EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Referendo lituano sobre a extensão da cidadania

A Lituânia é um Estado que fez parte da União Soviética por décadas, até readquirir sua independência em 11 de março de 1990. De modo semelhante ao que aconteceu com os países bálticos, os lituanos receberam muita influência do regime soviético e tiveram suas escolhas políticas e sociais dependentes do regime.

Com a restauração do Estado, a cidadania lituana foi fortalecida constitucionalmente e as pessoas foram impedidas de obter a dupla cidadania. Essa ação trouxe benefícios à comunidade lituana com a ênfase no incentivo e preservação de sua cultura, todavia, para as pessoas que residiam fora de Vilnius*, ou que possuíam ascendência lituana, a restrição contribuiu para afastá-las de sua herança histórica.

Diante dessa realidade, em 12 de maio (2019) foi feito um referendo para tratar da expansão da cidadania lituana para que os membros deste país possam adquirir a dupla cidadania. Isso significa a possibilidade de se tornarem, por exemplo, argentinos, brasileiros ou estadunidenses**, sem a perda da nacionalidade lituana.

Dalia Grybauskaite

O referendo de 2019 não aprovou a pauta, visto que a legislação do Estado prevê para a efetivação de mudanças que mais da metade da população diga sim ao assunto. Ou seja, 1.236.203 pessoas deveriam votar a favor da proposta, porém apenas 656.500 pessoas disseram concordar com a expansão da cidadania.

O jornal The Baltic times informou a afirmação da Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, sobre o ocorrido, a qual sinalizou: “Um segundo referendo não pode ser realizado em breve, já que o público teve sua opinião. Acredito que possa ser repetido mais tarde, sem dúvida, sob diferentes circunstâncias”.

Os analistas observam que a valorização da inclusão evoluiu bastante na Lituânia nos últimos anos, pois, cerca de 300.000 votos separaram a diferença na expansão da cidadania. A pauta não avançou e nem modificou o status atual da questão, entretanto, auxilia na compreensão de que as instituições no país báltico são funcionais e que a vontade dos cidadãos está sendo respeitada.

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Notas:

* Vilnius é a capital do país. A referência faz designação ao Estado lituano.

** Diversos lituanos imigraram para a Argentina, o Brasil e os Estados Unidos durante o século XX e estabeleceram comunidades expressivas nos respectivos países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Panorama de Vilnius” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Vilnius_-_Panorama_02.jpg

Imagem 2 Dalia Grybauskaite” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Dalia_Grybauskait%C4%97.jpg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Líder da Esquerda Socialista deseja que o Parlamento norueguês declare crise climática nacional

Conforme vem sendo disseminado na mídia, especialmente por pesquisadores e ativistas, a questão climática é uma realidade global, sobre a qual todos os Estados precisam se unir para reduzirem os poluentes na atmosfera. Conforme apontam especialistas, se a inércia política permanecer e a temperatura do planeta ascender a 2,0ºC, os riscos de desastres naturais são altos. Nesta perspectiva, as geleiras dos polos, por exemplo, irão derreter, fazendo com que os níveis dos oceanos elevem e, com isso, diversos países costeiros serão arrasados.

Na Noruega essa é uma pauta importante, visto que o Estado é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e o país possui uma flora e fauna sensíveis à temperatura do Ártico. Todavia, o meio ambiente parece ser um assunto pouco tratado pelos políticos do Storting* e, diante disso, Audun Lysbakken, o líder da Sosialistik Venstreparti – Partido da Esquerda Socialista (SV), vem pressionando o Parlamento para que declare a existência de uma crise climática nacional.

O movimento em defesa do clima é de inspiração britânica, recebendo destaque após ativistas ambientais conseguirem o feito de pressionarem o Parlamento no Reino Unido a decretar uma crise climática nacional, e a adoção de medidas semelhantes pelo Canadá e Suíça. O objetivo do Parlamentar do SV, é despertar a atenção de seus pares para que eles instaurem no país cortes que ele considera realistas, de 60%, até 2030, em defesa do clima e da diversidade de espécies naturais.

