ÁFRICAAMÉRICA LATINAFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Guiné Equatorial na CPLP e no Carnaval brasileiro de 2015

No dia 23 de julho, foi encerrada a X Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)* realizada no Timor-Leste. O encontro foi marcado pela adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito na comunidade, suscitando diversas críticas.

De acordo com analistas, as condenações se fundamentam pelo Presidente do país, Teodoro Obiang, estar no poder há 35 anos, acumulando também o poder no judiciário, adicionando ainda o fato de não estar de acordo com os padrões internacionais de referência de Direitos Humanos e de Estado de Direito Democrático.

Contra o que teme ser a transformação da CPLP em “clube de negócios”, com a adesão da Guiné Equatorial, a Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) oficializou a autossuspensão do estatuto de observadora consultiva da Comunidade.

A ONGD ressaltou[2] que o regime de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, nascido de um golpe militar em agosto de 1979, continua permitindo que “cerca de 80 por cento da sua população viva abaixo da pobreza[2]. Isto em um país que é “o terceiro maior produtor de petróleo[2] e declara ter “o maior PIB per capita[2] da África.

A eurodeputada portuguesa Ana Gomes declarou estar “chocada com a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa[3], afirmando que “é um regime ditatorial, criminoso e ladrão do seu próprio povo[3]. Ainda de acordo com a eurodeputada, o fato de a Guiné Equatorial ter como idioma oficial o espanhol é relevante, mas não o mais importante. Para ela, o mais importante é a aceitação por parte da CPLP de um “regime ditatorial e criminoso[3].

Em declarações à Agência Lusa[4], a pesquisadora portuguesa Ana Lúcia Sá critica a CPLP por não ter sido suficientemente clara relativamente às razões para a aceitação do país: “poderiam ser mais claros quanto aos motivos que levaram à adesão à CPLP, em vez de falarem da língua, da pena de morte [países membros da CPLP não podem ter pena de morte em seu ordenamento jurídico] e dos Direitos Humanos, dizerem o que interessa para esta adesão e dizer em que é que a CPLP está a transformar-se, num clube de negócios[4].

Observadores afirmam que essa preocupação se relaciona com o fato de o Presidente africano administrar um país ainda carente em infraestrutura e repleto de desigualdade social, mas com os cofres lotados pelos ganhos relacionados ao petróleo e ao gás, explorados desde o final dos anos 90[5]. Agora, o setor de infraestrutura está recebendo empreiteiras de vários países, como o Brasil, interessados em contratos com o Governo de Obiang.

Conforme matéria publicada no jornal Folha de São Paulo[5], o governante africano tem claro que precisa melhorar a imagem internacional de seu país e, por isso, contratou uma consultoria norte-americana para tratar deste desafio. Analistas indicam que a entrada da Guiné Equatorial na CPLP pode não ter um impacto para mudar sua imagem perante o mundo, mas, certamente, colocará em cheque a imagem da CPLP.

A polêmica que envolve este país parece tomar novas proporções e agora também aterrissa no escopo do Carnaval Carioca de 2015. A escola de samba Beija Flor[6][7] terá como tema de seu enredo a Guiné Equatorial: “Um Griô conta a história: um olhar sobre a África e um despontar da Guiné Equatorial, caminhemos sobre a trilha da nossa felicidade![6]. Surge o questionamento sobre se a CPLP também entrará na passarela.

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* Integram agora a CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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Imagem (Fonte):

http://www.sidneyrezende.com/noticia/230386+beija+flor+bate+o+martelo+e+confirma+enredo+sobre+a+guine+equatorial

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.cplp.org/id-316.aspx?Action=1&NewsId=3294&M=NewsV2&PID=304

[2] Ver:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=755397&tm=7&layout=121&visual=49

[3] Ver:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=4042130

[4] Ver:

http://diario.iol.pt/503/sociedade/cplp-guine-equatorial-membro-tvi24/1565568-4071.html

[5] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/05/1277040-guine-equatorial-e-governada-com-mao-de-ferro-e-movida-a-petroleo-e-propina.shtml

