NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Síria inicia processo de destruição de armas químicas

A Organização para a Proibição de Armas Químicas” (OPCW) anunciou na última quinta-feira, dia 30 de outubro, que a Síria destruiu uma série de equipamentos de produção de armamentos químicos e munições de gás venenoso. A declaração foi feita um dia antes do prazo estabelecido para o governo do país inutilizar ou destruir todas as instalações e maquinarias que produzem tal tipo de armamento, previsto para 1o de novembro de 2013. O cronograma realizado pela OPWC tem como objetivo acabar com todas as armas químicas da Síria até meados de 2014[1].

Damasco ainda tem que cuidar da inutilização de todo os equipamentos existentes operantes e seus estoques. A estimativa é que a Síria possui cerca de mil toneladas de armamentos químicos, como, por exemplo, gás mostarda e o agente nervoso gás sarin. A operação implica que o país não poderá produzir novos armamentos químicos[2]

No mesmo dia em que a OPWC realizou o anúncio, conflitos entre as tropas de Bashar al-Assad e grupos da oposição se intensificaram na cidade de Al-Safira, ao norte do país. Segundo experts, em Al-Safira funciona uma instalação de produção de armas químicas e locais de armazenamento. O confronto na região entre as forças de Assad e grupos rebeldes, muitos ligados a Al-Qaeda, já acontece há semanas. Segundo o “Observatório Sírio de Direitos Humanos”, localizado na Inglaterra, na última quinta-feira ocorreram baixas de ambos os lados[3].   

Embates como o ocorrido em Al-Safira aumentam ainda mais os perigos enfrentados pelos inspetores de armas químicas. Com o tempo apertado para cumprir o prazo de extinguir o arsenal de armamentos tóxicos na Síria, os agentes ainda enfrentam as dificuldades apresentadas pela guerra civil, que continua no país.

Atualmente, esforços por parte de atores internacionais têm sido feitos para que membros do governo sírio e de forças da oposição compareçam em Genebra no próximo dia 23 de novembro para conversações de paz. Os principais atuantes na questão sãoEstados Unidos”, Rússia e Grã-Bretanha. Tal objetivo parece, no entanto, difícil de ser atingido. A “Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias”, principal coalizão da oposição no país, afirmou que não irá comparecer à conferência programada caso algum membro do governo de Assad esteja presente[4].

Bashar al-Assad, por sua vez, declarou ao enviado das “Nações Unidas” e da “Liga Árabe”, Lakhdar Brahimi, em reunião na última quarta-feira, que para que qualquer solução política seja aplicada à Síria com sucesso, o apoio e a ajuda internacional aos grupos armados de oposição deve terminar. A Turquia, a “Arábia Saudita” e o Qatar são os países que providenciam maior suporte aos opositores de Assad com auxílio financeiro e logístico. Os “Estados Unidos” e alguns países da Europa já forneceram ajuda não letal[5].

O encontro planejado em Genebra encontra outras dificuldades para acontecer de fato. Além do ainda não comprometimento da oposição em comparecer, Estados Unidos e Rússia discordam sobre as representações a estarem presentes, o que funciona como mais um obstáculo para a conferência em prol das conversações de paz[6].

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Imagem (Fonte):

http://www.reuters.com/article/2011/05/23/us-syria-idUSLDE73N02P20110523

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.opcw.org/news/article/syria-completes-destruction-activities-to-render-inoperable-chemical-weapons-production-facilities-a/

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/10/31/us-syria-crisis-chemical-idUSBRE99U08N20131031

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.555449

[4] Ver:

http://live.aljazeera.com/Event/Syria_Live_Blog

[5] Ver:

http://america.aljazeera.com/articles/2013/10/30/hopes-fade-for-syriapeacetalksnextmonth.html

[6] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.555353

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Erdogan aconselha Hamas a não se aproximar do Egito ou do Fatah

Segundo o jornal israelense Haaretz, o jornal egípcio Al-Ahram teria reportado na última segunda-feira (21 de outubro) que o Primeiro-Ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aconselhou o Hamas a não apresentar claras intenções em relação ao governo egípcio ou a uma reconciliação com o Fatah, partido palestino no governo da Cisjordânia. Segundo o Haaretz, o relato foi baseado em fontes palestinas[1].

