ANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

Derramamento de óleo no Ártico é tragédia ambiental sem precedentes

Em 29 de maio de 2020, um desastre ecológico se abateu sobre a região de Krasnoyarski Krai, no norte da Rússia: um tanque de armazenamento de combustível na Usina Nuclear de Norilsk–Taimyr falhou, causando um massivo vazamento de óleo que inundou o solo e rios locais com 20.000 toneladas de petróleo. Acredita-se que a causa da falha tenha sido negligência por parte da companhia de exploração de minérios e fundição Nornickel (Norlisk Nickel), que já havia sido intimada pelo órgão competente russo da Ecologia, Tecnologia e Energia Nuclear (Rostekhnadzor) a inspecionar e consertar corrosões em seus tanques.  

Em declaração oficial, a Nornickel apresenta um argumento considerado alarmante: “Devido ao repentino colapso de estruturas que serviram como suporte por mais de 30 anos sem problemas, o tanque de armazenamento de diesel sofreu danos, resultando em vazamento de combustível”, diz a empresa, referindo-se à camada de permafrost que sustentava o tanque. O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, mostrou-se desconcertado ao descobrir que as autoridades locais souberam do incidente apenas dois dias após o ocorrido e criticou o governador da região, Alexander Uss, pela resposta tardia no processo de limpeza da área afetada. Putin declarou estado de emergência na região para agilizar os esforços na recolha do óleo, a fim de evitar que o mesmo atinja o Mar Ártico e cause uma catástrofe ecológica.

Vazamento de óleo no Ártico, 2020 – ESA, CC BY-SA IGO 3.0

A companhia responsável pelo vazamento mobilizou 250 pessoas e 72 equipamentos no intuito de liquidar a operação de limpeza o mais brevemente possível, contudo, no dia 3 de junho (2020), apenas  800 metros cúbicos de solo contaminado foram recolhidos e cerca de 80 toneladas foram coletadas do rio Ambarnaya. Fortes ventos constantemente alteram o curso do combustível na água e rompem as barreiras construídas para conter o óleo, tornando o processo de limpeza lento e penoso. Além do ambiente inóspito em que atuam, os trabalhadores são vítimas da infraestrutura precária e a falta de estradas dificulta a mobilidade de pessoas e equipamentos.

Representantes do governo russo e da sociedade civil se posicionaram diante do acidente, tratando-o como uma tragédia iminente. Elena Panova, Ministra dos Recursos Nacionais e do Meio-Ambiente da Federação Russa, afirmou que levaria cerca de 10 anos para o ecossistema se recuperar, conforme ambientalistas do país. Elaborando essa visão, o coordenador dos projetos do Ártico da WWF Rússia, Sergey Verkhovets, disse que “o incidente levou a consequências catastróficas” que serão vistas nos anos porvenir, tais como “peixes mortos, penugens de pássaros sujas e animais envenenados”.

Pássaros vítimas de vazamento de óleo

Em seu discurso inicial, a Nornickel afirmou que nenhuma comunidade havia sido afetada pelo vazamento de óleo. No entanto, os impactos ambientais causados pelo incidente atingem os seres humanos pela tangente. Dmitry Klokov, porta-voz da Agência Russa das Indústrias Pesqueiras, disse que “o escopo dessa catástrofe está sendo subestimado”, e que grande parte do óleo já submergiu ao fundo do rio e atingiu o lago Pyasino, grande fonte de abastecimento de água da região. O Greenpeace Rússia também se pronunciou em um tweet, destacando que este “é o primeiro acidente em tamanhas proporções no Ártico”.

Após críticas por parte do presidente Putin quanto à demora na notificação do vazamento e por parte dos ambientalistas, sobretudo que o derretimento da permafrost poderia ser previsto devido às mudanças climáticas evidentes, o diretor da usina, Vyacheslav Starostin, foi levado sob custódia das autoridades russas, e pode passar  até 5 anos em confinamento, caso seja condenado por violar as leis de proteção ambiental. Já em 2017, um relatório do Conselho Ártico, do qual a Rússia é integrante, avisava que a camada de permafrost já não suportaria a carga que vinha suportando desde 1980. 

Em 5 de junho (2020), o Presidente russo deixou claro que a Norilsk Nickel será responsável por pagar todos os custos de emergência pelos danos causados pelo derramamento de petróleo. E ainda salientou a responsabilidade subjetiva da companhia ao não coadunar com as medidas de segurança que haviam sido apontadas em outras ocasiões: “Se vocês tivessem substituído (o tanque do vazamento) em tempo, não haveria danos ambientais e a companhia não precisaria arcar com os custos”, disse Putin ao chefe executivo da Nornickel.

