7a-1812092/

Imagem 5 “Contextos Frágeis” (Fonte): https://pixabay.com/pt/pobreza-favela-pobre-%C3%A1frica-do-sul-216527/

Imagem 6 “Antibióticos” (Fonte): https://pixabay.com/pt/dor-de-cabe%C3%A7a-dor-p%C3%ADlulas-medica%C3%A7%C3%A3o-1540220/

Imagem 7 “Isolamento por Ebola” (Fonte): https://pixabay.com/pt/ebola-isolamento-infec%C3%A7%C3%A3o-v%C3%ADrus-549471/

Imagem 8 “Cuidados Básicos” (Fonte): https://pixabay.com/pt/ebola-isolamento-infec%C3%A7%C3%A3o-v%C3%ADrus-549471/

Imagem 9 “Criança sendo vacinada” (Fonte): https://pixabay.com/pt/crian%C3%A7a-paciente-vacina-vacina%C3%A7%C3%A3o-89810/

Imagem 10 “Mosquito da Dengue” (Fonte): https://pixabay.com/pt/mosquito-inseto-dengue-2566773/

Imagem 11 “Vírus da AIDS” (Fonte): https://pixabay.com/pt/hiv-sida-v%C3%ADrus-doen%C3%A7a-sa%C3%BAde-1903373/

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Congressistas dos EUA apresentam projeto de lei sobre Segurança de Saúde Global

O congressista republicano Steve Chabot (Ohio) e o democrata Gerry Connolly (Virgínia), apresentaram no dia 13 de dezembro um Projeto de Lei sobre Segurança da Saúde Global. De acordo com o comunicado de imprensa divulgado, a Lei de Segurança da Saúde Global procura abordar duas questões principais:

  • 1. Atualmente as equipes e atividades de segurança de saúde global dos EUA dependem em grande parte de uma ordem executiva e não especificamente apoiada em lei, 
  • 2. Os EUA precisam de um funcionário designado permanente, responsável pela coordenação da resposta interinstitucional. 

Este Projeto de Lei reforça o compromisso dos EUA com a Agenda Global de Segurança Sanitária, que é uma iniciativa multilateral para fortalecer a capacidade dos países em gerenciar ameaças de doenças infecciosas e elevar a segurança da saúde como uma prioridade mundial. 

Países membros da Agenda Global de Segurança Sanitária

Em seu preâmbulo, o Projeto de Lei apresenta que aproximadamente 67% dos países não implementaram totalmente o Regulamento Sanitário Internacional e não construíram capacidades básicas apropriadas para detectar, avaliar, relatar e responder a emergências de saúde pública.

O deputado Gerry Connolly afirmou quesalvar vidas da próxima pandemia global começa com o investimento na preparação. (…). Como vimos inúmeras vezes, as doenças não respeitam as fronteiras e as crises globais de saúde têm imensas consequências de segurança, econômicas e humanitárias”. 

Por sua vez, o deputado Steve Chabot ressaltou queimplantando as ferramentas para prevenir doenças como a Zika e o Ebola, que chegam aos Estados Unidos, é um componente vital para proteger nossa nação”.

Mapa Ebola pelo Mundo

Tom Inglesby, diretor do Centro Johns Hopkins para a Segurança da Saúde, expressou apoio à proposta: “A Lei de Segurança da Saúde Global fortalece a maneira como os Estados Unidos trabalham para proteger, detectar e responder a grandes epidemias internacionais”, disse Inglesby. “Ajudaria a codificar a Agenda Global de Segurança Sanitária e trazer coordenação aos programas relevantes entre as agências”, complementou. 

O Projeto atende as necessidades da Estratégia Nacional de Biodefesa (ENB) apresentada em setembro de 2018 pelo Presidente Trump. A ENB inclui objetivos comofortalecer as capacidades de segurança sanitária global para prevenir que os bioincidentes locais se tornem epidemias” e “fortalecer a preparação internacional para apoiar as capacidades internacionais de resposta e recuperação”.

Acesse o projeto de lei completo neste link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Saúde Global” (Fonte): https://sole.hsc.wvu.edu/Apps/News/story/global-health-week-at-wvu-health-sciences-to-be-held-sept-25-29/thumb/1200/medium

Imagem 2 Países membros da Agenda Global de Segurança Sanitária” (Fonte): https://www.ghsagenda.org/home

Imagem 3 Mapa Ebola pelo Mundo” (Fonte): http://www.govtech.com/em/health/Study-by-RI-doctors-says-Ebola-response-cost-US-hospitals-some-360-million.html 

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Valor de gastos desnecessários seria suficiente para eliminar a pobreza extrema na A.L. e Caribe

No mês de setembro passado (2018), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou o relatório “Melhores Gastos para Melhores Vidas – Como a América Latina e Caribe podem fazer mais com menos”. O estudo apresenta uma análise do gasto fiscal na região e revela grandes ineficiências e desperdícios que podem chegar a 4,4% do PIB, ou cerca de US$ 220 bilhões (16% do gasto total), aproximadamente R$ 848 bilhões de reais (cotação do dia 7 de outubro de 2018), indicando que há espaço para melhorar os serviços públicos sem a necessidade de aumentar os gastos. Essa quantia seria suficiente para eliminar a pobreza extrema na região. O Chile e o Peru têm a melhor qualidade de gastos, com custos de ineficiências que chegam a 1,8% e 2,5% do PIB, respectivamente.

