EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

As eleições europeias e a Dinamarca

A Dinamarca ingressou na União Europeia (UE) em 1973, todavia, o Estado escandinavo não aderiu à Zona do Euro, tal como sua vizinha Finlândia, mas se tornou membro do Espaço Schengen, em 2000, abrindo suas fronteiras para a livre circulação de europeus e aos Estados associados.

Diante de um país que não é integrado financeiramente a UE, os dinamarqueses votaram em peso nas eleições para o Parlamento Europeu, em Bruxelas e Estrasburgo*, pois 66% do eleitorado compareceu às urnas ou votou por correspondência. Esse índice é o maior desde o registro, em 2009, quando 59,5% de eleitores se apresentaram para o pleito.

O fato de maior surpresa foi a vitória do Venstre (Partido Liberal da Dinamarca – V) nas eleições, representando 23,5% dos votos, visto que eles retiraram o assento do eurocético Folkebevægelsen mod EU (Partido do Movimento Popular contra a UE). A vitória do V é significativa, ante o esforço eleitoral a poucos dias das eleições nacionais.

Venstre – (V) – Partido Liberal da Dinamarca

O jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação do especialista em eleições da Universidade de Copenhague, professor Kasper Møller Hansen, sobre o assunto, o qual comentou brevemente: “É um grande resultado para o Venstre que eles possam conseguir essa vitória dias antes de uma eleição geral”.

Os demais partidos vencedores, em ordem decrescente, foram: o Socialdemokratiet (Partido Social-Democrata – A), com 21,5%; o Socialistisk Folkeparti (Partido Popular Socialista – SF), com 13,2%; o Dansk Folkeparti (Partido Popular Dinamarquês – DF), com 10,7%; o Radikale (Partido Radical – B), com 10,1%; o Konservatite (Partido Popular Conservador – C), com 6,2%; e o Enhedslisten (Aliança Vermelha e Verde), com 5,5%.

Os analistas salientam a saída do “Folkebevægelsen mod EU” do Parlamento Europeu como um aparente revigoramento dinamarquês na crença nos valores políticos do Bloco. E se observa o declínio do DF no cenário político do país, identificado como populista e defensor da anti-imigração, como resultante da preferência eleitoral por discursos menos extremos.

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Nota:

* O Tratado da União Europeia estabelece que a organização dos trabalhos parlamentares ficam distribuídos da seguinte forma: Estrasburgo – a maior parte das Sessões Plenárias; Bruxelas – as Comissões Parlamentares; e Luxemburgo – o Secretariado do Parlamento. Para a efetuação de mudanças, todos os 28 Estados-membros devem aprovar por unanimidade a pauta e ratificar em seus respectivos Estados. O contrário seria uma violação do próprio Tratado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Parlamento Europeu Estrasburgo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2c/European_Parliament_Strasbourg_Hemicycle_-Diliff.jpg/1280px-European_Parliament_Strasbourg_Hemicycle-_Diliff.jpg

Imagem 2 Venstre – (V) – Partido Liberal da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0e/Venstre_%28DK%29_Logo.svg/755px-Venstre_%28DK%29_Logo.svg.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Referendo lituano sobre a extensão da cidadania

A Lituânia é um Estado que fez parte da União Soviética por décadas, até readquirir sua independência em 11 de março de 1990. De modo semelhante ao que aconteceu com os países bálticos, os lituanos receberam muita influência do regime soviético e tiveram suas escolhas políticas e sociais dependentes do regime.

Com a restauração do Estado, a cidadania lituana foi fortalecida constitucionalmente e as pessoas foram impedidas de obter a dupla cidadania. Essa ação trouxe benefícios à comunidade lituana com a ênfase no incentivo e preservação de sua cultura, todavia, para as pessoas que residiam fora de Vilnius*, ou que possuíam ascendência lituana, a restrição contribuiu para afastá-las de sua herança histórica.

