EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Caminhoneiro britânico confessa participação em crime que levou à morte de 39 imigrantes vietnamitas

Maurice Robinson se apresentou por videoconferência ao Tribunal Central Criminal em Londres, na segunda-feira, dia 25 de novembro de 2019. O motorista norte-irlandês de 25 anos dirigia o caminhão que levava o container onde foram encontrados 39 corpos no dia 23 de outubro de 2019. O crime chocou a imprensa do país e do mundo. Inicialmente, pensava-se que se tratassem de imigrantes de origem chinesa. Mas, alguns dias depois foi confirmado que as vítimas eram nacionais vietnamitas, ao todo 31 homens e 8 mulheres. Robinson confessou participação em esquema de imigração ilegal entre maio de 2018 e outubro de 2019. Ele ainda não foi ouvido pelos magistrados sobre a acusação de homicídio.

Porto de Zeebrugge, de onde saiu o container com os imigrantes vietnamitas em sentido à Inglaterra

Não se sabe exatamente quantos dias os vietnamitas permaneceram dentro do container. O que se sabe é que o compartimento chegou na Inglaterra através do porto de Zeebrugge, na Bélgica. Segundo a reportagem do jornal The Independent, os envolvidos com o tráfico de pessoas costumam chamar o caminho, que passa pelo Canal da Mancha, de a rota do “CO2” (gás carbônico). Justamente pelo fato de que os imigrantes são colocados dentro de containers com pouca ventilação. O percurso até o Reino Unido não é fácil, muitos dos vietnamitas que passam pela rota são jovens e chegam a pagar entre £8.000 e £40.000 libras* aos traficantes.

Boris Johnson (líder dos Conservadores e Primeiro-Ministro incumbente) e Jeremy Corbyn (líder dos Trabalhistas)

Enquanto isso, alguns partidos revelaram suas políticas migratórias para as eleições parlamentares que ocorrerão no dia 12 de dezembro de 2019. Os Conservadores, liderados pelo atual primeiro-ministro Boris Johnson, prometeram reduzir o número de imigrantes no país e introduzir um sistema de controle que irá se concentrar na abertura exclusiva para mão-de-obra especializada. Porém, o Partido, que controla o Governo desde 2015, nunca conseguiu alcançar sua promessa de baixar o número do influxo anual para menos de 100.000. Já, Jeremy Corbyn, líder dos Trabalhistas, principal Partido de oposição, declarou que mesmo que a “livre movimentação” de europeus acabe, com a saída da União Europeia, o país continuará a permitir “muita movimentação. A declaração de Corbyn foi duramente criticada pelos Conservadores, que afirmam que sua política de “fronteiras abertaspoderá trazer anualmente mais de 840.000 imigrantes ao país.

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Nota:

* Aproximadamente entre R$43.000,00 e R$220.000,00, na cotação de 25/11/2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Emblema do uniforme dos agentes responsáveis pela imigração no Reino Unido” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Thin_Purple_Line_Patch.jpg

Imagem 2Porto de Zeebrugge, de onde saiu o container com os imigrantes vietnamitas em sentido à Inglaterra” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Zeebrugge_Belgium_Portal-crane-APM-Terminals-02.jpg

Imagem 3Boris Johnson (líder dos Conservadores e Primeiro-Ministro incumbente) e Jeremy Corbyn (líder dos Trabalhistas)” (Fontes):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Yukiya_Amano_with_Boris_Johnson_in_London_-_2018_(41099455635)_(cropped).jpg e https://en.wikipedia.org/wiki/File:Jeremy_Corbyn_closeup.jpg

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Eleições Reino Unido 2019: Brexit é a principal, mas não a única preocupação dos eleitores

Uma recente pesquisa* da empresa Yougov revelou que o Brexit, acompanhado dos temas Saúde e Segurança, são as principais preocupações do eleitorado britânico e terão um peso significativo nas eleições do dia 12 de dezembro de 2019. Perguntados sobre as três maiores aflições que atingem o país no momento, 68% dos entrevistados citaram o processo de saída da UE, 40% a saúde pública e 28% a criminalidade.

