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A Noruega e o Brexit

A Noruega é um Estado que não faz parte da União Europeia (UE) e isso significa que os noruegueses não possuem poder de decisão nos órgãos do Bloco europeu. Todavia, eles não estão isolados das políticas do continente e participam da Associação Europeia de Livre Comércio (em inglês European Free Trade Association – EFTA).

O EFTA nasceu em 4 de janeiro de 1960, na cidade de Estocolmo, Suécia, com o propósito de formar um bloco de países que desejavam maior autonomia frente às políticas da Comunidade Econômica Europeia (CEE). É o bloco econômico que criou um espaço para o livre-comércio entre as nações que não queriam se integrar antiga CEE.

Os Estados fundadores foram a Áustria, Dinamarca, Noruega, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suíça. Em 1970 ingressou a Islândia e, em 1991, o Liechtenstein. Entretanto, mudanças conjunturais de cunho político contribuíram para o esvaziamento da entidade, a qual experimentou a declinação de diversos Estados, a exemplo do Reino Unido, em 1973. Atualmente, o EFTA possui como membros apenas a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

Os noruegueses preferiram permanecer no grupo e resolveram não aderir aos postulados políticos e econômicos da CEE, a qual se tornou União Europeia (UE) com o Tratado de Maastricht, em 1992. Todavia, ambas as instituições iniciaram acordos a partir de 1973, os quais culminaram na criação do Espaço Econômico Europeu (EEE), em 1992, possibilitando a ampliação do livre-comércio no continente.

Diante dos fatos expostos, observa-se a existência atual de dois blocos econômicos distintos: o EFTA, com atores não participantes da Zona do Euro e não participantes das decisões do Bloco europeu; e a própria UE, que abarca vários Estados a partir de um contexto de integração política e econômica.

Dentro do contexto de integração regional e de livre circulação de bens e pessoas, emergiu na Europa uma variável imprevista, pois o Reino Unido decidiu deixar a UE no evento conhecido popularmente como Brexit. O termo Brexit é composto pela junção das palavras inglesas British (britânico) e Exit (saída), e representa a saída dos britânicos do espaço da UE. O Reino Unido decidiu a controvérsia mediante a realização do Referendo de 23 de junho de 2016, no qual 52% da população declarou o não para o Bloco europeu, e apenas 48% manifestou o sim para a permanência do Estado na UE.

Apesar da aparente resolução da questão, o Brexit apenas alavancou maiores incertezas, pois o futuro do relacionamento entre os britânicos e demais países da UE ainda é uma incógnita e, internamente, o Brexit poderá suscitar movimentos nacionalistas, visto que a Escócia e a Irlanda do Norte apresentaram voto majoritário à permanência do Reino Unido na União Europeia.

Os britânicos são o principal parceiro comercial dos noruegueses e, apesar desses últimos nunca terem sido parte da UE, os efeitos do Brexit entre ambos podem ser adversos. Como exemplos é possível pensar na reestruturação das cotas pesqueiras, na reação dos agricultores, no protecionismo a ser adotado, no fornecimento de gás natural, e até no setor de educação, o qual possui articulação para atração de estudantes no âmbito de acordos e convênios internacionais.

Um caso específico norueguês é o ingresso no Reino Unido de centenas de estudantes e funcionários de universidades daquele país que fazem uso do programa educacional Erasmus+*. Muitos alunos receiam que venham a sofrer prejuízos burocráticos, ou até um aumento no valor de mensalidades, se os britânicos resolverem deixar a cooperação com o programa no futuro.

Em relação à pauta, o jornal Khrono trouxe a declaração da estudante norueguesa Sara Giovannini, que cursa Desenvolvimento Internacional na London School of Economics: “Isso enfraquecerá bastante as universidades britânicas. Acho que muitos não terão a oportunidade de pagar o dobro do que pagam hoje. Muitos escolherão outros países como Alemanha e França”.

Primeiro-Ministro do Reino Unido, Boris Johnson

No tangente ao tema educacional, o Reino Unido aparenta estabilidade e abertura diante dos programas de cooperação internacional da UE, conforme sinalizou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson para o jornal BBC: “É por isso que, ao deixarmos a UE, quero enviar uma mensagem de que o Reino Unido está aberto às mentes mais talentosas do mundo e estou pronto para apoiá-las a transformar suas ideias em realidade”.