Vladimir Putin em conferência sobre o vazamento de óleo

Atualmente, cerca de 700 pessoas estão envolvidas na limpeza da região afetada. Especialistas acreditam que a limpeza total da área poderá levar de 10 a 15 anos para ser concluída. Enquanto isso, uma equipe de 17 investigadores do Comitê Nacional de Investigação da Rússia está buscando evidências de potencial conduta criminosa ou negligente que poderá levar a julgamento outros representantes da Nornickel. A postura do governo russo mediante este incidente é, no mínimo, tranquilizadora, a deixar saber que a Federação Russa não será conivente com a deterioração ambiental desmedida, nem mesmo no caso de uma de suas maiores empresas (e movimentadoras de capital). 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Petróleo em praiafish1715 / Shutterstock.com” (Fonte):

https://www.shutterstock.com/g/fish1715

Imagem 2Vazamento de óleo no Ártico, 2020ESA,CC BY-SA IGO 3.0” (Fonte):

https://www.esa.int/var/esa/storage/images/esa_multimedia/images/2020/06/arctic_circle_oil_spill/22056833-1-eng-GB/Arctic_Circle_oil_spill.gif

Imagem 3Pássaros vítimas de vazamento de óleo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:EVOSWEB_013_oiled_bird3.jpg

Imagem 4Vladimir Putin em conferência sobre o vazamento de óleo” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Rússia e China recusam-se a participar de videoconferência do Conselho de Segurança da ONU

Em abril deste ano (2020), a Organização para a Interdição das Armas Químicas (OIAC) publicou um relatório pioneiro, que apontou o governo de Bashar al-Assad como responsável por três ataques químicos ocorridos em 2017, na Síria. A OIAC recebeu novas atribuições em 2018 para investigar as ofensivas químicas no país, vez que a Rússia, alegadamente, bloqueava investigações independentes desses ataques. As conclusões do relatório comporiam a pauta da reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, realizada em 12/05/2020, a qual foi boicotada pela Federação Russa e pela China.

De acordo com um dos diplomatas presentes na reunião, que foi realizada por videoconferência em virtude da COVID-19, as janelas da Rússia e da China apareceram vazias no ecrã. Mais tarde, durante uma conferência de imprensa virtual, o embaixador russo para as Nações Unidas, Vassily Nebenzia, afirmou que Moscou pediu que a interação fosse conduzida de maneira aberta e salientou que: “Infelizmente, nossos parceiros ocidentais e seus aliados insistiram em conduzir essa reunião a portas fechadas, em ambiente informal, apesar dos slogans de abertura e transparência do Conselho de Segurança. Tal abordagem é inaceitável para nós, porque prejudica as prerrogativas dos Estados quanto à Convenção de Armas Químicas”.

Logotipo da Organização para a Interdição das Armas Químicas

Essa visão não é corroborada pela Missão Diplomática do Reino Unido para as Nações Unidas, que defendeu o formato fechado da reunião como uma maneira dos membros do Conselho de Segurança e da República Árabe da Síria manterem um diálogo franco sobre o relatório. Em comunicado, a Missão britânica afirmou categoricamente que: “Uma recusa em comparecer à reunião e engajar com a OIAC sobre suas descobertas é desconcertante e indicativo da preferência de alguns membros do conselho em sabotar a proibição do uso das armas químicas por atacar as pessoas e instituições encarregadas de protegê-la”.

Cabe lembrar que a OIAC é responsável por salvaguardar a Convenção de Armas Químicas de 1997, e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2013. Ao ser imbuída do poder de imputar responsabilidade sobre ataques químicos em 2018, suas atribuições foram questionadas por Pequim e Moscou, que as consideraram ilegítimas e propuseram que tais assuntos passassem pelo crivo do Conselho de Segurança da ONU. Em resposta, representantes dos Estados Unidos e do Reino Unido na Organização consideraram a posição dos governos citados uma “hipocrisia pungente”, nas palavras do enviado americano para a OIAC, Kenneth Ward.

Entre as conclusões apresentadas pelo relatório estavam evidências da culpabilidade de Damasco em investidas químicas contra a população síria utilizando bombas de gás sarin e cloro, entre 24 e 30 de março de 2017, que vitimaram cerca de 106 pessoas, incluindo crianças. Pesquisadores do Instituto Global de Política Pública de Berlim, em conjunto com parceiros sírios e internacionais compilaram cerca de 345 ataques substanciais pela Síria, e concluíram que 98% dos ataques foram pelas mãos de Bashar al-Assad e o resto foi imputado ao Estado Islâmico. Ainda que enfrentando tais acusações, a Federação Russa, principal aliada do regime sírio, defende o país parceiro sustentando que a Síria cessou seu programa de armas químicas, destruiu seu arsenal e parou de produzi-las.

