NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A relação do Facebook nas eleições dinamarquesas

Em períodos anteriores a ascensão da internet, as disputas acirradas pelo voto também eram intensas, todavia, nos dias atuais, as mesmas passam a ser objeto de maior preocupação devido a propagação de notícias falsas (fake news).

Diversos grupos e Estados se sentem receosos sobre o potencial que as fake news e demais instrumentos cibernéticos podem ter durante tempos eleitorais. Diante disso, o Facebook e as autoridades dinamarquesas estão se reunindo com o objetivo de combater a difamação e as tentativas de desacreditar os candidatos.

O jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação do Diretor de Assuntos Políticos do Facebook nos países nórdicos e no Benelux*, Martin Ruby, sobre a pauta sensível: “O que aprendemos é que há muitos jogadores por aí que querem abusar de nossa plataforma. Não importa o quanto removamos, não parece ser suficiente, e isso é porque não são apenas terroristas, ou outros bandidos que compartilham coisas, mas também pessoas comuns”.

Internet e rede de cabos submarinos

Apesar dos esforços conjuntos, é notória a dificuldade existente para neutralizar todos os possíveis casos de crimes virtuais, entretanto, também é relevante considerar que hoje a sociedade é mais globalizada, e impedir que as informações circulem pode vir a acarretar prejuízos para a própria sociedade dinamarquesa.

Os analistas compreendem a necessidade de coibir o crime e as tentativas de manipulação eleitoreira, todavia, se ressalta o papel do marketing político como instrumento de influência sobre os cidadãos. De acordo com a interpretação destes especialistas, o marqueteiro não é um criminoso, porém tem a função de “manipular” as massas para ganhar o voto de forma legal. O que se entende é que com ou sem a possibilidade de interferências virtuais nos círculos de pleito, a decisão final cabe ao eleitor dinamarquês para realizar as próprias escolhas.

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Nota:

* Benelux: termo utilizado para descrever o agrupamento de Bélgica, Holanda (Nederland) e Luxemburgo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hacker” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Cliche_Hacker_and_Binary_Code_%2826614834084%29.jpg

Imagem 2 Internet e rede de cabos submarinos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/Submarine_cable_map_umap.png

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

A greve da SAS na Suécia

A Scandinavian Airlines System (SAS) é uma companhia aérea multinacional formada inicialmente por consórcio entre a Suécia, a Noruega e a Dinamarca, em 1951. Após mudanças de mercado, em 2004, a empresa passou a operar dividida em 4 novas empresas independentes: SAS Scandinavian Airlines Sverige AB, SAS Scandinavian Airlines Danmark AS, SAS Scandinavian Airlines Norge AS, e SAS Scandinavian International AS, as quais ampliaram rotas domésticas e internacionais na região nórdica europeia.

Nos últimos anos, a SAS enfrenta momentos de dificuldades financeiras e redução de custos, e enfrentou uma greve de pilotos que paralisou a maioria dos seus voos, chegando a cerca de 4.000 cancelamentos. A greve iniciou no dia 26 de abril (2019) e terminou no dia 2 de maio, há exatamente 1 semana, e resultou em acordo de 11% no aumento de salários e no prejuízo de aproximadamente 380.000 passageiros.

A razão básica para a greve não foi apenas pelo aumento de salários dos pilotos, os quais se queixavam de defasagem, mas também pela desvalorização destes profissionais que alegavam não ter condições de trabalho apropriadas e realizarem voos seguidos por semanas.

Frota da SAS

Em relação ao tema, o jornal Expressen trouxe as afirmações do CEO da SAS, Richard Gustafsson, o qual comentou durante a paralisação: “Queremos dizer que temos uma boa oferta para nossos pilotos. Quando recrutamos novos pilotos, recebemos muitos aplicativos, por funcionários muito talentosos, mas também não podemos criar uma explosão de custos na empresa”.

Na mesma mídia, o Presidente da Associação de Pilotos Sueca da seção SAS, Wilhelm Tersmeden, declarou, em defesa dos profissionais durante o período de greve: “Um piloto da SAS se casa com a empresa e queremos que a SAS sobreviva. Mas nós não nos reconhecemos na descrição da realidade que a atual administração faz”.

