EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Groenlândia e a corrida pelo Ártico

A Groenlândia começou a receber assentamentos escandinavos por volta dos séculos XIV e XV, e esteve sob o domínio da Noruega até o Congresso de Viena*, em 1814. A Noruega separou-se da Dinamarca para unir-se a Suécia, e os dinamarqueses mantiveram suas colônias, inclusive a Groenlândia, que passou a fazer parte do Reino da Dinamarca.

Os groelandeses adquiriram autonomia para seu território em maio de 1979, com um Parlamento próprio, todavia, Copenhague** responde pela defesa e relações externas da maior Ilha do mundo. A relativa independência frente ao Estado dinamarquês impulsiona em parte da população local o desejo de uma separação da Dinamarca.

A realidade do território não é de independência ou de luta pela separação política groelandesa, todavia, já é concreta a ampliação da autonomia da região após a realização do Referendo de 2008, o qual trouxe à população local o controle da Polícia, dos Tribunais, da Guarda Costeira e estabeleceu o groelandês como idioma oficial.

A região é rica em diversas commodities***, como ferro, chumbo, ouro, urânio, zinco e petróleo, as quais aguçam a expectativa de desenvolvimento econômico da Ilha. Entretanto, a Groenlândia desperta a atenção das potências internacionais não somente pelo seu potencial de possível exploração de recursos minerais, mas, também, por ser um espaço estratégico entre os continentes americano e europeu.

O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca divulgou recentemente sua avaliação de riscos anual e identificou a Groenlândia como a principal prioridade. As razões são políticas, envolvendo o receio dos Estados Unidos de um suposto ataque da Federação Russa na base aérea de Thule, no norte do território, e também econômicas, com o crescente interesse da China em ingressar num futuro mercado de minérios na localidade.

Trine Bramsen, Ministra da Defesa da Dinamarca

Todos esses fatores apontam uma corrida pelo Ártico não vista em décadas anteriores, conforme expressado no jornal Copenhagen Post, pela avaliação de Jon Rahbek-Clemmensen, pesquisador de política de segurança do Ártico no Royal Danish Defense College (Faculdade Real de Defesa Dinamarquesa), o qual salientou: “Essa mudança ocorreu relativamente rápida. Há 11 anos, o Ártico nem sequer era mencionado, e agora é de extrema importância”. O Copenhagen Post ainda mencionou a declaração da Ministra da Defesa da Dinamarca, Trine Bramsen, a qual afirmou sobre a questão: “No curto prazo, não estamos pensando em enviar aviões de combate para a Groenlândia. Não é a solução para os desafios que estamos enfrentando no momento. Mas veremos como podemos fortalecer nossa visão geral na área”.

Os analistas compreendem que inexiste quaisquer possibilidades de ataques por parte da Federação Russa a base de Thule, visto que não se observam fatos que apoiem essa hipótese, todavia, o interesse da China em ser parceira comercial na Groenlândia é realista, dada a expansão deste Estado no âmbito do comércio global.     

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Notas:

* Congresso de Viena: foi uma conferência internacional com o objetivo de redesenhar o mapa europeu após a derrota da França de Napoleão Bonaparte.

** Copenhague: é a capital do Reino da Dinamarca; utilizada no texto em referência ao Estado dinamarquês.

*** Commodities: são produtos, geralmente matérias-primas, que podem ser estocados sem prejuízo e comercializados em larga escala.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa político da Groelândia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/50/Mapa_de_Groenlandia.jpg

Imagem 2 Trine Bramsen, Ministra da Defesa da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f8/Trine_Bramsen.jpg

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Estônia reivindica território da Rússia

A Estônia e a Federação Russa debatem novamente sobre episódio fronteiriço. Os estonianos reivindicam parcela territorial da soberania russa em cumprimento do Tratado de Tartu de 1920*. Segundo o respectivo documento internacional, a Estônia e a antiga União Soviética deveriam estabelecer seus limites territoriais e ainda não se chegou a um consenso com a atual Federação Russa.

Uma questão administrativa tornou-se uma celeuma política que se arrasta por décadas, pois os estonianos entendem o Tratado de Tartu como o primeiro ato de reconhecimento de sua independência, e alegam descumprimento dos compromissos assumidos pelos russos, que são herdeiros do Estado soviético. 

Os russos possuem uma posição contrária, visto que compreendem a existência de um indevido uso do Tratado como uma forma de pressão política. Acreditam que os estonianos poderiam buscar a transferência não apenas de terras pleiteadas, como também de possíveis parcelas de outros territórios da Federação Russa.

