NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Jornalistas da Al-Jazeera ainda detidos no Egito

Na última quarta-feira, dia 19 de fevereiro, redes de agências de notícias assinaram em conjunto uma carta aberta ao Governo do Egito, defendendo a liberação de jornalistas da Al-Jazeera presos em dezembro de 2013, sendo elas a BBC, NBC, ABC, ITN e “Sky News”. Segundo o documento “… a ação do Egito é profundamente prejudicial ao futuro do jornalismo imparcial no país e suas ações são injustas e inaceitáveis[1]

Peter Greste, Mohammad Fahmy and Baher Mohammad são acusados de espalhar falsas notícias e de terem estabelecido ligação com organizações terroristas. Por organização terrorista, os governantes egípcios querem dizer a “Irmandade Muçulmana”, declarada como tal desde o dia 25 de dezembro do ano passado. O veículo de comunicação Al-Jazeera prossegue negando as acusações e demanda a libertação imediata de seus jornalistas.

Os acusados foram a julgamento ontem, quinta-feira, dia 20, tendo negado todas as incriminações ao início do processo, que foi adiado para o dia 5 de março. Além dos três jornalistas citados, outros foram presos e são mantidos em cativeiro no Egito, somando no total 20 profissionais. A “Al-Jazeera” afirma que nove dos acusados são parte do seu staff e estavam apenas reportando a situação no país[2].

Oito dos jornalistas acusados estiveram presentes no julgamento do dia 20 de fevereiro. Eles apareceram em celas de metal na sala do tribunal, dentro da “Prisão de Tora”, no Cairo. Peter Greste e Mohammad Fahmy apelaram aos Governos australiano e canadense por ajuda e ambos afirmaram que o Governo egípcio não informou quando o processo teria início, não dando tempo para que seus advogados preparassem a defesa. Segundo Fahmy, eles estão fisicamente bem, mas tudo está sendo psicologicamente insuportável[3].

Desde que as prisões ocorreram, profissionais do mundo inteiro têm organizado protestos demandando sua libertação e rejeitando as afirmações de que seus colegas de profissão possuam qualquer conexão com a Irmandade Muçulmana”, designada pelo Governo egípcio como um órgão terrorista. O caso é um dos muitos que gera críticas ao atual governo militar do país, dentre a falta de liberdade de expressão e a crescente intolerância à dissidência.

O Governo interino do Egito e seus apoiadores acusam as agências de notícias internacionais de serem tendenciosas em suas reportagens sobre abuso de “Direitos Humanos” contra os partidários do Presidente deposto, Mohamed Morsi, e contra dissidentes seculares. Se forem julgados culpados pelas acusações, os jornalistas da Al-Jazeera podem pegar de 5 a 15 anos de prisão.

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Imagem (Fonte):

http://www.ctvnews.ca/world/canadian-journalist-says-egypt-prison-conditions-psychologically-unbearable-1.1695376

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/mediacentre/statements/letter-peter-greste.html

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-26268692

[3] Ver:

http://www.cbc.ca/news/world/mohamed-fahmy-canadian-journalist-in-egypt-hears-charges-1.2544592

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Delegado iraniano permanece durante discurso de ministro israelense em Abu Dhabi

Pela primeira vez em mais de uma década um membro do governo iraniano permaneceu durante um discurso público apresentado por um integrante do Governo de Israel”. O fato aconteceu na Conferência da “Agência Internacional de Energias Renováveis” (IRENA), em Abu Dhabi. Foi a primeira vez, também, que um representante israelense esteve presente no encontro.

Quando o “Ministro da Energia e da Água de Israel”, Silvan Shalom, começou sua fala, o “Ministro da Energia do Irã”, Hamid Chitchian, permaneceu em sua cadeira. Os outros delegados iranianos, como de costume, saíram ou se dirigiram para o fundo do salão, enquanto Chitchian ficou na frente e escutou o discurso realizado por Shalom. Foi a primeira vez em mais de uma década que algo do tipo ocorreu. Como feito pelos outros delegados representantes do Irã na Conferência em Abu Dhabi, nos últimos anos os iranianos se retiraram quando algum representante israelense tomou a fala em Congressos e Conferências Internacionais.