Ismail Haniyeh (Primeiro-Ministro palestino em Gaza) e Erdogan teriam conversado ao telefone na noite da sexta-feira da semana passada, dia 18, véspera do aniversário em que o soldado israelense mantido em cativeiro pelo Hamas, Gilad Shalit, foi trocado por 1.021 prisioneiros palestinos mantidos em cadeias israelenses. Na ocasião, estava marcado um discurso público de Haniyeh. Segundo o jornal Haaretz, os dois governantes conversaram sobre o conteúdo do discurso e Erdogan teria persuadido o “Primeiro-Ministro do Hamas” a realizar algumas modificações relacionadas à reconciliação com o Fatah e o reconhecimento do atual governo do Egito. Esta última medida implicaria em tensão com a “Irmandade Muçulmana”.

De fato, em seu discurso no sábado, Haniyeh falou do Fatah e do Egito em termos gerais, sem tocar em detalhes ou planejamentos. Ele mencionou a necessidade de terminar as divisões internas na sociedade palestina para confrontar com mais eficácia os perigos das negociações com Israel. Mas não forneceu nenhum indicador de como esta reconciliação deveria ser efetuada. Em relação ao Egito, Haniyeh havia demonstrado anteriormente a intenção de acalmar a situação entre o país e o Hamas, que se encontra bastante tensa. Mas, em seu discurso, no entanto, declarou apenas que não se envolveria em assuntos políticos internos do governo egípcio[2]. 

O Partido da Justiça e Desenvolvimento” (AKP) da Turquia, do qual Erdogan está à frente, negou na última quarta feira (dia 23) qualquer conversa ou influência sobre o Hamas para o website Al Monitor”. Segundo a AKP, o governo israelense está por trás da publicação, com intenções de prejudicar a Turquia e o Hamas.

O partido de Erdogan se surpreendeu pela citação do jornal egípcio “Al-Ahram” e disse que seria pouco provável o envolvimento do Egito em uma campanha contra a Turquia. As relações entre Ancara e o Cairo se desgastaram em grande escala após o golpe militar que depôs o ex-presidente Mohamed Morsi do poder no Egito[3].

Ainda de acordo com o “Al Monitor”, fontes superiores na embaixada da Palestina em Ancara afirmaram que suas investigações não encontraram nada que confirme as informações do artigo publicado no Haaretz

A aproximação entre o Hamas e o governo de Erdogan na Turquia tem se tornado visível e crescente nos últimos meses e ficou bastante clara com a visita de Khaled Meshal, líder político do Hamas, à capital turca no começo de outubro. A visita foi entendida por analistas como uma tentativa de amenizar o isolamento no qual se encontra o partido palestino que governa a “Faixa de Gaza”.

Desde que Mohamed Morsi, da “Irmandade Muçulmana”, foi deposto no Egito, o Hamas encontra sérias dificuldades. Além de ter sido acusado de colaborar com a oposição do atual governo egípcio, os túneis que levam suprimentos do Sinai para Gaza estão sendo destruídos pelas “Forças Armadas” egípcias e a fronteira entre as duas regiões é fechada constantemente. Além disso, no momento, o Hamas encontra uma deterioração em seus laços com seus apoiadores regionais como a Síria, o Hezbollah e o Irã, enfrentando um significativo declínio econômico[4]. 

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Foto (Fonte):

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2013/02/hamas-leader-khaled-meshaal-secret-turkey-visit.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/.premium-1.553634#

[2] Ver:

http://uk.reuters.com/article/2013/10/19/uk-palestinians-hamas-idUKBRE99I04V20131019

[3] Ver:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2013/10/turkey-defends-hamas.html

[4] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Turkish-PM-Erdogan-hosts-increasingly-isolated-Hamas-leader-Mashaal-in-Ankara-328176

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA interromperão ajuda militar e monetária ao Egito

Desde a segunda metade da década de 1970, a ajuda monetária norte-americana ao Egito tem sido uma das grandes bases da sua economia, que está enfraquecida desde janeiro de 2011, quando tiveram início as manifestações que culminaram na “Primavera Árabe Egípcia”.

A instabilidade política, que está levando à perda do apoio estadunidense, vem interferindo fortemente em várias setores da economia e isto será agravado com este anunciado possível cancelamento de aportes do “Estados Unidos” (EUA), já que eles colaboram economicamente com Egito em diversas áreas, desde a militar até a educativa. Além disso a instabilidade política está afetando outro grande pilar da renda egípcia, o turismo, pois o número de turistas continua a cair com o aumento da violência entre o governo militar e seus opositores.