A anomalia fronteiriça conhecida como Bota de Saatse, ao Sul da Estônia, na divisão com a Rússia, é um exemplo de não resolução de limites internacionais, pois a estrada que faz a conexão entre as cidades de Sesniki e Lutepaa possui cerca de 1 quilômetro dentro do Estado russo. Isso cria diversos problemas jurídicos e sociais, e termina por estimular interpretações dúbias entre as autoridades de ambos os lados e os moradores locais.

Maria Zakharova, Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia

O jornal The Baltic Times trouxe a declaração da Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, Maria Zakharova, sobre a pauta, a qual salientou: “Esse tipo de retórica não facilita tanto a formação da agenda positiva de nossas relações como a promoção do processo de ratificação dos acordos bilaterais de fronteira”.

Os analistas observam que a situação é de grande sensibilidade para os atores, os quais não desejam obter prejuízos, todavia, é de fundamental importância que o diálogo respeitoso seja mantido, visto que a indiferença apenas provoca maiores tensões.

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Nota:

Tratado de Tartu: foi um Tratado de Paz assinado entre a Estônia e a União Soviética, em 2 de fevereiro de 1920. Ele colocou fim à guerra de independência estoniana e afirmou o reconhecimento desse Estado pela Rússia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Placa informativa da região da Bota de Saatse” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/44/Saatse_Boot_signal.jpg

Imagem 2 Maria ZakharovaPortaVoz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c6/Maria_Zakharova_2017.jpg

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O aditivo para a redução de metano e o setor agropecuário danês

A questão climática é uma causa política de destaque para os Estados da atualidade, seja pela construção de uma sociedade sustentável, seja pela preservação dos biomas, e, para a Dinamarca, essa é uma pauta de grande significado, visto que o país escandinavo possui ambiciosas metas ambientais para as próximas décadas.

As mudanças climáticas afetam o cotidiano de todas as pessoas e influem diretamente nas atividades produtivas de muitos setores econômicos. O setor agropecuário é o mais tradicional para qualquer Estado, pois ele é responsável por grande parte do abastecimento interno e pela exportação de produtos do gênero para milhões em todo o mundo.

Uma das razões de preocupação dos ativistas é a emissão de metano produzida pelo gado, a qual contribuiria para aumento do aquecimento global. Todavia, pesquisadores dinamarqueses da indústria de laticínios Arla desenvolveram uma substância capaz de neutralizar as emissões de metano das vacas.

Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios

O Jornal The Copenhagen Post trouxe a opinião da professora Mette Olafsen Nielsen da Universidade de Aarhus, a qual afirmou sobre o assunto: “Em um laboratório da Universidade de Copenhague, conseguimos documentar que, quando essa substância é adicionada à alimentação, simplesmente não há em emissões de metano, como em zero”.

A medida animou o mercado do setor, que já tem a aprovação da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Essa substância pode ser adicionada na alimentação dos animais e promete efeitos positivos. A professora Nielsen acredita que o produto esteja no mercado em 2020 e 2021 e que inicialmente reduza as emissões em cerca de um terço.

Os analistas observam a notícia com alegria, pois beneficia agropecuaristas e o clima à medida que tende a contribuir para uma vida sustentável. Todavia, o principal termômetro dessa inovação é o consumidor, o qual determinará a importância econômica da ação, pois estimulará a compra de produtos de origem verde ou não.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Raça dinamarquesa de gado RDM” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/R%C3%B8d_dansk_malkerace_RDM.jpg

Imagem 2 Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1a/Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG/1280px-Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG

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A Dinamarca aprova a construção do gasoduto russo

O Nord Stream 2 é um projeto subsidiado pela companhia russa Gazprom, a qual já opera um gasoduto semelhante que faz a ligação entre a cidade eslava de Vyborg e a cidade alemã de Greifswald. O objetivo da nova linha Nord Stream é aumentar o volume de gás natural para a União Europeia (UE), possuindo potencial de acréscimo de 55 bilhões de metros cúbicos.

A questão da construção estava nebulosa, pois a Dinamarca não permitia o avanço da obra em direção a seu território, porém, a controvérsia ganhou uma resolução, pois os dinamarqueses autorizaram que a estrutura ingresse perto da ilha de Bornholm, pertencente a Copenhague*, a qual localiza-se nas proximidades com a Suécia e a caminho do Mar Báltico.

A licença veio da Energistyrelsen (Agência de Energia Dinamarquesa), que legitimou suas ações a partir das obrigações internacionais do Estado escandinavo com a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Direito do Mar, que ocorreu em Montego Bay, Jamaica, em 1982.