Cartaz produzido durante um protesto organizado por médicos assistentes em 2015. O NHS é considerado um patrimônio nacional para os britânicos

Quando o tópico é a Saúde, o que assusta o eleitorado britânico é a situação do Serviço Nacional (National Health Service, geralmente conhecido pela sigla NHS). Fundado no período após o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1948, seu intuito sempre foi de prover aos residentes do Reino Unido acesso universal e gratuito aos serviços de saúde, pagos com o dinheiro financiado pela arrecadação dos impostos em geral. O NHS é para os britânicos fonte de orgulho nacional, porém, tem sofrido com o aumento dos custos de mão de obra, remédios e novas tecnologias. No ano fiscal de 2016-2017, os gastos com o sistema público representaram cerca de 30% das despesas totais. Devido ao peso significativo no orçamento, o assunto apresenta um grande desafio para qualquer Partido que pretenda chegar ao Governo.

Policial londrino em serviço

Apesar de ser considerado um país com baixo nível de delinquência**, segundo o Órgão de Estatística Nacional (Office for National Statistics), em 2018 houve um aumento de 18% dos crimes sem violência e 8% de crimes com violência. No mesmo ano foi muito divulgado através da mídia britânica os dados de que, então, pela primeira vez na história recente, o número de assassinatos em Londres ultrapassou o da cidade de Nova York. O fato também foi alvo de críticas pelo presidente Donald Trump, já que no Reino Unido o porte de armas de fogo é proibido e a maioria dos assassinatos são causados com o uso de facas.

Atrás dos três temas acima, as preocupações com a Economia e o Meio-Ambiente aparecem empatadas na 4º colocação, sendo citadas por 25% dos entrevistados. Em quinto vêm a questão da Imigração, mencionada em 22% das entrevistas.

Esta será a primeira vez que as eleições ocorrem no mês de dezembro desde 1923. Apelidada de “eleição Brexit” pela mídia do país, ela foi convocada justamente na tentativa de dar continuidade ao processo de saída da União Europeia, que tem enfrentado grandes barreiras no Parlamento.     

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Notas:

* Pesquisa realizada entre os dias 30 e 31 de outubro de 2019, com 1.606 adultos entrevistados em todo o país.

** Apesar da dificuldade de encontrar dados precisos sobre os níveis de criminalidade a nível internacional, o site Numbeo organizou um banco de dados com informações de vários países, criando um índice que compara a criminalidade e a violência. No ranking, o Brasil aparece em 7º lugar como país com mais crimes cometidos. O Reino Unido figura na 59ª posição atrás de nações desenvolvidas como Estados Unidos (48º), França (50a) e Itália (57a).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Polling Station é o local onde se realizam as votações nas eleições no Reino Unido, geralmente em espaços alugados em escolas, igrejas e centro comunitários” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:London_polling_station.jpg

Imagem 2Cartaz produzido durante um protesto organizado por médicos assistentes em 2015. O NHS é considerado um patrimônio nacional para os britânicos” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/birmingham_eastside/22421035083

Imagem 3Policial londrino em serviço” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/hillview7/30934142341

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Nigel Farage, líder do Brexit Party, não será candidato em eleições no Reino Unido

Em entrevista ao programa Andrew Marr Show da BBC, Nigel Farage, líder do Brexit Party, anunciou que não irá se candidatar para as eleições gerais do dia 12 de dezembro de 2019. Ele afirmou que dessa maneira poderá melhor servir o Partido dando suporte aos mais de 600 candidatos espalhados pelo Reino Unido.

Jeremy Corbyn, líder dos Trabalhistas, declarou que “é um pouco estranho dirigir um Partido político que aparentemente está brigando por todas ou a maioria das cadeiras [do Parlamento] em uma eleição, e ele mesmo [Farage] não se candidatar”. Steve Baker, parlamentar Conservador e presidente do grupo pró-Brexit European Research Group*, criticou o dirigente do Brexit Party, dizendo que a sua decisão em não se candidatar demonstra a falta de seriedade do político em relação ao país.

Logotipo do Brexit Party

Na sexta feira, dia 1o de novembro de 2019, Boris Johnson rejeitou a sugestão de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, de que ele e Farage deveriam criar uma aliança. Representantes dos Conservadores afirmaram que não há possibilidade de os dois partidos trabalharem em conjunto. Do outro lado, o líder do Brexit Party demonstrou uma maior disposição em formar uma aliança, porém, com a condição de que Boris desista do “horrível” Acordo sobre a saída da União Europeia (UE).

Não é a primeira vez que Nigel promete apoiar os Conservadores. A rusga entre o Brexit Party e o Partido do atual Primeiro-Ministro, contudo, pode dividir o voto dos eleitores favoráveis à saída da UE. Nigel Farage, atualmente, é membro do Parlamento Europeu e é uma figura importante na política do país. Por muitos anos ele foi uma das principais lideranças do UKIP (United Kingdom Independence Party – Partido pela Independência do Reino Unido), que, desde seu início, em 1993, advoga pela desvinculação do Bloco Europeu. Em 2019 ele lançou o Brexit Party, que em pouco tempo obteve votação recorde nas eleições ao Parlamento Europeu.