[6] Ver:

http://radiocasadosamba.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=1262&pagina_id=62815&tipo=post&post_id=44

[7] Ver:

http://www.sidneyrezende.com/noticia/230386+beija+flor+bate+o+martelo+e+confirma+enredo+sobre+a+guine+equatorial

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Comissão Europeia está desenvolvendo um detector de notícias falsas na web

A Comissão Europeia[1], envolvendo várias universidades e empresas da Europa, está desenvolvendo um projeto para detectar rumores que circulam em fóruns online e em redes sociais. O sistema analisará em tempo real se uma publicação é verdadeira e identificará se uma conta ou perfil de uma rede social foi criada apenas para espalhar informações falsas. Os dados analisados deverão[2] incluir publicações no Twitter, comentários em fóruns sobre temas relacionados a questões de saúde e comentários públicos no Facebook.

O objetivo[2] do sistema é ajudar organizações, inclusive governos e serviços de emergência, a responder de forma mais efetiva a novos acontecimentos que de forma instantânea são divulgados nas redes sociais, mas, agora, poderá ser possível diferenciar o que é verdade do que é mentira com a mesma velocidade.

Os rumores online serão classificados em quatro tipos[2]:

  1. Especulação – como, por exemplo, se pode haver uma alta na taxa de juros;
  2. Controvérsia – como a que ocorreu com a vacina tríplice viral, que foi acusada, em vários países, de provocar o autismo;
  3. Má informação – se uma informação falsa é disseminada sem intenção;
  4. Desinformação – se uma informação falsa é disseminada intencionalmente

A primeira série de resultados deve ficar pronta em 18 meses e será testada principalmente com grupos de jornalistas e profissionais de saúde.

Chamado de Pheme, nome da deusa grega conhecida por espalhar rumores[2], o projeto envolve cinco universidades: (a) Sheffield; (b) Warwick; (c) King’s College London; (d) Saarland, na Alemanha; e (e) Modul, em Viena, e durará 3 anos. Também contará com quatro empresas: (1) Atos; (2) iHub; (3) Ontotext e (4) Swissinfo. Ao final, espera-se que seja produzida uma ferramenta especialmente para jornalistas.

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Imagem (Fonte):

 http://www.weblyzard.com/wp-uploads/pheme-logo.png

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/07/projeto-europeu-monitora-noticias-falsas-que-se-alastram-na-internet.html

[2] Ver:

http://www.pheme.eu/

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pela primeira vez o Parlamento Europeu terá uma delegação para tratar das relações com o Brasil

O Parlamento Europeu (PE) aprovou[1] no dia 17 de julho, quinta-feira passada, os membros que vão integrar as 44 delegações interparlamentares que são responsáveis pelos contatos do PE com países fora da União Europeia (UE). As Presidências e Vice-Presidências das delegações só serão escolhidas após o dia 23 de setembro, quando acaba o verão europeu[1].

Nesta legislatura, o PE terá pela primeira vez uma Delegação que deverá se ocupar exclusivamente das relações com o Brasil, sendo quatro eurodeputados portugueses os escolhidos para compô-la: Rangel (Partido Social Democrata), Carlos Zorrinho (Partido Socialista), Marinho e Pinto (Partido da Terra) e Inês Zuber (Partido Comunista de Portugal)[1].

Entre as diversas outras delegações, destacamos que Nuno Melo (Partido do Centro Democrático Social – Partido Popular), Rangel (Partido Social Democrata) e Francisco Assis (Partido Socialista) são membros titulares da Delegação para as Relações com o Mercosul; Carlos Zorrinho (Partido Socialista), Fernando Ruas (Partido Social Democrata) e João Ferreira (Partido Comunista de Portugal) são membros efetivos da Delegação para a Assembleia Parlamentar Paritária África, Caribe e Pacífico, e a Delegação para as Relações com os Estados Unidos conta com a Ana Gomes (Partido Socialista) e a Sofia Ribeiro (Partido Social Democrata)[1].