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O jornal Copenhagen Post trouxe a declaração da Energistyrelsen sobre o assunto, a qual afirmou: “A Dinamarca é obrigada a permitir a construção de gasodutos de trânsito com relação aos recursos e ao meio ambiente e, se necessário, atribuir a rota onde esses gasodutos devem ser instalados”.Apesar da resposta positiva de Copenhague, a medida foi concebida em meio a pequenas polêmicas geopolíticas, pois os mandatários dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e da Federação Russa, Vladimir Putin, respectivamente, comentaram a hipótese de aplicação de sanções contra a Alemanha, e que a Dinamarca estava sob pressão do exterior em relação à temática.

Os analistas compreendem como sendo sensata a decisão pela aprovação do gasoduto, que representa não apenas maior incidência de energia na Europa, como também a oportunidade de incremento das relações comerciais entre a Dinamarca e a Federação Russa. O risco europeu de dependência do gás russo é uma realidade provável, todavia, isso não significa que ele se torne exclusivo para o Velho Continente, que caminha com uma política conjunta de incentivo à energia renovável, algo que também inclui a Dinamarca.

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Nota:

* Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; referente no texto em alusão à soberania do Estado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Dinamarca e Ilha de Bornholm à direita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/Denmark-es.svg/1280px-Denmark-es.svg.png

Imagem 2 Energistyrelsen Agência de Energia Dinamarquesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e3/Amaliegade_44_from_the_water.jpg
EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O treinamento dos Boinas Negras russos

A função básica das instituições militares de qualquer Estado é proteger a integridade territorial e proporcionar a garantia da soberania dos países. O treinamento das Forças Armadas envolve atividades de defesa e de ataque com o objetivo de proteção e resguardo dos interesses do Estado. Na atualidade, a maioria dos países não participa de guerra declarada contra terceiros, todavia, apesar de esta ser uma opção, o mundo de hoje apresenta ameaças diferentes e insere na realidade desafios em relação ao uso militar em situações específicas.

O combate a incidências criminosas e contrárias ao Direito Internacional, tais como aquelas relacionadas ao terrorismo, por exemplo, constitui-se na preparação de equipes capazes de corresponderem à altura. Diante de ações diversas e de caráter transnacional, a Federação Russa resolveu fazer modificações no treinamento de seu Corpo de Fuzileiros Navais. A Ideia é adaptar os militares para enfrentarem ambientes para além do uso do rifle de assalto Kalashnikov.

O treinamento dos fuzileiros navais russos ou “boinas negras” consiste na proteção da costa do Estado eslavo e na condução de operações locais de desembarque, todavia, a partir de agora eles também estão sob à preparação para atuarem como forças expedicionárias em qualquer lugar do mundo. A ênfase recai não mais em hostilidades contra um Exército regular, mas no exercício de papéis de abrangência político-militar. Ou seja, o uso dos “boinas negras” também está atrelado nas missões de paz, na evacuação de cidadãos russos, e em ações de interesse da Federação Russa em conflitos locais.

Militar Russo – trabalho retirado do site do Ministério da Defesa da Federação Russa, conforme especificação obrigatória de licenciamento para uso

O jornal Izvestia trouxe a afirmação do professor associado Alexander Perendzhiev, da Universidade Econômica Russa de Plekhanov, o qual declarou sobre o assunto que “a tarefa do fuzileiro naval é desembarcar do navio. E essa costa pode ser estranha”.O objetivo é ilustrar que o “boina negra” deve aprender a se comportar e interagir com a população local. Em outras palavras, o fuzileiro naval russo precisa ser um pequeno diplomata e falar a linguagem local para alcançar seu objetivo e não apenas a linguagem do rifle.

Os analistas entendem a mudança no treinamento militar dos “boinas negras” como um fator positivo para o uso em missões internacionais. É preciso sensibilidade e compreensão da cultura político-cultural-religiosa local para obter a melhor solução possível sem o uso da força. Todavia, salientam que o uso do poder suave (soft power)* representa uma forma de conquista de uma determinada comunidade por meio da simpatia e identificação de valores. Essa abordagem possui múltiplos meios de uso e pode ser vista como benéfica, diante do combate a uma ameaça em comum, ou mesmo maléfica perante um olhar mais nacionalista

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Nota:

* Poder suave: o poder suave, poder brando, ou no original em inglês, soft power, é uma expressão da disciplina de Relações Internacionais criada pelo teórico Joseph Nye na década de 1980. O termo descreve a habilidade de um Estado para influenciar indiretamente o comportamento de outros atores políticos mediante meios culturais ou ideológicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Corpo de Fuzileiros Navais Russos da Frota do Pacífico trabalho retirado do site do Ministério da Defesa da Federação Russa” (Fonte): http://mil.ru/et/news/[email protected]