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Nota:

* O European Research Group é uma aliança formada por deputados do Partido Conservador para pressionar o governo, em favor à saída do país da União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nigel Farage, líder do Brexit Party / foto de Gage Skidmore” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/gageskidmore/40542055821

Imagem 2 Logotipo do Brexit Party” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brexit_Party.svg

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UE concede nova prorrogação para saída do Reino Unido, enquanto Parlamento britânico decide data de novas eleições gerais

Na segunda-feira, dia 28 de outubro de 2019, Donald Tusk, o Presidente do Conselho Europeu*, confirmou a concessão de uma nova data para a saída do Reino Unido da UE. Agora marcado para o dia 31 de janeiro de 2020, Tusk apelidou a concessão de “flextensão” (derivado de “extensão flexível”), já que os britânicos terão a oportunidade de sair previamente, caso o Parlamento aprove em tempo o acordo sobre a nova relação com o Bloco europeu.

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Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit

Esta é a segunda vez que a data é alterada. Inicialmente, a saída estava marcada para março de 2019. Porém, ela foi prorrogada para o dia 31 de outubro de 2019, devido à incapacidade de o governo de Theresa May aprovar os termos negociados com a UE. Em publicação oficial, os europeus anunciaram que não permitirão a reabertura do acordo de saída, que recentemente sofreu mudanças importantes em relação à questão da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico

A prorrogação convenceu os parlamentares da oposição a aprovar uma nova eleição geral, que ocorrerá no dia 12 de dezembro de 2019. Certa resistência foi apresentada por parte de alguns partidos, como o SNP (Partido Nacional Escocês) e os Liberais Democratas, que queriam que as eleições ocorressem no dia 9 de dezembro de 2019, data que facilitaria a participação dos estudantes no pleito eleitoral, principalmente nas cidades universitárias. Já os Trabalhistas esperavam a garantia de que um “não-acordo” estivesse totalmente fora de cogitação

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição – UK Parliament

Houve também uma tentativa de adicionar Emendas importantes ao Projeto de Lei, que estabeleceria a nova data para as eleições. Dentre elas, estavam os planos de estender o direito de votação aos jovens de 16 a 17 anos e aos cidadãos europeus residentes permanentes no país. Contudo, as Emendas foram rejeitadas por Lindsay Hoyle, o Vice-Presidente da House of Commons (equivalente à Câmara de Deputados no Brasil). Contudo, Boris Johnson conseguiu convencer a maioria dos Trabalhistas para que a legislação necessária fosse aprovada com 420 votos a favor, 20 contras e 191 abstenções. A Lei agora irá passar pela House of Lords (Câmara dos Lordes, ou Câmara Alta, que, com as devidas proporções, pode ser vista como uma espécie de Senado), mas não deverá sofrer resistências. As atividades parlamentares estão previstas para se encerrarem na próxima quarta-feira, dia 6 de novembro de 2019, para que os partidos possam se concentrar na campanha eleitoral.

Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários

As eleições no Reino Unido tradicionalmente acontecem nos meses de maio ou junho. Esta será, desde 1923, a primeira a ocorrer em dezembro. Existem algumas preocupações em relação à logística do evento. Uma delas é de que não haverá tempo suficiente para disponibilizar espaços em escolas, igrejas e centros comunitários, onde geralmente se encontram as urnas. Próximo à esta data, muito desses lugares já estão reservados para festividades natalinas. O clima úmido e frio, desta época do ano, também pode afugentar alguns eleitores. Além disso, o período coincide com o fim do trimestre escolar, que pode afastar jovens estudantes em época de exames.

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Nota:

* O Conselho Europeu é o órgão da União Europeia que reúne os Chefes de Estado ou Governo dos países membros. O polonês Donald Tusk é o atual Presidente do órgão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ônibus com a bandeira da UE, em frente ao Parlamento britânico” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:EU_Bus_(46963682851).jpg

Imagem 2 Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit” (Fonte): https://twitter.com/eucopresident/status/1188748108764721152

Imagem 3 Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico” (Fonte):

Foto do Autor – André Miquelasi (CEIRI NEWS)

Imagem 4 Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição UK Parliament” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/uk_parliament/25743557291

Imagem 5 Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Polling_Station,_Minster-in-Thanet,_Kent,_England,_2015-05-07-5156.jpg

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Extinction Rebellion toma conta das ruas de Londres, em protesto pelo clima

No dia 7 de outubro de 2019, ativistas iniciaram uma onda de protestos ambientais nas ruas da capital britânica. Somente na primeira semana, mais de 1.000 manifestantes foram presos, a maioria devido a distúrbios causados ao trânsito na cidade. Uma das demonstrações que ganhou destaque da mídia foi a do atleta paraolímpico James Brown, que escalou um avião da companhia British Airways no aeroporto London City, próximo ao centro da cidade.

