EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os desafios da nova Presidência lituana

Neste mês (julho) de 2019, a Lituânia empossou o economista e candidato independente Gitanas Nauseda como seu novo Presidente, o qual foi eleito com 66,53% de aprovação, o que equivale a 881.495 votos. Em segunda colocação na disputa eleitoral ficou a ex-Ministra das Finanças do país e candidata independente Ingrida Simonyte, com 33,47% de aprovação, a qual é equivalente a 443.394 votos. 

O presidente Nauseda foi eleito com um discurso de combate às desigualdades sociais na Lituânia. As principais razões para o distanciamento entre ricos e pobres no país são a migração de jovens para o exterior e as dificuldades enfrentadas após o exponencial crescimento econômico lituano. O novo Chefe de Estado irá substituir a ex-presidente Dalia Grybauskaite, a qual liderou o país desde 2009 com o discurso de equilíbrio, em meio a uma Lituânia em recessão.

O Jornal The Baltic Times trouxe a declaração da ex-Mandatária, a qual expressa apoio ao Presidente eleito: “Nós, Presidentes, somos responsáveis perante o nosso povo e a Constituição, portanto, eu realmente desejo que todos ajudem a liderar o Estado, pois, não é responsabilidade de uma pessoa, é responsabilidade de todos que elegeram este Presidente. Portanto, todas as pessoas são responsáveis por ajudar este Presidente a fazer o trabalho”.

Ex-Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite

O governo Grybauskaite teve momentos difíceis e, por isso, diversas entidades sociais viram seus espaços políticos serem diminuídos. Todavia, os investidores, sindicatos e empregadores já demonstram interesse por maior participação no governo Nauseda. Os desafios que o atual Presidente deverá enfrentar são de natureza econômica e social. O primeiro tem o propósito de estimular o crescimento produtivo do país, e o segundo visa proporcionar meios de integração social ao emprego e a renda, sem perder de vista a assistência aos mais pobres.

O Jornal The Baltic Times apresentou as expectativas de alguns setores sociais em relação ao governo Nauseda, dentre as quais se destaca a do Chefe da Confederação Lituana de Empregadores, Danas Arlauskas, que afirmou: “Acreditamos que a diplomacia econômica deve ser levada a um nível totalmente diferente. Acho que o gabinete presidencial não enfatizou o suficiente para os embaixadores e os estabelecimentos consulares que os assuntos econômicos são realmente muito importantes. Nós sentimos falta de uma instrução muito clara do ex-presidente para o Ministério das Relações Exteriores de que as questões econômicas não devem ser esquecidas, além das questões políticas”.

Os analistas compreendem que o futuro governo lituano terá suas intempéries políticas para serem resolvidas. Seja no âmbito econômico, seja no âmbito social, o caminho do progresso perpassa o diálogo com a sociedade civil, e caberá aos políticos lituanos a responsabilidade de trazer equilíbrio diante de um período assaz sensível.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/Gitanas_Naus%C4%97da.jpg

Imagem 2 “ExPresidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ef/Dalia_Grybauskaite_2014_by_Augustas_Didzgalvis.jpg/1024px-Dalia_Grybauskaite_2014_by_Augustas_Didzgalvis.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

A Dinamarca e o gasoduto Nord Stream 2

A energia é um dos principais desafios da Europa contemporânea, pois, é preciso garantir o acesso em quantidade para suprir as necessidades da população e manutenção eficaz da produção industrial. Todavia, essas questões envolvem não apenas o caráter estratégico para alguns Estados, mas, também, uma árdua negociação política frente aos interesses dos atores da União Europeia (UE).

A Dinamarca está no centro de uma pequena polêmica em relação à construção do gasoduto Nord Stream 2, subsidiária da empresa russa Gazprom, pois, o mesmo representa a possibilidade de um descompasso geoestratégico no Velho Continente. O Nord Stream 2 visa dobrar a capacidade logística do atual gasoduto Nord Stream, que conecta a cidade russa de Vyborg à cidade alemã de Greifswald.