Imagem 2 Militar Russo trabalho retirado do site do Ministério da Defesa da Federação Russa, conforme especificação obrigatória de licenciamento para uso” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/29/%D0%9F%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%BE%D1%8F%D0%BD%D0%BD%D0%B0%D1%8F_%D0%B3%D1%80%D1%83%D0%BF%D0%BF%D0%B8%D1%80%D0%BE%D0%B2%D0%BA%D0%B0_%D0%92%D0%9C%D0%A4_%D0%A0%D0%BE%D1%81%D1%81%D0%B8%D0%B8_%D0%B2_%D0%A1%D1%80%D0%B5%D0%B4%D0%B8%D0%B7%D0%B5%D0%BC%D0%BD%D0%BE%D0%BC_%D0%BC%D0%BE%D1%80%D0%B5_%D0%BE%D0%B1%D0%B5%D1%81%D0%BF%D0%B5%D1%87%D0%B8%D0%B2%D0%B0%D0%B5%D1%82_%D0%BF%D1%80%D0%BE%D1%82%D0%B8%D0%B2%D0%BE%D0%B2%D0%BE%D0%B7%D0%B4%D1%83%D1%88%D0%BD%D1%83%D1%8E_%D0%BE%D0%B1%D0%BE%D1%80%D0%BE%D0%BD%D1%83_%D0%BD%D0%B0%D0%B4_%D1%82%D0%B5%D1%80%D1%80%D0%B8%D1%82%D0%BE%D1%80%D0%B8%D0%B8_%D0%A1%D0%B8%D1%80%D0%B8%D0%B8_%2812%29.jpg

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Estônia pede à Turquia que cesse os ataques unilaterais na Síria

A guerra civil na Síria já dura alguns anos e iniciou por ocasião da Primavera Árabe, na qual diversas pessoas protestaram em seus países a favor de democracia e maior liberdade de expressão. Todavia, a situação síria deteriorou-se e parcela da população entrou em conflito com o regime do presidente Bashar al-Assad.

O maior fator de agravo na guerra civil síria ocorreu com a ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), o qual buscava a instauração de um Califado no entorno da Síria e do Iraque. A escalada militar intensificou-se na região com o ingresso de tropas dos Estados Unidos (EUA) e da Federação Russa, as quais combateram o EI até seu enfraquecimento.

Nas últimas semanas, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a retirada da força militar estadunidense na Síria. Esta medida foi duramente criticada pelos curdos, aliados locais de Washington*, e diversos Estados europeus, pois ressente-se que o EI possa retomar forças, e que os curdos fiquem sem proteção contra possíveis ataques da Turquia.

Felizmente, o EI não retornou a exercer o controle nos territórios sírios, todavia, os turcos iniciaram uma série de ataques terrestres e aéreos contra o nordeste da Síria. O alvo de Ancara** eram os curdos, os quais são considerados como terroristas pelos turcos, pois eles desejam criar um Estado próprio.

A Estônia expressou preocupação com os atos unilaterais da Turquia contra o território sírio e pediu aos turcos que cessem sua operação militar. Os estonianos desejam evitar as baixas de civis e a deterioração da estabilidade regional em um Estado em crise humanitária. Outra razão para Tallinn*** manifestar-se sobre a questão é que a Estônia é Membro Não-Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), criado para zelar pela paz e segurança internacional. 

Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu

O jornal The Baltic Times trouxe a declaração do Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu, sobre a pauta, o qual afirmou: “A Turquia, nossa aliada da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], sem dúvida tem preocupações de segurança com relação ao terrorismo; no entanto, soluções políticas e diplomáticas devem ser buscadas para as tensões na região. A operação que começou, no entanto, pode prejudicar gravemente esses esforços e dar um novo impulso ao Daesh [EI]. Estamos preocupados com a operação militar da Turquia no nordeste da Síria, que prejudica ainda mais a estabilidade em toda a região. Pedimos a Turquia que pare sua ação militar unilateral e evite baixas civis e deterioração da situação humanitária”.

Os analistas observam com atenção as ações turcas na Síria, as quais, diante do Direito Internacional (DI), são compreendidas como violação da soberania síria. Em relação ao ataque unilateral turco aos curdos, que na atual situação nada fizeram contra Ancara, ainda existe, perante o DI, a questão de um possível genocídio. Diante da problemática, aguarda-se que a Turquia venha a optar pelo diálogo político e pela resolução de suas diferenças mediante o respeito ao DI e à autodeterminação dos povos.

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Notas:

* Washington: capital dos Estados Unidos; seu uso no texto representa a ação política do Estado norte-americano.  

** Ancara: capital da Turquia; seu uso no texto representa a ação política do Estado turco.

*** Tallinn: capital da Estônia; seu uso no texto representa a ação política do Estado estoniano.

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Fontes Consultadas:

Imagem 1 Combatente curdo” (fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f3/IRPGF_fighters_in_Tabqa_1.jpg

Imagem 2 Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Urmas_Reinsalu_2017-05-25.jpg