Armas químicas

De fato, desde o ano dos bombardeios aéreos (2017), China e Rússia tem dificultado a ação do Conselho de Segurança da ONU ao vetar resoluções de sanção à Síria quanto às armas químicas. A Anistia Internacional chegou a dizer que ambos os países “demonstraram um insensível desrespeito pelas vidas de milhões de sírios” ao se posicionarem de tal maneira. Na ocasião, as duas nações clamaram por escrutínio e investigação internacional objetiva e imparcial antes de imputar a culpa em uma ou outra parte. No entanto, quando um órgão independente e prestigiado (OIAC) assumiu as investigações e apresentou suas descobertas, o Kremlin, endossado pela China, recusou-se a participar das discussões, o que coloca em evidência suas postulações.

A respeito da recusa em participar da videoconferência do Conselho de Segurança e em desafio ao relatório da OIAC, o embaixador Nebenzia esclareceu ainda que Moscou conduzirá investigação própria sobre o uso de armas químicas na guerra da Síria e que compartilhará os achados com o mundo, o que igualmente contradiz a ideia de investigação independente e imparcial. Ainda não se sabe se as próximas reuniões mensais da pasta contarão com a presença dos países de Putin e Xi Jinping. Sabe-se apenas que as potências (Euro)Asiáticas oferecem resistências que impugnam mesmo elementos factuais apresentados uma e outra vez, repetidamente.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Putin em videoconferência do Conselho Supremo da Eurásia” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/63367/photos/63854

Imagem 2 Logotipo da Organização para a Interdição das Armas Químicas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:OPCW_-_Organisation_for_the_Prohibition_of_Chemical_Weapons_logo.png

Imagem 3 Armas químicas” (Fonte): https://post.parliament.uk/research-briefings/post-pn-0596/

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

A delicada relação entre Rússia e a União Europeia

A Federação Russa e a União Europeia (UE) desenvolveram relações bilaterais fortes até 2014. De acordo com folhas fatuais do Parlamento Europeu, o Kremlin e Bruxelas trabalharam juntos em áreas como comércio, energia, pesquisa, cultura, segurança, não proliferação de armas nucleares e resolução de conflitos no Oriente Médio, inclusive, a UE apoiou a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio, completada em 2012. Contudo, os laços construídos enfraqueceram-se com o impasse sobre a Crimeia e, cerca de um ano mais tarde, a intervenção de Putin na Guerra da Síria como amparador do regime de Assad contribuiu para aumentar as tensões entre seu país e o Ocidente.     

O Conselho da União Europeia enumera as sanções repetidamente impostas à Rússia desde março de 2014, que englobam: – medidas diplomáticas (ex. suspender reuniões do G8 e manter o formato das reuniões como G7, suspensão do suporte ao país na acessão à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE); – medidas de restrições individuais (tal como banir a entrada de certos cidadãos e organizações russas na UE); – restrições nas relações econômicas entre Crimeia e Sebastopol (ex. proibir a importação de bens destes territórios, limitar comércio e proibir o suprimento de atividades turísticas nos mesmos); – sanções econômicas gerais; – medidas concernentes à cooperação econômica entre UE e Rússia. Ainda, a UE implementou sanções no mercado energético russo, porém, limitadas ao petróleo, uma vez que os países do Bloco estão entre os maiores consumidores de gás proveniente de lá (em 2018, cerca de 40% de todo o gás importado veio da Rússia).

Putin em reunião com representantes de Crimeia e Sebastopol

Deste modo, cabe salientar que as relações entre a Federação Russa e a União Europeia no atual contexto são de caráter mutualista e não-facultativo: a UE necessita da energia russa, e a Rússia está atrelada ao mercado europeu. Apesar de o Bloco europeu ser reconhecidamente unido na liberdade de bens e movimento entre cidadãos de seus Estados Membros, divergências entre os governantes dos países com relação a decisões tomadas por Bruxelas são inevitáveis.

A doutora Kristi Raikk, diretora do Instituto Estoniano de Política Internacional, acredita que a UE peca em não ter uma “direção comum nas políticas com relação à Rússia. Tal premissa é fundamentada nas posições de líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, que enfatizou que a Rússia pertence à Europa e ofereceu-se para sediar a Cúpula Normandy Four, em 2019, com foco a chegar a um consenso sobre os conflitos em Donbass, na Ucrânia. Já a Chanceler alemã, Angela Merkel, ajudou a sustentar as sanções impostas à Rússia, mas sem comprometer a construção do gasoduto Nord Stream 2, que deve dobrar o envio de gás natural à Alemanha neste ano (2020). Em contrapartida, os países do leste europeu, sobretudo a Polônia e os países bálticos, veem as investidas francesas e alemãs com desconfiança, e mesmo uma prepotência reducionista a seus próprios interesses, de acordo com a doutora Raikk.   