Os dinamarqueses atrasaram sua decisão sobre a pauta do gasoduto por causa de perspectivas políticas do governo anterior, mas, o Energistyrelsen (Agência de Energia Dinamarquesa) finalmente retornou a considerar as ações a serem feitas. Até o momento, a Agência de Energia analisa os planos de trajeto do gasoduto submarino, o qual deverá passar pela plataforma continental danesa* em direção à Alemanha.

Os planos atuais de construção do projeto não incluem o ingresso em águas dinamarquesas, e, sim, seu contorno, o que para os políticos significa a redução de problemáticas futuras, pois, o gasoduto só poderia sofrer veto caso houvessem razões marítimas ou ambientais em vista. O Nord Stream 2 tem potencial de transportar 55 bilhões de metros cúbicos de gás para a UE, e equivale ao abastecimento de 26 milhões de residências.

Linha do gasoduto Nord Stream

O CEO da Nord Stream 2, Mathias Warnig, aparenta boa expectativa quanto ao desenvolvimento do projeto e afirmou o seguinte no jornal Copenhaguen Post sobre toda a situação: “Sentimo-nos obrigados a dar este passo porque, em mais de dois anos desde que arquivamos este requerimento, o antigo governo dinamarquês não deu qualquer indicação de chegar a uma decisão”.

Os analistas compreendem a importância do empreendimento para a região, sobretudo, para os alemães, entretanto, devido às recentes políticas consideradas na Europa como agressivas por parte da Rússia, os europeus ressentem-se diante da possibilidade de tensões ou conflitos com seu vizinho e ponderam suas ações comerciais. No tangente aos daneses, não se observa risco político e energético, pois eles possuem boa relação com os russos, principais interessados na reciprocidade, e a Dinamarca tem abastecimento regular de energia oriunda de fontes renováveis.

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Fontes das Imagens:

* Daneses: adjetivo pátrio referente ao cidadão nacional do Reino da Dinamarca.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tubo de gasoduto” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Nord_Stream_pipe_in_Kotka.jpg

Imagem 2 Linha do gasoduto Nord Stream” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Nordstream.png

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

A candidatura olímpica da Suécia e Letônia para 2026

O Comitê Olímpico Internacional (COI) é a autoridade responsável pela organização dos Jogos Olímpicos de verão e de inverno. O COI recebe e analisa as candidaturas dos diversos Estados para a realização das Olimpíadas. A cidade sede dos jogos é muito disputada, pois, sediar uma competição deste porte contribui para a economia, além da visibilidade que passa a ter a cidade e o Estado anfitrião.

A Suécia e a Letônia submeteram candidatura conjunta para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, às quais compartilhariam da logística de atividades esportivas. Todavia, a escolha das cidades suecas de Estocolmo e Are, e da cidade letã de Sigulda não foram apreciadas para o evento. Possivelmente, a questão contrária foi o entendimento pelo COI da baixa intenção dos atores.

As cidades sedes escolhidas para os próximos Jogos de Inverno de 2026 foram Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, às quais venceram a disputa por 47 votos em relação a seus rivais suecos e letões, que obtiveram 34 votos. Poucas candidaturas foram recebidas pelo COI, e somente os italianos, suecos e letões permaneceram na busca pela Olimpíada de Inverno. A principal razão de déficit no interesse foram os altos custos do evento, os quais contribuíram para a declinação dos demais concorrentes.

Arcos olímpicos

O jornal The Baltic Times trouxe a afirmação de Christophe Dubi, Diretor de Esportes do COI, sobre a preocupação com a proposta sueca e letã pouco tempo antes da decisão final: “Recebemos várias cartas de intenções e garantias não vinculantes, que não representam compromissos vinculantes e, portanto, colocam em risco a entrega das aldeias olímpicas”.Mas, conforme o The Baltic Times, o porta-voz sueco da candidatura afirmou em sua resposta ao COI: “Temos um diálogo contínuo, positivo e construtivo com o COI”.