As primeiras notícias sobre o assunto reportaram Hamid Chitchian como sendo um delegado de baixo escalão[1]. Porém o Ministro da Energia do Irã, além de seu atual cargo de máxima importância,  é membro do Gabinete presidencial de Hassan Rouhani. Chitchian também já atuou no Governo de seu país como oficial de inteligência, tendo assumido posições no Ministério da Informação e Segurança e na Inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica” (IRGC). O atual “Ministro da Energia” iraniano já tinha trabalho em seu atual Ministério ao longo do “Governo de Mahmoud Ahmadinejad”. 

Na realidade, portanto, o que ocorreu foi que o Irã deixou provavelmente seu delegado de maior escalão presente durante a apresentação do ministro Sivan Shalom. O peso disso para as relações entre Israel e Irã, muito conturbadas ao longo da última década, pode ser grande.

O Kuwait, por sua vez, decidiu boicotar o evento inteiro devido à presença de uma delegação israelense. Segundo o jornal “Kuwait Times”, a decisão foi de acordo com o comprometimento do país em relação ao boicote de qualquer tipo de interação com o governo de Israel[2].

A Conferência da IRENA ocorrida em Abu Dhabi marcou, também, a primeira vez que um oficial de alto escalão político israelense foi enviado aos Emirados Árabes Unidos” (EAU) desde 2010. O Estado de Israel e os EAU não possuem relações diplomáticas. Segundo o “Governo de Abu Dhabi”, a participação de Israel na IRENA não representa de forma alguma uma tentativa de normalização de relações bilaterais[3].

A Conferência em “Abu Dhabi” recebeu delegações de aproximadamente 150 países e 120 “Organizações Não-Governamentais”. Seu objetivo principal é lançar um plano para o aumento da sustentabilidade até o ano 2030[4].

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Imagem (Fonte):

http://www.presstv.ir/detail/2013/11/02/332598/iran-armenia-want-more-energy-ties/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.timesofisrael.com/kuwait-bails-uae-meet-over-israeli-presence-iran-stays/ 

[2] Ver:

http://news.kuwaittimes.net/zionist-presence-leads-kuwait-snub-meeting-co-op-chief-denies-selling-israeli-spuds/

[3] Ver:

http://www.arabianbusiness.com/israel-seeks-permanent-energy-delegate-in-uae-535446.html

[4] Ver:

https://www.irena.org/News/Description.aspx?NType=A&mnu=cat&PriMenuID=16&CatID=84&News_ID=349

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Ver também:

http://iran-israel-observer.com/

        

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Egito três anos após as manifestações na Praça Tahrir

Neste Janeiro de 2014, o Egito completou três anos das primeiras manifestações na Praça Tahrir”, que levaram à derrubada do ditador Hosni Mubarak – no poder há praticamente três décadas. A queda de Mubarak pareceu representar, então, o maior sucesso do fenômeno que ficou conhecido como “Primavera Árabe”. Nesse meio tempo, o país passou por um governo de transição militar, por suas primeiras eleições democráticas, pelo primeiro presidente eleito democraticamente seguido de sua derrubada, por atritos sociais e uma grave crise econômica. Nos choques violentos entre o atual governo de Adly Mansour e a oposição apoiadora da “Irmandade Muçulmana”, o resultado conta com milhares de mortos. Observadores levantam a pergunta: o que será que o Egito pode celebrar?

Grupos políticos rivais planejaram uma série de protestos por todo o país em homenagem às revoltas de 2011. O atual Governo do Egito”, presidido por Adly Mansour, pareceu estar a favor das comemorações e disse que o público egípcio deve celebrar o aniversário. O “Ministro do Interior”, Muhammad Ibrahim, afirmou que medidas de segurança extra foram tomadas para garantir que nenhum ato de violência se intensifique, a fim de que a população não tenha medo de sair às ruas[1]

Simultaneamente, a denominada “Aliança Anti-Golpe” – liderada pela “Irmandade Muçulmana” – chamou seus seguidores para 18 dias de protestos, baseando-se nos 18 dias de revoltas que resultaram na renúncia de Mubarak. A “Irmandade Muçulmana” mantém protestos regulares desde que o ex-Presidente Mohammed Morsi foi forçado a sair do poder pelos militares, sob a liderança do general Abdel Fattah al-Sisi.