Mais recentemente, após o surto do Covid-19 e mesmo apresentando uma resposta admirável à pandemia, a Rússia tem sido severamente criticada por suposta campanha de desinformação lançada no Ocidente. Em relatório lançado pelo Serviço Europeu de Ação Externa em 16 de março (2020), o Kremlin é apontado como gerador de pânico e discórdia nos países europeus através de uma suposta campanha online de fake news em vários idiomas, utilizando dados confusos e perniciosos para dificultar a resposta da União Europeia à crise.

De acordo com a Reuters, que teve acesso ao documento, a desinformação espalhada pelo Kremlin tem o escopo de “agravar a crise na saúde pública dos países Ocidentais…em linha com a estratégia mais ampla do mesmo de subverter as sociedades Europeias”. O porta-voz do governo, Dmitry Peskov, apontou a falta de evidências no relatório e salientou que “Estamos falando novamente sobre alegações infundadas, as quais, no atual contexto, são provavelmente o resultado de uma obsessão anti-Rússia”.

Um gesto do presidente Putin colocou em evidência as acusações feitas pela agência da União Europeia: no domingo passado (22 de março de 2020), uma operação do Exército russo denominada “De Rússia, com Amor, enviou ajuda médica para a Itália. Naquele dia, ao menos três aviões carregados com caminhões de desinfestação de veículos, prédios e locais públicos, equipamentos médicos e profissionais da saúde saíram de Moscou rumo às cidades italianas mais atingidas pelo Coronavírus. O Ministro da Defesa russo disse que o auxílio total consiste em nove aviões militares tripulados com brigadas médicas compostas por virologistas e especialistas médicos de alto escalão. A ajuda foi prontamente agradecida pelo Primeiro-Ministro italiano, Giuseppe Conte.

Caminhão da operação ‘De Rússia, com Amor’ – retirada de Ministério da Defesa da Rússia

Ainda que delicadas, as recorrentes relações Federação Russa – União Europeia restam inabaladas pelos conflitos de caráter subjetivo que surgem como efeito de uma era de informações abundantes, irrestritas e não-filtradas. O espírito de cooperação impera no momento singular em que vivemos, e mesmo que os resultados por vir desta crise global se manifestem nos âmbitos político e econômico, talvez sirvam como catalisadores de uma mudança geral de mentalidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emmanuel Macron, Vladimir Putin e Angela Merkel” (Fonte): http://www.kremlin.ru/events/president/news/55010/photos/49345

Imagem 2 Putin em reunião com representantes de Crimeia e Sebastopol” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/63021

Imagem 3 Caminhão da operação De Rússia, com Amor’ – retirada de Ministério da Defesa da Rússia” (Fonte): http://eng.mil.ru/en/news_page/country/[email protected]

ANÁLISES DE CONJUNTURASaúde

A resposta da Rússia ao Covid-19

Com um registro oficial de mais de 145 mil infectados e 4.900 mortes relacionadas ao vírus ao redor do mundo, sendo 3.173 fatalidades apenas na China*, o novo Coronavírus (Covid-19/Sars-Cov-2) foi declarado pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na terça-feira, 11 de março de 2020. Essa decisão possui firme respaldo na velocidade pela qual o vírus se alastra, o fato de não estar, todavia, catalogado pela medicina e não existir tratamento direcionado ao patógeno, apenas aos seus sintomas. Ao passo que as nações adotam medidas de segurança para proteger as pessoas sob seu jugo, a pátria-Mãe Rússia age com cautela e determinismo na luta contra o Covid-19.

No maior país do mundo, os casos reportados do novo Coronavírus são relativamente baixos, figurando 59 casos até 14 de março (2020) sem nenhuma fatalidade até então. Os impactos da pandemia não se traduzem apenas em perdas humanas, mas, também, na economia global e na diplomacia, que devem, idealmente, encontrar um ponto de convergência entre as consequências da instabilidade monetária e da limitação de mobilidade das pessoas, e a segurança nacional. Situações extremas requerem medidas (ponderadamente) extremas, e desde o início de fevereiro o Kremlin restringiu a entrada de cidadãos chineses em território nacional e cessou a atividade de trens que conectam Moscou a Pequim. Em 20 de fevereiro (2020), a restrição escalou para banimento, no mesmo dia em que o Ministro das Finanças, Anton Siluanov, declarou uma queda de US$ 15,68 milhões** por dia (aproximadamente R$ 76.204.000,00) no comércio entre Rússia-China.