Diante dessa realidade, em 12 de maio (2019) foi feito um referendo para tratar da expansão da cidadania lituana para que os membros deste país possam adquirir a dupla cidadania. Isso significa a possibilidade de se tornarem, por exemplo, argentinos, brasileiros ou estadunidenses**, sem a perda da nacionalidade lituana.

Dalia Grybauskaite

O referendo de 2019 não aprovou a pauta, visto que a legislação do Estado prevê para a efetivação de mudanças que mais da metade da população diga sim ao assunto. Ou seja, 1.236.203 pessoas deveriam votar a favor da proposta, porém apenas 656.500 pessoas disseram concordar com a expansão da cidadania.

O jornal The Baltic times informou a afirmação da Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, sobre o ocorrido, a qual sinalizou: “Um segundo referendo não pode ser realizado em breve, já que o público teve sua opinião. Acredito que possa ser repetido mais tarde, sem dúvida, sob diferentes circunstâncias”.

Os analistas observam que a valorização da inclusão evoluiu bastante na Lituânia nos últimos anos, pois, cerca de 300.000 votos separaram a diferença na expansão da cidadania. A pauta não avançou e nem modificou o status atual da questão, entretanto, auxilia na compreensão de que as instituições no país báltico são funcionais e que a vontade dos cidadãos está sendo respeitada.

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Notas:

* Vilnius é a capital do país. A referência faz designação ao Estado lituano.

** Diversos lituanos imigraram para a Argentina, o Brasil e os Estados Unidos durante o século XX e estabeleceram comunidades expressivas nos respectivos países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Panorama de Vilnius” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Vilnius_-_Panorama_02.jpg

Imagem 2 Dalia Grybauskaite” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Dalia_Grybauskait%C4%97.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A relação do Facebook nas eleições dinamarquesas

Em períodos anteriores a ascensão da internet, as disputas acirradas pelo voto também eram intensas, todavia, nos dias atuais, as mesmas passam a ser objeto de maior preocupação devido a propagação de notícias falsas (fake news).

Diversos grupos e Estados se sentem receosos sobre o potencial que as fake news e demais instrumentos cibernéticos podem ter durante tempos eleitorais. Diante disso, o Facebook e as autoridades dinamarquesas estão se reunindo com o objetivo de combater a difamação e as tentativas de desacreditar os candidatos.

O jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação do Diretor de Assuntos Políticos do Facebook nos países nórdicos e no Benelux*, Martin Ruby, sobre a pauta sensível: “O que aprendemos é que há muitos jogadores por aí que querem abusar de nossa plataforma. Não importa o quanto removamos, não parece ser suficiente, e isso é porque não são apenas terroristas, ou outros bandidos que compartilham coisas, mas também pessoas comuns”.

Internet e rede de cabos submarinos

Apesar dos esforços conjuntos, é notória a dificuldade existente para neutralizar todos os possíveis casos de crimes virtuais, entretanto, também é relevante considerar que hoje a sociedade é mais globalizada, e impedir que as informações circulem pode vir a acarretar prejuízos para a própria sociedade dinamarquesa.

Os analistas compreendem a necessidade de coibir o crime e as tentativas de manipulação eleitoreira, todavia, se ressalta o papel do marketing político como instrumento de influência sobre os cidadãos. De acordo com a interpretação destes especialistas, o marqueteiro não é um criminoso, porém tem a função de “manipular” as massas para ganhar o voto de forma legal. O que se entende é que com ou sem a possibilidade de interferências virtuais nos círculos de pleito, a decisão final cabe ao eleitor dinamarquês para realizar as próprias escolhas.

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Nota:

* Benelux: termo utilizado para descrever o agrupamento de Bélgica, Holanda (Nederland) e Luxemburgo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hacker” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Cliche_Hacker_and_Binary_Code_%2826614834084%29.jpg

Imagem 2 Internet e rede de cabos submarinos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/Submarine_cable_map_umap.png

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

A greve da SAS na Suécia

A Scandinavian Airlines System (SAS) é uma companhia aérea multinacional formada inicialmente por consórcio entre a Suécia, a Noruega e a Dinamarca, em 1951. Após mudanças de mercado, em 2004, a empresa passou a operar dividida em 4 novas empresas independentes: SAS Scandinavian Airlines Sverige AB, SAS Scandinavian Airlines Danmark AS, SAS Scandinavian Airlines Norge AS, e SAS Scandinavian International AS, as quais ampliaram rotas domésticas e internacionais na região nórdica europeia.