Foi apresentado que o gasto público atualmente consolidado é de 29,7% do PIB, quase 6 pontos percentuais a mais do que no início da década de 2000. As despesas variam de mais de 35% do PIB na Argentina e Brasil e menos de 20% na República Dominicana e Guatemala.

Dinheiro não nasce em árvore

O aumento dos gastos dos governos dificilmente ajudará a fechar a lacuna de desigualdade na região se as ineficiências na redistribuição não forem corrigidas. Em 16 países latino-americanos, os impostos diretos e as transferências monetárias reduzem a desigualdade em uma média de apenas 4,7%, contra 38% em uma amostra de países desenvolvidos.

Uma redução nos custos excedentes e atrasos nos projetos de infraestrutura financiados pelos governos nos níveis de projetos financiados pelos Bancos multilaterais de desenvolvimento poderia gerar economias em gastos de quase 1,2% do PIB. Isso poderia liberar até US$ 50 bilhões (quase R$ 194 bilhões de reais, na cotação do dia 7 de outubro de 2018) anualmente para investimentos em infraestrutura.

O relatório oferece uma ampla gama de recomendações de políticas específicas. Isso inclui fazer um uso maior da análise de custo-benefício para determinar suas melhores opções orçamentárias, ou a criação de agências dedicadas ao planejamento estratégico que utilizem avaliações rigorosas do impacto dos programas do governo antes de tomar decisões sobre a alocação de recursos.

No campo da educação, o Documento recomenda, entre outras medidas, acompanhar os gastos por aluno, com um aumento nas medidas de responsabilização para reduzir a corrupção, bem como um nível mais elevado de formação de professores, e ajustando o seu salário ao desempenho.

Em relação à segurança pública, destaca que a região apresenta altos níveis de criminalidade, apesar de ter aumentado substancialmente as despesas com policiamento e encarceramento, levando o setor de segurança a absorver 5,4% dos orçamentos fiscais, contra 3,3% nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O relatório também lista melhorias nas áreas de organização e eficiência policial, melhor gerenciamento de programas de prevenção ao crime e maior foco em pontos, pessoas e comportamentos de alto risco.

Finalmente, o informe também apresenta os elementos intangíveis que estão por trás das decisões orçamentárias, como o nível de confiança da população em seu governo. A falta de confiança implica, entre outras coisas, que os eleitores prefiram políticas públicas que ofereçam benefícios imediatos (como transferências), ao invés de investimentos em educação e infraestrutura, cujos benefícios só se tornam visíveis muitos anos depois.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Capa do Livro – Melhores Gastos para Melhores Vidas – Como a América Latina e Caribe podem fazer mais com menos” (Fonte):

https://flagships.iadb.org/themes/custom/idb_publications/images/MejoresVidas.png

Imagem 2 Dinheiro não nasce em árvore” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/dinheiro-riqueza-ativos-1169650/

                                                                               

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Dia Mundial do Coração e as ações das Organizações Internacionais

O Dia Mundial do Coração (WHD, sigla em inglês), campanha organizada pela Federação Mundial do Coração, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), pretende inspirar as pessoas a adotarem hábitos de vida mais saudáveis. Comemorada no dia 29 de setembro, a data marca um momento para conscientizar e disseminar os meios de combater a maior causa de mortes prematuras.

Global Hearts Initiative

No contexto desta campanha, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que as doenças cardiovasculares (DCV) tiram a vida de 17,9 milhões de pessoas todos os anos, contabilizando 31% de todas as mortes globais. O desencadeamento dessas doenças – que se manifestam principalmente como ataques cardíacos e derrames – se dá principalmente pelo uso do tabaco, pela dieta pouco saudável, inatividade física e o uso nocivo do álcool.

Por meio da Global Hearts Initiative (GHI), lançada em setembro de 2016, a OMS apoia governos em todo o mundo para aumentar os esforços de prevenção e controle das doenças cardiovasculares, por meio de três pacotes técnicos: controle do tabagismo, redução de sal e o fortalecimento da gestão das DCV na atenção primária à saúde. 

A GHI foi lançada inicialmente em Barbados, Benin, Colômbia, Etiópia, Filipinas, Índia, Jordânia, Nepal, Nigéria, República Islâmica do Irã, Sri Lanka, Tailândia, Tajiquistão e Uganda, e está aberta a todos os países que desejem participar.

Por sua vez, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) está trabalhando com os países membros para apoiar a capacitação para um modelo de prevenção interdisciplinar na atenção primária à saúde, considerando a gestão da hipertensão e diabetes como pontos importantes no modelo.

No Brasil, o Hospital Sírio-Libanês mantém, desde 2016, um hotsite para promover o movimento “Cuide do seu coração”, disseminando informações sobre alimentação saudável, exercícios físicos, receitas saudáveis, prevenção, doenças e sintomas, e um simulador de risco para verificar como anda a saúde do seu coração.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Dia Mundial do Coração” (Fonte):

https://blog.securenow.in/wp-content/uploads/2016/09/habits-to-keep-your-heart-healthy.png

Imagem 2 “Global Hearts Initiative” (Fonte):

http://www.who.int/cardiovascular_diseases/Global-hearts-initiative.jpg?ua=1