Tabela dos casos de Covid-19 na Rússia

No âmbito da prevenção e combate ao Coronavírus no país, a Federação Russa vem tomando medidas como a checagem da temperatura de passageiros em aviões e estações de metrô, o fechamento de fronteiras com a China e instituição de patrulhas voluntárias de caráter sanitário em regiões mais remotas do país. Contudo, a aplicabilidade destas medidas está sendo questionada, uma vez que parecem direcionar-se a pessoas de origem étnica chinesa. As patrulhas de Cossacos na cidade de Yekaterinburg fornecem máscaras à população e apresentam conselhos médicos sobre como evitar contrair o vírus. Mas, os conselhos vêm, por vezes, seguidos de comentários peculiares, conforme reportado pela CBC News: “Coloque isso antes de entrar (no mercado), pode haver chineses ali” – diz o patrulheiro Igor Gorbunov, denotando uma relação intrínseca entre o Covid-19 e os chineses enquanto povo.

A Embaixada da China na Rússia expediu um pedido às autoridades de Moscou para que deixem de perfilar os chineses nos transportes públicos como os únicos possíveis portadores do vírus, apontando que estes estão sendo alvo de questionamentos pontuais e são constantemente compelidos a fazer o teste da doença. Apesar de a Rússia ter tomado outras precauções, como suspender a emissão de vistos para cidadãos iranianos e italianos e cancelar voos de e para Irão, Coreia do Sul, Itália, Alemanha, França, Espanha, Polônia e Noruega, a conotação negativa destas decisões poderá refletir no âmbito político e econômico, sobretudo nas relações com a China, a qual tem sido parceira incontestável do Kremlin.

O fator do medo espalhado pelo Covid-19 causou redução nas exportações chinesas e fez decrescer a demanda por energia no país, sendo que o mercado energético responde por 30% do produto interno bruto (PIB) da Rússia e 60% de suas exportações, sendo esta a maior fornecedora de petróleo para a China. O Presidente da Federação Russa se pronunciou no domingo, dia 01/03/2020, a respeito da volatilidade do valor do petróleo, dizendo que o país teria o orçamento preparado para lidar com as flutuações e possui reservas acumuladas para estabilização da situação econômica e seus impactos sociais, mesmo com ameaça de recesso internacional. Porém, tal afirmação foi feita num período em que os preços do barril de petróleo ainda beiravam os US$50,00** (aproximadamente R$ 243,00). 

Os preços do barril de petróleo despencaram ao redor do globo, fechando a semana (13/03/2020) com o menor valor desde a crise de 2008: US$ 33,85** (aprox. R$ 164,511) para o barril do tipo Brent (comercializado principalmente na Bolsa de Valores de Londres e extraído do Mar do Norte e Oriente Médio) e US$ 31,73** (aprox. R$ 154, 207) no barril de WTI (comercializado na Bolsa de Nova Iorque e proveniente do Golfo do México). As tentativas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para estabilizar o preço do combustível fóssil foram infrutíferas, com Arábia Saudita e Rússia encerrando sua cooperação de longa data, quando o país de Putin recusou as demandas da primeira sobre reduzir a produção diária de barris frente ao novo contexto global. Mikhail Leontyev, secretário de imprensa da petroleira Rosneft, destacou que o posicionamento não é razoável: “Não tem sentido. Estamos renunciando a nossos próprios mercados, tirando o petróleo barato árabe e russo para deixar espaço para o caro petróleo dos Estados Unidos e garantir a eficácia de sua produção”. Apesar de a Rússia manter sua posição de autossuficiência no fornecimento de petróleo entre seis e dez anos com os valores atuais, tais perdas nos lucros significariam menos dinheiro para investir em programas contínuos, como o Poder da Sibéria e os avanços biotecnológicos

Reunião do Presidente Russo com investidores – 11/03/2020

Após se indispor com o Riad por razões de autopreservação, o Kremlin segue agindo seriamente no que tange à saúde da população russa. Além das medidas acima citadas, o governo limitou a capacidade de grandes reuniões para 5.000 pessoas em Moscou, recomendou aos residentes não utilizarem o transporte público durante horários de pico e requereu às pessoas retornando de zonas afetadas pelo Coronavírus que fiquem em quarentena por um período mínimo de 14 dias. Os moscovitas que desrespeitarem a quarentena podem ser presos por até cinco anos, e as autoridades contam com um sistema de reconhecimento facial e CCTV para garantir que as ordens estão sendo cumpridas e infratores da lei serão punidos. Como prova da efetividade do sistema de vigilância russo, cerca de 100 estudantes chineses serão deportados ao país de origem por violarem a quarentena, conforme reportado pelo Kommersant

Além disso, de acordo com The Daily Mail, autoridades da capital russa alocaram cerca de 92 milhões de libras esterlinas*** (aprox. R$ 548.320.000,00) para a rápida construção de um hospital em área remota, copiando movimentos da China na luta contra o Coronavírus e o próprio Parlamento foi desinfetado, após um membro do Duma deliberadamente quebrar a quarentena por não compreender” os reais riscos da doença. Ainda a Rússia suspendeu a exportação de aparatos de prevenção epidemiológica como máscaras, luvas, curativos e trajes completos de proteção.   