Os britânicos possuem um prazo de transição até 31 de dezembro deste ano (2020) para resolverem todas as pendências jurídicas existentes com o Bloco europeu e países do EFTA. Enquanto as soluções não são postas em prática, Londres** permanece sujeita aos direitos e deveres estabelecidos com a UE, os quais garantem estabilidade momentânea.

Apesar do prazo e das burocracias políticas, o Embaixador Britânico em Oslo***, Richard Wood, demonstrou otimismo nas relações entre Reino Unido e Noruega, conforme declaração do mesmo ao jornal Verdens Gang: “Agora todos temos o mesmo objetivo de conseguir o melhor acordo possível para ambas as partes. Lembrem-se de que a Noruega é o maior fornecedor de energia e peixe do Reino Unido e somos o maior parceiro comercial da Noruega. Está tudo pronto para concordar, estou muito otimista”.

Em relação ao período de transição, a Noruega, juntamente com a Islândia e o Liechtenstein, assinaram um acordo multilateral de Brexit com o Reino Unido, o qual regula a manutenção dos direitos trabalhistas dos seus cidadãos nos respectivos Estados, e estabelece a não mudança de regras entre os atores no âmbito do EEE/EFTA.

Ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Søreide

No que diz respeito à questão, o site do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega divulgou a declaração da ministra Ine Eriksen Søreide, responsável pela pasta citada, a qual afirmou sobre a temática: “O acordo que assinamos hoje garante que os cidadãos noruegueses que adquiriram direitos no Reino Unido os mantenham, mesmo após o final do período de transição. O mesmo se aplica aos cidadãos do Reino Unido nos países do EEE/EFTA, inclusive na Noruega”.

Os analistas entendem as nuances do Brexit e a necessidade de regulações comerciais com a UE e Noruega. Os acordos bilaterais são necessários para garantir o estado de coisas e a manutenção das atividades cotidianas de milhões de pessoas.

Em relação à Noruega, observam-se poucas mudanças futuras, já que o país assinou um acordo de transição com Londres e é grande parceiro comercial dos britânicos. Todavia, é pertinente salientar que negociações posteriores poderão ser dificultosas, devido às sensibilidades dos setores específicos e, se não forem feitas sob cautela, os noruegueses poderão vir a perder espaço econômico. Ou seja, ambos os Estados poderão ter contratempos nas pautas de energia, pesca e agricultura, pois, no geral, e respectivamente, tendem a apresentar desentendimentos tarifários, de cotas e mesmo de incentivos protecionistas.

Em relação ao Reino Unido, observam-se também baixas perspectivas de mudanças futuras no que diz respeito à Noruega, visto que os Estados possuem laços culturais e históricos fortes, que contribuem para a compreensão e resolução de diferenças. A circulação de noruegueses no país, ainda que pequena em relação a outros grupos estrangeiros, gera sinergia econômica e impulsiona a ascensão de empregos. É possível que a Escócia e a Irlanda do Norte, defensoras da UE, venham a ter voz semelhante com os interesses noruegueses no país e contribuam para alavancar mais as relações britânicas e norueguesas.

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Notas:

Programa Erasmus +: é um programa educacional europeu que apoia pessoas e organizações com o objetivo de fomentar o crescimento, o emprego e a inclusão social.

** Londres: capital do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte; utilizado no texto como referência ao Estado britânico.

*** Oslo: capital do Reino da Noruega; utilizado no texto como referência ao Estado norueguês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c1/Utenriksdepartementet_Oslo.jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro do Reino Unido, Boris Johnson” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a0/Yukiya_Amano_with_Boris_Johnson_in_London_-2018%2841099455635%29_%28cropped%29.jpg/777px-Yukiya_Amano_with_Boris_Johnson_in_London_-2018%2841099455635%29_%28cropped%29.jpg

Imagem 3 Ministra dos Negócios Estrangeiros da NoruegaIne Eriksen Søreide” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9a/Ine_Marie_Eriksen_S%C3%B8reide_-2013-08-10_at_12-28-52.jpg/1280px-Ine_Marie_Eriksen_S%C3%B8reide-_2013-08-10_at_12-28-52.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A inauguração do gasoduto russo-turco

No dia 8 de janeiro deste ano (2020) o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reuniram-se na cidade de Istambul para a cerimônia oficial de inauguração do gasoduto Turkish Stream. O planejamento do gasoduto durou alguns anos e sofreu um leve revés em 2015 com o episódio da queda do avião de combate russo pelos turcos. Todavia, o incidente não inviabilizou o projeto o qual foi retomado em 2017 já com a construção da linha.