Os analistas entendem que todos os profissionais possuem o direito de realizarem paralisações em defesa de seus interesses, assim como reconhecem as dificuldades inerentes a gestão de empresas. Todavia, o principal prejudicado com a greve da SAS foi o consumidor, o qual não pode contar com a efetivação de serviços no momento de compra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Avião da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3b/LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg/1280px-LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg

Imagem 2 Frota da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/SAS_DC-8-33_OY-KTA.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A Lituânia planeja maior controle sobre as moedas virtuais

Nos últimos anos, a tecnologia revolucionou as formas de comunicação, encurtando distâncias e possibilitando maior interação social. Todavia, em tempos de propagação de e-mail e de redes sociais, o mundo observa a ascensão das moedas virtuais, que chegaram para transformar o mercado financeiro.

Com a valorização monetária, as moedas virtuais alcançaram grande visibilidade e chamaram a atenção de investidores em busca de lucros rápidos, contribuindo para sua expansão no mercado global. Atualmente, diversos Estados ora concordam, ora discordam quanto ao uso do dinheiro virtual, e um desses países é a Lituânia.

Os lituanos querem tornar as regras mais rígidas para as operações de câmbio virtual e de depósitos, visto que almejam se prevenir contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Na prática, a diretriz visa a identificação dos clientes pelas operadoras, caso o valor do serviço exceda 1.000 euros, e fornecer ao Serviço de Investigação de Crimes Financeiros (FCIS – sigla em inglês) informações se a operação equivaler até 15.000 euros.

Criptomoedas

O jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Diretor do Departamento de Políticas do Mercado Financeiro do Ministério da Fazenda da Lituânia, Sigitas Mitkus, sobre a pauta, o qual declarou: “Queremos criar um ambiente jurídico transparente para trocas de moeda virtual, operadores de carteiras de depósito e iniciadores da OIC (Oferta Inicial de Moedas – sigla em inglês). Também queremos contribuir para garantir melhor proteção ao consumidor. Ao introduzir limites para as operações financeiras, estamos indo além da diretiva da União Europeia (UE) e provavelmente nos tornaremos os primeiros no mundo a implementar as recomendações do GAFI* (Grupo de Ação Financeira) e aplicar os requisitos não apenas à conversão de moeda virtual para os tradicionais e vice-versa, mas também ao converter uma moeda virtual em outra”.

Os analistas salientam que a proposição do Estado lituano é positiva, à medida que estabelece regras claras de atuação no mercado de moedas virtuais daquele país. Outro fator interessante é a preocupação da Lituânia com a transparência das operações financeiras, sobretudo, diante dos postulados pelo GAFI. Todavia, apenas se considera como negativa a possibilidade de redução da circulação das moedas virtuais, assim como de prerrogativas que inflijam na perda de liberdade de escolha dos cidadãos, as quais não são o caso dessa proposta.

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Nota:

* Grupo de Ação Financeira Internacional: é um agrupamento governamental internacional informal, ou seja, que não foi criado por Tratado Internacional, com o objetivo de formular recomendações aos Estados contra a lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e cooperação internacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco da Lituânia filial de Kaunas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/01/Lietuvos_bankas_Kaune.JPG/797px-Lietuvos_bankas_Kaune.JPG

Imagem 2 Criptomoedas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Market_capitalizations_of_cryptocurrencies.svg/1280px-Market_capitalizations_of_cryptocurrencies.svg.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O impacto do Brexit na indústria pesqueira dinamarquesa

A Dinamarca é um país que detém uma considerável indústria pesqueira devido ao fácil acesso marítimo que possui, e pela localização geográfica no meio da Europa nórdica. Esses fatores contribuíram para a formação de tradições e hábitos alimentares que têm na pesca importância singular, não apenas para os dinamarqueses, como também para os nórdicos em geral.

O comércio e indústria do peixe é de tamanha relevância para o país que, no caso do Reino Unido (UK – sigla em inglês), somente a frota danesa* tem 30% da renda oriunda das águas britânicas. Essa cifra equivale a cerca de 1 bilhão de coroas dinamarquesas por ano (cerca de 150,55 bilhões de dólares, ou 590,92 bilhões de reais, conforme a cotação de 18 de abril de 2019) de acordo com um relatório do Departamento de Economia de Alimentos e Recursos da Universidade de Copenhague.