Aos olhos externos, muitas das medidas adotadas pela Rússia podem parecer drásticas. Alexander Saversky, um especialista da Academia Russa de Ciências e presidente da Liga Patsientov dos direitos dos pacientes considera que seu país está fazendo bem em não “fomentar histeria e tomar ações mais do que demonstrar que as toma. A partir de ontem, segunda-feira (16/03/2020), o comparecimento na escola será facultativo, outra prova de que a Rússia está agindo cautelosamente nas tentativas de conter o vírus, sem espalhar o pânico.

Apesar dos impactos negativos do Coronavírus na esfera global, a Rússia possui relativamente poucos casos, e por diversos motivos (dispersão demográfica, clima, entre outros). As respostas ágeis à ameaça patogênica podem servir para projetar a imagem de Vladimir Putin como responsável pelo baixo impacto do vírus na saúde pública russa, possivelmente auxiliando futuros projetos de sua carreira política. 

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Notas:

* Dados coletados a 12 de março de 2020.

** 1 US$ = R$ 4,86 em 14/03/2020.

*** 1 Libra Esterlina = R$ 5,96 em 14/03/2020.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vladimir Putin em reunião para conter Coronavírus 29/01/2020” (Fonte): http://kremlin.ru/events/president/news/62691/photos/63124

Imagem 2Tabela dos casos de Covid19 na Rússia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/2020_coronavirus_pandemic_in_Russia

Imagem 3Reunião do Presidente Russo com investidores 11/03/2020” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/62970/photos/63527

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

A dinâmica do serviço de inteligência russo

A Inteligência Russa, reconhecida pela sua destreza, sutileza e paradoxal dureza, goza de proteção política e status privilegiado de sentinela do Kremlin. Com aparatos herdados da outrora União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e um sistema de informações visto por muitos analistas como orwelliano, a Intel de Moscou é órgão vital da Federação Russa em sua investida por influência externa e rechaço das atividades ocidentais que possam ser vistas como agressivas à Rússia.

A Lei da Internet Soberana, as alegações de parcialidade do Sci-hub, a instalação de softwares russos em aparelhos comercializados no país e os dissídios frequentes entre a Sociedade de Proteção da Internet e redes sociais parecem representar um modus operandi interno para a angariação de dados sensíveis e importantes para as necessidades do governo. O GRU (Diretório Principal de Inteligência e Equipe Geral, responsável por investigações domésticas) dá novo sentido ao HUMINT (Human Intelligence – Inteligência Humana) e ao SIGINT (coleta de dados através de interceptação de sinais, ou, simplificadamente, Inteligência de Sinais), utilizando todas as ferramentas que a modernidade pode oferecer. Cabe lembrar que a Rússia é famosa pela sua presença online através de memes, acusações de fake news e desinformação, existindo pesquisas conduzidas por anos consecutivos que apontam haver uma parceria crescente entre as agências de Inteligência russas e cyber-criminosos, embora seja algo que precisa ser comprovado.  

Centro Administrativo de Defesa Nacional

No âmbito internacional, o Serviço de Inteligência Estrangeira Russa (SVR) conduz operações de HUMINT e SIGINT de maneira mais audaz. Atualmente, GRU e SVR se comunicam pela Agência Federal para Comunicações e Informação do Governo (FAPSI), responsável pelo desenvolvimento e manutenção de bancos de dados e sistemas de comunicação para apoiar a inteligência e a aplicação da lei russa. Nota-se que os rebentos da KGB perfazem suas competências e, com o auxílio da recente FAPSI, zelam conjuntamente pela segurança nacional da Rússia, cada qual aplicando seus métodos independentes.  

Emblema do Serviço de Inteligência Estrangeira Russa (SVR)

Um possível exemplo do funcionamento da Intel russa é o dispêndio excessivo com militarização, o qual levanta questões sobre os motivos destes investimentos em tempos de relativa paz, e a adoção de campanhas de desinformação na África, que remete ao colonialismo chinês no continente em ações que serviços de contrainteligência de outros países consideram como nocivas e com o objetivo-mor de desestabilizar as potências ocidentais, sobretudo, da Europa e os Estados Unidos.

A Nato Review considera que as operações da Intel russa estão mudando suas táticas, e não seus objetivos. Na revista online, Dr. Mark Galeotti afirma que as campanhas de inteligência do Kremlin contra o ocidente em 2018 foram ousadas, dirigidas sobre alvos potencialmente perigosos para os interesses da Federação Russa. Entre os exemplos citados pelo Dr. Galeotti estão diplomatas expulsos e banidos da Grécia por tentativas de interferir na eleição histórica da mudança de nome da atual República da Macedônia do Norte, um espião russo tornou-se persona non grata na Suécia, entre muitos outros casos envolvendo agentes russos. O próprio presidente da Sérvia acusou a Rússia de espionagem, alegação rebatida por Maria Zakharova, representante das Relações Exteriores, dizendo que as provas de vídeo apresentadas eram apenas provocação para causar impasse entre os países.