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/11/European-parliament-strasbourg-inside.jpg 

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www.europarl.europa.eu/news/pt/news-room/content/20140711IPR52233/html/Nova-delegação-do-PE-para-relações-com-Brasil-tem-seis-eurodeputados-portugueses

ÁfricaAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Ganeses no Brasil: Futebol, Refugiados, Tráfico Humano ou apenas sonhos

Desde o dia 30 de junho, aproximadamente 300 ganeses procuraram a Delegacia da Polícia Federal de Caxias do Sul[1], Rio Grande do Sul (Sul do Brasil), para pedir refúgio. Eles ingressaram no país como turistas pelas cidades que sediaram os jogos da seleção de Gana (Natal, Fortaleza e Brasília) e depois seguiram para o sul do Brasil.

No dia 16 de julho, o Governo brasileiro criou um grupo especial de trabalho para acelerar a expedição de vistos temporários as centenas de imigrantes ganeses que estão solicitando refúgio[2].

Esses imigrantes que solicitaram refúgio argumentam que sofrem perseguições políticas, étnicas ou religiosas em seu país, algo que espantou muitos analistas e ativistas que atuam na região, pois Gana não tem guerra e conflitos religiosos, políticos ou étnicos[3].

A ONG internacional Cáritas, chega a qualificar Gana como aSuíça da África[4]. Não quer dizer que Gana realmente tenha todas as características institucionais, econômicas e sociais da Suíça, é apenas uma forma de comparação em relação aos demais países africanos indicando que Gana é uma das economias e sociedades mais estáveis do continente africano

A Cáritas[4] também indica que o país ainda tem seus desafios a superar, especialmente no norte do país, como a questão da saúde, segurança alimentar e infraestrutura, mas não há casos de conflitos, os quais estão localizados nos países vizinhos (especialmente Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim e Togo) o que converteu Gana em receptora de refugiados[4]. Por isso, como não vive um conflito como ocorre na vizinhança e é considerado um dos Estados mais estáveis do continente, bem como modelo de democracia da África, observadores tem buscado razões para que os ganeses tenham se direcionado ao sul do Brasil.

Analistas indicam que a resposta pode estar exatamente no ponto de partida da história: o futebol. O povo de Gana é tão apaixonado por futebol quanto o brasileiro. Além disso, o país é uma das potências do futebol africano e, por conta disso, há muitos “olheiros” em busca de talentos no país.

Mas, toda essa paixão e talento para o futebol também tem seu lado oculto, o do abuso e exploração de pessoas pobres que colocam suas esperanças e economias nas mãos de “intermediários” para impulsionar uma carreira esportiva, acreditando poder se tornar um grande craque ganhando milhares ou até milhões de dólares, mas, geralmente, o destino final é muito distante daquele sonhado, pois muitos acabam sendo vítimas de trabalho escravo ou exploração sexual, entre outros tipos de exploração, e, outras vezes, crianças são compradas pelos “intermediários do futebol” para depois serem vendidas a um time que pague grandes quantias.

Essa situação é um panorama recorrente em Gana. O documentário “Black Diamond” (Diamante Negro) apresenta tal conjuntura. Na época em que ele foi gravado (2010), o Brasil não era considerado uma rota, pois tinha “um sistema altamente organizado para promover seus próprios talentos[6].

Neste ano em que o Brasil fracassou na Copa do Mundo e as diversas notícias internacionais indicam que o país precisa de uma renovação completa, bem como a modernização de seu futebol, temos o aumento de imigrantes ganeses no país, provavelmente acreditando que terão chances profissionais por aqui.

Observadores indicam que, certamente, essa fase catastrófica do futebol brasileiro teve um reflexo que repercutiu na permanência dos cidadãos de Gana em nosso território. A questão que fica e está sendo investigada pela Polícia Federal brasileira é se essa imigração teve alguma intermediação ilegal e também se há alguma finalidade de exploração. Se houver, será caracterizado Tráfico Internacional de Seres Humanos, se não ocorreu uma finalidade de exploração, mas apenas uma intermediação ilegal, será caracterizado como Tráfico de Migrantes. Enquanto se investiga o que está ocorrendo, os ganeses receberão vistos temporários até que o Governo brasileiro avalie a situação para que possa aceitar ou não os pedidos de refúgio.