Nos últimos anos, a SAS enfrenta momentos de dificuldades financeiras e redução de custos, e enfrentou uma greve de pilotos que paralisou a maioria dos seus voos, chegando a cerca de 4.000 cancelamentos. A greve iniciou no dia 26 de abril (2019) e terminou no dia 2 de maio, há exatamente 1 semana, e resultou em acordo de 11% no aumento de salários e no prejuízo de aproximadamente 380.000 passageiros.

A razão básica para a greve não foi apenas pelo aumento de salários dos pilotos, os quais se queixavam de defasagem, mas também pela desvalorização destes profissionais que alegavam não ter condições de trabalho apropriadas e realizarem voos seguidos por semanas.

Frota da SAS

Em relação ao tema, o jornal Expressen trouxe as afirmações do CEO da SAS, Richard Gustafsson, o qual comentou durante a paralisação: “Queremos dizer que temos uma boa oferta para nossos pilotos. Quando recrutamos novos pilotos, recebemos muitos aplicativos, por funcionários muito talentosos, mas também não podemos criar uma explosão de custos na empresa”.

Na mesma mídia, o Presidente da Associação de Pilotos Sueca da seção SAS, Wilhelm Tersmeden, declarou, em defesa dos profissionais durante o período de greve: “Um piloto da SAS se casa com a empresa e queremos que a SAS sobreviva. Mas nós não nos reconhecemos na descrição da realidade que a atual administração faz”.

Os analistas entendem que todos os profissionais possuem o direito de realizarem paralisações em defesa de seus interesses, assim como reconhecem as dificuldades inerentes a gestão de empresas. Todavia, o principal prejudicado com a greve da SAS foi o consumidor, o qual não pode contar com a efetivação de serviços no momento de compra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Avião da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3b/LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg/1280px-LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg

Imagem 2 Frota da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/SAS_DC-8-33_OY-KTA.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A Lituânia planeja maior controle sobre as moedas virtuais

Nos últimos anos, a tecnologia revolucionou as formas de comunicação, encurtando distâncias e possibilitando maior interação social. Todavia, em tempos de propagação de e-mail e de redes sociais, o mundo observa a ascensão das moedas virtuais, que chegaram para transformar o mercado financeiro.

Com a valorização monetária, as moedas virtuais alcançaram grande visibilidade e chamaram a atenção de investidores em busca de lucros rápidos, contribuindo para sua expansão no mercado global. Atualmente, diversos Estados ora concordam, ora discordam quanto ao uso do dinheiro virtual, e um desses países é a Lituânia.

Os lituanos querem tornar as regras mais rígidas para as operações de câmbio virtual e de depósitos, visto que almejam se prevenir contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Na prática, a diretriz visa a identificação dos clientes pelas operadoras, caso o valor do serviço exceda 1.000 euros, e fornecer ao Serviço de Investigação de Crimes Financeiros (FCIS – sigla em inglês) informações se a operação equivaler até 15.000 euros.

Criptomoedas

O jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Diretor do Departamento de Políticas do Mercado Financeiro do Ministério da Fazenda da Lituânia, Sigitas Mitkus, sobre a pauta, o qual declarou: “Queremos criar um ambiente jurídico transparente para trocas de moeda virtual, operadores de carteiras de depósito e iniciadores da OIC (Oferta Inicial de Moedas – sigla em inglês). Também queremos contribuir para garantir melhor proteção ao consumidor. Ao introduzir limites para as operações financeiras, estamos indo além da diretiva da União Europeia (UE) e provavelmente nos tornaremos os primeiros no mundo a implementar as recomendações do GAFI* (Grupo de Ação Financeira) e aplicar os requisitos não apenas à conversão de moeda virtual para os tradicionais e vice-versa, mas também ao converter uma moeda virtual em outra”.