Em novembro deste ano (2019), o ex-legislador búlgaro, Nikolai Malinov, acusado de espionar para a Rússia, recebeu um prêmio especial do presidente Vladimir Putin. Malinov foi acusado de transmitir informações sigilosas para duas organizações estratégicas russas, e sua condecoração foi vista no ocidente como a representação do descaso de Moscou para as constantes alegações de que a Rússia possui olhos famintos nos negócios das outras nações. 

Vladimir Putin como agente KGB, 1980

É inquestionável que a fama da Inteligência russa a precede, o que pode ser atestado pela compostura sagaz do atual Presidente do país e antigo agente da KGB, Vladimir Putin, frente às adversidades e oportunidades (Ver Bebês CRISPR e Parceria Rússia-China). Contudo, fazer parte de uma rede tão complexa de espionagem pode tornar-se uma armadilha para ursos: quanto mais se dedica o agente, mais preso às incumbências ele fica. Ralph Peters, do New York Post, afirma por experiência de primeira mão que “ninguém realmente se aposenta da inteligência russa” e, no final das contas, a própria Rússia é “Putin incorporado”.

Uma série de ataques a antigos oficiais russos no Reino Unido tomou conta dos tabloides em certas ocasiões. Em 2018, o ex-agente da GRU, Sergei Skripal, acusado de alta-traição por fornecer informações ao MI6, sofreu uma tentativa de assassinato pela substância tóxica novichok enquanto estava com sua filha em Salisbury, Inglaterra, ação sobre a qual existem acusações contra o governo, mas sem provas. A BBC ainda relata o caso de Alexander Litvinenko, ex-agente do Serviço Federal de Segurança Russo (FSB), envenenado pela substância radioativa polônio-210, que investigava, à época do seu assassinato, a morte de uma jornalista russa impertinente ao Kremlin.

Acusa-se que a existência de planos de calar dissidentes não são fenômenos recentes, apenas mudaram-se os meios de ação. Em 1974, o então comandante da KGB, Yuri Andropov, exilou o escritor Solzhenitsyn sob a acusação de que sua obra “O Arquipélago Gulag” era um perigoso documento político. No final, o plano de Andropov falhou, pois Solzhenitsyn não se tornou uma figura marcante dos emigrantes russos e tampouco se tornou o sussurro do Kremlin na Casa Branca, embora seu livro tenha feito um sucesso fenomenal ao retratar o tratamento e a vida nos campos de trabalho forçado do Comunismo Soviético. Apesar disso, nos anos seguintes, conforme apresentam pesquisadores, o então governo soviético continuou a tradição de exilar dissidentes ou mesmo trancafiá-los em sanatórios.

Atualmente, os serviços de inteligência reconhecem a influência dos expatriados na política de seus países de origem. No ano 2000, exilados russos no Reino Unido lançaram uma campanha feroz contra o recém-eleito presidente Putin, e percebeu-se que exilados e expatriados abastados podem interferir na imagem de seus países de origem dentro da nação acolhedora, claramente influenciando decisões tomadas por líderes e mesmo a criação de políticas internas e externas. Basta um intelecto ativo como o de Solzhenitsyn e Bulgakov* para causar repercussão.

Se forem verídicos os envolvimentos do governo russo nos casos de Litvinenko e Skripal, isso pode demonstrar que a inteligência russa teve que se adaptar para não perecer após a queda da União Soviética. Diferente da China, sobre a qual se acusa que recruta e infiltra homens e mulheres sem o título explícito de agentes, a Rússia continua a exportar inteligência de alto nível, e mesmo suas aparentes falhas, são meticulosamente calculadas. De acordo com a Quartz**, o agente veterano da CIA, Dan Hoffman, que serviu anos em Moscou, diz que algumas operações da intel russa são carregadas de incompetência proposital, e isso faz parte de uma estratégia maior. Por exemplo, a reunião de 2016 de Donald Trump Junior, Jared Kushner e o campanhista Paul Manafort deixou uma trilha desde o Trump Tower até o Kremlin, o que levou Vladimir Putin a alcançar dois objetivos: causar tumulto no governo Americano e dar à Rússia o “direito de gabar-se sobre seu poder no palco global”.

Tomando os fatos apresentados, observa-se que o desgastado urso russo é capaz de aprender novos truques, e a recorrente exposição do país na mídia demonstra que se está fazendo notar, mesmo pelas “falhas”.