Polícia prende um dos manifestantes durante os protestos – Foto de Stefan Muller

Os protestos são organizados pelo movimento Extinction Rebellion (“Rebelião da Extinção”, em Português). O grupo foi criado no Reino Unido em 2018 e se autodefine como “um movimento internacional que usa formas de desobediência civil não violentas, na tentativa de barrar a extinção em massa e minimizar o risco de colapso social”. As manifestações de outubro têm o objetivo de “ocupar pacificamente os centros de poder e fechá-los”. Elas estão ocorrendo não só em Londres, mas, também, em outras cidades importantes, como Berlim, Amsterdã e Nova Iorque. As três principais demandas do grupo são: 1) que o governo declare “emergência” imediata, em relação aos problemas climáticos; 2) que o Reino Unido se comprometa, legalmente, em reduzir emissões de carbono até 2025; e 3) que seja formada uma assembleia de cidadãos para tomar conta deste processo de transformação. 

Gráfico sobre a preocupação dos britânicos com as mudanças climáticas

Apesar de ser um movimento pacífico e com um forte apelo às preocupações climáticas da maioria da população* (ver gráfico), o grupo enfrenta diversas críticas. O jornal Daily Mail, por exemplo, acusa que uma pequena parte dos manifestantes têm recebido mais de 400 libras esterlinas (cerca de 2.000 reais, conforme cotação de 14 de outubro de 2019) por semana para protestar, porém, sem declarar os devidos impostos. Além disso, o jornal chama a atenção para a falta de representatividade social do grupo, formado em sua maioria por brancos de classe média, sem a participação significativa de minorias étnicas. A BBC divulgou também críticas em relação aos recursos utilizados para policiar as manifestações. Mais de 7,5 milhões de libras, quase de 39 milhões de reais, também de acordo com a cotação de 14 de outubro de 2019, foram gastos pelo governo, além disso, muitos pedestres e motoristas tiveram suas rotas interrompidas, atrapalhando a circulação de veículos importantes, como ambulâncias.  

Apesar das críticas, o grupo defende suas ações. Sobre a acusação do movimento não representar minorias, o site da organização declara queo Extinction Rebellion é formado por pessoas de várias idades e origens de todo o mundo” e que “trabalham para melhorar a diversidade […] sem se alinhar a qualquer partido político”. Sobre os distúrbios causados nas cidades, onde acontecem os protestos, o movimento afirma que se “o governo quer diminuir a perturbação pública, eles precisam agir” e não há intenção, por parte do grupo, de “atrasar veículos de emergência”, além de estarem trabalhando juntamente com a polícia para “assegurar que casos assim não ocorram”.

Logotipo do Extinction Rebelion – O símbolo tem o X, significando a extinção, as linhas horizontais sugerindo um relógio de areia, e o círculo, o planeta terra

Charlie Gardner (professor da Universidade de Kent) e Clair Wordley (pesquisadora da Universidade de Cambridge), defendem as táticas do grupo. Segundo eles, a única maneira de realmente proteger o planeta é através de uma “ação concreta, urgente e radical”, e a desobediência civil seria a única maneira de efetivamente fazer com que os governos tomem alguma atitude.

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Nota:

* Uma pesquisa recente, feita pela Ipsos Mori, revelou que 85% dos adultos britânicos se preocupam com o aquecimento global (o maior número desde 2005, quando o público foi entrevistado pela primeira vez). Deste total, pelo menos 52% se declararam “muito preocupados” com as mudanças climáticas. (Fonte): https://www.ipsos.com/ipsos-mori/en-uk/concern-about-climate-change-reaches-record-levels-half-now-very-concerned

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ocupação da Extinction Rebellion no centro de LondresFoto de Garry Knight”    (Fonte): https://www.flickr.com/photos/garryknight/48869887366/

Imagem 2Polícia prende um dos manifestantes durante os protestosFoto de Stefan Muller”  (Fonte): https://www.flickr.com/photos/[email protected]/48867345597/