Os analistas salientam que a proposição do Estado lituano é positiva, à medida que estabelece regras claras de atuação no mercado de moedas virtuais daquele país. Outro fator interessante é a preocupação da Lituânia com a transparência das operações financeiras, sobretudo, diante dos postulados pelo GAFI. Todavia, apenas se considera como negativa a possibilidade de redução da circulação das moedas virtuais, assim como de prerrogativas que inflijam na perda de liberdade de escolha dos cidadãos, as quais não são o caso dessa proposta.

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Nota:

* Grupo de Ação Financeira Internacional: é um agrupamento governamental internacional informal, ou seja, que não foi criado por Tratado Internacional, com o objetivo de formular recomendações aos Estados contra a lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e cooperação internacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco da Lituânia filial de Kaunas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/01/Lietuvos_bankas_Kaune.JPG/797px-Lietuvos_bankas_Kaune.JPG

Imagem 2 Criptomoedas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Market_capitalizations_of_cryptocurrencies.svg/1280px-Market_capitalizations_of_cryptocurrencies.svg.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O impacto do Brexit na indústria pesqueira dinamarquesa

A Dinamarca é um país que detém uma considerável indústria pesqueira devido ao fácil acesso marítimo que possui, e pela localização geográfica no meio da Europa nórdica. Esses fatores contribuíram para a formação de tradições e hábitos alimentares que têm na pesca importância singular, não apenas para os dinamarqueses, como também para os nórdicos em geral.

O comércio e indústria do peixe é de tamanha relevância para o país que, no caso do Reino Unido (UK – sigla em inglês), somente a frota danesa* tem 30% da renda oriunda das águas britânicas. Essa cifra equivale a cerca de 1 bilhão de coroas dinamarquesas por ano (cerca de 150,55 bilhões de dólares, ou 590,92 bilhões de reais, conforme a cotação de 18 de abril de 2019) de acordo com um relatório do Departamento de Economia de Alimentos e Recursos da Universidade de Copenhague.

O Brexit é a saída dos britânicos da União Europeia (UE) e diante dessa questão emerge em Copenhague** a preocupação com os benefícios que o UK poderia dar à Dinamarca após a separação do Bloco europeu. Apesar dos receios, o governo danês* está na busca por um acordo unilateral com Londres***, de forma a garantir uma boa negociação para a preservação do mercado.

Eva Kjer Hansen – Ministra da Pesca da Dinamarca

Em relação a essa questão, o jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação da Ministra da Pesca do país, Eva Kjer Hansen, sobre o assunto: “Um Brexit sem acesso à pesca em águas britânicas pode ter consequências graves para os pescadores e isso é muito preocupante. Além disso, o Brexit pode impactar a indústria, os setores associados e as comunidades locais, com centenas de empregos em jogo.

Os analistas entendem a sensibilidade da pauta, a qual faculta ao Reino Unido a decisão de conceder aos dinamarqueses permissão para pesca em suas águas. É possível que a cooperação permaneça entre ambos os Estados, visto que é benéfica para a geração de empregos, arrecadação de impostos e movimentação da economia dos países-chaves.  

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Notas:

* Danesa ou Danês: adjetivo pátrio e equivalente a dinamarquês.

** Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; utilizada para fazer referência a sede do governo.

*** Londres: capital do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte; utilizada para referir-se a sede do governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barco de pesca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Barco_75_%2817211701766%29.jpg

Imagem 2 Eva Kjer Hansen Ministra da Pesca da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d0/20181204_Eva_Kjer_Hansen_Granshindermote_Folketinget_Greater_Copenhagen_OresundDirekt_0041_%2845332844785%29.jpg/1024px-20181204_Eva_Kjer_Hansen_Granshindermote_Folketinget_Greater_Copenhagen_OresundDirekt_0041_%2845332844785%29.jpg