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Nota:

* Mikhail Bulgakov: Médico, escritor e satirista, crítico do regime Estalinista; seu romance de maior sucesso, censurado e banido por muito tempo foi “O Mestre e Margarida”. https://www.britannica.com/biography/Mikhail-Bulgakov

** Quartz: Revista virtual de cunho principalmente econômico. (https://qz.com/)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sala de Conferência do Centro Administrativo de Defesa Nacional” (Fonte): http://www.kremlin.ru/events/president/news/47256

Imagem 2 Centro Administrativo de Defesa Nacional” (Fonte): http://structure.mil.ru/structure/structuremorf.htm

Imagem 3 Emblema do Serviço de Inteligência Estrangeira Russa (SVR)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Emblem_of_the_Foreign_Intelligence_Service_of_Russia.svg

Imagem 4 Vladimir Putin como agente KGB, 1980” (Fonte Kremlin.ru): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d6/Vladimir_Putin_in_KGB_uniform.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Comércio entre Rússia e China apresenta crescimento sem precedentes

A inauguração do gasoduto “Poder da Sibéria” foi um marco nas relações bilaterais entre Rússia e China, em tempos de sanções do ocidente contra ambos os países. Em uma empreitada de cooperação sem precedentes, Moscou e Pequim consolidam sua posição de parceiros comerciais, assumida em 2014, com a crise da Crimeia. Conforme reportado pelo Sputnik, o comércio Sino-Russo atingiu, em 2019, a marca dos 110 bilhões de dólares (aproximadamente,446,6 bilhões de reais)*, representando um crescimento de 3,1%, com base no mesmo período do ano passado (nomeadamente, de janeiro a novembro de 2018).

Há nove anos consecutivos, a China é o maior parceiro comercial da Rússia, tanto em importações, como exportações. De acordo com dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China e publicados pela TASS, o volume de exportações chinesas para a Rússia manteve-se estável nos primeiros oito meses do ano (2019), enquanto as importações chinesas de produtos e serviços russos cresceu 8,3%, sendo a Rússia a maior fornecedora de petróleo bruto para o país. Mais detalhadamente, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, disse que, até outubro de 2019, as importações de produtos agrícolas de origem russa aumentaram 12,4%, enquanto as exportações de carros chineses para a Rússia cresceram 66,4%

O Primeiro-Ministro russo, Dmitry Medvedev, anunciou a ambição do Kremlin de dobrar o comércio entre Federação Russa e China até 2024, o que acarretaria um faturamento de 200 bilhões de dólares (em torno de 812 bilhões de reais)* em negócios mútuos. As áreas de foco da cooperação seriam a agricultura (principalmente a soja), por intermédio da remoção de barreiras tarifárias; a indústria de alta tecnologia e, é claro, o setor energético.

Reunião do presidente Vladimir Putin com o presidente Xi Jinping, Novembro de 2019

É importante salientar que a Rússia já tem megaprojetos de infraestrutura aprovados para acontecer neste período de cinco anos, incluindo aeroportos, pontes, autoestradas, portos e ferrovias, dos quais 10% são destinados a facilitar o comércio através do corredor Leste-Oeste. Um exemplo é a Estrada Meridiana (Meridian Highway): uma via de 2.000 quilômetros entre Bielorrússia e Cazaquistão, a mais curta autoestrada conectando a Europa com a China, para propósitos comerciais.

Embora seja uma relação de longa data, o volume de dinheiro movimentado pelo comércio bilateral entre os países apenas cresceu vertiginosamente nos últimos anos, saltando de 69,6 bilhões de dólares em 2016 (próximos de 282,83 bilhões de reais)* para mais de 107,1 bilhões em 2018 (aproximadamente, 435,22 bilhões de reais)* e atingindo novo recorde este ano (2019).

Vladimir Putin com Xi Jinping, Dezembro de 2018

Em reunião de imprensa após discussão com o Presidente chinês, em setembro de 2018, Vladimir Putin confirmou que as relações Federação Russa-China vão além do comércio per se: “Rússia e China reafirmaram seu interesse em expandir o uso das moedas nacionais em acordos bilaterais, o que melhoraria a estabilidade dos serviços bancários durante as transações de importação e exportação sob as arriscadas condições dos mercados globais”.

A parceria segue um caminho promissor. Xi Jinping afirma que Rússia é o país que mais visitou, e em junho deste ano (2019) premiou o presidente Vladimir Putin com a primeira medalha de amizade da China, considerando-o seu “melhor e mais íntimo amigo”.

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Nota:

* Cotação do dólar em 16/12/2019: 1 US$ = R$ 4,06.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunião de imprensa após discussão com Xi Jinping, Setembro de 2018” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/58528/photos/55373

Imagem 2 Reunião do presidente Vladimir Putin com o presidente Xi Jinping, Novembro de 2019” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/62039/photos/61986

Imagem 3 Vladimir Putin com Xi Jinping, Dezembro de 2018” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/59279/photos/56869