Os analistas compreendem que as políticas de austeridade empregadas por muitos Estados é um indicativo da retirada de diversas candidaturas, visto que as populações destes Estados entenderam por correto que os custos de uma Olimpíada seriam altos demais para o contexto atual. Em relação a candidatura sueca/letã, a quantidade de votos sinaliza boa assertividade do marketing, todavia, é possível que a negativa tenha ocorrido por indisposições políticas internas, às quais podem ter levado o COI a escolher a Itália.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Competição de Curling nos Jogos Olímpicos de Inverno” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/2010_Winter_Olympics_-Curling-Women-_GBR-SWE.jpg

Imagem 2 Arcos olímpicos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/IOCrings.jpg

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A Dinamarca é um dos países mais pacíficos do mundo

A Dinamarca é um Estado territorialmente pequeno e com uma população de pouco mais de 5.500.000 de habitantes. O país possui uma forte economia industrial com ênfase na exportação de manufaturados e destaque para os setores de maquinaria e ferramentas, químico e agroalimentício, que contribuem para classificar o país entre os mais ricos da Europa.

A principal riqueza danesa* não é vista pelas questões monetárias, mas, sim, pela a qualidade de vida proporcionada pelas instituições públicas. O Estado devolve os altos impostos cobrados do contribuinte na forma de serviços, os quais costuram na sociedade uma sensação de seguridade.

Diante do exposto, é possível compreender as razões para o Índice da Paz Global 2019 (Global Peace Index – GPI) apresentar a Dinamarca como o 5ª Estado mais pacífico do mundo, visto que as variáveis da pesquisa distribuídas entre os domínios da segurança e proteção, conflito em curso e militarização apontam correspondência favorável à paz.

Símbolo da paz

O relatório GPI indicou uma leve queda de posição danesa em relação a períodos anteriores. O motivo se deve a ascensão de Portugal, o qual subiu no ranking de 5º colocado para ocupar a 3ª posição, todavia, a Dinamarca perdeu apenas uma colocação entre os Estados e se mantêm entre os primeiros mais pacíficos.

O jornal Copenhaguen Post trouxe um trecho do relatório GPI: “A Islândia continua sendo o país mais pacífico do mundo – uma posição que ocupa desde 2008. Ela está no topo do índice, com a Nova Zelândia, Áustria, Portugal e Dinamarca”.

Os analistas compreendem a notícia como um reconhecimento dos esforços dinamarqueses na promoção de seu estilo de vida, e entendem a extensão da tendência para todos os demais países nórdicos, os quais ficaram respectivamente com a 1ª colocação (Islândia), 5ª colocação (Dinamarca), 13ª colocação (Finlândia), 14ª colocação (Suécia), e 20ª colocação (Noruega).

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Nota:

* Daneses: adjetivo pátrio de nacional da Dinamarca; utilizado para indicar o cidadão dinamarquês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Praça Amager ou Amagertorv, Copenhague” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/66/Amagertorv%2C_Copenhagen.jpg

Imagem 2 Símbolo da paz” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/43/Peace_dove.svg/1051px-Peace_dove.svg.png

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A promoção do trabalho inteligente na Letônia

A Letônia é um dos três Estados bálticos que fizeram parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Durante o período do totalitarismo soviético, os letões avaliaram que sua identidade não estava sendo valorizada e, diante dessa abordagem, adquiriram um senso maior de nacionalismo.

Com a restauração da independência, em 1991, a Letônia intensificou sua participação em organizações internacionais, com destaque para a União Europeia (UE) e para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), visando consolidar sua soberania e cultura nacional.

PrimeiroMinistro Krisjanis Karins

Na atualidade, o país se tornou um Estado livre para fazer negócios e exercer sua voz na política internacional. Todavia, o progresso conquistado hoje não tem sido o suficiente para a realidade dos letões, pois existe forte escassez de mão de obra, emigração e taxa populacional negativa. O governo local estuda promover a imigração inteligente de força de trabalho, mediante regulamentações específicas a serem desenvolvidas. O objetivo é suprir o déficit de mercado e inibir o descontrole de imigrantes.