O Brexit é a saída dos britânicos da União Europeia (UE) e diante dessa questão emerge em Copenhague** a preocupação com os benefícios que o UK poderia dar à Dinamarca após a separação do Bloco europeu. Apesar dos receios, o governo danês* está na busca por um acordo unilateral com Londres***, de forma a garantir uma boa negociação para a preservação do mercado.

Eva Kjer Hansen – Ministra da Pesca da Dinamarca

Em relação a essa questão, o jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação da Ministra da Pesca do país, Eva Kjer Hansen, sobre o assunto: “Um Brexit sem acesso à pesca em águas britânicas pode ter consequências graves para os pescadores e isso é muito preocupante. Além disso, o Brexit pode impactar a indústria, os setores associados e as comunidades locais, com centenas de empregos em jogo.

Os analistas entendem a sensibilidade da pauta, a qual faculta ao Reino Unido a decisão de conceder aos dinamarqueses permissão para pesca em suas águas. É possível que a cooperação permaneça entre ambos os Estados, visto que é benéfica para a geração de empregos, arrecadação de impostos e movimentação da economia dos países-chaves.  

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Notas:

* Danesa ou Danês: adjetivo pátrio e equivalente a dinamarquês.

** Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; utilizada para fazer referência a sede do governo.

*** Londres: capital do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte; utilizada para referir-se a sede do governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barco de pesca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Barco_75_%2817211701766%29.jpg

Imagem 2 Eva Kjer Hansen Ministra da Pesca da Dinamarca” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d0/20181204_Eva_Kjer_Hansen_Granshindermote_Folketinget_Greater_Copenhagen_OresundDirekt_0041_%2845332844785%29.jpg/1024px-20181204_Eva_Kjer_Hansen_Granshindermote_Folketinget_Greater_Copenhagen_OresundDirekt_0041_%2845332844785%29.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório aponta que a Finlândia é o país mais feliz para se viver

A Finlândia é um Estado nórdico que adquiriu a independência em 1917, dos soviéticos, e iniciou seu processo de industrialização tardiamente. Apesar das possibilidades negativas, o país, de belas florestas e lagos, superou dificuldades e se tornou uma das maiores economias da Europa. Esses fatores contribuíram para que os finlandeses ascendessem em escala na qualidade de vida, sendo também referência internacional no setor de educação.

Segundo o Relatório Mundial da Felicidade (WHR – World Happiness Report) realizado por um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU), a Finlândia foi classificada como o país mais feliz do mundo deste ano (2019). E as razões refletem elementos gerais, como a expectativa de vida, o grau de liberdade da população para fazer escolhas, a percepção de corrupção social e a generosidade, que aufeririam aos finlandeses o título simbólico de os mais felizes.

Eles seguem com a honraria do relatório, porém ainda amargam realidades que contradizem a pesquisa contida no WHR, visto que o país possui uma taxa expressiva de suicídios, milhares de pessoas fazem uso de medicamentos antidepressivos, a violência doméstica, sobretudo contra a mulher, é imensa, e a situação da aposentadoria do cidadão não aspira fortes ânimos.

Emoji triste

O jornal Kainnunsanomat trouxe a crítica da filósofa da Faculdade de Economia de Rotterdam, Ilona Suojanen, sobre o relatório da felicidade, a qual vê equívocos nas conclusões, pois, segundo ela, “os fundamentos da pesquisa sobre felicidade são muito ocidentais. Ao mesmo tempo, ela se perguntou o quão sensato é colocar os países do mundo em ordem com base nisso”.

Os analistas concordam com os questionamentos críticos ao WHR e entendem que os mesmos ignoram variáveis importantes, à medida que tentam igualar todas as realidades e observá-las sob uma perspectiva única. Conforme afirmam especialistas, em relação a Finlândia, é notório que existem problemáticas sociais a serem vencidas, as quais não desaparecerão simplesmente pela emissão de um estudo.