Storting

O jornal Aftenbladet trouxe a afirmação do político norueguês sobre o assunto. Ele declarou: “O que nós queremos é que o Storting declare que estamos no meio de uma crise climática que constitui uma emergência nacional para a Noruega e uma emergência para o mundo ao nosso redor. O problema é que propomos medidas climáticas concretas o tempo todo, mas há a paralisia de ação da maioria política. Estamos procurando descobrir se a maioria do Storting compartilha não apenas da nossa percepção, mas também da percepção dos pesquisadores do clima sobre a gravidade da situação”.

Os analistas concordam que precisam ser feitas ações voltadas para a sustentabilidade e para a preservação ambiental, sejam por meio de iniciativas governamentais, sejam por intermédio de pressões populares. Todavia, salientam que a negação ou a ignorância dos alertas dos pesquisadores poderão acarretar fortes prejuízos, não só para a sociedade norueguesa, como, também, para os demais Estados.

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Nota:

* Storting ou Stortinget, em norueguês, é o nome dado ao Parlamento do país, composto por 169 membros, eleitos a cada 4 anos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O parlamentar Audun Lysbakken” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/64/Audun_Lysbakken_2009.jpg/1024px-Audun_Lysbakken_2009.jpg

Imagem 2 Storting” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d0/Stortinget%2C_Oslo%2C_Norway_%28cropped%29.jpg/1280px-Stortinget%2C_Oslo%2C_Norway_%28cropped%29.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

A greve da SAS na Suécia

A Scandinavian Airlines System (SAS) é uma companhia aérea multinacional formada inicialmente por consórcio entre a Suécia, a Noruega e a Dinamarca, em 1951. Após mudanças de mercado, em 2004, a empresa passou a operar dividida em 4 novas empresas independentes: SAS Scandinavian Airlines Sverige AB, SAS Scandinavian Airlines Danmark AS, SAS Scandinavian Airlines Norge AS, e SAS Scandinavian International AS, as quais ampliaram rotas domésticas e internacionais na região nórdica europeia.

Nos últimos anos, a SAS enfrenta momentos de dificuldades financeiras e redução de custos, e enfrentou uma greve de pilotos que paralisou a maioria dos seus voos, chegando a cerca de 4.000 cancelamentos. A greve iniciou no dia 26 de abril (2019) e terminou no dia 2 de maio, há exatamente 1 semana, e resultou em acordo de 11% no aumento de salários e no prejuízo de aproximadamente 380.000 passageiros.

A razão básica para a greve não foi apenas pelo aumento de salários dos pilotos, os quais se queixavam de defasagem, mas também pela desvalorização destes profissionais que alegavam não ter condições de trabalho apropriadas e realizarem voos seguidos por semanas.

Frota da SAS

Em relação ao tema, o jornal Expressen trouxe as afirmações do CEO da SAS, Richard Gustafsson, o qual comentou durante a paralisação: “Queremos dizer que temos uma boa oferta para nossos pilotos. Quando recrutamos novos pilotos, recebemos muitos aplicativos, por funcionários muito talentosos, mas também não podemos criar uma explosão de custos na empresa”.

Na mesma mídia, o Presidente da Associação de Pilotos Sueca da seção SAS, Wilhelm Tersmeden, declarou, em defesa dos profissionais durante o período de greve: “Um piloto da SAS se casa com a empresa e queremos que a SAS sobreviva. Mas nós não nos reconhecemos na descrição da realidade que a atual administração faz”.

Os analistas entendem que todos os profissionais possuem o direito de realizarem paralisações em defesa de seus interesses, assim como reconhecem as dificuldades inerentes a gestão de empresas. Todavia, o principal prejudicado com a greve da SAS foi o consumidor, o qual não pode contar com a efetivação de serviços no momento de compra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Avião da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3b/LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg/1280px-LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg

Imagem 2 Frota da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/SAS_DC-8-33_OY-KTA.jpg

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Os Data Centers e a problemática energética na Dinamarca

A Dinamarca é um Estado com grande potencial para geração de energia eólica, pois a mesma pode ser adquirida com a instalação de turbinas ao longo da costa do país. Diante dessa perspectiva, os dinamarqueses se comprometeram a ter 55% de energia verde em sua matriz nacional até 2030.