Em relação ao tema, o jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Primeiro-Ministro da Letônia, Krisjanis Karins, sobre o assunto, o qual declarou: “Temos discutido a escassez de mão de obra por um tempo. Há uma consciência comum de que a cada ano o número de pessoas cai de 7.000 a 8.000 pessoas. As partes ainda não têm a mesma opinião sobre isso, mas tenho certeza absoluta de que é necessário encontrar uma maneira inteligente de promover a imigração com base em regulamentos desenvolvidos pelo governo para impedir a imigração descontrolada” (Tradução Livre).

Os analistas consideram a ponderação de atrair imigrantes como uma boa alternativa a médio prazo, todavia, programas de incentivo profissional poderiam contribuir para a atração dos próprios letões com qualificações. O estímulo à natalidade e investimentos na juventude também seriam importantes para evitar a longo prazo uma escassez maior.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Rigacapital da Letônia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fb/Riga_-Latvia.jpg/1280px-Riga-_Latvia.jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro Krisjanis Karins” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/19/Krisjanis-Karins-Latvia-MIP-Europaparlament-by-Leila-Paul-3.jpg/655px-Krisjanis-Karins-Latvia-MIP-Europaparlament-by-Leila-Paul-3.jpg

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As eleições europeias e a Dinamarca

A Dinamarca ingressou na União Europeia (UE) em 1973, todavia, o Estado escandinavo não aderiu à Zona do Euro, tal como sua vizinha Finlândia, mas se tornou membro do Espaço Schengen, em 2000, abrindo suas fronteiras para a livre circulação de europeus e aos Estados associados.

Diante de um país que não é integrado financeiramente a UE, os dinamarqueses votaram em peso nas eleições para o Parlamento Europeu, em Bruxelas e Estrasburgo*, pois 66% do eleitorado compareceu às urnas ou votou por correspondência. Esse índice é o maior desde o registro, em 2009, quando 59,5% de eleitores se apresentaram para o pleito.

O fato de maior surpresa foi a vitória do Venstre (Partido Liberal da Dinamarca – V) nas eleições, representando 23,5% dos votos, visto que eles retiraram o assento do eurocético Folkebevægelsen mod EU (Partido do Movimento Popular contra a UE). A vitória do V é significativa, ante o esforço eleitoral a poucos dias das eleições nacionais.

Venstre – (V) – Partido Liberal da Dinamarca

O jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação do especialista em eleições da Universidade de Copenhague, professor Kasper Møller Hansen, sobre o assunto, o qual comentou brevemente: “É um grande resultado para o Venstre que eles possam conseguir essa vitória dias antes de uma eleição geral”.

Os demais partidos vencedores, em ordem decrescente, foram: o Socialdemokratiet (Partido Social-Democrata – A), com 21,5%; o Socialistisk Folkeparti (Partido Popular Socialista – SF), com 13,2%; o Dansk Folkeparti (Partido Popular Dinamarquês – DF), com 10,7%; o Radikale (Partido Radical – B), com 10,1%; o Konservatite (Partido Popular Conservador – C), com 6,2%; e o Enhedslisten (Aliança Vermelha e Verde), com 5,5%.

Os analistas salientam a saída do “Folkebevægelsen mod EU” do Parlamento Europeu como um aparente revigoramento dinamarquês na crença nos valores políticos do Bloco. E se observa o declínio do DF no cenário político do país, identificado como populista e defensor da anti-imigração, como resultante da preferência eleitoral por discursos menos extremos.

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Nota:

* O Tratado da União Europeia estabelece que a organização dos trabalhos parlamentares ficam distribuídos da seguinte forma: Estrasburgo – a maior parte das Sessões Plenárias; Bruxelas – as Comissões Parlamentares; e Luxemburgo – o Secretariado do Parlamento. Para a efetuação de mudanças, todos os 28 Estados-membros devem aprovar por unanimidade a pauta e ratificar em seus respectivos Estados. O contrário seria uma violação do próprio Tratado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Parlamento Europeu Estrasburgo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2c/European_Parliament_Strasbourg_Hemicycle_-Diliff.jpg/1280px-European_Parliament_Strasbourg_Hemicycle-_Diliff.jpg

Imagem 2 Venstre – (V) – Partido Liberal da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0e/Venstre_%28DK%29_Logo.svg/755px-Venstre_%28DK%29_Logo.svg.png