A principal linha do gasoduto possui 930 Km de extensão, e compreende 230 Km em águas marítimas russas e 700 Km em águas marítimas turcas. O Turkish Stream conecta o gás natural da cidade russa de Anapa, no Krai de Krasnodar, a cidade turca de Kiyikӧy, na província de Kirklareli, por debaixo do Mar Negro. A partir de Kiyikӧy inicia-se uma extensão da linha a qual estende-se por 69 Km até o centro de distribuição na cidade de Lüleburgaz, e por mais 145 Km até a cidade de Ipsala, na fronteira turco-grega.

O gasoduto russo-turco possui 2 operadores: a empresa Gazprom, que é a responsável pela seção onshore e offshore do lado russo; e a BOTAŞ, a empresa responsável pela seção onshore turca. Com custo estimado em 11,4 bilhões de euros (aproximadamente, US$ 12,6859 bilhões, ou R$ 52,1913 bilhões, conforme a cotação de 14 de janeiro de 2020), o projeto levou 1 ano e 3 meses para ser concluído, e tem capacidade total de fornecer até 31,5 bilhões de m³ de gás natural.

A Federação russa é uma das maiores exportadoras de gás natural para o continente europeu e abastece parcela considerável desse mercado energético, todavia, diversos Estados da própria Europa e inclusive os Estados Unidos tendem a rechaçar a expansão comercial do gás russo. A grande razão para o discurso dos opositores é a dependência que o país comprador poderia adquirir dos russos, e possíveis tentativas de interferência em assuntos internos desses últimos na realidade política regional.

Em relação a cerimônia de lançamento do gasoduto, o jornal Gazeta.Ru apresentou a declaração do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, o qual disse: “Este é um sistema único e sem precedentes em seus parâmetros de transmissão de gás em alto mar. Vivemos em um mundo complexo. Na região em que estamos há tendências para uma exacerbação da situação. Mas a Turquia e a Rússia mostram exemplos completamente diferentes – interação e cooperação em benefício de nossos povos e de toda a Europa”.

O jornal Izvestia trouxe a declaração do Chefe do Departamento do Instituto de Pesquisa Energética da Academia Russa de Ciências, Vyacheslav Kulagin, sobre a questão do monopólio do gás russo, o qual mencionou a tendência de diminuição do fluxo de gás em trânsito pelos gasodutos europeus. Kulagin salientou: “Em breve, não mais que 20 a 25% do gás será entregue a nós por qualquer rota de exportação. Isso garante suprimentos confiáveis e a capacidade de trabalhar com flexibilidade no mercado. Quando houver uma reserva de capacidades, cada proprietário do gasoduto estará interessado em atrair um fornecedor e oferecerá condições mais convenientes”. 

Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e Presidente da Turquia, Recep Erdogan

A Turquia não aparenta compartilhar do receio europeu e dos Estados Unidos em comprar o gás russo, e compreende a instalação do Turkish Stream como um benefício para sua própria infraestrutura. No que tange a uma possível dependência energética dos russos os turcos rejeitam essa perspectiva, pois pretendem investir em novas fontes de energia, como a exploração de hidrocarbonetos.

Em relação a temática, o jornal Gazete Duvar apresentou a declaração do Presidente da Turquia, Recep Erdogan, o qual disse: “Ganhamos uma infraestrutura significativa de oferta de gás natural na região. Estamos conduzindo nossos esforços de exploração de hidrocarbonetos para descobrir novas fontes de suprimento e desenvolver nossas reservas existentes. Vamos virar o Mediterrâneo, que foi o berço das civilizações ao longo da História, para o campo da cooperação, não para o conflito. Nossas expectativas é que nossos interlocutores se voltem para a Turquia para alargar a cooperação”.

O jornal Diyalog Gazetesi trouxe a declaração do Ministro da Energia e Recursos Naturais da Turquia, Fatih Dӧnmez, o qual enfatizou a cooperação com o vizinho russo, e a importância do gasoduto para o desenvolvimento do país. Dӧnmez salientou: “O Turkish Stream é um passo histórico dado o profundamente no Mar Negro. O projeto mostrou mais uma vez a importância da cooperação e do ganha-ganha para o mundo”.