Um dos membros da “Aliança Anti-Golpe” residente da cidade do Cairo, Ahmad Nageeb, declarou para o jornal “Arabiya News” que o dia “25 de Janeiro” não pode ser celebrado sem que o verdadeiro espírito da Revolução seja regenerado. Segundo ele: “o dia 25 e Janeiro foi esquecido e nós estamos de volta à estaca zero. Nossos protestos não são permitidos e qualquer um que se oponha ao exército está sendo varrido do mapa. É por isso que devemos retomar o que a Revolução demandou inicialmente em 2011[2]

Outro grupo que planeja marcar presença nas ruas do Egito para este fim é o “Movimento Jovem 6 de Abril”. Fundado em 2008, o grupo representou uma das principais oposições a Hosni Mubarak e ficou conhecido por utilizar como ferramentas as mais variadas redes sociais. No atual “Governo Militar”, o grupo também tem sofrido com falta de liberdade de expressão. Seis de seus membros foram presos nos últimos dias por distribuir panfletos que chamavam para a “Terceira Revolução” no aniversário da “Revolta de Janeiro de 2011”.

A organização condenou as prisões em uma Declaração, na qual afirmou que a repressão da juventude por simplesmente distribuir panfletos é em si um convite claro para a rebelião contra as injustiças cometidas pelos atuais governantes[3].

Em meio às expectativas de celebração – por parte do Governo e da Oposição – das manifestações na “Praça Tahrir” em Janeiro de 2011, o Presidente deposto Mohamed Morsi passou por um julgamento nesta semana. Ele foi retirado do poder em julho de 2013 pelo Exército, que foi incitado por manifestações populares a atuar contra seus poderes na Presidência do país.

O movimento contra o primeiro Presidente eleito do Egito representou uma grande questão para a sociedade. Tendo sido apoiado – e pedido – por parte expressiva da população egípcia, o ato é considerado altamente antidemocrático. Por um lado, Morsi foi acusado de abuso de poder, repressão e violência, adicionando, ainda, o caráter islamita fundamentalista de seu partido político, o que significou grande ameaça para setores seculares da sociedade. Por outro, ele foi eleito democraticamente e sua deposição deixou um grande senso de injustiça para o Egito e para o mundo. Além disso, deixou uma enorme interrogação: estariam os militares garantindo sua estadia no poder?

Remontando à história do país, o primeiro “Golpe Militar” do Egito contemporâneo ocorreu em 1952, sob os auspícios do general Muhammad Naguib. Dois anos depois, Gamal Abdel Nasser o retirou do poder e se tornou uma das figuras de liderança mais aclamadas do mundo árabe. Após sua morte, em 1969, Nasser foi sucedido por Anwar Al-Sadat, assassinado em 1981 depois de assinar os “Acordos de Camp David” com Israel. Hosni Mubarak era o vice presidente de Sadat e esteve no poder desde então até o início de 2011, marcando quase seis décadas de regime militar no Egito.

Ao longo deste período, os militares tornaram-se um setor de especial importância no país, ocupando cargos públicos, regendo boa parte da economia e desfrutando de vantagens sociais.

Quando as manifestações contra Mubarak se intensificaram na “Praça Tahrir”, o Exército tomou uma medida quase inesperada: voltou-se para o lado da população pela renúncia do então Presidente. Assumiu o “Governo de Transição”, instaurou eleições parlamentares e, posteriormente, presidenciais.  Mohamed Morsi foi o vencedor, à frente da “Irmandade Muçulmana”, grupo de oposição que ganhou mais força e organização durante os anos do “Governo Militar” no país. Morsi ficou no poder por um ano, tendo assumido no dia 1o de julho de 2012 e deposto no dia 3 de julho de 2013. Desde então, a “Presidência do Egito” está novamente sob controle militar.

O atual Governo se afirma como sendo de transição. Em dezembro de 2013, um rascunho da nova Constituição foi aprovado pelos membros da Assembleia Nacional”. Na última quarta-feira, dia 29 de Janeiro, a Lei sobre as Eleições presidenciais foram alteradas por Mansour. O Presidente interino declarou que elas serão precedidas por Eleições parlamentares e a discussão a respeito do assunto poderá se estender até o dia 9 de fevereiro[4].