Em concordância aos projetos de energia emerge a questão do fornecimento da mesma para os cinco centros de dados que serão construídos nos próximos anos: pelo Facebook, na cidade de Odense; pela Apple, nas cidades de Viborg e Aabenraa; e pelo Google, nas cidades de Fredericia e Aabenraa.

A preocupação central recai sobre o consumo energético dos centros em 2030, que possui projeção de 16% da capacidade de produção elétrica do país, e a estimativa de aumento de 22% em 2040, quando, no total, poderão existir 9 centros de dados.

O jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação do Presidente do Conselho, Peter Møllegaard sobre o assunto, o qual expressou: “Se não tomarmos cuidado, corremos o risco de que a energia usada pelos centros de dados seja fornecida por usinas termoelétricas a carvão, seja em casa ou no exterior”.

Um dos reveses da política de energia verde da Dinamarca seria a utilização da matriz de carvão para abastecer os centros de dados e o Estado, todavia, os produtores de energia da Danske Energi contestam essa tese e reafirmam o auxílio prometido pelas respectivas empresas de tecnologia, assim como o Mar do Norte como fonte primária de geração de eletricidade.

Usinas eólicas na Dinamarca

A mesma mídia apresentou a fala da gerente de ramo da área de energia renovável da Dansk Energi, Kristine Grunnet, a qual frisou positivamente sobre a pauta: “A Dinamarca é uma verdadeira meca para a energia eólica, e só o Mar do Norte pode cobrir as necessidades de consumo de eletricidade da Dinamarca dez vezes mais. Temos que explorar isso em benefício do clima, porque o apetite mundial por dados certamente não diminuirá”.

Os analistas compreendem que existe espaço para o diálogo entre as autoridades dinamarquesas e as empresas donas dos centros tecnológicos, os quais poderão chegar a um consenso. Entretanto, o custo de desenvolvimento, manutenção e instalação de centros de dados é alto o suficiente para gerar receios quanto à construção de infraestrutura. Cabem as partes negociarem e planejarem o futuro com sensibilidade de forma que os objetivos de ambos possam ser alcançados sem prejuízos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro de dados” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/67/Inside_Suite.jpg/1280px-Inside_Suite.jpg

Imagem 2 Usinas eólicas na Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/97/Middelgrunden_wind_farm_2009-07-01_edit_filtered.jpg/1024px-Middelgrunden_wind_farm_2009-07-01_edit_filtered.jpg

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O impacto do Brexit na indústria pesqueira dinamarquesa

A Dinamarca é um país que detém uma considerável indústria pesqueira devido ao fácil acesso marítimo que possui, e pela localização geográfica no meio da Europa nórdica. Esses fatores contribuíram para a formação de tradições e hábitos alimentares que têm na pesca importância singular, não apenas para os dinamarqueses, como também para os nórdicos em geral.

O comércio e indústria do peixe é de tamanha relevância para o país que, no caso do Reino Unido (UK – sigla em inglês), somente a frota danesa* tem 30% da renda oriunda das águas britânicas. Essa cifra equivale a cerca de 1 bilhão de coroas dinamarquesas por ano (cerca de 150,55 bilhões de dólares, ou 590,92 bilhões de reais, conforme a cotação de 18 de abril de 2019) de acordo com um relatório do Departamento de Economia de Alimentos e Recursos da Universidade de Copenhague.

O Brexit é a saída dos britânicos da União Europeia (UE) e diante dessa questão emerge em Copenhague** a preocupação com os benefícios que o UK poderia dar à Dinamarca após a separação do Bloco europeu. Apesar dos receios, o governo danês* está na busca por um acordo unilateral com Londres***, de forma a garantir uma boa negociação para a preservação do mercado.