Estação de gás natural

A cooperação entre ambos os atores é significativa e sólida, com duração de mais de 30 anos, nos quais cerca de 400 bilhões de m³ de gás já foram fornecidos da Rússia para a Turquia. Diante de um universo comercial atual equivalente US$ 100 bilhões por ano entre os dois países (próximos de 411,41 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 14 de janeiro de 2019), os especialistas estimam que a Gazprom poderá obter um lucro de aproximadamente US$ 500 milhões por ano (em torno de 2,057 bilhões de reais, conforme a mesma cotação).

Os analistas entendem que a conexão russo-turca mediante a operação do gasoduto Turkish Stream é estratégica no sentido econômico e político. No primeiro caso, a Federação Russa obtém lucro a partir da expansão de sua rede de gasodutos, visto que o território turco possibilita criar um contorno ao gasoduto que passa pela Ucrânia, e, dessa forma, abre expectativa para novos clientes entre os Estados balcânicos.

No segundo caso, a Turquia ganha por exercer parte do controle sob o Turkish Stream, auferindo a possibilidade futura de negociações sobre o valor de exportação do gás russo, e, é claro, os turcos também poderiam vir a obter benefícios financeiros com a transmissão do gás para países vizinhos.

Em relação a questões políticas, o gasoduto não interfere no equilíbrio de poder regional, pois os principais Estados da localidade (Rússia e Turquia) uniram-se a favor de objetivos comuns. Todavia, é possível a ascensão de discursos acalorados no futuro caso os países do entorno resolvam importar seu gás em conexão com o Turkish Stream. Isso significaria uma possível tensão entre a Federação Russa e a União Europeia (UE), a qual observa com descrença o destaque da influência russa no mercado de gás do Leste Europeu.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Gasoduto Turkish Stream” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ed/Turkish_Stream.png

Imagem 2 Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e Presidente da Turquia, Recep Erdogan” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f2/Meeting_Vladimir_Putin_with_Recep_Tayyip_Erdogan_2017-03-10_03.jpg

Imagem 3 Estação de gás natural” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/64/Pipeline_device.jpg/1280px-Pipeline_device.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Groenlândia e a corrida pelo Ártico

A Groenlândia começou a receber assentamentos escandinavos por volta dos séculos XIV e XV, e esteve sob o domínio da Noruega até o Congresso de Viena*, em 1814. A Noruega separou-se da Dinamarca para unir-se a Suécia, e os dinamarqueses mantiveram suas colônias, inclusive a Groenlândia, que passou a fazer parte do Reino da Dinamarca.

Os groelandeses adquiriram autonomia para seu território em maio de 1979, com um Parlamento próprio, todavia, Copenhague** responde pela defesa e relações externas da maior Ilha do mundo. A relativa independência frente ao Estado dinamarquês impulsiona em parte da população local o desejo de uma separação da Dinamarca.

A realidade do território não é de independência ou de luta pela separação política groelandesa, todavia, já é concreta a ampliação da autonomia da região após a realização do Referendo de 2008, o qual trouxe à população local o controle da Polícia, dos Tribunais, da Guarda Costeira e estabeleceu o groelandês como idioma oficial.

A região é rica em diversas commodities***, como ferro, chumbo, ouro, urânio, zinco e petróleo, as quais aguçam a expectativa de desenvolvimento econômico da Ilha. Entretanto, a Groenlândia desperta a atenção das potências internacionais não somente pelo seu potencial de possível exploração de recursos minerais, mas, também, por ser um espaço estratégico entre os continentes americano e europeu.

O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca divulgou recentemente sua avaliação de riscos anual e identificou a Groenlândia como a principal prioridade. As razões são políticas, envolvendo o receio dos Estados Unidos de um suposto ataque da Federação Russa na base aérea de Thule, no norte do território, e também econômicas, com o crescente interesse da China em ingressar num futuro mercado de minérios na localidade.