No julgamento que passou esta semana, Mohamed Morsi esteve encarcerado em uma cela de vidro à prova de som, sendo permitido que se dirigisse à Corte após levantar a mão. Logo no início do processo, Morsi seguiu gritando: “eu sou o Presidente da República, como posso estar sendo mantido em uma lixeira por semanas?[5]. A uma certa altura do julgamento, foi permitido que os jornalistas escutassem o que se passava na cela de vidro e os outros acusados começaram a cantar “abaixo com o regime militar![5]. Após este ocorrido o Juiz cortou o som[5]

Três anos após a histórica renúncia de Hosni Mubarak, conquistada pela população apoiada pelos militares, a questão que fica é se algum ganho realmente foi conseguido. Aparentemente, o setor militar conseguiu se manter no poder, reprimindo e censurando os partidos islâmicos de oposição, especialmente a Irmandade Muçulmana”. Este grupo, por sua vez, mantém seu papel de principal organização opositora, assim como o foi na época de Nasser, Sadat e Mubarak.

Deve-se destacar que Morsi também recebeu severas críticas por parte de uma série de setores populares, foi acusado de violência e assassinato. Ao longo de seu período na Presidência, as prisões por censura foram muitas, bem como a repressão da oposição à “Irmandade Muçulmana”. No entanto sua retirada do poder representou um golpe sobre o primeiro Presidente eleito na história do país e o Governo prossegue nas mãos do mesmo setor desde a “Revolução Egípcia de 1952”.

Atualmente, o Egito sofre com grave crise econômica, resultado principalmente da falta de investimento externo e da queda do turismo. Os setores populares estão altamente divididos e polarizados e a violência aumentou muito no país nos últimos anos, possivelmente como resultado não somente de embates políticos, mas também da crescente taxa de desemprego.

No entanto, não se pode esquecer o fato de que regimes democráticos são, na realidade, muito singulares em relação a cada pais e o Estado-Nação, em si, tanto quanto a idéia de “Estado Democrático de Direito” são fenômenos relativamente recentes na história do “Oriente Médio”. A conquista da Democracia, por sua vez, é realmente um processo que envolve desacordos, aprendizagem, busca por lideranças e briga pelo poder. Olhando em retrospectiva, o caso do Egito não seria tão anormal em seu primeiro processo de busca democrática por parte de forças populares. E, como se depreende das observações de grande parte dos analistas, possivelmente, a quebra do status quo do regime militar de seis décadas, passando pela experiência de primeiras eleições democráticas, pela formação de grupos politizados e por manifestações foram grandes conquistas, que podem ser vistas como primeiros passos que devem ser celebrados pela sociedade enquanto o começo de uma jornada muito maior.

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Imagem (Fonte):

http://www.theatlantic.com/international/archive/2013/04/former-tahrir-square-star-now-sings-against-morsi/274524/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25874370

[2] Ver:

http://english.alarabiya.net/en/perspective/analysis/2014/01/25/Three-years-on-Egypt-has-little-to-celebrate-on-Jan-25-.html

[3] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContentPrint/1/0/92196/Egypt/0/Egypts-April–denounces-fresh-arrests,-warns-of-th.aspx

[4] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/92975/Egypt/Politics-/Egypt-presidency-puts-amended-presidential-electio.aspx

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25924027

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Nelson Mandela e o MOSSAD

Ontem, quinta-feira, dia 19 de dezembro, o jornal israelense Haaretz publicou em seu site online na versão inglesa o conteúdo de uma carta confidencial de 1962, escrita pelo MOSSAD e enviada ao Ministério das Relações Exteriores de Israel”, em Jerusalém. Segundo o documento, revelado pela primeira vez na publicação em questão, Nelson Mandela recebeu treinamento em armamentos e sabotagem por parte do MOSSAD naUniversidade Hebraica de Jerusalém”.

David Fachler, quem descobriu o documento, tem 43 anos, cresceu e se formou na “África do Sul” e, atualmente, vive na cidade israelense de “Alon Shvut”. De acordo com ele, se na época em questão o Governo sul-africano tivesse descoberto o envolvimento entre Mandela e o MOSSAD, o fato poderia ser prejudicial para as comunidades judaicas locais.