Eva Kjer Hansen – Ministra da Pesca da Dinamarca

Em relação a essa questão, o jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação da Ministra da Pesca do país, Eva Kjer Hansen, sobre o assunto: “Um Brexit sem acesso à pesca em águas britânicas pode ter consequências graves para os pescadores e isso é muito preocupante. Além disso, o Brexit pode impactar a indústria, os setores associados e as comunidades locais, com centenas de empregos em jogo.

Os analistas entendem a sensibilidade da pauta, a qual faculta ao Reino Unido a decisão de conceder aos dinamarqueses permissão para pesca em suas águas. É possível que a cooperação permaneça entre ambos os Estados, visto que é benéfica para a geração de empregos, arrecadação de impostos e movimentação da economia dos países-chaves.  

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Notas:

* Danesa ou Danês: adjetivo pátrio e equivalente a dinamarquês.

** Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; utilizada para fazer referência a sede do governo.

*** Londres: capital do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte; utilizada para referir-se a sede do governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barco de pesca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Barco_75_%2817211701766%29.jpg

Imagem 2 Eva Kjer Hansen Ministra da Pesca da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d0/20181204_Eva_Kjer_Hansen_Granshindermote_Folketinget_Greater_Copenhagen_OresundDirekt_0041_%2845332844785%29.jpg/1024px-20181204_Eva_Kjer_Hansen_Granshindermote_Folketinget_Greater_Copenhagen_OresundDirekt_0041_%2845332844785%29.jpg

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A Rail Báltica começa a sair do papel

O trem de alta velocidade é um dos principais símbolos da integração europeia e da livre circulação de pessoas, pois permite a locomoção de milhares de cidadãos por diversos países, além de intensificar as ligações infraestruturais dos Estados-parte da União Europeia (UE).

O projeto da Rail Báltica, ou linha ferroviária do báltico, é organizado pelas empresas Rail Báltica e RB Rail AS que, juntas, formam uma joint venture* encarregada de representar os interesses dos três Estados do Báltico: Estônia, Letônia e Lituânia. O empreendimento compõe o Projeto Global da Rail Báltica, o qual visa conectar indiretamente a Finlândia pela sua capital Helsinque até Varsóvia, capital da Polônia, via região báltica, interligando-a aos demais Estados europeus.

Com previsão de 870 Km de extensão e financiamento de 5 bilhões de euros da União Europeia – aproximadamente, 21,62 bilhões de reais, conforme cotação de 11 de abril de 2019 – o traçado contempla as seguintes cidades: Tallinn e Pärnu, na Estônia; Riga e a região do Aeroporto, na Letônia; e Panevėžys, Kaunas e Vilnius, na Lituânia.

Trem de alta velocidade

No final de março (2019) foram iniciados 7 de 11 procedimentos de adjudicação dos projetos técnicos, os quais totalizam mais de 50% da Rail Báltica. Em relação a linha, o jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do CEO da RB Rail AS, Timo Riihimäki, o qual disse: “Iniciar as atividades de projeto na primeira seção da linha principal é uma conquista significativa para todos os parceiros envolvidos no Projeto Global da Rail Báltica”.

Os analistas entendem que o projeto contribuirá para trazer uma nova dinâmica logística aos países em questão, favorecendo a intensificação de novos negócios. Outro aspecto relevante é o fator social, o qual poderá ganhar maior incremento e destaque a partir da aproximação cultural e política dos Estados-parte.

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Nota:

Joint Venture: é um acordo entre duas ou mais empresas que possuem um interesse comercial comum, por determinado período de tempo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Rail Báltica” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/91/Rail-baltica_internet.jpg/724px-Rail-baltica_internet.jpg

Imagem 2 Trem de alta velocidade” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/82/Gare_de_l%27Est_-mars_2013-TGV_reseau_510_carmillon.JPG/640px-Gare_de_l%27Est-mars_2013-_TGV_reseau_510_carmillon.JPG