Trine Bramsen, Ministra da Defesa da Dinamarca

Todos esses fatores apontam uma corrida pelo Ártico não vista em décadas anteriores, conforme expressado no jornal Copenhagen Post, pela avaliação de Jon Rahbek-Clemmensen, pesquisador de política de segurança do Ártico no Royal Danish Defense College (Faculdade Real de Defesa Dinamarquesa), o qual salientou: “Essa mudança ocorreu relativamente rápida. Há 11 anos, o Ártico nem sequer era mencionado, e agora é de extrema importância”. O Copenhagen Post ainda mencionou a declaração da Ministra da Defesa da Dinamarca, Trine Bramsen, a qual afirmou sobre a questão: “No curto prazo, não estamos pensando em enviar aviões de combate para a Groenlândia. Não é a solução para os desafios que estamos enfrentando no momento. Mas veremos como podemos fortalecer nossa visão geral na área”.

Os analistas compreendem que inexiste quaisquer possibilidades de ataques por parte da Federação Russa a base de Thule, visto que não se observam fatos que apoiem essa hipótese, todavia, o interesse da China em ser parceira comercial na Groenlândia é realista, dada a expansão deste Estado no âmbito do comércio global.     

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Notas:

* Congresso de Viena: foi uma conferência internacional com o objetivo de redesenhar o mapa europeu após a derrota da França de Napoleão Bonaparte.

** Copenhague: é a capital do Reino da Dinamarca; utilizada no texto em referência ao Estado dinamarquês.

*** Commodities: são produtos, geralmente matérias-primas, que podem ser estocados sem prejuízo e comercializados em larga escala.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa político da Groelândia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/50/Mapa_de_Groenlandia.jpg

Imagem 2 Trine Bramsen, Ministra da Defesa da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f8/Trine_Bramsen.jpg

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Estônia reivindica território da Rússia

A Estônia e a Federação Russa debatem novamente sobre episódio fronteiriço. Os estonianos reivindicam parcela territorial da soberania russa em cumprimento do Tratado de Tartu de 1920*. Segundo o respectivo documento internacional, a Estônia e a antiga União Soviética deveriam estabelecer seus limites territoriais e ainda não se chegou a um consenso com a atual Federação Russa.

Uma questão administrativa tornou-se uma celeuma política que se arrasta por décadas, pois os estonianos entendem o Tratado de Tartu como o primeiro ato de reconhecimento de sua independência, e alegam descumprimento dos compromissos assumidos pelos russos, que são herdeiros do Estado soviético. 

Os russos possuem uma posição contrária, visto que compreendem a existência de um indevido uso do Tratado como uma forma de pressão política. Acreditam que os estonianos poderiam buscar a transferência não apenas de terras pleiteadas, como também de possíveis parcelas de outros territórios da Federação Russa.

A anomalia fronteiriça conhecida como Bota de Saatse, ao Sul da Estônia, na divisão com a Rússia, é um exemplo de não resolução de limites internacionais, pois a estrada que faz a conexão entre as cidades de Sesniki e Lutepaa possui cerca de 1 quilômetro dentro do Estado russo. Isso cria diversos problemas jurídicos e sociais, e termina por estimular interpretações dúbias entre as autoridades de ambos os lados e os moradores locais.

Maria Zakharova, Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia

O jornal The Baltic Times trouxe a declaração da Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, Maria Zakharova, sobre a pauta, a qual salientou: “Esse tipo de retórica não facilita tanto a formação da agenda positiva de nossas relações como a promoção do processo de ratificação dos acordos bilaterais de fronteira”.

Os analistas observam que a situação é de grande sensibilidade para os atores, os quais não desejam obter prejuízos, todavia, é de fundamental importância que o diálogo respeitoso seja mantido, visto que a indiferença apenas provoca maiores tensões.

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Nota:

Tratado de Tartu: foi um Tratado de Paz assinado entre a Estônia e a União Soviética, em 2 de fevereiro de 1920. Ele colocou fim à guerra de independência estoniana e afirmou o reconhecimento desse Estado pela Rússia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Placa informativa da região da Bota de Saatse” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/44/Saatse_Boot_signal.jpg

Imagem 2 Maria ZakharovaPortaVoz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c6/Maria_Zakharova_2017.jpg

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O aditivo para a redução de metano e o setor agropecuário danês

A questão climática é uma causa política de destaque para os Estados da atualidade, seja pela construção de uma sociedade sustentável, seja pela preservação dos biomas, e, para a Dinamarca, essa é uma pauta de grande significado, visto que o país escandinavo possui ambiciosas metas ambientais para as próximas décadas.