Nelson Mandela passou a atuar de forma clandestina em 1960. Dois anos depois, ele deixou a “África do Sul” na ilegalidade e visitou diversos países africanos, dentre eles Etiópia, Argélia, Egito e Gana. Durante a viagem, buscou se encontrar com líderes de países da África, bem como angariar apoio financeiro e bélico para o grupo armado do “Congresso Nacional Africano” (CNA).

De acordo com a carta revelada pelo jornal Haaretz, durante este período Mandela teve treinamento militar por parte de agentes do MOSSAD na Etiópia. Pode-se depreender, pelo conteúdo do documento, que tais agentes não estariam cientes da real identidade de Mandela.

A carta está datada como sendo do dia 11 de outubro de 1962, aproximadamente dois meses antes de Mandela ser preso na “África do Sul”. Ela foi remetida a três pessoas: a Netanel Lorch – chefe do “Escritório Africano no Ministério das Relações Exteriores”; ao Major General Aharon Remez – chefe de departamento do “Ministério de Cooperação Internacional” e primeiro comandante em chefe das “Forças Aéreas de Israel”; e a Shmuel Sibon, embaixador israelense em “Addis Abeba”, entre os anos de 1962 e 1966.

O assunto da carta é A Pimpinela Negra”, o apelido em inglês utilizado pela mídia sul-africana para Nelson Mandela. O codinome foi baseado no romance “Pimpinela Escarlate”, da Baronesa Orczy.

O documento descoberto por David Fachler indica que Nelson Mandela cumprimentou os homens do MOSSAD com a palavra shalom. Além disso, ele estava a par de questões sobre os judeus e Israel, dando a impressão de ser um intelectual. O agente do MOSSAD que escreveu a carta indicou que Mandela demonstrou grande interesse pelos movimentos políticos e militares clandestinos de Israel e o staff tentou atraí-lo para o movimento sionista. Foi feita uma anotação manuscrita na carta, referindo-se a outra correspondência enviada duas semanas depois, em 24 de outubro de 1962. A anotação explicita que o “Pimpinela Negra” era Nelson Mandela, anexando uma breve explicação sobre sua pessoa que fora publicada no jornal Haaretz na época em questão.

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Imagem (Fonte):

http://www.reuters.com/article/2013/12/15/us-mandela-obituary-idUSBRE9BE04V20131215

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Fonte consultada:

http://www.haaretz.com/news/features/.premium-1.564412#

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AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

John Kerry diz que houve progresso nas negociações entre Israel e Palestina

O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chegou a Israel nesta quarta-feira para reuniões com o Primeiro Ministro israelense Benjamin Netanyahu e com aAutoridade Palestina”. Na última quinta-feira, Kerry e Netanyahu reuniram-se em Jerusalém, onde apresentaram para a mídia que cobriu o encontro boas previsões para futuros Acordos de Paz[1].

Segundo Netanyahu, Israel está pronto para a esperada e histórica paz com a Palestina a ser realizada em um Acordo de Dois Estados”. O Primeiro-Ministro israelense ressaltou que ambos os lados necessitam tomar atitudes reais e evitar crises artificiais. Uma das preocupações que o país tem em relação ao tão esperado Acordo é a segurança do território de Israel. Netanyahu deixou claro que os israelenses devem ter o direito de autodefesa em qualquer negociação que possa vir a ser feita[2].

Kerry reconheceu a preocupação por parte de Israel em relação a devolução de territórios, o que poderia tornar o país vulnerável a ataques, segundo o Governo. Neste quesito, ele declarou ter conversado com o Primeiro-Ministro israelense acerca dos desafios sobre a segurança. Kerry não aprofundou mais este assunto para os repórteres presentes[3].

O Secretário de Estado norte-americano afirmou que a segurança do Estado de Israel é um assunto de grande importância para os Estados Unidos. Ele declarou, ainda, que este ponto foi especialmente tratado nas conversações com o Irã e em negociações com a “Autoridade Palestina”.

As relações entre Israel e Irã têm ficado mais tensas nos últimos meses e o acordo relacionado às armas nucleares iranianas deixou o governo israelense mais inquieto. Kerry procurou deixar bem claro para Netanyahu que os “Estados Unidos” ficarão atentos para que o Irã cumpra o programa de contenção nuclear e que se desenvolva um acordo permanente com o país após o período de seis meses de construção de confiança estabelecido em Genebra.