Foi nesta última quarta-feira que o Governo norte-americano divulgou que irá reter a assistência militar em sistemas de grande escala, bem como parte do auxílio monetário que é fornecido. O anúncio ocorreu após mais um embate entre as “Forças Armadas” egípcias e opositores islamitas no domingo, que deixou mais de 55 pessoas mortas.

Dentre os equipamentos militares que deixarão de ser enviados estão helicópteros Apache, mísseis Harpoon e peças de tanques. O governo de Barack Obama também pretende interromper a transferência de 260 milhões de dólares em dinheiro e uma garantia de empréstimo no valor de 300 milhões de dólares[1].

O Departamento de Estado norte-americano afirmou que irá continuar a fornecer suporte na saúde, na educação e para atividades contraterroristas na Península do Sinai”. Segundo a porta-voz Jen Psaki, o “Estados Unidos” Irão continuar a reter a ajuda que realizava antes da queda de Mohamed Morsi, em julho deste ano (2013), devido a falta de um progresso digno de confiança de que o Egito estaria caminhando em direção a um governo inclusivo e eleito democraticamente através de eleições livres[2].

Desde a queda do ex-presidente Morsi pelas Forças Armadas”, o governo Obama não tem sido claro em relação aos acontecimentos no Egito. Tendo até 2011 um aliado no “Oriente Médio” sob a longa presidência de Hosni Mubarak, o norte-americanos não foram objetivos a respeito de seu posicionamento quanto aos fatos ocorridos desde então.

Quando Morsi foi eleito, houve uma preocupação consistente em relação à “Irmandade Muçulmana” no poder, porém Washington não se atreveu a apoiar o golpe militar contra o primeiro presidente escolhido democraticamente no país. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o congelamento da ajuda fornecida não pretende ser permanente, mas temporário. O objetivo principal seria incentivar o governo a adotar medidas para eleições democráticas.

Contrapondo-se à falta de clareza do posicionamento norte-americano frente à queda de Morsi, no entanto, Estados do Golfo pérsico se colocaram imediatamente a favor do golpe contra a “Irmandade Muçulmana”. A Arábia Saudita, por exemplo, afirmou que passará a fornecer auxílio ao governo egípcio, caso o Estados Unidos retirem seu apoio[3].

A questão entre Washington e Cairo vai muito além da área econômica, representando uma enorme instabilidade e incerteza para a longa aliança entre os governos norte-americano e egípcio.

Ressalte-se ainda que Mohamed Morsi continua mantido em local secreto desde sua deposição da Presidência em julho deste ano (2013). O Ex-Presidente será julgado no próximo dia 4 de novembro, segundo a mídia estatal do Egito, sob acusações de incitar assassinato e violência. As acusações se referem à morte de pelo menos sete pessoas durante confrontos entre adeptos da “Irmandade Muçulmana” e opositores que protestavam no ano passado em frente ao palácio presidencial no Cairo.

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Imagem (Fonte):

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/43411/Egypt/Politics-/EgyptUS-ties-will-be-cooler-whoever-wins-in-Egypt-.aspx

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/US-freezing-hundreds-of-millions-of-dollars-in-military-aid-to-Egpyt-328318

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-24470121

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23775816

Ver também:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/0/80827/Egypt/0/Obama-weighs-Egypt-aid-suspension.aspx

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Egito ameaça atacar a “Faixa de Gaza”

Oficiais da Força de Segurança do Egito anunciaram na última quinta-feira, dia 03 de outubro, que o exército do país elaborou planos para atacar alvos na Faixa de Gaza”. A ameaça de ataque é a primeira do tipo, após semanas de tensão entre Cairo e o Hamas, partido no poder na “Faixa de Gaza”. Na semana passada, o “Ministro das Relações Exteriores” egípcio, Nabil Fahmy, realizou uma declaração de que a situação entre Cairo e o Hamas era de tensão e seria possível haver respostas militares por parte do Egito[1].

Desta vez, fontes do Exército relataram à agência de notícias palestina, Ma’an, que os novos planos do país em relação à região incluem ataques a alvos específicos, além disso que as “Forças Armadas” já sobrevoaram o território em veículo aéreo não tripulado para fotografar uma série de pontos no local. Segundo os oficiais, os ataques serão realizados caso haja uma escalada de violência contra tropas egípcias no Sinai por grupos terroristas baseados no território palestino governado pelo Hamas[2].