As mudanças climáticas afetam o cotidiano de todas as pessoas e influem diretamente nas atividades produtivas de muitos setores econômicos. O setor agropecuário é o mais tradicional para qualquer Estado, pois ele é responsável por grande parte do abastecimento interno e pela exportação de produtos do gênero para milhões em todo o mundo.

Uma das razões de preocupação dos ativistas é a emissão de metano produzida pelo gado, a qual contribuiria para aumento do aquecimento global. Todavia, pesquisadores dinamarqueses da indústria de laticínios Arla desenvolveram uma substância capaz de neutralizar as emissões de metano das vacas.

Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios

O Jornal The Copenhagen Post trouxe a opinião da professora Mette Olafsen Nielsen da Universidade de Aarhus, a qual afirmou sobre o assunto: “Em um laboratório da Universidade de Copenhague, conseguimos documentar que, quando essa substância é adicionada à alimentação, simplesmente não há em emissões de metano, como em zero”.

A medida animou o mercado do setor, que já tem a aprovação da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Essa substância pode ser adicionada na alimentação dos animais e promete efeitos positivos. A professora Nielsen acredita que o produto esteja no mercado em 2020 e 2021 e que inicialmente reduza as emissões em cerca de um terço.

Os analistas observam a notícia com alegria, pois beneficia agropecuaristas e o clima à medida que tende a contribuir para uma vida sustentável. Todavia, o principal termômetro dessa inovação é o consumidor, o qual determinará a importância econômica da ação, pois estimulará a compra de produtos de origem verde ou não.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Raça dinamarquesa de gado RDM” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/R%C3%B8d_dansk_malkerace_RDM.jpg

Imagem 2 Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1a/Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG/1280px-Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG

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A Dinamarca aprova a construção do gasoduto russo

O Nord Stream 2 é um projeto subsidiado pela companhia russa Gazprom, a qual já opera um gasoduto semelhante que faz a ligação entre a cidade eslava de Vyborg e a cidade alemã de Greifswald. O objetivo da nova linha Nord Stream é aumentar o volume de gás natural para a União Europeia (UE), possuindo potencial de acréscimo de 55 bilhões de metros cúbicos.

A questão da construção estava nebulosa, pois a Dinamarca não permitia o avanço da obra em direção a seu território, porém, a controvérsia ganhou uma resolução, pois os dinamarqueses autorizaram que a estrutura ingresse perto da ilha de Bornholm, pertencente a Copenhague*, a qual localiza-se nas proximidades com a Suécia e a caminho do Mar Báltico.

A licença veio da Energistyrelsen (Agência de Energia Dinamarquesa), que legitimou suas ações a partir das obrigações internacionais do Estado escandinavo com a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Direito do Mar, que ocorreu em Montego Bay, Jamaica, em 1982.

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O jornal Copenhagen Post trouxe a declaração da Energistyrelsen sobre o assunto, a qual afirmou: “A Dinamarca é obrigada a permitir a construção de gasodutos de trânsito com relação aos recursos e ao meio ambiente e, se necessário, atribuir a rota onde esses gasodutos devem ser instalados”.Apesar da resposta positiva de Copenhague, a medida foi concebida em meio a pequenas polêmicas geopolíticas, pois os mandatários dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e da Federação Russa, Vladimir Putin, respectivamente, comentaram a hipótese de aplicação de sanções contra a Alemanha, e que a Dinamarca estava sob pressão do exterior em relação à temática.

Os analistas compreendem como sendo sensata a decisão pela aprovação do gasoduto, que representa não apenas maior incidência de energia na Europa, como também a oportunidade de incremento das relações comerciais entre a Dinamarca e a Federação Russa. O risco europeu de dependência do gás russo é uma realidade provável, todavia, isso não significa que ele se torne exclusivo para o Velho Continente, que caminha com uma política conjunta de incentivo à energia renovável, algo que também inclui a Dinamarca.

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Nota:

* Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; referente no texto em alusão à soberania do Estado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Dinamarca e Ilha de Bornholm à direita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/Denmark-es.svg/1280px-Denmark-es.svg.png

Imagem 2 Energistyrelsen Agência de Energia Dinamarquesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e3/Amaliegade_44_from_the_water.jpg