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Imagem 1 Aurora boreal na Lapônia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Aurora_borealis_over_Lapland_%28Unsplash%29.jpg/1280px-Aurora_borealis_over_Lapland_%28Unsplash%29.jpg

Imagem 2 Emoji triste” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/87/Emojione_1F641.svg/600px-Emojione_1F641.svg.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Candidato à Presidência lituana apresenta programa de Política Externa

Nos últimos anos, a Lituânia demonstra interesse em ser um Estado cada vez mais independente e estimula seus cidadãos a escolherem o futuro de sua nação sem considerar as possíveis influências externas. Após a saída da antiga União Soviética, os lituanos, assim como os Estados bálticos da Letônia e Estônia, lutam pela autoafirmação de seus países no cenário internacional, e, para isso, ingressaram na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), buscando conquistar espaços políticos.

No momento, a Lituânia está em fase de campanha eleitoral para o cargo de Presidente, com uma disputa acirrada entre 17 candidatos: Vytenis Andriukatis, Petras Auštrevičius, Alfonsas Butė, Raimonda Daunienė, Petras Gražulis, Vitas Gudiškis, Arvydas Juozaitis, Camimier Juraitis, Aušra Maldeikienė, Valentin Mazuron, Mindaugas Puidokas, Naglis Puteikis, Saulius Skvernelis, Toms Simple, Ingrida Šimonytė, Valdemar Tomaševski e Gitana Nausėda.

O candidato Gitana Nausėda, ciente da importância da política externa para o país, apresentou suas propostas no último dia 15 deste mês (março), e enfatiza um maior foco na diplomacia econômica, um diálogo com a Rússia, um olhar mais aberto aos investimentos da China, maior destaque para a OTAN e ter a UE como uma confederação.

A valorização do fator comercial na política externa lituana contribuiria para facilitar o acesso dos empresários daquele país ao mercado internacional, e uma maior parceria com a China seria fundamental para ramificar os negócios, conforme afirma o próprio Nausėda no jornal The Baltic Times: “Sou a favor do desenvolvimento da cooperação econômica com a China, já que não há grandes riscos relacionados ao comércio. Sinto falta do elemento econômico em nossa política externa. Acho difícil entender por que estamos cortando a parte do financiamento para a política externa, fechando representações e posições de adido comercial”.

Gitanas Nausėda

Em matéria de política, o candidato Nausėda entende que a UE deveria ser menos centralizadora, pois os países menores tendem a arcar com grandes responsabilidades, enquanto os países maiores tendem a não se arriscarem muito; em relação a OTAN compreende que a Lituânia deve dar maior ênfase discursiva e financeira ao Bloco, pois o mesmo faz parte de seu apoio externo na área de defesa; e, sobre a Rússia, Nausėda acredita que se não houver problemáticas acerca dos princípios lituanos, o diálogo deve ser mantido, e focalizando a perspectiva econômica e cultural.

O próprio candidato Nausėda tornou a afirmar no jornal The Baltic Times:

A OTAN é o mais importante e praticamente o nosso único escudo que a Lituânia pode usar para deter qualquer inimigo externo. Devemos reforçar a OTAN não apenas através de palavras, mas também através de compromissos”. Em relação a Rússia ele afirma: “Mas estes são nossos países vizinhos e se não renunciarmos aos nossos princípios, podemos tentar falar com eles, talvez partindo da alavanca política mais baixa e, antes de tudo, focalizando a cooperação econômica e cultural”.

Os analistas compreendem que a região do báltico possui uma sensibilidade política que deve ser considerada no tocante a expansão das fronteiras da UE e da OTAN em direção à Rússia, e da afirmação política da Lituânia no plano regional. Todavia, a ascensão de um Presidente lituano capaz de entender as questões centrais que rodeiam a política interna e externa da Lituânia poderia contribuir para maior progresso e menos tensões para as nações locais. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio Presidencial da Lituânia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Wilno_-_Pa%C5%82ac_prezydencki.jpg

Imagem 2 Gitanas Nausėda” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1f/Gitanas_Nauseda.jpg/1024px-Gitanas_Nauseda.jpg