As informações são de que o Exército do Egito planeja atacar somente grupos extremistas baseados em Gaza, considerado como hostis. Os oficiais procuraram deixar claro que não enxergam toda a população palestina sob o governo do Hamas como adversária[3].

O aviso por partes dos militares foi realizado depois de três soldados egípcios terem sido feridos com explosões ao norte da “Península do Sinai”, na manhã de terça, dia 1o de outubro[4]. A tensão entre o Governo egípcio e o Hamas na Faixa de Gaza vem crescendo nas últimas semanas, com o aumento da violência entre exército e grupos islamitas na região.

A fonte que realizou o pronunciamento à agência “Ma’an” afirmou que o ataque realizado ao centro de inteligência localizado na cidade de Rafah, próxima a fronteira entre Egito e Gaza, foi realizado por organizações terroristas do próprio lugar. No ataque em questão, ocorrido há menos de um mês, duas explosões mataram dezessete pessoas e deixaram onze feridos, a maioria soldados.  

Na quarta-feira passada, o comandante do Segundo Exército do Egito, general Ahmed Waasfi, declarou que a paciência das forças militares egípcias com os jihadistas da Faixa de Gaza está se esgotando[5]. Ao longo das últimas 48 horas o Exército egípcio intensificou suas operações ao norte do Sinai, com o objetivo de rastrear operações terroristas, além disso, os militares continuam demolindo túneis que ligam o país a cidades na “Faixa de Gaza”. Centenas já foram demolidos e a economia já precária das cidades palestinas localizadas na região começa a piorar ainda mais sem os contrabandos de produtos vindos do Egito.

Na semana passada, o Governo egípcio reabriu a passagem de Rafah, principal fronteira entre Egito e Gaza, que ficou fechada por aproximadamente uma semana e meia. A passagem é constantemente fechada e reaberta desde a deposição do ex-presidente Mohamed Morsi pelo Exército, no último dia 3 de julho, como resultado das acusações contra o Hamas, que estaria envolvido em ataques aos soldados egípcios no Sinai. O Hamas continua negando as acusações feitas pelo governo do Egito, afirmando que elas são uma tentativa de prejudicar sua imagem.

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Foto (Fonte):

http://www.onlineopinion.com.au/view.asp?article=11626&page=0

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Report-Egypts-army-is-planning-to-attack-targets-in-Gaza-327769

[2] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=635479

[3] Ver:

http://www.timesofisrael.com/egypt-threatens-military-action-against-gaza/

[4] Ver:

http://www.egyptindependent.com/news/three-soldiers-injured-bomb-explodes-north-sinai

[5] Ver:

http://www.eju.org/news/world/egypt-drafts-plans-launch-strikes-gaza-terror-targets

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Entre “Forças de Segurança” e “Militantes Islamitas”: a violência aumenta no Egito

As ondas de violência que decorrem da deposição de Mohammed Morsi da Presidência egípcia continuam aumentando. Nesta semana, as cidades de Delga e Kerdasa foram palcos de embates entre a polícia e manifestantes que apoiam o ex-presidente.

Delga fica ao sul do Cairo e sofreu uma incursão por parte das “Forças de Segurança” egípcias na última segunda-feira, dia 16. O objetivo era terminar com o domínio de militantes islamitas que tomaram o controle da cidade após o golpe sobre Morsi. Durante a investida, dezenas de residentes da cidade foram presos.

A ação militar em Kerdasa começou na manhã de ontem, quinta-feira, dia 19. Em agosto, 15 policiais foram mortos na região por um grupo de islamitas. Seus corpos foram mutilados e arrastados por carros. O ocorrido teria sido em retaliação à violência utilizada pelas forças militares em campos de protestos a favor de Mohammed Morsi, no Cairo.

Na manhã de ontem, centenas de militares entraram na cidade, apoiados por helicópteros e veículos de guerra. Os membros da força de segurança encontraram a resistência de militantes islamitas armados nos telhados de prédios, escolas e mesquitas. O general Nabeel Farrag foi atingido e morreu durante o tiroteio.  Ao entardecer, a troca de tiros terminou, mas havia forte permanência de policiais nas ruas e nos checkpoints militares das principais saídas da cidade.

Kerdasa é uma cidade importante para a economia egípcia. De fácil acesso à capital, fica próxima às pirâmides de Giza, principal ponto de atração turística do país. O comércio de carpetes típicos e roupas também faziam do lugar um destino popular.