Na tarde do mesmo dia, John Kerry se reuniu com o “Presidente da Autoridade Palestina”, Mahmoud Abbas, em Rammalah. Após o encontro, um oficial palestino declarou anonimamente à agência de notícias Reuters que a “Autoridade Palestina” rejeitou a proposta norte-americana para questões de segurança de Israel. Segundo o relato, as medidas propostas por Kerry na reunião só serviriam para sustentar os assentamentos israelenses.

O Secretário de Estado estadunidense afirmou após a reunião que “existem questões de sobrevivência, questões de respeito e dignidade que são obviamente significativas para os palestinos, e para os israelenses questões de segurança muito sérias[4].

O relacionamento entre Israel e Palestina possui muitos pontos sensíveis, dentre eles desacordos internos por parte dos governos de ambos os lados e a questão territorial. John Kerry afirmou, no entanto, que os EUA permanecem altamente comprometidos com a questão e também que progressos estão sendo realizados[5].

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Imagem (Fonte):

http://america.aljazeera.com/articles/2013/11/6/deadlock-tweenisraelispalestiniansputspeacedealinjeopardy.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/12/05/us-iran-nuclear-israel-usa-idUSBRE9B40FB20131205

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.561932

[3] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Kerry-Israels-security-at-the-top-of-US-agenda-in-Iran-nuclear-talks-334076

[4] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.562007

[5] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4461805,00.html

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NOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Genebra II a ser realizada em janeiro de 2014

As Nações Unidas” (ONU) anunciaram nesta semana que uma Conferência pela paz na Síria será realizada em Genebra, em janeiro de 2014. A decisão foi tomada meses após o primeiro intuito de se realizar este evento, já que as partes envolvidas no conflito estão em desacordo a respeito da pauta a ser adotada e sobre quem deverá estar presente. Após muita discussão e com o esforço internacional, a data para a Conferência – já conhecida como “Genebra II” – foi estabelecida[1].

Na última quarta-feira, o Governo sírio confirmou publicamente que estará presente. Segundo relatório oficial, a delegação estará sob direção do presidente Bashar al-Assad. A principal demanda da oposição, no entanto, foi estritamente negada por parte do Governo. Os grupos que lutam no confronto para o término da presidência de Assad exigem que o atual presidente não tenha qualquer participação em um projeto político de transição democrática.

O “Ministro das Relações Exteriores”, Walid Muallem, foi quem realizou o pronunciamento à agência de notícias SANA, afirmando que expectativas para a renúncia de Assad não passam de ilusões. Segundo Muallem, a delegação que representará o governo tem como objetivo atingir os interesses do povo, primeiramente eliminando o terrorismo. Por terrorismo, o Ministro provavelmente se referia aos grupos de oposição[2].

Após a confirmação por parte do governo, o líder do principal grupo de oposição, Ahmad Jarba, confirmou que estará presente em Genebra II e afirmou que enxerga as conversações a serem realizadas como um passo para a transição da liderança. A “Coalizão Nacional Síria” já havia estabelecido condições para sua presença na Conferência. Dentre elas, o grupo exige a instalação de corredores humanitários e a soltura de prisioneiros políticos.

Na última quarta-feira à noite, Jarba reafirmou sua participação, reiterando que a Coalizão Nacional Síriarejeita qualquer papel político por parte de Bashar al-Assad na transição que deve ser adotada[3].

Os esforços internacionais têm sido grandes pela realização da Reunião em Genebra. Irã e Turquia, que se encontram em lados opostos em relação ao conflito na Síria, se juntaram em pedidos de que um cessar fogo seja adotado no país antes das conversações de paz serem realizadas em janeiro. O “Secretário Geral da ONU”, Ban Ki-moon, declarou que “Genebra II objetivará o estabelecimento de um Governo de transição com plenos poderes executivos[4].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-24628442

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.cnn.com/2013/11/25/world/meast/syria-civil-war/

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/11/assad-regime-says-no-surrender-power-20131127104615147136.html

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25133823

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/11/27/us-syria-crisis-turkey-iran-idUSBRE9AQ0ND20131127