Imagem 3Gráfico sobre a preocupação dos britânicos com as mudanças climáticas” (Fonte): https://www.ipsos.com/sites/default/files/ct/news/documents/2019-08/climate_change_charts.pdf

Imagem 4Logotipo do Extinction Rebelion O símbolo tem o X, significando a extinção, as linhas horizontais sugerindo um relógio de areia, e o círculo, o planeta terra” (Fonte): https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Extinction_Rebellion,green_placard(cropped).jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Itália se une ao Reino Unido e Suécia no desenvolvimento de caça de última geração

O Ministério da Defesa Italiano formalizou oficialmente, durante a feira DSEI*, realizada em Londres, a participação no projeto de desenvolvimento do caça Tempest – aeronave de combate militar de nova geração. O país se une ao Reino Unido e à Suécia, que recentemente também aderiu ao projeto (em julho de 2019).  O anúncio marca a entrada dos 3 países na corrida armamentista pela criação de caças de “sexta-geração”, que irão substituir os mais modernos atualmente em produção (ditos de “quinta-geração”).

O caça Tempest será construído através de um consórcio de empresas formadas pelas britânicas BAE Systems e Rolls Royce, a Italiana Leonardo, e a MBDA (empresa multinacional de fabricação de mísseis e faz parte de uma joint-venture que conta com a participação da BAE Systems, Leonardo e Airbus). A Sueca SAAB trabalhará em cooperação no projeto, mas a expectativa é que seu papel possa aumentar consideravelmente no futuro. O projeto promete incluir capabilidades ultramodernas, como o uso de inteligência artificial, o controle remoto da própria aeronave (sem piloto) e a coordenação de ataque com frotas de drones (chamado de drone swarming – enxame de drones”). A Força Aérea Britânica estima que os caças estejam prontos para uso a partir de 2035.

Os três países não são as únicas potências a entrar na corrida pelo desenvolvimento de caças de “sexta-geração”. Os Estados Unidos possuem dois projetos, um capitaneado pela Marinha e outro pela Força Aérea, que possivelmente serão desenvolvidos pelas gigantes Boeing, Lockheed Martin e a Northrop Grumman. Os Russos, que estão próximos de começar a produção do caça de “quinta-geraçãoSukhoi Su-57, já trabalham com o projeto do caça de interceptação de “sexta-geraçãoMikoyan MiG-41. Os Chineses também estão na corrida, e já projetam o substituto de seu caça mais moderno, o Chengdu J-20.

Porém, o concorrente mais polêmico do projeto Tempest é o FCAS (Future Combat Air Systems), dirigido pelos Ministérios da Defesa da Alemanha, França e Espanha, e que está sendo desenvolvido pela francesa Dassault e Airbus (multinacional europeia). Apesar de diálogos para que o Reino Unido se unisse à iniciativa franco-alemã, o país desistiu da parceria e levou à frente a concepção do Tempest. A saída gerou crítica sobre as consequências de uma Europa dividida em relação aos dois projetos. O Ministério da Defesa Britânico declarou em julho (2019) que o país não se associou aos franceses e alemães devido ao fato de o programa não se encaixar aos objetivos estratégicos do país, mas, que, mesmo assim, o plano será de maximizar a interoperabilidade entre os distintos projetos. Vale lembrar que os países envolvidos tanto na concepção do FCAS como do Tempest são aliados estratégicos na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). 

Protótipo do caça FCAS, em exibição na Paris Air Show 2019

Os dois projetos foram lançados em um momento incerto para o futuro da geopolítica europeia, com a saída do Reino Unido da UE. Isso pode gerar uma rivalidade desnecessária entre as potências do continente. Sobre o assunto, o presidente francês Emmanuel Macron declarou em junho, durante a Paris Air Show (Feira Aeronáutica internacional na França), que “a competição entre os Europeus quando ela ‘nos’ enfraquece contra os Americanos, os Chineses, é algo ridículo”. 

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Nota:

* DSEI: Defence and Security Equipment International – Defesa e Equipamentos de Segurança Internacional, é a maior feira da Europa e uma das principais do mundo para a Indústria de Defesa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O caça americano F35 e o chinês J20, exemplos de caças de quinta-geração já em produção” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:F-35A_flight_(cropped).jpg e https://commons.wikimedia.org/wiki/File:J-20_at_Airshow_China_2016.jpg

Imagem 2 “Protótipo do caça FCAS, em exibição na Paris Air Show 2019” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SCAF_-_Le_Bourget_2019.jpg