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Imagem (Fonte):

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/07/nova-leva-de-imigrantes-africanos-preocupa-autoridades-de-caxias-rs.html

[2] Ver:

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/brasil-cria-grupo-para-expedir-vistos-de-refugiados-ganeses

[3] Ver:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/07/e-uma-surpresa-gana-nao-tem-guerra-diz-pesquisadora-sobre-migracao-de-ganeses-ao-brasil-4553371.html

[4] Ver:

http://www.caritas.org/es/donde-estamos/africa/ghana/

[5] Ver:

https://www.youtube.com/watch?v=qUX2A0MpN6A

[6] Ver:

http://africasacountry.com/black-diamond-fools-gold/

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Embaixador brasileiro confirma compra do sistema russo de defesa antiaérea

Em entrevista à agência Interfax[1], o embaixador brasileiro em Moscou, Antônio José Valim Guerreiro, confirmou a compra do sistema russo de defesa antiaérea Pantsir-S1. De acordo com o diplomata, “o contrato poderia ser assinado já este ano (…) e é provável que o mesmo saia antes de outubro ou novembro[de 2014]”[1].

As negociações desse Projeto, montado pelo general José Carlos De Nardi (Chefe do estado Maior Conjunto das Forças Armadas Brasileiras), iniciaram em fevereiro de 2012 para a provisão das baterias Pantsir-S1 de curto e médio alcances, dotadas de canhões automáticos e mísseis antiaéreos terra-ar e, também, de duas baterias Igla (sistema portátil de lançamento de mísseis terra-ar).

O Brasil possui cinco grupos de artilharia antiaérea posicionados nas cidades do Rio de Janeiro (RJ); Praia Grande (SP); Caxias do Sul (RS); Sete Lagoas (MG) e em Brasília (DF), sendo esta última para defender o Planalto que, atualmente, conta com mísseis Igla-S, com alcance de até 3 km de altitude.

O embaixador Valim Guerreiro lembrou ainda que, dentro de outro contrato, a Rússia deve finalizar a provisão de 12 helicópteros Mim-35. Os helicópteros “são necessários para a defesa de nossas fronteiras e, em particular, para prevenir voos de aeronaves vindas dos países vizinhos e que, geralmente, são usadas por traficantes de drogas[1], explicou o embaixador brasileiro.

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Imagem (Fonte):

http://4.bp.blogspot.com/-_svw44Nii54/Ul9A_TmmofI/AAAAAAAAMXs/4mdi1ymSs4o/s1600/7russia-brazil2.jpg

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www.interfax.com/newsinf.asp?id=409312

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

BID aprova empréstimo de US$100 milhões para Sergipe investir na Saúde

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou[1] um empréstimo de US$100 milhões para fortalecer o Sistema de Saúde do estado de Sergipe (nordeste do Brasil), com uma contraparte local de US$ 40 milhões[1]. O objetivo é reduzir a prevalência de doenças crônicas e a mortalidade materna que estão afetando às populações vulneráveis do estado, pois há falta de acesso a intervenções básicas de saúde e de qualidade dos serviços oferecidos.

O Programa proposto deverá financiar[1] a consolidação de cinco Redes de Atendimento em Saúde para reorganizar e ampliar a oferta e qualidade dos serviços nas distintas regiões mediante a melhoria das práticas clínicas.

A iniciativa buscará também desenvolver a capacidade de gestão da Secretaria de Estado de Saúde[1], reforçando seu papel como coordenador e articulador da Política de Saúde no estado.

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Imagem (Fonte):

http://lainfo.es/pt/wp-content/uploads/lainfo.es-4170-bid-logo.jpg

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www.iadb.org/es/proyectos/project-information-page,1303.html?id=BR%2DL1378