A violência mútua entre forças militares e grupos de manifestantes que apoiam a Irmandade Muçulmana está crescendo cada vez mais. Dentre as análises realizadas acerca da situação do país, está em foco a atuação de grupos islamitas na política e a possível retomada do poder pelos militares, como era antes dos movimentos da “Primavera Árabe”. 

Em meio ao conflito crescente, a população local está sofrendo com o enfraquecimento constante de sua economia e da sua segurança. Moradores de Kerdasa, por exemplo, alegaram que não confiam na polícia e que a agitação contra o governo ocorrida na cidade é realizada por pessoas de fora e não por moradores locais. Os militantes tomaram o controle da cidade há mais de um mês. O morador Ahmed Aly se sente inseguro, como declarou: “Nós sabemos que eles virão prender pessoas, sabemos e respeitamos, quem eles culpam pela violência que estamos a par, realizada por pessoas de fora, não por nossos respeitáveis sheiks[1]. Pelo menos mil pessoas foram mortas durante os confrontos entre militantes e forças de segurança desde Julho deste ano, dentre elas, 100 policiais.

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Imagem (Fonte):

http://www.reuters.com/article/slideshow/idUSBRE98I04A20130919#a=5

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-24156197

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Ver também:

http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57603604/egyptian-troops-storm-islamist-stronghold-of-kerdasa-near-cairo/

Ver também:

http://english.ahram.org.eg/NewsContentP/1/81969/Egypt/Egypts-security-forces-storm-Kerdasah,-police-offi.aspx

AMÉRICA DO NORTEÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Possível solução diplomática para a Síria entre Estados Unidos e Rússia

Na última terça-feira, dia 10 de setembro, o presidente sírio Bashar al-Assad aceitou o plano proposto pela Rússia de abrir mão se suas armas químicas. O governo russo tem sido o principal aliado da Síria nos últimos dois anos e apresentou o projeto como uma tentativa de evitar a utilização de forças militares americanas no país.

Segundo declaração feita pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, a proposta de que a Síria entregue seus estoques de armas químicas para o controle internacional só pode funcionar se “o lado americano e todos aqueles que apoiam os Estados Unidos neste sentido rejeitarem o uso da força[1].

Nesta quinta-feira, 12 de setembro, o Secretário de Estado norte-americano John Kerry chegou à Genebra para conversar com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Na ocasião, oficiais do governo dos Estados Unidos declararam que a Síria deve tomar medidas imediatas com o objetivo de demonstrar sua seriedade e realidade de intenções. Dentre os primeiros passos exigidos por Washington, a administração de Bashar al-Assad deve fazer uma declaração pública do conteúdo de seus estoques de armas químicas como um prelúdio para inspeção e neutralização das mesmas[2].

Os planos de Kerry são de manter pelo menos dois dias de conversações com Lavrov acerca da proposta da entrega das armas químicas pelo governo sírio. Também esta quinta-feira, o Secretário de Estado norte americano estava com reunião marcada com Lakhdar Brahimi, o enviado especial da ONU na Síria. John Kerry está acompanhado de uma delegação governamental e de especialistas do Pentágono em não proliferação.

Após a apresentação do plano pelo Governo russo, o presidente dos “Estados Unidos”, Barack Obama, aceitou a proposta diplomática em primeira mão, mas com cautela. Obama não foi bem sucedido nas últimas semanas em seus esforços para ganhar apoio do púbico e do Congresso estadunidense para uma ação militar em território sírio. Ainda assim, as autoridades americanas reconhecem que a possibilidade de um acordo é bastante incerta, por motivos políticos e logísticos. 

Com os acontecimentos desta semana, o governo sírio reconheceu oficialmente de forma pública que possui armas químicas, mas continua atribuindo a responsabilidade dos ataques ocorridos no dia 21 de agosto às forças de oposição.

Nem a proposta de rendição das armas químicas, nem a declaração pública de seus estoques pelo presidente da Síria influenciam na resolução ou em medidas para amenizar a guerra civil que já deixou mais de 100 mil mortos no país. A oposição ao governo Assad rejeitou o plano, que, a seu ver, seria inútil e permitiria ao Presidente continuar utilizando livremente armamentos convencionais contra os grupos rebeldes e a população.

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Imagem (Fonte):

http://www.theguardian.com/world/2013/may/07/russia-us-syria-conference

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57602144/syria-accepts-russian-plan-to-surrender-chemical-weapons-stockpile-as-strike-momentum-eases/

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.546710